sexta-feira, 30 de abril de 2021

O sinal da cruz

 

O significado místico do “pelo sinal da santa cruz”

A oração talvez não mude as coisas para você, mas, com certeza, mudará você para as coisas. 

Segundo o padre Marcelo Rossi: “O Sinal da Cruz é uma oração importante que deve ser rezada logo que acordamos, como a nossa primeira oração, para que Deus, pelos méritos da Cruz de Seu Divino Filho, nos proteja durante todo o dia. Com este Sinal, que é o sinal do cristão, nós pedimos proteção contra os nossos inimigos. Que inimigos?”

Persignar-se: o ato de fazer o sinal da Cruz ou de benzer-se...

(†) Pelo sinal da Santa Cruz (pequena cruz na testa)

Ao traçarmos a primeira cruz em nossa testa, nós estamos pedindo a Deus que proteja a nossa mente dos maus pensamentos, das ideologias malsãs e das heresias, que tanto nos tentam nos dias de hoje e mantendo a nossa inteligência alerta contra todos os embustes e ciladas do demônio. 

(†) Livrai-nos, Deus, Nosso Senhor (pequena cruz nos lábios)

Com esta segunda cruz sobre os lábios, estamos pedindo para que de nossa boca só saiam palavras de louvor: louvor a Deus, louvor aos Seus Santos e aos Seus Anjos; de agradecimento a Deus, pois tudo o que somos e temos são frutos da Sua misericórdia e do Seu amor e não dos nossos méritos; que as nossas palavras jamais sejam ditas para ofender o nosso irmão. 

(†) Dos nossos inimigos (pequena cruz no peito)

A terceira cruz tem como objetivo proteger o nosso coração contra os maus sentimentos: contra o ódio, a vaidade, a inveja, a luxúria e outros vícios; fazer dele uma fonte inesgotável de amor a Deus, a nós mesmos e ao nosso próximo; um coração doce, como o de Maria e manso e humilde como o de Jesus. 

(†) Em nome do Pai, (na testa)

(†) do Filho (no peito)

(†) do Espírito (no ombro esquerdo) Santo (no ombro direito)

†) Amém  (no peito)

Texto: Padre Marcelo Rossi


Humor Aeronáutico

 


Esqueça tudo o que aprendeu sobre impulso, resistência, sustentação e gravidade; o que faz um avião voar é o dinheiro. 

É bem melhor estar cá em baixo desejando estar lá em cima do que estar lá em cima desejando estar cá em baixo! 

A hélice é simplesmente um grande ventilador na frente do avião para manter o piloto fresco. A prova disso é que, quando o hélice para, o piloto começa imediatamente a derreter-se em suor. 

Se tiver de enfrentar uma aterragem forçada noturna, acenda os faróis para ver a área de aterragem. Se não gostar do que viu, apague os faróis. 

Velocidade é vida; a altitude é a segurança da vida. Até hoje, ninguém colidiu com o céu. 

Lembre-se sempre que se pilota com a cabeça e não com as mãos. 

Nunca permita que o avião o leve a algum lugar onde o seu cérebro não tenha chegado cinco minutos antes. 

Nunca largue o avião para agarrar no microfone. Os aviões voam de acordo com os princípios descobertos por Bernoulli, não por Marconi. 

A única situação em que pode achar que tem combustível a mais é quando tiver um princípio de incêndio. 

Voar é a segunda maior emoção conhecida pelo homem; aterrar é a primeira. 

Toda a gente sabe qual é a definição de uma boa aterragem: é quando se pode sair do avião pelo próprio pé. Mas pouca gente sabe a definição de uma ótima aterragem: é quando, para além disso, se pode usar o avião outra vez. 

A probabilidade de sobrevivência é inversamente proporcional ao ângulo de aproximação na final. 

Voar não é perigoso. Perigoso é cair. 

Acredite no seu instrutor, mas mantenha sempre o seu cinto apertado. 

