domingo, 3 de julho de 2022

Como surpreender seu professor

 

Veja como surpreender o professor de matemática com o espantoso poder de seu cérebro. 

1. Pergunte ao seu professor de matemática quanto é 4 dividido por 47. Faça parecer que você acabou de inventar a pergunta. 

2. Não deixe que seu professor trapaceie, usando uma calculadora. 

3. Após uma grande pausa para pensar, seu professor deve responder um número entre 0,08 e 0,085. 

4. Sorria gentilmente e diga: 

− Isso é bastante impreciso. Acho que a resposta correta é: 

0,08510638297872340425531914893617021276594468 

5. Dê um tempo para saborear a expressão de choque do seu professor. 

6. Com sorte, seu professor não saberá que este incrível exercício de aritmética mental já foi realizado pelo professor A. C. Aitken, da Universidade de Edimburgo. 

7. É claro que, se você não for um gênio da matemática, terá de aprender a resposta de cor. 

Dicas 

É mais fácil decorar os números em grupos de três ou quatro, e depois dizê-los de uma só vez. 

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(Do livro “Ciência horrível”, de Nick Arnold) 

   

Alexander Craig Aitken foi um dos mais destacados calculadores mentais, tendo uma prodigiosa memória. Sabia os primeiros mil dígitos de pi, os 96 dígitos recursivos de 1/97, e memorizou a Eneida na escola. Infelizmente, sua inabilidade para esquecer os horrores vivenciados na Primeira Guerra Mundial levaram a recorrente depressão ao longo de sua vida.

Viver e poder reviver

 Uma vida de borboletas azuis*

Com irmãos, não menos extrovertidos que eu, minha infância é um texto de bagunças e artes que atiçavam os nervos de meu pai. Esse me vem à lembrança como a mais rica das memórias que ainda não se apagaram completamente nesses 82 anos, de caminhada árdua pela vida. 

De minha mãe não guardo muita coisa, pois ela se foi quando eu era um toquinho de gente, tinha apenas cinco anos. Como lembrança dela, recordo uma teimosia que guardo com vergonha, e é um bocado engraçada. Foi em um fim de tarde.

Como sempre, ela nos mandou meus irmãos e eu, irmos tomar banho no riacho que corria logo abaixo de casa. No forno da casa havia um bolo assando, e, como eu estava com uma gula imensa por devorá-lo, propus a minha mãe que se ela me desse um pedaço do bolo eu tomava o tal do banho. Ela ignorou meu pedido e me deu um pedaço de sabão para que eu me banhasse de uma vez. O pedaço era tão parecido com uma fatia de bolo, que eu, naquela idade, me confundi com tal. Hum! Jurei que era o doce de verdade. 

Lembro com lágrimas nos olhos das brincadeiras, do tempo de vestidinho de chita que eram recheados de imaginação. A ilusão de ver uma boneca em uma espiga de milho ou em um embrulho de meias, uma bola para jogar caçador, era a única maneira de termos um brinquedo por falta de dinheiro. Porém, as brincadeiras não deixavam de ser calorosas e divertidas em meio a tantos improvisos. 

O decorrer dos dias era sempre a mesma rotina, acordar, ir para o curral, ordenhar as vacas, depois ir para o campo cortar milho. Nos fins de semana fazíamos faxina em casa. O que me divertia era ir à igreja e cantar ladainhas em italiano. Minha rotina só mudou quando comecei a frequentar a escola aos nove anos. 

A minha infância na escola, ao contrário de muitas, não me causava repulsa. Em uma escola de freiras, as professoras não eram feras de unhas afiadas como em tantas histórias, nem os castigos severos. Tudo corria perfeitamente. Até hoje lembro de lições em que escrevíamos na “pedra” para depois apagar e guardar apenas entre as orelhas: temos um polegar, um indicador, anelar, mindinho, pai de todos; temos quatro caninos... 

Aos treze anos, comecei um namoro com meu vizinho, ele, na época, tinha quatorze anos e frequentávamos a mesma escola. As festas que eu então ia seguidamente com meu pai, era o ponto de encontro entre eu e Ezelino. Nós nos comunicávamos trocando apenas olhares. Eu roubava o seu sono; ele, o meu, nos amávamos deveras. O casamento veio seis anos depois. Tudo arranjado por meus parentes, que fizeram um bom trabalho, pois saiu uma linda festa com churrasco e deliciosos doces. Naquela nossa primeira noite, o sono roubado por tantos anos foi compensado, quando dormimos abraçadinhos até de manhãzinha, com borboletas azuis rondando nossos sonhos. 

A linda história foi substituída por um pesadelo anos mais tarde. As mariposas azuis desapareceram, quando meu querido faleceu de câncer aos 45 anos. Ainda não entendo como vivi trinta e oito anos sem Ezelino ao meu lado. 

