quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Centenário da primeira parteira formada no Brasil


(1816 – 1916)



Maria Josephina Mathilde Durrocher, a madame Durocher, nasceu em Paris em 1808 e chegou ao Brasil em 1816. Graduou-se no curso de parteira na Academia Imperial de Medicina, tendo sido diplomada em 1833. Morreu no Rio em 25 de dezembro de 1893.

Há 100 anos, no dia 8 de agosto de 1816, chegava ao Brasil, com 7 anos de idade, Maria Josephina Mathilde Durrocher, nascida na França, que devia ser mais tarde a primeira mulher matriculada em nossa Academia de Medicina e a primeira parteira formada no Brasil.

No Rio, foi educada a princípio por sua mãe, que abriu uma loja de fazendas francesas na rua dos Ourives.

Recebeu depois lições de humanidades do professor Simpliano José de Souza. Em 1828 emancipou-se para poder ter sociedade e dirigir a loja de sua mãe que morreu em 1829. Em 1832 vamos encontrar madame Durocher já com dois filhos, com algum dinheiro, mas obrigada a fechar sua loja que ia em decadência. Foi então que resolveu matricular-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, obtendo diploma de parteira no fim do ano letivo de 1833.

Data daí a notoriedade de madame Durocher como profissional exímia, motivo por que foi nomeada parteira da Casa Imperial e eleita membro titular da Academia de Medicina.

Madame Durocher fez cerca de oito mil partos no Rio de Janeiro e não só pela classe médica, como por toda a nossa sociedade, pela sua competência profissional e pelas suas qualidades de espírito e de coração. Tinha uma curiosa maneira de vestir-se: colete e casaco de homem, saia de merimó preto e chapéu preto à semelhança de cartola.

Teve dois filhos. Morreu pobre, quase cega, com 85 anos, em dezembro de 1893. É a única mulher que pertenceu à Academia de Medicina até hoje (1916), como seu membro titular.

Esta associação científica celebrou no dia 10 de agosto de 1916, o centenário da sua chegada ao Rio de Janeiro, com uma sessão solene, às 21 horas, no edifício Syllogen, falando como orador oficial do Dr. Alfredo Nascimento.

  
(Correio do Povo de 1916 – publicado novamente,
após 100 anos, em 2016)



A parteira Madame Durocher foi a primeira mulher
na Academia Nacional de Medicina


No museu da Academia Nacional de Medicina (ANM), no Centro, a imagem de uma estranha figura chama a atenção. Cabelos curtos, repartidos do lado, casacão e aspecto viril, aquela é, embora não pareça, uma mulher: Maria Josefina Matilde Durocher, a primeira parteira a receber licença para exercer o ofício no país e símbolo dessa atividade. Mais conhecida como Madame Durocher, ela nasceu em Paris, em 1809, e veio para o Brasil aos 7 anos. No Rio, onde fixou residência, se tornou também a primeira mulher a integrar a ANM, a mais antiga instituição de medicina do Brasil, que completa 180 anos hoje (2015). A curiosa história da primeira acadêmica revela também um pouco mais sobre a evolução da medicina no Brasil.

– Ela usava trajes masculinos para poder trabalhar, já que muitas vezes precisava sair à noite para atender a seus pacientes ‒ explica Marcos Moraes, presidente da ANM. ‒ E naquela época, mulheres sozinhas à noite eram tidas como prostitutas.

O trabalho que a tornou conhecida ‒ realizou mais de cinco mil partos ‒ não foi a primeira ocupação profissional de Madame Durocher. Em 1829, depois da morte da mãe, a florista Ana Durocher, que se estabeleceu aqui como comerciante, Maria Josefina passou a comandar a loja da família.

D. Pedro II assistia às reuniões da ANM

Foi só após o assassinato do seu companheiro, o negociante francês Pedro David, três anos depois, que Maria Josefina matriculou-se no Curso de Partos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

A partir daí, passou a se dedicar aos estudos e, depois, à profissão. Para exercê-la, usando o codinome Madame Durocher, optou pelos trajes masculinos, que considerava confortáveis e favoreciam o trânsito pela cidade.

– Ela atendia de escravas a princesas e, em 1866, se tornou a parteira da Casa Imperial – lembra a museóloga Kátia Costa e Silva, que cuida do acervo da ANM.

Em 1871, Madame Durocher – que participou do nascimento da Princesa Leopoldina, filha de D. Pedro II – foi convidada a ingressar na Imperial de Medicina, mais tarde, Academia Nacional de Medicina. Ela passou a frequentar as reuniões da entidade, publicando também diversos artigos sobre saúde. Sua influência ali foi tamanha que a academia criou, em 1909, o Prêmio Durocher, dado até hoje a trabalhos de destaque em obstetrícia e ginecologia.


(O Globo)





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