Um avião pode desapontar um piloto, mas não pode surpreendê-lo. 

Decisões acertadas vêm com a experiência e a experiência vem com decisões erradas. 

Existem três regras simples para fazer uma aterragem suave; infelizmente ninguém sabe quais são... 

Pior que um comandante que nunca foi co-piloto é um co-piloto que já foi comandante! 

Os passageiros preferem comandantes antigos a aeromoças novas. 

Um piloto é uma alma confusa que fala sobre mulheres quando está a voar e sobre voo quando está com mulheres. 

Tente manter o número de aterragens igual ao número de descolagens. 

Descolar é opcional; aterrar é obrigatório. 

As três coisas mais inúteis em aviação são: a pista que ficou para trás, a altitude que ficou para cima e o combustível que ficou no caminhão no chão. 

Em caso de pane no avião, nenhum piloto sente falta de ar. Ele sente é falta de terra. 

Quando a aeromoça diz que em caso de pouso no mar o seu acento é flutuante, eu começo a rir. 

Nos aviões de carreira, a cerveja é quente e o café é gelado. 

E por último, lembre-se sempre: quem inventou o avião foi um brasileiro. Não pode dar certo mesmo... 


quinta-feira, 29 de abril de 2021

Vende-se tudo!

 “A gente leva dessa vida... a vida que se leva...” 

Texto de Martha Medeiros

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou: 

- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem. 

- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida. 

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. 

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. 

Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros. Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. 

Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. 

Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida. 

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. 

Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa. 

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. 

Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza: 

“Só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir”, é melhor refletir e começar a trabalhar o desapego já! 

Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza, plenitude e felicidade. 

São os momentos especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a nossa paz de espírito. 

Felicidade não é o destino e sim a viagem.


terça-feira, 27 de abril de 2021

Aos que não gostam de ler

 Escrito por Rubem Alves

Existem três tipos de pessoas no mundo: 

- As que deixam acontecer;

- As que fazem acontecer;

- As que perguntam o que aconteceu.

7 de janeiro - dia do leitor

Nada tenho a dizer aos que gostam de ler. Eles já sabem. Mas tenho a dizer a quem não gosta. Pena que, por não gostar de ler, é provável que não leia isto: “Você não sabe o que está perdendo.” 

Ler é uma das maiores fontes de alegria. Claro, há livros chatos. Não leia. O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que, se há tantos livros deliciosos, por que gastar tempo lendo um que não dá prazer? Na leitura, fazemos turismo sem sair de casa, gastando menos dinheiro e sem correr riscos. 

O Sho-gun me levou pelo Japão do século 16, em meio a ferozes samurais e sutilezas do amor oriental. Cem Anos de Solidão, que reli faz meses, me produziu espantos e ataques de riso. Achei que Gabriel García Márquez deveria estar sob efeito de alucinógeno. 

Lendo, você experimenta seu mundo fantástico sem precisar de "aditivos". É isso: quem lê não precisa de alucinógeno. Nunca tinha pensado nisso. A poesia do Alberto Caeiro me ensina a ver, me faz criança e fico parecido com árvores e regatos. Agora, essa maravilha de delicadeza e pureza, do Gabriel velho, com dores no peito e medo de morrer: Memórias de Minhas Putas Tristes. Li, ri, me comovi, fiquei leve e fiquei triste de o ter lido, porque agora não poderei ter o prazer de lê-lo pela primeira vez. Pena que você, não-leitor, seja castrado para os prazeres que moram nos livros. 

Mas, se quiser, tem remédio. 

10 Episódios Musicais

 Momentos que marcaram a música brasileira.

Vinicius de Moraes, que procurava um parceiro para Orfeu da Conceição, foi apresentado a Tom Jobim. “Tem um dinheirinho nisso?”, perguntou o iniciante Tom.

Noel Rosa dedicou Último Desejo a Ceci. O parceiro na música, Vadico, mostrou a canção para a moça e avisou: “Acho que ele te castiga um pouco nesse samba, Ceci.”