Hoje, quando sento na cadeira de balanço, tenho a impressão de que as borboletas voltam e rondam meu coração trazendo a lembrança de Ezelino, onde, nos seus olhos, vejo refletida toda a minha infância e sinto na boca o gosto do sabão, trocado pelo bolo. Se eu pudesse arrumar minha trouxinha e me mudar para a infância novamente, não pensaria duas vezes, levava a meus amigos para sentir o gostinho de tudo o que eu vivi e poder reviver mais algum tempo com meu amado. 

******* 

P.S. Na internet e em trabalhos acadêmicos não há nenhuma referência à autora dessa crônica.

sábado, 2 de julho de 2022

Palavras*

 Marilise Brockstedt Lech

Palavras dizem

Palavras

Palavras lindas

Saudade

Palavras cheias

Entusiasmo

Palavra mágica

Angústia

Palavras vazias

Ética

Palavras justas

Pensamentos traduzidos

Descaotizados

Linguagem inventada

Falada

Escrita

Palavras variáveis

Com significado

Ou como significantes

Expressam quem somos

Parábola

Metáfora

Palavras declaram

Humanizam

Machucam

Enriquecem

Rimam

Palavras falam.

Por vezes avulsas

Outras fraseadas.

Palavras brindam. 

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As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntando umas com as outras, parece que não sabem aonde querem ir, e de repente, por causa de duas ou três, ou quatro que de repente saem, simples em si mesmas, um pronome pessoal, um advérbio, um verbo, um adjetivo, e aí temos a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compostura dos sentimentos. 

José Saramago 

* Do livro “Frases inteligentes para lembrar e usar – citações * provérbios * aforismos”, de Marilise Brockstedt Lech e Osvandré Lech 

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Murphologia Acadêmica

 

Se você não entende um trecho especifico em um texto técnico, ignore-o. O texto vai fazer sentido mesmo sem ele. 

Se o texto não faz sentido sem a palavra, também não fará sentido com ela. 

A única coisa que existe na vida são os erros. 

O erro de um homem é a pesquisa de outro homem. 

A única coisa certa que existe na vida são os erros.

Quem não sabe (em uma escola) ensinar, administra. 

Nunca deixe seu professor saber que você existe. 

Ninguém presta atenção, a não ser na hora que você comete um erro. 

Se você não sabe a resposta, algum lhe professor fará a pergunta. 

O professor nunca está ausente no dia da prova. 

Se a disciplina que você quer fazer tem vagas para n alunos, você será o aluno n+1. 

Na prova mais importante, a(o) aluna(o) mais bonita(o) da turma sentará  do seu lado pela primeira vez. 

Você só lembra da resposta certa depois que a prova acaba

A disciplina que falta você fazer para poder se formar nunca estará disponível no próximo semestre. 

Quanto mais genérico o título de uma disciplina, menos você aprenderá. 

Quanto mais especifico for o título, menos oportunidade você terá de aplicar na prática o que aprender quando se formar. 

Se os dados não se encaixam na sua conclusão, remova alguns dados. 

Se o texto ficar com poucos dados, invente alguns. 

A biblioteca mais próxima nunca tem o material de que você necessita. 

Sempre o livro que você mais precisa para concluir a sua monografia é o que alguém pegou emprestado e nunca o devolveu. 

Quando estiver revendo suas anotações antes da prova, as mais importantes estarão ilegíveis. 

Quanto mais você estudou, menos certeza passa a ter se a resposta que vai dar é a que o professor quer. 

Na véspera da prova de uma disciplina, o professor de outra disciplina vai passar um livro de duzentas páginas sobre outro assunto que não tem nada a ver. 

Todo professor pensa que você não tem mais nada a fazer a não ser estudar a disciplina dele. 

Se lhe derem a oportunidade de levar um livro para consultar durante a prova, você esquecerá o livro em casa. 

Se lhe derem o direito de levar a prova para fazer em casa, você esquecerá a rua onde mora, 

No final do semestre você se lembrará de que se matriculou em um curso no início do semestre e não assistiu a nenhuma aula. 

A citação mais importante do seu artigo será sempre aquela da qual você não consegue se lembrar da autoria. 

A fonte não citada dessa citação sempre aparecerá na crítica mais hostil ao seu artigo. 

A biblioteca nunca tem o livro ou revista mais vital para a conclusão de sua monografia. 

Se o livro ou revista existe na biblioteca, a página mais importante terá sido arrancada. 

Quando um aluno pergunta mais de uma vez se você já leu o trabalho dele, é porque não foi ele quem fez o trabalho. 

É impossível uma pessoa aprender o que essa pessoa acha que já sabe. 

Nunca diga tudo o que sabe. 

