sábado, 31 de outubro de 2015

Oração da árvore


No antigo Castelo de São Jorge, em Lisboa, ao lado da estátua de Dom Manuel, O Venturoso, podemos ver este conhecido primor literário, no qual se observou um viés de preocupação ecológica.


Ao Viandante

Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
Antes que me faças mal. Olha me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de inverno.
Eu sou a sombra amiga que tu encontras
Quando caminhas sob o sol de agosto
E os meus frutos são a frescura apetitosa
Que te sacia a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa, a tábua da tua mesa,
A cama em que descansas e o lenho do teu barco
Eu sou o cabo da tua enxada a porta da tua morada,
A madeira do teu berço e do teu próprio caixão
Eu sou o pão da bondade e a flor da beleza
Tu que passas, olha-me bem e não me faças mal

Veiga Simões, Arganil, Portugal, maio de 1914.

Em 1914, Veiga Simões, De Arganil, coração amplo e fecundo, escreveu para a festa escolar a oração que acima transcrevemos.

Em 1959, esta oração foi adotada como legenda obrigatória nos parques públicos do Uruguai e depois divulgada pelas Américas.

*viandante: adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros, que ou a pessoa que viaja, especialmente a pé. = caminhante.

Alberto da Veiga Simões


Escritor, jornalista, político, investigador, 
nasceu em Argamil a 16 de dezembro de 1888
e faleceu, em Paris, a 1° de dezembro de 1954.


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