Habitante do planeta Fome deixa Ary de boca aberta:

Ainda adolescente, Elza Soares foi tentar a sorte no programa de calouros de Ary Barroso – uma chance de abrandar as dificuldades da vida de moça miserável. Disseram que deveria ir bonita. Pegou uma saia da mãe e uma camisa larga. Não pesava mais do que 40 quilos. Fez duas marias-chiquinhas. Ao entrar no palco, Ary gracejou, impiedoso: “De que planeta você veio, minha filha?” Gargalhada na plateia. E a resposta veio seca: “Do planeta Fome, seu Ary.” 

“Se não tem mancada não tem samba.” Era Adoniran Barbosa justificando a fama de “furão” que colocou sobre Ernesto Paulelli, inspirador do Samba do Arnesto. 

Em 1899, Chiquinha Gonzaga compôs a primeira música feita especialmente para o Carnaval: Ô abre alas / Que eu quero passar... 

Em uma gravação, João Gilberto se irritou com as dificuldades de Stan Getz. “Tom, diga a esse gringo que ele é um burro”, disse João. “Stan, o João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você”, traduziu Tom Jobim.

Policiais de Caieiras, interior de São Paulo, prendem e agridem Raul Seixas durante um show em 1982. Achavam que era um impostor. 

Em seu programa de tevê, Carlos Imperial anunciou: “Os Beatles gravaram versão de Asa Branca: Blackbird”. Mentira das boas, inventada para alavancar a carreira de Luiz Gonzaga.

Ao apresentar Aquarela do Brasil pela primeira vez, Ary Barroso ouviu do cunhado: “Coqueiro que dá coco? O que você queria que ele desse?” 

Notório malandro, Wilson Batista fez samba trabalhista para agradar Getúlio Vargas: “Quem trabalha é que tem razão / Eu digo e não tenho medo de errar...”

segunda-feira, 26 de abril de 2021

O Predileto

 

Mulher: − Eu perdi meu marido.

Policial: − Qual é a altura dele?

Mulher: − Eu nunca notei qual era a altura dele…

Policial: − Ele é magro, é saudável?

Mulher: − Não é magro, mas pode ser saudável…

Policial: − Qual a cor dos olhos dele?

Mulher: − Eu nunca prestei atenção…

Policial: − E a cor dos cabelos?

Mulher: − A cor dos cabelos dele muda de acordo com a estação…

Policial: − O que ele estava usando? 

Mulher: − Terno, ou talvez uma coisa mais casual, eu não me lembro exatamente… 

Policial: − Havia alguém com ele? 

Mulher: − Sim, meu cachorro, um Labrador chamado Calvin, com altura 50 cm, saudável, olhos azuis, pelo dourado quase laranja, a unha do seu dedão esquerdo estava um pouquinho lascada, ele nunca late, estava usando também uma coleira vermelha com bolinhas rosa, ele não gosta de comida vegetariana, a gente come junto, a gente corre junto, a gente dorme junto… 

E a mulher começou a chorar… 

Policial: − Vamos procurar pelo cachorro primeiro!           

Alegria

 José Falero

Pouca gente sabe, mas entre todos os tipos de trabalho que já tive, um deles foi o de palhaço, ou clown, como alguns preferem dizer. De nariz vermelho e tudo, eu tocava violão no espetáculo “João Jiló”, do grupo TIA de teatro. Apresentávamos principalmente para crianças das escolas de Canoas*. 

Aquele período da minha vida me rendeu o apelido de Krusty, porque o Marcelo e a Mariana, do TIA, me achavam parecido com o célebre palhaço fumante e beberrão dos Simpsons. E, pensando bem, talvez tenha sido por isso − por acreditar que eu precisava de uma fonte de alegria mais saudável do que o tabaco e o álcool − que eles compartilharam comigo as canções de um cara que eu não conhecia, mas que eles imaginavam que eu iria gostar bastante. Copiei as músicas num pendrive, se não me engano, e prometi escutar assim que estivesse de volta em casa, depois da nossa pequena temporada de apresentações do “João Jiló” em Canoas, durante a qual fiquei no apartamento deles, para economizar passagens de ônibus e de trem. 