Quando chega a sua vez, as regras são mudadas. 

Se a gente soubesse exatamente o rumo que as coisas iriam tomar, nunca chegaríamos a parte alguma. 

O principal requisito para um professor da faculdade de medicina é saber manter os alunos acordados.

(Do livro “A Lei de Murphy e os médicos, de Arthur Bloch) 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Culpa o tempo

 

Eu não tinha este rosto pálido,

Nem estes meus olhos sem vida.

Meu pensamento era mais válido

E a minha voz sempre era ouvida. 

Não tinha estas mãos tão frágeis,

Nem minhas pernas tão pesadas.

Meus braços eram fortes e ágeis

E a minha lucidez, minha aliada. 

Não tinha estes ouvidos mortos,

Nem minha memória atribulada.

Embarquei em vários portos,

Desbravei caminhos tortos,

Mas nunca desisti de nada. 

Enfrentei sem medo meus trilhos,

Desejo agora que a vida corra,

Não deixei morrer meus filhos,

Por que quereis que agora eu morra? 

Eu por vós sempre fui amada,

Agora, sou olhada de esguelha:

Mãe! Era assim que era chamada,

Hoje sou chamada de velha. 

Eu não dei por esta mudança,

Não desejei ser este empecilho.

Olhei por ti enquanto criança,

Olha agora por mim, meu filho. 

Porque eu continuo a ser tua mãe,

Porque eu amar-te-ei para lá do fim.

Se tu quiseres culpar alguém,

Culpa o tempo e não a mim! 

José Carlos SC

domingo, 26 de junho de 2022

Apelo em favor dos Animais

 

Vós que vedes luzes nestas letras que traçam a evolução espiritual, tende compaixão dos pobres animais.

Sede bons para com eles, como desejais que o Pai Celestial,
vos cerque de carinho e de amor.

Não encerreis os pássaros em gaiolas.

Renunciai as caçadas.

Acariciai os vossos animais.

Dai-lhes remédios na enfermidade e repouso na velhice.

Lembrai-vos de que os animais são seres vivos que sentem, que pensam, que se cansam, que tem força limitada, que adoecem, que envelhecem.

Os animais são vossos companheiros de existência terrestre.

Como vós, eles vieram progredir, estudar, aprender.

Sede seus são anjos tutelares.

Sede benevolentes para com eles, como é benevolente para com todos os filhos do Pai.

Saboreie o seu café

 

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, reuniu-se para visitar um antigo professor da universidade. Em pouco tempo a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo. Ao oferecer café aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras − de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas… Pediu a todos para se servirem.

Quando todos os estudantes estavam de xícara em punho, o professor disse: “Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e do estresse. 

Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade alguma ao café. Na maioria das vezes são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo. O que todos vocês realmente desejavam era o café, e não as xícaras; mas escolheram, conscientemente, as melhores e, então, ficaram de olho nas xícaras uns dos outros.

Agora pensem nisso: A vida é o café, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras. Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a vida, e o tipo de xícara que temos não define nem altera a qualidade de vida que vivemos. Às vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que Deus nos deu.” 

Deus coa o café, e não as xícaras... Saboreie o seu café!

Não deixe o amor passar

 Selma Soares Albuquerque

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. 

Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. 

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. 

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus lhe mandou um presente divino − o amor. 

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receberem um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. 

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida lhe deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida. 

Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... 

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... 

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... 

Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... 

Se você tiver a certeza de que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção de que vai continuar sendo louco por ela... 

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. 

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. 

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. 

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor. 

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P.S. Poema atribuído a Carlos Drummond de Andrade, mas que, na verdade, é de autoria de Selma Soares Albuquerque 

Erro em comunicação

 

Um dentista recém formado decidiu iniciar sua carreira numa cidade do interior do Amazonas, movido pelo idealismo de ajudar uma população carente. 

Cônscio de suas responsabilidades, procurava dar orientações e exemplos práticos a fim de orientar seus pacientes sobre os cuidados que deveriam ser tomados para evitar hemorragia após a extração de dentes. 

Assim, entre outros conselhos, invariavelmente citava: “nada de café quente na boca”. 

Qual não foi sua surpresa quando um de seus pacientes apareceu no dia seguinte à extração com a boca toda inchada. 

Ao lhe perguntar o que tinha acontecido, ele respondeu que não sabia, pois tinha feito direitinho tudo o que o doutor havia mandado: “tomei café quente e fui nadar”… 

Antídoto: Antes de se comunicar com pessoas de ambientes culturais diferentes do seu, procure se familiarizar com os usos costumes da localidade, a fim de evitar termos que podem ter conotações distintas. 

(Uma história do RH Portal)

Fases de um professor ou professora

 Seis situações bem divertidas que um professor já passa, já passou ou passará.

