quarta-feira, 4 de junho de 2014

A família dó, ré, mi...

Por Márcio Cotrim



   
A origem das notas musicais remonta aos monges do século 10 e ecoa no cotidiano atual.

Fá, sol, lá, si, eis as notas musicais. Por assim dizer, os insumos básicos para a composição de qualquer melodia.

Seu berço nos leva ao monge beneditino Guido D´Arezzo, que viveu de 950 a 1050. Mestre do coro da catedral de Arezzo, na Itália, ele deu nome às primeiras seis notas. Para isso, utilizou as sílabas iniciais dos versos de um hino latino a São João Batista que dizia assim:

- Ut queant laxis/ Ressonare fibris/ Mira gestorum/ Famuli tuorum/ Solve polluti/ Labii reatum./ Sancte Iohnnes.

Em Português:

- Ó São João, purifica os nossos lábios maculados a fim de que possamos celebrar, plenamente, os teus feitos maravilhosos.

A história desse hino é curiosa. Seu autor, o italiano Paolo Diacono, depois de pegar um bruto resfriado e ficar afônico, implorou a São João que lhe fizesse voltar a voz, e o pedido virou hino!

Os nomes da notas mantiveram sua forma primitiva até o século 17, quando foi acrescentada a sétima, si, pela junção das iniciais de Sancte Iohnnes. No século 18, a primeira nota mudou de ut para , mais sonora para ser cantada.

Por falar em música, lembremos o grande Artur da Távola:

- "Música e vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão”...


Revista Língua Portuguesa número 14




Marcio Cotrim, dentre outras obras,

é autor do livro O Pulo do Gato – 
Berço de palavras e Expressões Populares

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