quinta-feira, 21 de julho de 2016

Pegadinhas mágicas



→ Perguntem, assim à queima-roupa, a uma pessoa a quem querem apanhar:

– Quantas moedas de um real há numa dúzia?

E ela logo dirá: “Doze”.

Perguntem-lhe depois:

– E quantos meios reais há?

Sem mesmo pensar, é quase certo que ela responda: “Vinte e quatro”.

– Isso é impossível – diga-lhe então – numa dúzia nunca há mais de doze.


→ Outra pegadinha: Esta dá sempre grande resultado. Diz-se a alguém:

– Sabe, os ônibus vão parar amanhã!
– Por quê?
– Para as pessoas poderem subir e descer, nas paradas.


→ Mais outra. Pede-se a alguém que diga “casas sem janelas”. Esse alguém repetirá:

– “casas sem janelas”.

Diz-se-lhe que não é assim e que deve dizer “casas sem janelas”.

Depois dele ter dito isto, vê se que também errou e desta vez faz-se-lhe notar que deve dizer:
“casas sem janelas”.

Ele torna a repetir e torna a errar.

A pegadinha é muito simples. O que ele havia de ter dito era só “casas” e mais nada.


→ Diz-se a uma pessoa amiga:

– Posso obrigar-te a dizer “preto”!
– Experimenta – responde ela.

Começa-se então:

– De cor é o céu?
– Azul.
– De que cor é a grama?
– Verde.
– De que cor é o carvão?

A isto não responde o nosso interlocutor.

Continua-se, pois:

– De cor é a bandeira brasileira?
– Verde, amarela e azul.
– E a francesa?
– Vermelha, branca e azul.
– Vês? Fiz-te dizer “azul”!
– Ah! Mas eu julgava que era “preto” que querias que eu dissesse!
– Estás vendo, acabaste de dizer “preto”.


→ Apostemos com uma das pessoas presentes que ela não é capaz de adivinhar em qual das mãos temos uma moeda de um real escondido.

Agarramos, sem que deem por isso, duas moedas de um real, que sejam iguais, e escondemos uma em cada mão. Pomos as mãos atrás das costas e fingimos mudar a moeda dum lado para o outro; apresentamos, depois, as mãos, fechadas, à assistência, com uma moeda em cada uma delas. Se aquele que se prestou a adivinhar, aponta para a nossa mão esquerda, abrimos a direita, e mostramos-lhe a moeda que lá está. Se aponta para a direita, abrimos a esquerda, e ele perde igualmente, porque lá está a moeda.


→ Fazemos para uns amigos a seguinte pergunta para intrigar:

– Diga-nos se se pode dividir vinte por um e obter dezenove?

Todos responderão que é impossível.

Pois não é. Ora veja: Aqui temos XX. Dividam-no por I e olhem! XIX.


→ Andando a passeio com uns amigos e achando-nos por acaso na margem de um rio, dizemos-lhes assim à queima-roupa:

– Quem quer apostar comigo em como estamos do outro lado do rio?
– Isso é tolice! Aposto eu o que você quiser, – diz um deles – como não estamos.
– Um charuto.
– Pronto, apostado.
– Ora bem (e apontamos para a margem oposta) aquele é um lado, não é?
– É.
– E, por conseguinte, este lado em que estamos, é evidentemente o outro! Venha de lá esse charuto.


→ Debaixo de um prato colocamos uma moeda, e dizemos a todos que somos capazes de tirar esse objeto do seu lugar, sem tocarmos no prato. Em seguida fazemos uns passes de mágica com as mãos, por cima deste e dizemos para quem está presente: “Agora o levantem.” Alguém o faz, e nós imediatamente retiramos de baixo do prato a moeda que lá se encontrava, cumprindo assim o havíamos dito, pois a verdade é que não fomos nós que lhe tocamos.


→ Numa reunião familiar, faça a seguinte proposta: Você colocará uma cadeira no meio da sala, e um voluntário sentará nela e, após dar três voltas ao redor dela, a pessoa que estiver sentada na cadeira se levantará espontaneamente. Logo um dos presentes se prontifica a fazer a experiência e se senta na cadeira. Nós, então, damos duas voltas em torno dela e dizemos:

– Bem, a terceira volta fica para manhã!

É claro que o paciente voluntário não pode ali ficar sentado até o dia seguinte e, portanto, nós teremos ganho a aposta.



(Dos Almanach Bertrand de 1925 e 1930)



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