Recém formada: 

Pegou 20 aulas e está louca para ampliar sua carga. É uma gatinha cheia de sonhos e toda feliz, fala muito, está sempre contando as novidades. Nos primeiros dias de trabalho, tudo é maravilhoso. 

Depois de 3 anos... 

Está trabalhando em jornada ampliada. Já acompanha os movimentos do dia a dia cheia de novas ideias, tem planos para seu trabalho, anda um pouco agitada com tanta expectativa. 

Depois de 6 anos... 

Sua agitação aumentou um pouco, suas amigas e a direção estão percebendo. Já vira noite e dia tentando se encaixar na profissão. Não sabe o que fazer com a turma de aceleração... e só falta plantar bananeira pra aumentar a nota do IDEB*. 

* Índice de Desenvolvimento da Educação Básica é um indicador criado pelo governo federal para medir a qualidade do ensino nas escolas públicas 

Depois de 10 anos... 

Engordou um pouco... culpa dos antidepressivos, motivo: stress; alunos, pais de alunos, direção, coordenação, supervisão, filhos, marido ganhando pouco, trabalha longe de casa, ufa! 

Depois de 15 anos... 

Com muita sorte já está trabalhando perto de casa. Mudou todo o guarda-roupa, para se adaptar a nova silhueta. Mas está feliz, come em casa e tem um caderno já pronto para o início do ano, é só segui-lo... Tem ainda uma dorzinha de cabeça, a garganta já era... se esqueceu o significado de 'bom dia', se sente como se tivesse acabado de cair da cama... 

Depois de 20 anos...  

  

Tem depressão regularmente. Não reconhece a rua onde mora, a memória deu PT (Perda Total), enxerga pouco; escuta pouco; dorme pouco; fala pouco; a única coisa que tem muito são dívidas... está ficando completamente maluca! E vê se pode... já quer se aposentar! 

(Do Blog do professor Edigley Alexandre)

sábado, 25 de junho de 2022

Teorema de Pitágoras em versão humorística

 Como Pitágoras desvendou seu Teorema

Pitágoras estava com um problema que não conseguia resolver. 

Não parava mais em casa. 

A mulher dele, a Enusa*, aproveitava-se da situação da sua prolongada ausência, transando com quatro cadetes do quartel ao lado de sua casa. 

Um dia, Pitágoras, cansado da viagem, voltou mais cedo para casa, pegou a Enusa no flagra. Fora de si, ele matou os cinco que faziam uma orgia em sua residência. 

Na hora de enterrar os safados, em consideração à esposa, dividiu o cemitério ao meio e de um lado enterrou a mulher e dividiu em quatro partes o outro lado e enterrou cada cadete num quadrado. 

Subiu na montanha ao lado do cemitério para meditar e, olhando de cima para o cemitério, achou a solução do seu problema. 

Era óbvio: 

O quadrado da puta Enusa é igual a soma dos quadrados dos cadetes. 

Essa foi, sem dúvidas, a adúltera mais famosa da História, deixando um legado imenso para a humanidade. 

E quanto à Enusa, a safada mais falada na matemática? A dama abriu as trincheiras cerebrais do velho Pitágoras, indicando o caminho para o estudo da trigonometria. 

O quadrado da puta Enusa era igual à soma dos quadrados dos cadetes. 

E assim nasceu o Teorema de Pitágoras. 

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Teorema de Pitágoras a sério: 

“O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos”. 

* Essa história possui várias versões na internet: uns a chamam de Nusa; outros, de Enusa.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Vai desistir?

 O que os vitoriosos têm, que os derrotados não têm? 

Tem certeza disso, então dê uma olhadinha. A única diferença entre você e esses é que acreditaram em si mesmo. 

Vai desistir? Pense bem!  

O General Douglas MacArthur foi recusado na Academia Militar de West Point, não uma vez, mas duas. Quando tentou pela terceira vez, foi aceito e marchou para os livros de história. 

O superstar do basquete, Michael Jordan, foi cortado do time de basquete da escola. 

Em 1889, Rudyard Kipling, o primeiro a receber o Premio Nobel de Literatura na Inglaterra, recebeu a seguinte resposta do jornal San Francisco Examiner: “Lamentamos muito, Senhor Kipling, mas o senhor não sabe usar a língua inglesa”.

Winston Churchill repetiu a sexta série. Veio a ser primeiro ministro da Inglaterra somente aos 62 anos de idade, depois de uma vida de perdas e recomeços. Sua maior contribuição aconteceu quando já era um “cidadão idoso”. 

Os pais do famoso cantor de ópera italiano, Enrico Caruso, queriam que ele fosse engenheiro. Seu professor disse que ele não tinha voz e jamais seria cantor. 

