sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O Grito do Ipiranga


Grito do Ipiranga é um plágio?

Você deve ter achado o título dessa notícia um tanto estranho, afinal, o termo plágio se aplica quando um autor se apropria indevidamente da obra de outro, apresentando a obra copiada como se fosse uma obra própria, e não a eventos históricos. E é verdade: se falássemos sobre o ato de Dom Pedro I às margens do rio Ipiranga, seria realmente estranho; mas, aqui, estamos falando do quadro Grito do Ipiranga, nome pelo qual ficou conhecido o quadro Independência ou Morte, obra do pintor Pedro Américo que deixou a mais importante representação sobre esse ato tão importante para nossa história. Mas, você sabia que essa obra é acusada de ser um plágio? É isso mesmo. Além disso, o quadro de Pedro Américo contém uma série de mitos que são contestados pelos historiadores, e é isso o que você vai conhecer agora.


Pedro Américo (foto acima) foi um pintor brasileiro que viveu entre os anos de 1843 e 1905 e ficou conhecido por suas obras históricas, nas quais retratou grandes feitos da história do Brasil, como Tiradentes Esquartejado, sobre a Inconfidência Mineira, ou Batalha de Avaí, que ocorreu na Guerra do Paraguai, além de muitas outras obras.

Pedro Américo pintou o quadro Grito do Ipiranga em 1888, portanto, 66 anos depois do evento histórico, sob encomenda do Governo Imperial Brasileiro, que estava investindo na construção do Museu do Ipiranga, hoje chamado de Museu Paulista. O pintor não foi uma testemunha ocular do fato e sua obra apresenta uma série de divergências com a versão dos historiadores sobre o episódio. Como, por exemplo, o fato de Dom Pedro I e toda sua comitiva estarem montados em belos cavalos ‒ isso seria muito difícil, uma vez que todos estavam vindo de Santos, e, para chegar até São Paulo, tinham que atravessar a Serra do Mar. Como tal subida era muito difícil, em geral, utilizavam-se das mulas e dos burros, animais mais fortes e resistentes a esse tipo de atividade que os cavalos; por isso, é bem provável que Dom Pedro I estivesse montado em uma mula muito menos vistosa e imponente que o cavalo marrom do quadro de Pedro Américo.

Além disso, a travessia da Serra do Mar era algo muito penoso, e é difícil que tanto o Imperador quanto os seus soldados estivessem usando roupas de gala, como as retratadas pelo nosso pintor. Muito provavelmente, todos estavam usando trajes simples, sujos e surrados pela longa jornada. Uma cena um tanto mais deprimente e menos inspiradora que a que Pedro Américo retratou. Além disso, conta-se que nosso Imperador estava com uma forte diarreia nesse dia, e, por isso, é provável que ele não estivesse tão disposto como no retrato.

Também há divergências sobre o número de pessoas que acompanharam o evento, que seria muito menor que o mostrado no quadro de Pedro Américo, ou ainda, sobre a presença da casa de pau-a-pique estampada no fundo da tela, uma vez que os historiadores alegam que o registro mais antigo dela data de 1884. Se não bastassem essas divergências históricas, Pedro Américo ainda foi acusado de ter plagiado a ideia para esse quadro de um outro, chamado 1807, A Batalha de Friedland, de Ernest Meissounier, que retrata a vitória de Napoleão Bonaparte na batalha de mesmo nome.

Pedro Américo se defendeu de seus críticos que o acusavam de falsear os eventos, afirmando que “a realidade inspira, e não escraviza o pintor”. Sobre a questão do plágio, nunca saberemos se Pedro Américo realmente se inspirou na pintura de Meissounier, ou se foi uma coincidência. Mas, os dois quadros estão aí ‒ por que você não os analisa e tira suas próprias conclusões?


A Batalha de Friedland de Ernest Meissounier


O Grito da Independência de Pedro Américo

(Do Blog UOL – Apoio Escolar)
Sete erros do quadro:

1. → A Guarda do Imperador: Historiadores apontam que a comitiva que acompanhava D. Pedro no momento da proclamação da Independência do Brasil era composta por apenas 9 ou 10 pessoas.

2. → As roupas: De acordo com algumas investigações, o grupo de D. Pedro estava a utilizar roupas de algodão, mais apropriadas para o desgaste de viagens. Além disso, os soldados que aparecem vestidos de branco são os Dragões da Independência, o 1° Regimento de Cavalaria de Guardas, e não estavam presentes no momento.

3. → A Casa do Grito: A pequena construção, nomeada em homenagem ao grito “Independência ou Morte” de D. Pedro, não existia em 1822. O seu primeiro registro é de 1884, 62 anos depois do evento.

4. → Cavalos: O principal meio de transporte da época para longas viagens do imperador eram as mulas, pois resistiam melhor às dificuldades do terreno e as variações de temperatura.