E aconteceu que, finda a temporada, no retorno a Porto Alegre, vinha eu caminhando pela BR** até a estação de trem mais próxima, com as canções a serem experimentadas no bolso, quando, de repente, me percebi com grande fome. Na mesma hora, os meus olhos ficaram atentos às fachadas, procurando qualquer tipo de anúncio de comida, e, não demorou muito, achei uma lanchonete, logo adiante. 

Ao chegar mais perto, verifiquei que estava fechada, mas, para a minha sorte − ou para o meu azar, nunca se sabe −, um cara resolveu sair dali no exato instante em que eu passava. Aí, num impulso, movido pela fome, me fiz de louco e aproveitei a entrada momentaneamente aberta para invadir o lugar, passando espremido por entre o cara e o umbral, rápido que nem flecha. 

Agora que eu já tinha entrado, era mais fácil me venderem logo alguma coisa do que ficarem me explicando que a lanchonete ainda não estava aberta − foi o que pensei, otimista. Só que o cara plantado lá atrás do balcão me lançou um olhar estranho. Um olhar que não consegui decifrar muito bem, cheio de algum tipo de surpresa. Não a simples surpresa de quem vê alguém adentrar o seu estabelecimento antes da hora; outro tipo de surpresa, mais bicuda, mais ofendida. 

− Tem pastel, mano?

Ele só fez que não com a cabeça.

− E bolinho de batata, tem?

Ele só fez que não com a cabeça. 

− Enroladinho de salsicha, então?

Ele só fez que não com a cabeça.

Fui obrigado a rir.

− Pô, e o que que tem, então?

Pela primeira vez, ele se dignou a falar.

− Tem nada pra ti aqui, magrão. 

Teimoso, na esperança de provar que o sujeito estava enganado, olhei ao redor, procurando qualquer coisa de comer. Um salgadinho desses com gosto de isopor, uma bolacha recheada dessas que dão dor de barriga, umas balas de hortelã dessas que cortam todo o céu da boca, qualquer coisa. Não achei nada. Ele parecia ter razão. Os mostruários do balcão estavam todos vazios. Não existiam prateleiras, nem baleiros, nem freezers para bebidas. Nada. 

Só o que havia, à minha esquerda, lá junto à parede, era uma mesa enorme, com alguns caras sentados em volta. Imediatamente percebi que eles tinham interrompido algum trabalho para ficar me olhando, e um segundo depois me dei conta de que o trabalho em questão era embalar aquele montão de cocaína que estava em cima da mesa. 

Agradeci ao balconista com um aceno de cabeça e fui me retirando de fininho. E só então notei que o cara que estava de saída e que tinha aberto a porta, possibilitando a minha passagem forçada, permanecia até agora imóvel à entrada, com os olhos cravados em mim, a mão na cintura por baixo da camisa. Mas me deixou passar e ir embora. 

Quando a gente passa por uma experiência de quase-presunto como essa, uma voz que passou a vida toda calada resolve gritar forte, lá no fundo, dentro da gente: 

− Não! Agora não! Ainda não! Por favor, só mais uma chance! 

É uma súplica. Não sei a quem, não sei a o quê, mas é uma súplica. Uma súplica por mais uma chance. E, depois de sair ileso daquela lanchonete, me atrevi a perguntar a mim mesmo: só mais uma chance para quê? Qual era, afinal, esse meu objetivo tão precioso, que me levava a considerar inaceitável o fim? O que, afinal, me fazia tão apegado à existência, por mais dura que fosse? 