Albert Einstein não sabia falar até os 4 anos de idade e só aprendeu a ler aos 7. Sua professora o qualificou como “mentalmente lerdo, não-sociável e sempre perdido em devaneios tolos”. Foi expulso da escola e não foi admitido na Escola Politécnica de Zurique. 

Em 1944, Emmeline Snively, diretora da agência de modelos Blue Book Modeling, disse à candidata Norman Jean Baker (Marilyn Monroe): “É melhor você fazer um curso de secretariado, ou arrumar um marido”. 

Ao recusar um grupo de rock inglês chamado The Beatles, um executivo da Decca Recording Company disse: “Não gostamos do som. Esses grupos de guitarra já eram”. 

Quando Alexander Graham Bell inventou o telefone, em 1876, não tocou o coração de financiadores com o aparelho. O Presidente Rutheford Hayes disse: “É uma invenção extraordinária, mas quem vai querer usar isso?”. 

Thomas Edison fez duas mil experiências para conseguir inventar a lâmpada. Um jovem repórter perguntou o que ele achava de tantos fracassos. Edison respondeu: “Não fracassei nenhuma vez. Inventei a lâmpada. Acontece que foi um processo de 2.000 passos”. 

Louis Pasteur foi um aluno medíocre na escola. Dentre 22 alunos, ficava em 15° lugar. 

Em 1954, Jimmy Denny, gerente do Grand Ole Opry, despediu Elvis Presley no fim da primeira apresentação, dizendo : “Você não tem a menor chance, meu filho. Melhor continuar motorista de caminhão”. 

Aos 46 anos, após anos de perda progressiva da audição, o compositor alemão Ludwig van Beethoven ficou completamente surdo. No entanto, compôs boa parte de sua obra, incluindo três sinfonias, em seus últimos anos. 

Rafer Johnson, campeão de decatlo olímpico americano, medalha de ouro em Roma, em 1960, nasceu com um pé torto. 

Por isso não devemos achar nunca que nosso tempo acabou. Enquanto estivermos aqui, há algo para aprendermos e, muito possivelmente, alguém para aprender conosco também. 

Vai desistir?

Prezado Futuro

 Nilson Souza*

 

Querida Helena! Querido Miguel!

Vocês não me conhecem, mas eu tive a felicidade de vê-los nascer no ano desafiador de 2021, em que milhões de brasileiros começaram a retornar do medo para a vida, ainda doloridos de saudade dos parentes e amigos que ficaram pelo caminho. 

Ver, exatamente, não vi, mas acompanhei a notícia sobre o registro de pessoas naturais no Brasil, naquele segundo ano da pandemia. Um levantamento feito pela Arpen, em 7.658 cartórios de Registro Civil do país, mostrou que 28.301 meninos receberam o nome Miguel e 21.890 meninas passaram a se chamar Helena, no ano passado. Nomes bonitos e inspiradores. Foram os preferidos pelos papais e mamães recém-saídos da quarentena.

Portanto, vocês, que já se tornaram populares no registro de nascimento, representam milhares de brasileirinhos e brasileirinhas que, com nomes iguais ou diferentes, também herdarão o futuro. Como já vivi o futuro algumas vezes, compartilho com vocês um pouco do que vi e senti, na esperança de que as experiências de minha geração, boas ou más, tenham alguma utilidade para as escolhas que vocês fatalmente terão que fazer. 

Comecemos por uma palavrinha chamada diversidade. Nomes iguais, nomes diferentes, mas a mesma natureza: pertencemos todos a uma única família humana. Vocês, Miguel e Helena, são irmãozinhos dos bebês que nasceram em outros Estados, em outros países e em outros continentes, ainda que eles tenham aparência física diversa e muito provavelmente herdem outros hábitos, outras crenças e outros valores culturais. Minha geração, confesso, nunca lidou bem com isso. Em vários momentos, rejeitamos pessoas que julgávamos diferentes de nós, discriminamos gente de outra raça, de outra cor, de outra condição social, fomos preconceituosos e intolerantes, criamos fronteiras e deflagramos guerras contra nossos próprios irmãos. Não nos imitem nisso, foi um desperdício de energia, de sensatez e de inteligência. 

Referi acima a palavra natureza. Também não soubemos tratar com o respeito devido essa mãe de todas as vidas. Em muitas ocasiões, maltratamos animais, poluímos a água e o ar, destruímos florestas e derretemos geleiras – por coisas ilusórias, como riqueza, ganância e poder. Por favor, meninos, façam o contrário. Amem os animais, preservem o ambiente natural, desapeguem-se de valores que nada valem – pois só sendo solidários e fraternos é que vocês conquistarão a paz. 

