quinta-feira, 16 de março de 2017

O analfabeto




Sabendo que o vigário da paróquia estava precisando de um sacristão, o Nicola o procurou para candidatar-se ao lugar. Mas, por ser analfabeto, não foi aceito.

Tendo já por esse mesmo motivo perdido outros empregos, resolveu finalmente ganhar a vida trabalhando por conta própria, comprando aqui e vendendo ali tudo quanto lhe aparecia: frutas, ferro velho, garrafas vazias etc.

Trabalhador ativo e extremamente econômico, não lhe foi difícil acumular, em pouco tempo, um bom capital.

Com o passar dos anos, seus negócios tornaram-se mais importantes. Comprava e vendia cereais em alta escala e fazia grande movimento nos bancos. Tornou-se, enfim, um forte negociante no ramo a que se dedicara.

Certo dia, foi ao banco, com o qual mantinha grandes transações, para retirar alguns conhecimentos de embarque de café, que havia caucionado. Depois de preparar o recibo para a devolução daqueles documentos, o funcionário pediu-lhe que o datasse e assinasse, sobre as respectivas estampilhas. E, enquanto desenhava com dificuldade a assinatura, o Nicola ia dizendo:

‒ Eu assino e depois o senhor completa o resto, porque só sei escrever o meu nome.

Admirado, o funcionário comentou delicadamente:

‒ Mas, como é isso, seu Nicola? Então o senhor, um homem tão rico como é, não sabe escrever?

‒ Felizmente! Pois se eu soubesse ler e escrever, até hoje ainda seria sacristão...


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De Décio Valente, no livro: “Anedotas e contos humorísticos’


P.S. Esta pequena história foi baseada no conto “O Sacristão”, de Somerset Maugham.



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