Com surpresa, notei que muitas coisas podiam responder a essa pergunta. E, com mais surpresa ainda, percebi que nem uma dessas coisas era grandiosa. O sorriso da minha mãe no meio da maior adversidade. O vento fresco no meio da tarde mais quente. A conversa leve no meio do trabalho mais pesado. O pão sem nada no meio da maior fome. A marquise oportuna no meio da maior chuva. O carinho no Alegrias. Alegrias simples. Alegriazinhas bestas. 

Naquele dia, depois da minha experiência de quase-presunto, caminhei pelas ruas com a clara percepção de que a rotina é uma farsa. Porque os dias são todos inéditos, sabia? Não importa se todo dia a gente vai para o mesmo trabalho pelo mesmo caminho depois de dormir na mesma cama e tomar café à mesma mesa. 

Não importa. Os dias são inéditos. As horas são inéditas. Esses minutos e minutos a se desenrolar vertiginosamente bem debaixo do nosso nariz possuem cada qual o seu próprio segredo, cada qual a sua própria alegria escondida. 

Como a alegria de chegar em casa são e salvo para escutar as músicas do cara desconhecido. Fui logo espetando o pendrive no computador. E a primeiríssima faixa que escutei, por incrível que possa parecer, começava com um pequeno diálogo:

− Cartola, manda aquele teu samba “Alegria”.

− É verdade! Me lembrei! Vou cantar esse samba! 

Um arpejo leve no violão, um acorde avulso de cavaquinho, e daí por diante o tal de Cartola seguiu cantando: 

Pois é. Foi assim que conheci o Cartola. E, como não sou louco, nem quero ficar, nunca mais parei de escutar as suas canções. Recorro ao Mestre sempre, sempre, sempre, especialmente quando tudo parece tão… impossível. 

Sei bem que um dia vou entrar numa lanchonete para nunca mais sair. Uma lanchonete sem nada. Só espero poder escutar bastante Cartola até lá. 

***** 

José Carlos da Silva Junior nasceu e vive na Lomba do Pinheiro, periferia de Porto Alegre. Adotou o pseudônimo “José Falero” em homenagem à mãe, de quem herdou a veia artística, mas não o sobrenome. É escritor, autor de Vila Sapo (Figura de Linguagem, 2019) e participante das antologias À margem da sanidade (J. Vellucy, 2018) e Ancestralidades: Escritores Negros (Venas Abiertas, 2019). Trabalha como auxiliar de gesseiro para não morrer de fome, e toca cavaquinho para não morrer de tristeza.

*   Município do Rio Grande do Sul, próxima de Porto Alegre.

** BR-116 que liga Porto Alegre a Canoas.

Futebol de rua

 Luis Fernando Veríssimo

Pelada é o futebol de campinho, de terreno baldio. Mas existe um tipo de futebol ainda mais rudimentar do que a pelada. É o futebol de rua. Perto do futebol de rua qualquer pelada é luxo e qualquer terreno baldio é o Maracanã em jogo noturno. Se você é homem, brasileiro e criado em cidade, sabe do que eu estou falando. Futebol de rua é tão humilde que chama pelada de senhora. 

Não sei se alguém, algum dia, por farra ou nostalgia, botou num papel as regras do futebol de rua. Elas seriam mais ou menos assim: 

DA BOLA – A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do seu irmão menor, que sairá correndo para se queixar em casa. No caso de se usar uma pedra, lata ou outro objeto contundente, recomenda-se jogar de sapatos. De preferência os novos, do colégio. Quem jogar descalço deve cuidar para chutar sempre com aquela unha do dedão que estava precisando ser aparada mesmo. Também é permitido o uso de frutas ou legumes em vez da bola, recomendando-se nestes casos a laranja, a maça, o chuchu e a pera. Desaconselha-se o uso de tomates, melancias e, claro, ovos. O abacaxi pode ser utilizado, mas aí ninguém quer ficar no golo. 