Por fim, deixo uma última mensagem a vocês, Helenas e Miguéis do Brasil: cresçam e multipliquem essa pureza de espírito que todas as crianças recebem ao nascer. Curtam a alegria, o companheirismo, as artes, a cultura, a saúde, os esportes, a ética, o conhecimento, o convívio social, os familiares, os amigos – e, principalmente, amem-se. É só o que importa. 

P. S.: Não esqueçam de escolher nomes bonitos para seus filhos. 

(Do jornal Zero Hora)

quinta-feira, 23 de junho de 2022

A parábola do rapaz que furtou uma moeda

 Júlio César de Mello e Souza 

(Malba Tahan)

Consta que, numa aldeia qualquer de um oásis, entre o Cairo e Istambul, um rapagão de passagem se aproxima de um ancião e lhe pergunta: “Lembras-te de mim?” À resposta negativa, o moço anuncia que, um dia, fora aluno do ancião. E o velho observa: “Verdade? Devo ter sido útil. Pela tua vestimenta, vejo que te transformaram num personagem importante.” Ao que o rapagão deságua em uma combinação de constrangimento e emoção: “Sim, eu me tornei um mestre. Aliás, precisamente porque aprendi com o senhor uma lição que mudou a minha vida e me livrei de desabar no caminho do Mal.”

A confissão despropositada impactou o ancião. Que fitou e refitou o moço, sem reconhecê-lo; “Mas, como foi que isso aconteceu?” E o rapagão recordou: “Já faz uns doze, treze anos. Eu era um meninote e me alistei na guarda do Vizir. Cabia ao senhor nos ministrar as instruções básicas de ética e de comportamento. Um colega de turma havia ganho do pai uma moeda, um dárico de ouro puro. E sem que ele percebesse, eu lhe surrupiei a moeda e escondi na minha algibeira. O colega, porém, acabou por perceber o furto e reclamou ao senhor, que logo conclamou o ladrão a entregá-la ao dono. E eu não me abalei. Então, o senhor idealizou um truque para não humilhar ninguém. Achou a moeda e daí a devolveu. Lembras-te de mim, agora?”

Brandamente, o ancião sorriu, e explicou: “Não, eu ainda não me lembro, porque nunca pretendi saber quem fora o ladrão.” Pasmado, o moço gaguejou: “Mas como, então, o meu colega recuperou a moeda? Com certeza, o senhor descobriu que o dárico estava comigo. E, quando optou por não me denunciar, o senhor me ensinou um conceito que me fez ser o homem que sou hoje.” De novo o ancião sorriu. E então, arrematou: “Sim. Primeiro, te recordes de que eu pedi que todos vocês fechassem os olhos. Assim, ao procurar a moeda, eu não exporia nenhum ao vexame. Depois, cerrei os MEUS, pois não queria, também, ver quem tinha cometido a infâmia”. 

Já aos prantos, enfim, o rapagão revelou ao mestre o que restava, de crucial, para se fechar aquela experiência de fato inesquecível: “Verdade, senhor. Acontece, contudo, que de esguelha entrevi os teus olhos cerrados. E na hora em compreendi tudo que deveria ter aprendido. Eu havia cometido três pecados em seguida. Furtar a moeda. Fingir que não era o ladrão. Fingir que não percebi que o senhor havia encontrado o dórico na minha algibeira. E o senhor nunca me acusou de nada. E mesmo hoje ficou firme, ao insistir que não me conhecia. Sim, o senhor me transmitiu o que é a essência do ensino. Provou que o verdadeiro mestre não precisa humilhar para corrigir.” 

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P.S. Há, na internet e neste almanaque, uma história dessa história adaptada com o título de “A lição do relógio roubado”, de autor desconhecido.

Júlio César de Melo e Souza (1895-1974), afetuoso educador e formidável matemático que, eventualmente, se escondia atrás de um curioso pseudônimo, Ali Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan sua obra prima, “O Homem que Calculava”.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

A educação dá* vida

 “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.” 

(Leon Tolstoi)

Por causa do seu feitio comprido e estreito, a Escola Aparecida levava o apelido de caixão de defuntos. Mas de morto o colégio não tinha nada. Professoras de alto nível e dedicação. Gurias e guris brincavam em pátios diferentes. Elas pulavam cordas, jogavam bilboquê, três marias, petecas e vôlei, enquanto eles, futebol, rasteira e cama-de-gato. Na época já havia quem se divertisse nos dois lados. 

De formação católica, no Aparecida se rezava antes do início das aulas, antes e depois do recreio e na saída. Se orava para não rodar e, alguns, até para não precisar rezar. Aquilo era só o terço. A missa de domingo era obrigatória − a não ser que o malandro não quisesse passar de ano. Para receber a hóstia, o cara tinha que confessar até as bergamotas que roubara do colégio. Uma vez a cada quinze dias era dia de capina − dia de cuidar da horta comunitária. E não é que aquilo dava frutos? Todos se enchiam de dignidades na hora da colheita: alface, couve, cenoura, entre outros, que a terra orgulhosamente retribuía àqueles que a semeavam. Podia-se até levar para casa parte dos produtos colhidos. Aí estava o barato. 

