terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Curiosidades de Noel Rosa



→ A música "Conversa de botequim" foi feita por um fato que ocorreu com Noel Rosa em um barzinho em que frequentava, onde tinha um garçom que, quando ele chegava, ia limpar a mesa (um modo de dizer na época que o cliente não era bem vindo).

→ O telefone (344333) citado na música "Conversa de Botequim" teve tanto sucesso que a empresa telefônica da época comprou o número para fazer uma propaganda.

→ Noel Rosa era muito boêmio. Certo dia, foram chamá-lo para participar de uma reunião de sambistas. Sabem o que a mãe dele fez? Escondeu a roupa dele todinha, assim, ele não poderia sair. Daí, ele fez o samba famoso: “Com que Roupa”.

→ Noel Rosa mudou os rumos da Música Popular Brasileira. Colocou na medida exata, o peso da poesia nas composições. Tudo o que aconteceria em nossa música nas décadas seguintes teria, de alguma forma, sua marca ou sua influência.

→ Noel Rosa foi alfabetizado pela mãe e, aos 13 anos, entrou para o colégio Maisonnette, cursando depois o São Bento, onde ficou até 1928, conhecido pelos colegas como Queixinho.

→ Tudo indica, que Noel Rosa não percebeu de início o potencial da música "Com que Roupa", pois, além de mantê-la inédita por um ano, vendeu-lhe os direitos pela quantia de 180 mil-réis, irrisória já na época.

→ Casou-se em 1934 com Lindaura, mas era apaixonado mesmo por Ceci, a dama do cabaré.

→ Noel nasceu de um parto difícil em que o uso do fórceps pelo médico causou-lhe um afundamento da mandíbula que o marcou por toda a vida.

→ Criado no bairro carioca de Vila Isabel, filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa, Noel era de família de classe média.

→ Adolescente, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música - e pela atenção que ela lhe proporcionava. Logo, passou ao violão e cedo se tornou figura conhecida da boemia carioca.

→ Entrou para a Faculdade de Medicina, mas logo o projeto de estudar mostrou-se pouco atraente diante da vida de artista, em meio ao samba e noitadas regadas à cerveja.

→ Noel foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando de Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.

→ Noel também foi protagonista de uma curiosa polêmica travada através de canções com seu rival Wilson Batista. Os dois compositores atacaram-se mutuamente em sambas agressivos e bem-humorados, que renderam bons frutos para a música brasileira, incluindo clássicos de Noel como "Feitiço da Vila" e "Palpite Infeliz".

→ Noel Rosa foi apresentado ao compositor e pianista paulista Vadico (Osvaldo Gogliano) por Eduardo Souto em 1932, quando no mesmo dia Vadico mostrou a Noel seu último samba. Noel gostou tanto que colocou letra dando assim origem  à primeira composição das dez que os dois fizeram juntos: "Feitio de oração". Esta letra Noel escreveu em homenagem à Julinha, uma de suas muitas namoradas. Também em sua homenagem Noel compôs: "Pra esquecer", "Cor cinza", "Meu barracão" e "Vai pra casa" esta com Francisco Matoso.

→ Foi nos braços de Lindaura que Noel Rosa faleceu em 4 de maio de 1937, na mesma casa onde nasceu, aos 27 anos.

→ Diário da Noite, 5 de maio de 1937: "Morreu Noel Rosa. Após alguns minutos, a cidade inteira já sabia. Noel o popular cantor e compositor dos morros da cidade que sempre se destacou pelas suas producções, deixa a vida para ir de encontro a um novo mundo. De algum tempo para cá, Noel deixou de aparecer nos meios radiophonicos e recolheu-se a um sanatorio atacado por terrivel enfermidade. Os seus "fans" reclamaram; porém, Noel não podia attendê-los por ter necessidade de absoluto repouso. Suas melhores producções, alías, a que lhe deu nome, foi ha alguns annos o samba "Com Que Roupa". Depois, seguiram-se outros, e ultimamente "João Ninguem", "De Babado Sim" e outros. Encerra-se com o autor de "Pierrot Apaixonado", "Feitiço da Villa", "Palpite Infeliz" e outras composições populares, uma etapa verdadeiramente brilhante do samba de nossa terra. Noel morreu subitamente em consequencia de um colapso cardiaco, quando na rua Theodoro da Silva n. 382, o querido compositor encontrava-se em companhia de sua progenitora, esposa e alguns amigos palestrando recostado no leito. (...) Cerca de 23 1/2 horas, o "sambista philosopho" pediu que fosse tocada uma das suas composições, no que foi attendido promptamente. Então, cantando "De Babado Sim", Noel repentinamente deixou de viver desapparecendo da vida e deixando saudades. Porém, suas musicas não serão esquecidas e a sua memória será tão venerada como a dos nossos maiores compositores da musica popular. O seu enterro será realizado hoje á tarde, saindo o feretro da rua Thedoro da Silva n. 382 em Villa Isabel.

Do Blog Letras.com.br


Em algum ponto de 1934, Noel Rosa foi ao consultório do médico de toda vida – literalmente. O doutor Graça Mello fizera seu parto, a fórceps, do que resultou o queixo deformado que marcava a face do compositor. E recebeu uma má notícia: tinha tuberculose, doença então mortal. A resposta foi imediata:

– Prefiro viver intensamente que extensamente.

Saiu do consultório, voltou para o que lhe interessava: Ceci, dançarina de cabaré por quem andava apaixonado. A paixão se traduzia por noites inteiras de conversas regadas a muitos cigarros, cervejas (a base de sua alimentação) e sexo. Como subproduto disso, para pagar as contas, muitos sambas. São dessa safra Dama do Cabaré e Último Desejo, por exemplo.

A essa altura da vida, Noel Rosa tinha 24 anos e algumas dezenas de sambas de sucesso em três anos e pouco de carreira – o que dá uma medida mais exata do que pode significar em seu caso a palavra “intensamente”.

Noel Rosa foi tão genial, que deixou epitáfio à altura: “Quando eu morrer/não quero choro nem vela/quero uma fita amarela/gravada com nome dela“. Seu velório, em maio de 1937, foi um verdadeiro Carnaval. No meio da festa, alguém roubou o dinheiro reservado para pagar o enterro. E todos cantaram Noel no féretro – e daí para diante.

Jorge Caldeira


Noel Rosa, já muito doente, em uma de suas últimas fotos. 


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