DAS GOLEIRAS – As goleiras podem ser feitas com, literalmente, o que estiver à mão. Tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, os livros da escola, a merendeira do seu irmão menor, e até o seu irmão menor, apesar dos seus protestos. Quando o jogo é importante, recomenda-se o uso de latas de lixo. Cheias, para aguentarem o impacto. A distância regulamentar entre uma goleira e outra dependerá de discussão prévia entre os jogadores. Às vezes esta discussão demora tanto que quando a distância fica acertada está na hora de ir jantar. Lata de lixo virada é meio golo. 

DO CAMPO – O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, calçada, rua e a calçada do outro lado e – nos clássicos – o quarteirão inteiro. O mais comum é jogar-se só no meio da rua. 

DA DURAÇÃO DO JOGO – Até a mãe chamar ou escurecer, o que vier primeiro. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia. 

DA FORMAÇÃO DOS TIMES – O número de jogadores em cada equipe varia, de um a 70 para cada lado. Algumas convenções devem ser respeitadas. Ruim vai para o golo. Perneta joga na ponta, na esquerda ou na direita dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque. 

DO JUIZ – Não tem juiz. 

DAS INTERRUPÇÕES – No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada numa destas eventualidades: 

a) Se a bola for para baixo de um carro estacionado e ninguém conseguir tirá-la. Mande o seu irmão menor. 

b) Se a bola entrar por uma janela. Neste caso os jogadores devem esperar não mais de 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isto não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa ou apartamento e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação. Se o apartamento ou casa for de militar reformado com cachorro, deve-se providenciar outra bola. Se a janela atravessada pela bola estiver com o vidro fechado na ocasião, os dois times devem reunir-se rapidamente para deliberar o que fazer. A alguns quarteirões de distância.

c) Quando passarem pela calçada:

1) Pessoas idosas ou com defeitos físicos.

2) Senhoras grávidas ou com crianças de colo.

3) Aquele mulherão do 701 que nunca usa sutiã.

Se o jogo estiver empate em 20 a 20 e quase no fim, esta regra pode ser ignorada e se alguém estiver no caminho do time atacante, azar. Ninguém mandou invadir o campo.

d) Quando passarem veículos pesados pela rua. De ônibus para cima. Bicicletas e Volkswagen, por exemplo, podem ser chutados junto com a bola e se entrar é golo. 

DAS SUBSTITUIÇÕES – Só são permitidas substituições: 

a) No caso de um jogador ser carregado para casa pela orelha para fazer a lição. 

b) Em caso de atropelamento. 

DO INTERVALO PARA DESCANSO – Você deve estar brincando. 

DA TÁTICA – Joga-se o futebol de rua mais ou menos como o Futebol de Verdade (que é como, na rua, com reverência, chamam a pelada), mas com algumas importantes variações. O goleiro só é intocável dentro da sua casa, para onde fugiu gritando por socorro. É permitido entrar na área adversária tabelando com uma Kombi. Se a bola dobrar a esquina é córner. 

DAS PENALIDADES – A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar um adversário dentro do bueiro. É considerada atitude antiesportiva e punida com tiro indireto. 

DA JUSTIÇA ESPORTIVA – Os casos de litígio serão resolvidos no tapa. 

(Do livro “O Rei do Rock”, de Luís Fernando Veríssimo, Coleção RBS/Editora Globo, págs 11/14)

 


domingo, 25 de abril de 2021

Regras do futebol de campinho

 

(01) Os dois melhores jogadores não podem estar no mesmo lado. Logo, eles tiram par ou impar e escolhem os times. 

(02) Ser escolhido por último é uma grande humilhação, pois se trata de um perna-de-pau. 

(03) Um time joga sem camisa; o outro, com camisa. 

(04) O pior de cada time vira goleiro, a não ser que tenha alguém que goste de catar no gol. 

(05) Se ninguém aceita ser o goleiro, adota-se um rodízio: cada um cata até sofrer um gol. 

(06) Quando tem um pênalti, sai o goleiro ruim e entra um bom só pra tentar pegar a cobrança. 

(07) Os piores de cada lado jogam nas pontas ou nas laterais do campo pra não atrapalhar a partida. 