De tempos em tempos, o Aparecida recebia a visita do Padre Mascharello. O irmão doava santinhos, vendia escapulários, concedia conselhos, vendia crucifixos, pregava a fé, vendia... sempre em nome de Deus. Os alunos, por sua vez, orientados pelas competentes professoras Elza, Tita, Tereza, Maria Helena, Maria Cordeiro e outras, preparavam jograis, versos, danças e outras atividades lúdicas e culturais para as comemorações do dia das Mães, dia dos Pais, dia da Bandeira, dia do Dia e outros dias. Aquilo tudo era educativo. A gurizada se soltava. Mas a cobrança era grande, e a coisa funcionava. 

Voltando ao representante de Messias na terra, o religioso pegava pesado na sua cruzada pela escola. Com receio que algum discípulo se desgarrasse e deixasse a fé de lado ou exagerasse nos pecados, alertava, prevenia sempre contra o pecado − para ele, tudo era pecado, até roubar no jogo de bola de gude: contagem do mudes, último pra raia, ladeira, boco*, limpes... ah, quem jogou bolita sabe. 

O padre desenhava no quadro negro um facho lotado de fogo! Só o desenho já era o bastante para esquentar a sala toda. A gurizada tremia de medo só em ver aquele fogaréu. Do panelão ardente saíam labaredas que se transformavam em um diabo nervoso, louco para devorar o malcriado que teimasse, que respondesse para os pais ou que não fizesse os temas de casa. Depois de ver aquilo, com culpa e medo de prestar conta para o Zé Pilintra* lá nom inferno, o gajo ficava mais um mês sem tocar uma bronha*. 

Nas festas do Aparecida, um dos números mais esperados era a trova entre os filhos do Vanoli e do Cassepp. 

O primeiro verso era assim: 

Eu sou gaúcho dos bons

Sei muito bem o que faço

Não há cavalo que escape

Do pialo* do meu laço. 

Depois, um floreio de gaita, e: 

No pialo do teu laço

Só cairá boi doente

Porque não pode correr

Corre menos do que a gente. 

Aquilo se estendia entre palmas e risadas da gurizada. Os versos eram sempre os mesmos. 

******* 

(Texto do livro: “Ramiz Galvão − lambanças e lembranças”,

de Mario Pepo Santarém)

Glossário 

* dá: do verbo dar; 

* boco: o mesmo que imba, buraco feito no chão, e em que, no jogo de bola de gude, deve entrar a bola; 

* Zé Pilintra (ou Zé Pelintra): no Sul, o mesmo que demônio, diabo; 

* Bronha: masturbação, punheta; 

* Pialo: laço que se atira no boi pelas patas dianteiras.

terça-feira, 21 de junho de 2022

Campeonato em Três Tempos:

 o programa de humor que era sucesso

 da Rádio Gaúcha 

Por Ricardo Chaves

Fábio Silveira (Internacional) e Carlos Nobre (Grêmio) 

A edição de número 797 da Revista do Globo, correspondente à quinzena de 24 de junho a 7 de julho de 1961, publicou, na página 46, uma breve reportagem sobre um programa que, então, era sucesso absoluto do humorismo radiofônico. O texto dizia: 

A Rádio Gaúcha tem em suas apresentações um programa que há anos vem sendo não só o de maior audiência, como o mais popular em todo o sul do Brasil. Os personagens do programa são discutidos pelos ouvintes, os ditos e motes lançados tornam-se palavreados do dia-a-dia dos fãs, que são quase que a população inteira do nosso Estado. 

Campeonato em Três Tempos é que consegue esse milagre em nosso rádio. Produzido por Carlos Nobre, considerado pela crítica e pelo público como o “melhor humorista do broadcasting sulino”, é interpretado pelo também “melhor time de comediantes” da radiofonia gaúcha. 

Carlos Nobre nessa sua produção explora aquela paixão inata em todo o brasileiro: o futebol. Glosa as situações criadas pelos participantes da Divisão de Honra, da Federação Rio-Grandense de Futebol, em suas atuações durante o campeonato. Cada time tem o seu representante, com as suas características especiais, inerentes a cada clube: O Aimoré (Renato Pereira) é um indígena; o Floriano (Ivan Castro), um alemão aportuguesado; o Guarani de Bagé (Dimas Costa) representa um gauchão característico da fronteira; o Pelotas (Ismael Fabião), um grã-fino “gente de bem”, e assim por diante. Os outros representantes são: Grêmio (Carlos Nobre); Internacional (Fábio Silveira); Cruzeiro (Fortunato Ferreira); São José (Eleu Salvador); Flamengo de Caxias (Walter Ferreira); Juventude, também da terra do vinho (César Celente); Rio-Grandense, de Rio Grande (Domingos Terra), e Farroupilha, de Pelotas (Pepê Hornes). A disputadíssima “Miss Copa” é Leonor de Souza; o animador José D’Elia; o “chefe de transmissões da PRK-Valo” é Fortunato Ferreira; o “entrevistador” é Walter Ferreira, que também dirige o programa. 

