terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sérgio Buarque de Holanda



“Não creio que o brasileiro seja fundamentalmente bom.
Quem lê meus livros de história percebe isso.”

Sérgio Buarque de Holanda

→ Sérgio Buarque de Holanda nasceu em São Paulo a 11 de julho de 1902, filho de Cristóvão Buarque de Holanda e de Heloísa Buarque de Holanda.

→ Estudou no Ginásio S. Bento e na Escola Modelo Caetano de Campos, onde compôs a valsa "Vitória Régia", publicada na revista Tico-Tico dois anos depois, e onde foi aluno do Afonso de E. Taunay.

→ Em 1921, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.

 → Participou do movimento Modernista de 22, tendo sido nomeado por Mário e Oswald de Andrade representante da revista Klaxon no Rio de Janeiro.

 → Em 1925, bacharelou-se em Direito pela Universidade do Brasil.

→ Em 1926, transferiu-se para Cacheiro do Itapemirim, no Espírito Santo, atendendo o convite para dirigir o jornal "O Progresso", também neste mesmo ano, fundou, juntamente com Prudente de Morais Neto, a revista "Estética".

→ Retornou ao Rio de Janeiro, em 1927 e passou a trabalhar na imprensa carioca como colunista do "Jornal do Brasil" e funcionário da Agência United Press.

→ Viajou para a Europa, em 1929, como correspondente dos Diários Associados e fixou residência em Berlim, onde entrou em contato com a obra de Max Weber e assistiu aos seminários de Friedrich Meinecke.

→ Passou a colaborar, em 1930, na revista "Brasilianische Rundschau" do Conselho do Comércio Brasileiro de Hamburgo. Em 1936, já de volta ao Brasil, ingressou na Universidade do Distrito Federal como professor-assistente de Henri Hauser na cadeira de história moderna e contemporânea e leciona literatura comparada como assistente do professor Trouchon.

→ Foi também em 1936 que Sérgio Buarque de Holanda lançou seu livro "Raízes do Brasil", considerado por muitos, um dos livros mais importantes já produzidos no Brasil.

→ Em 1939, quando do fechamento da Universidade do Distrito Federal, Sergio Buarque de Holanda foi convidado por Augusto Meyer a dirigir a seção de publicações do Instituto Nacional do Livro. A convite da seção de Relações Internacionais do Departamento de Estado, viajou, em 1941, para os Estados Unidos.

→ Três anos depois, em 1944, assumiu o cargo de diretor da Divisão de Consulta da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Em 1945, participou da fundação da Esquerda Democrática e viajou para São Paulo a fim de participar do Congresso de Escritores. Foi eleito presidente da seção do Distrito Federal da Associação Brasileira de Escritores.

→ Em 1946, transferiu-se para São Paulo, onde substitui seu antigo professor Afonso de E. Taunay no cargo de diretor do Museu Paulista.

→ No ano seguinte, filiou-se ao Partido Socialista e assumiu a vaga de professor História Econômica do Brasil, na Escola de Sociologia e Política, em substituição a Roberto Simonsen.

→ Viajou a Paris para uma série de três conferências na Sorbonne, em 1949.

→ Em 1952, mudou-se com a família para Itália, onde permaneceu por dois anos como professor convidado junto à cadeira de Estudos Brasileiros da Universidade de Roma.

→ Em 1957, recebeu o prêmio Edgard Cavalheiro do Instituto Nacional do Livro pela publicação de Caminhos e Fronteiras. Conquistou em concurso publico feito em 1958, a cadeira de História da Civilização Brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, com a tese Visão do Paraíso - os motivos edênicos no descobrimento e na colonização do Brasil.

→ Foi o primeiro diretor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), eleito em 1962. De 1963 a 1967, viajou como professor-visitante para as universidades do Chile e dos Estados Unidos e participou de missões culturais pela Unesco no Peru e na Costa Rica.

→ Em 1969, requereu sua aposentaria do cargo de catedrático da USP em solidariedade aos colegas afastados de suas funções pelo AI-5. Recebeu o prêmio Governador do Estado, em 1967, na seção de literatura.

→ Em 1979, recebeu, como o intelectual do ano, o prêmio Juca Pato.

→ Foi membro-fundador do Partido dos Trabalhadores, em 1980.

→ Sérgio Buarque de Holanda morreu em São Paulo, a 24 de abril de 1982. Entre suas obras mais famosas estão: "Raízes do Brasil" (1936), "Cobra de Vidro" (1944), "Caminhos e Fronteiras" (1957) e "Visão do Paraíso" (1959). Sérgio Buarque de Holanda escreveu regulamente para a Folha entre 1950 e 1953.

Renato Roschel do Banco de Dados da Folha
Sérgio Buarque de Holanda, o pai fodão do mestre Chico

Em entrevista à Folha, o pensador brasileiro Raymundo Faoro contou que Sérgio Buarque de Holanda era um homem que gostava muito de sair com a esposa e seu círculo de amigos para conversar aos sábados ou aos domingos. O problema é que a noite carioca, em especial nos finais de semana, sempre fora muito badalada e concorrida. Assim, o velho Sérgio tinha um truque para conseguir uma boa mesa. Chamava o maître de canto e dizia:

“Sou pai do Chico Buarque.”

Apesar de alguns desconfiarem da credencial, isto costumava assegurar bons lugares para si e seus convivas. Ainda que se divertisse com a situação toda, Sérgio Buarque de Holanda sempre foi muito mais que “o pai do Chico Buarque”.


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