(08) O dono da bola joga no mesmo time do melhor jogador. É ele mais dez... 

(09) Não tem juiz. Se apita no grito. 

(10) As faltas são marcadas no grito: se você foi atingido, grite como se tivesse quebrado uma perna e conseguirá a falta. 

(11) Se você está no lance e a bola sair pela lateral, grite “é nossa!” e pegue a bola o mais rápido possível para fazer a cobrança (essa regra também se aplica a escanteio). 

(12) Lesões como destroncar o dedão do pé, ralar o joelho, sangrar o nariz, levar uma bolada no saco e outras são normais no jogo. 

(13) Quem chuta a bola pra longe tem que buscar. 

(14) Lances polêmicos são resolvidos no grito ou, se for o caso, no tapa. 

(15) A partida acaba quando todos estão cansados, quando anoitece, ou quando a mãe do dono da bola manda ele ir pra casa. 

(16) Mesmo que esteja 15 x 0, o jogo só acaba com “quem faz o último gol, ganha a partida.” 

(17) Bola imprensada é da defesa. 

(18) O jogo era em dez, com 5 a zero virava-se de lado. 

(19) Não tem impedimento, sempre havia um jogar que ficava o tempo todo na “banheira”. 

(20) Não se podia jogar e kichute ou chuteira. Era todo mundo de pés descalços. 

(21) Sandálias (havaianas e derivadas) serviam para fazer a marcação da goleira. 

(22) Menina não joga e nem assiste as partidas por causa dos nomes feios. 

(23) Pode se xingar um ao outro numa jogada ríspida, mas não se pode botar a mãe no meio da discussão. 

(24) Não tem intervalo, joga-se até escurecer, ou dono da bola ir para casa ou cair um temporal com raios.

sábado, 24 de abril de 2021

Assalariados

 José Falero*

Pedra Bonita: condomínio da Zona Sul de Porto Alegre, onde o apartamento mais barato é 1 milhão. Ajudante de gesseiro: lá tava eu, ajudando o Michel e o Matheus. Ajudando a fazer um forro, ajudando a levar a vida. Correr atrás do ouro com os mano que tu te criou tem seu valor. Quem sabe, sabe. Nem se compara a entrar numa empresa grande e construir amizade do nada com um bando de colega desconhecido. 

Gente de bem: família tradicional, brancos que nem papel, bem alimentados, pele saudável, mãos macias, donos do mundo, donos da porra toda, donos do forro que a gente tava fazendo. O pai era rato graúdo (alto cargo da Polícia Civil). Até pediu o nosso RG e pesquisou os nossos antecedentes criminais, antes de decidir se a gente era digno de entrar no apartamento dele pra trabalhar. A esposa conseguia ser ainda mais indigesta. Reclamava da sujeira a cada 5 minutos, e a cada 10 reclamava da demora pro serviço ficar pronto. O filho era um bicho preguiça. Toda vez que eu via aquele guri, parecia que tinha recém acordado. Andava de arrasto. Acho que nunca lavou um copo na vida. E acho que nunca vai lavar. 

Uma história absurda: a mulher tava tentando conseguir alguns benefícios pro guri dela, na faculdade. Teve algumas conversas acaloradas por telefone com algum funcionário de lá. Pelo que eu entendi, o problema passava por comprovação de baixa renda. Não sei o que ela tava tentando garantir pro filhote dela, mas, pra conseguir o que ela queria, precisava comprovar, de algum jeito, que a família era pobre. E não deve ser fácil de fazer isso morando num apartamento de 1 milhão. 

Numa dessas, a mulher desligou o telefone e foi conversar com o marido, indignada. 

− Que raiva dessa gente! Esses assalariados! Amanhã eu vou lá! Vou lá conversar bem de pertinho com eles, e aí eu quero ver! Ora, onde já se viu? Esses assalariados! 

O marido concordava. 

− É. É um absurdo, mesmo. 