5. → Riacho Ipiranga: Segundo localização dos personagens na pintura, o riacho Ipiranga está muito próximo da Casa do Grito e deveria encontrar-se atrás de quem observa o quadro.

6. → José Américo: O homem que aprece no fundo do quadro à esquerda é o próprio pintor, José Américo. Ele, no entanto, não estava presente, pois nasceu 21 anos depois do evento.

7. → Participação Popular: A pintura mostra alguns homens a presenciar a proclamação da independência, fato questionado pelos historiadores, devido à falta de registros históricos de povoamento da região do Ipiranga.

(Do Blog Observador)

Outra maneira de ver os 7 erros:

1) Transporte: Como D.Pedro I estava viajando de São Paulo para Santos a estrada tinha muitos buracos, ribanceiras para um capote, naquela época usavam mulas, tirem os cavalos de lá, coloquem mulas!

2) Luxo? Como estavam viajando com mulas há dois dias, eles não iriam usar roupas quentes com almofadinhas, eles tinham que usar roupas mais simples e confortáveis.

3) Rosto: D. Pedro, na verdade, não estava com aquela cara de vitorioso e sim, com cara de dor de barriga.

4) Quem é tu?: Sempre tem os roberts (quer aparecer na foto) Pedro Américo não participou da ocasião e queria que o colocassem e apareceu bem lá, no lugar mais alto.

5) Povoado: Esqueça essa multidão, na verdade, só tinha 10 ou 9 pessoas no dia na comitiva de D.Pedro.

6) O Rio: Aquele Rio do Ipiranga não estava perto deles na frente do morrinho e sim bem lá atrás.

7) Casa assombrada: Aquela casinha que aparece no canto direito é a Casa do Grito, que existe até hoje nos jardins do Museu Paulista. Ela não existia na hora do Grito...


Adendo de um amigo da Bahia:


Tchê:

Dá para sentir que, mesmo antes do Tropicalismo, a mania de copiar as artes europeias, para melhor fazê-las já estava presente no dia do Grito do Ipiranga. Mas fiquei tentado a também contribuir, dedutivamente, para a nossa história.

Com base nas histórias de meu falecido padrinho, um bom cavaleiro que chegou a levar mulas de Vacaria - RS para Sorocaba - SP, eu também concordo com a ideia de que o D. Pedro I não montava um cavalo "azulejo", mas cavalgava numa mula. Sobre o resto eu não gostaria de comentar. Mas nada se disse sobre o motivo real da dor de barriga real, que - assim como toque travesso do corneteio Lopez - mudou completamente o destino pátrio. E vou tentar comprovar que ele, o imperador, foi vítima de uma peixada mal feita.

Dois fatos ajudariam qualquer Sherlock Holmes nesta investigação:

1 - a comitiva estava vindo de Santos, terra de muitos frutos do mar;

2 - os dois vocábulos formadores do vocábulo Ipiranga são "I" água e "piranga" vermelho.

Ou seja, provavelmente, o imperador se expressou na língua dos índios, para poucos entenderem o real motivo de sua tragicômica dor de barriga - com certeza oriunda da ingestão de um peixe vermelho e que o fazia obrar uma massa líquida, como se água fosse.

Depois de ter gritado I-Piranga! É que ele lançou aos ventos a outra frase... que ficou bem mais famosa, diga-se de passagem.

E, realmente, uma moqueca de peixe vermelho pode deixar uma pelotão fora de combate, se for preparada com peixe estragado...

Aliás, a história brasileira muito deve aos peixes. O que seria de São Paulo sem o Piratininga (peixe seco) ou mesmo do Rio Grande do Sul sem Piratini?

Já o pintor, Pedro Américo, está plenamente desculpado. Por viver numa corte e num tempo onde não havia maquinas fotográficas, e até mesmo ser impossível tirar um selfie, se retratou e passou a ser o pioneiro dos denominados papagaios-de-pirata, aqueles fulanos que esbarram um todos, atabalhoadamente, só para sair na foto com alguém famoso.

E consola-se saber que até a história já anistiou a cozinheira que fez para o D. Pedro o mal digerido quitute, uma outra investigação seria necessária para saber o seu nome - até então as suspeitas recaem sobre a poderosa Marquesa de Santos... Mas, hoje, a querida cidade de Santos acordou com uma ressaca horrível - lá o mar não está para peixe. E vamos pedir para que todos os santos abençoem este nosso Brasil brasileiro.

Bola para frente, que a camisa de nossa seleção canarinho não pode mais ser posta em cordinha, para secar. Pois com o peso, de mais esta medalha olímpica, as lavadeiras da Lagoa de Abaeté recomendam que se usem correntes para estendê-las.


Feliciano Monteiro, Villa Catita - Bahia


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