Campeonato em Três Tempos tinha suas audições todas as terças-feiras, às 21h35min, num oferecimento dos Produtos Ipiranga S/A. 

(Do Almanaque Gaúcho, junho de 2022)

Em pé (da esquerda para a direita): Pepê Hornes (Farroupilha), Fábio Silveira (Internacional), Leonor de Souza (Miss Copa), Carlos Nobre (Grêmio), José D’Elia (animador), Ismael Fabião (Pelotas). Agachados: Eleu Salvador (São José) e Fortunato Ferreira (Cruzeiro)

Em pé (da esquerda para a direita): César Celente (Juventude), Ivan Castro (Floriano), Leonor de Souza (Miss Copa), Walter Ferreira (Flamengo de Caxias so Sul-RS), Domingos Terra (Rio-Grandense). Agachados: Sanches Netto (Aimoré), substituindo Renato Pereira, e Dimas Costa (Guarani) 

(Fotos da Revista do Globo / Reprodução)

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Receita de uma boa leitora e escritora

 

Ingredientes 

• 1 menina interessada nos livros dos irmãos. 

• 3 irmãos leitores de contos infantis e gibis. 

• 1 professora de 1ª série, séria e competente. 

• Pais preocupados com a alfabetização dos filhos. 

• 6 livros infantis. 

• 4 gibis. 

Modo de fazer 

1) Coloque 1 menina junto aos irmãos em 1 quarto ou sala silenciosa e junte os 6 livros e 4 gibis (variados) todos os dias, em um horário determinado, de preferência antes do jantar. 

2) Verifique se os pais estão atendendo às expectativas e necessidades da menina com compreensão, atenção e carinho. 

3) Matricular a menina na 1ª série. Na 1ª série a menina deve encontrar 1 professora séria, que possibilite que ela continue lendo os livros e os gibis. 

4) Depois de alfabetizada e com muito interesse, a menina torna-se uma boa leitora e escritora. 

Professora Liria Maria - Hortolândia-SP


domingo, 19 de junho de 2022

Justiça para Bruno e Dom

 Por Eliane Brum

Chico Mendes – irmã Dorothy Stang – Bruno Pereira e Dom Phillips 

Esta é uma guerra. Bruno Pereira e Dom Phillips são vítimas de guerra. Precisamos lutar pela vida: 

1) Só existirá justiça para Dom e Bruno quando o crime for elucidado e os mandantes identificados, julgados e punidos; 

2) é obrigatório virar cada voto nesta eleição. Se quisermos seguir vivos, Bolsonaro NÃO pode ser reeleito nem podemos permitir que dê um golpe; 

3) é urgente fazer pressão massiva contra o pacote de maldades que tramita em Brasília para abrir ainda mais a floresta para a destruição; 

4) é imperativo apoiar os povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia e dos outros biomas em todas as suas lutas. Eles não podem ficar sozinhos. 

5) Cada pessoa ameaçada na floresta tem que ser tratada como se fosse da família. Nem um a menos. Cada dia é dia de luta. Chega de sangue! 

Bruno e Dom são vítimas do projeto de Bolsonaro para a Amazônia, que temos denunciado sem parar. O que restou deles só foi encontrado porque os indígenas os procuraram desde o primeiro minuto. Todos os não indígenas têm uma dívida profunda com os indígenas. Sempre tivemos, porque se ainda existe natureza sobre esse chão que chamamos Brasil é pela resistência deles. Agora, essa dívida se tornou ainda maior. Fizeram por dois homens brancos o que o Estado e suas forças de segurança sustentadas por dinheiro público não fizeram. Profunda gratidão à Univaja e a todos os que se envolveram nesta busca.

Se a execução de Dom e Bruno ficar impune, todos nós que estamos na Amazônia lutando pela floresta estaremos com um alvo na cabeça. Os suspeitos são só a ponta mais fácil de prender e condenar. São peões num jogo muito maior e que costuma ser decidido bem longe da Amazônia. É preciso encontrar, julgar e punir os mandantes. A mobilização por Dom e Bruno precisa seguir. Pela vida. A nossa e a da floresta. 

P.S. Se este texto não é importante, a Amazônia e a Terra não são importantes para você. Então, não há motivo para você ler este almanaque.