segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O riso e a seriedade

       O riso

Quatro programadores de informática se encontram em horário de almoço e um deles comenta:
- Pessoal, ontem eu vi uma morena... Vocês nem vão acreditar!
- Uau... – Animaram-se os amigos.
- Linda! Com uns pernões dessa grossura... Olhos azuis, seios lindos... Uma beleza!
- Uau! – Repetiram eles.
- Começamos a conversar... Papo vai, papo vem... Ela aceitou ir para o meu apartamento!
- Uau!
- Bebemos um pouco de vinho, nos beijamos e o clima começou a esquentar...
- Uau!
E a parte mais incrível: Ela virou pra mim e disse: “Quero te sentir dentro de mim gora!”
- Uauuuuuu!
- Então eu tirei a minha roupa e comecei a despir aquele mulherão! Primeiro a blusa, depois o sutiã, que eu joguei em cima do teclado do meu micro novo e depois...
- Opa! – Interrompeu um dos amigos – E você comprou um micro novo? Qual o processador? 

A seriedade

Lembradas as palavras de Bertold Brecht

(1898-1956):

  
Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso:
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso:
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados,
Mas como tenho meu emprego,
Também não me importei.
Agora estão me levando,
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

As de Martin Niemöller, teólogo, líder protestante da resistência Nazista,
disse o mesmo com outras palavras por volta de 1933:

Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei,
porque, afinal, eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais democratas, eu calei,
porque, afinal, eu não era social democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei,
porque, afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus, eu não protestei,
porque, afinal, eu não era judeu.
Quando eles levaram a mim, não havia mais quem protestasse.

De Claudio Humberto (colunista, jornalista) em 2007:

Primeiro, eles roubaram nos sinais,
mas não fui eu a vítima.
Depois, incendiaram os ônibus,
mas eu não estava neles.
Depois, fecharam ruas onde não moro.
Fecharam, então, o portão da favela,
que não habito.
Em seguida, arrastaram até a morte uma criança,
que não era meu filho...


De Eduardo Alves da Costa no poema “No caminho com Maiakovski” (nos anos 60):

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


É isso aí. Eu me importo e não me calo.


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