sexta-feira, 9 de outubro de 2015

As Lendas do Vinho



Uma lenda grega atribui a descoberta da videira a um pastor, Estáfilo, que, ao procurar uma cabra perdida, a foi encontrar comendo parras. Colhendo os frutos dessa planta, até então desconhecida, levou-os ao seu patrão, Oinos, que deles extraiu um sumo cujo sabor melhorou com o tempo.

Por isso, em grego, a videira designa-se por staphyle, e o vinho por oinos.

A mitologia romana atribui a Saturno a introdução das primeiras videiras; na Península Ibérica, ela era imputada a Hércules.

Na Pérsia, a origem do vinho era também lendária: conta-se que um dia, quando o rei Djemchid se encantava refestelado à sombra da sua tenda, observando o treino dos seus arqueiros, foi o seu olhar atraído por uma cena que se desenrolava próximo: uma grande ave contorcia-se envolvida por uma enorme serpente, que lentamente a sufocava.

O rei deu imediatamente ordem a um arqueiro para que atirasse. Um tiro certeiro fez penetrar a flecha na cabeça da serpente, sem que a ave fosse atingida.

Esta, liberta, voou até aos pés do soberano, e aí deixou cair umas sementes, que este mandou semear.

Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em abundância.

O rei bebia frequentemente o sumo desses frutos.

Um dia, porém, achou-o amargo e mandou pô-lo de parte; alguns meses mais tarde, uma bela escrava, favorita do rei, encontrando-se possuída de fortes dores de cabeça, desejou morrer.

Tendo descoberto o sumo posto de parte, e supondo-o venenoso, bebeu dele. Dormiu (o que não conseguia havia muitas noites) e acordou curada e feliz.


A lenda do vinho

Pássaro, leão e burro




Conta uma lenda que Baco, o deus do vinho - também conhecido por Dionísio - encontrou certo dia uma planta muito delicada e pequenina. Como ela era ainda muito nova e frágil, para protegê-la, colocou-a dentro de um osso de pássaro. Porém, como a planta começou a crescer e o osso ficara pequeno, colocou-a em um osso maior, dessa vez de leão. Continuando a crescer, a planta necessitava de um lugar ainda maior. Baco colocou-a dentro de um osso de burro.

Adulta, a planta deu frutos, as uvas. Sua contínua dedicação àquela experiência, conduziu-o à descoberta do modo de transformar uvas em um licor delicioso. Foi aí que nasceu o vinho, com a qualidade dos seres que haviam participado de seu desenvolvimento, o pássaro, o leão, o burro, que correspondem à alegria, força e estupidez.

A partir daí, o uso do vinho ficou condicionado à seguinte norma grega da arte de beber (meden agán) ou seja (nada de excessos). Aqueles que bebem vinho adquirem as duas primeiras qualidades: - desfrutam momentaneamente de uma alegria de pássaro e de uma audácia de leão. Para aqueles que excedem, fraqueza e embrutecimento os esperam. Tornam-se burros de duas patas, infinitamente mais inúteis e estúpidos que os de quatro. Embora esta lenda seja de origem grega, povos da Índia, do Egito e da Espanha já conheciam o vinho desde os tempos remotos.


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