Eu gostaria que houvesse algum recurso gráfico que me permitisse expressar aqui, neste texto, toda a repugnância que aquela mulher colocava na voz quando dizia “assalariados”. 

− Esses assalariados! 

Ela dizia “assalariados” com a mesma careta de nojo que a gente faz pra explicar que pisou na merda. 

Até hoje a gente brinca com isso, eu e os guri. Quando um de nós faz algo reprovável, a gente diz: “tinha que ser esse assalariado!”. Mas, apesar do nosso bom humor no trato com esse tipo de coisa, a gente tem, sim, consciência do que aquele episódio representou, e também da tragédia de o mundo ser como por enquanto é. A gente sabe. A quebrada sabe. 

Vivemos tempos sombrios, e o povo parece que perdeu a capacidade de se enxergar no espelho, no meio de tanta escuridão. Parece que perdemos a capacidade de perceber as coisas mais óbvias: nossos interesses nunca serão defendidos por aqueles que não experimentaram as nossas dores. Mas eu boto fé. No momento certo, na hora que o bicho pegar, todos vão lembrar direitinho quem é que tem as mãos calejadas, e quem é que peidou dormindo a vida inteira. 

“Ei, pé-de-break, vai pensando que tá bom! Todo mundo vai ouvir, todo o mundo vai saber!” 

Em tempo: quando contei essa história a Dalva, perguntei: 

− Será que a mulher não ficou com vergonha de dizer “assalariados” daquele jeito, com aquele nojo, sendo que tinha três assalariados ali, trabalhando no apartamento dela e ouvindo tudo? Ou será que ela falou de propósito, pra nos humilhar? 

A resposta de Dalva, como sempre, não podia ser mais lúcida: 

− Não. Vocês não importavam pra ela. Eram invisíveis. Foi como se vocês não estivessem ali. 

******* 

*José Carlos da Silva Junior nasceu e vive na Lomba do Pinheiro, periferia de Porto Alegre. Adotou o pseudônimo “José Falero” em homenagem à mãe, de quem herdou a veia artística, mas não o sobrenome. É escritor, autor de Vila Sapo (Figura de Linguagem, 2019) e participante das antologias À margem da sanidade (J. Vellucy, 2018) e Ancestralidades: Escritores Negros (Venas Abiertas, 2019). Trabalha como auxiliar de gesseiro para não morrer de fome, e toca cavaquinho para não morrer de tristeza.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Os Filhos

 

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos filhos”.

E ele falou: 

Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E embora vivam convosco, não vos pertencem. 

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos. 

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. 

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. 

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. 

Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.

(Do livro “O Pofeta”, Gibran Kahlil Gibran)

Nova almanaquianas

 
O pretexto para o divórcio 

Uma senhora de boa aparência entrou no escritório de um advogado e, sem mais explicações, declarou que queria divorciar-se.

- Mas a que pretexto? – perguntou o advogado.

A senhora replicou que suspeitava da fidelidade do marido.

- Mas em que é que a senhora se baseia para concluir que ele não lhe é fiel?

- Bem – respondeu a senhora – eu acho que ele não é o pai do meu filho! 

O apaixonado 

Um apaixonado daqueles insistentes esgota a paciência da amada indiferente.

− Pelo amor de Deus, vá embora! Eu não quero mais vê-lo!

− Não faça isso! − pede ele. − Eu vou, mas diga que eu posso voltar um dia!

− Está bem! − suspira ela. − Pode voltar, sim, daqui a uns vinte anos!

E ele:

− De manhã, à tarde ou à noite?... 

Impressão 

- Fui à livraria e sofri profunda impressão.

- Por quê?

- Porque me pus a olhar os títulos e me dei conta da profundidade de minha ignorância. Não conhecia nenhum. 

No teatro 

O autor novo estava desolado pelo fracasso de sua primeira obra e um conhecido comediógrafo lhe dizia:

- Não se aflija, todos nós estamos sujeitos a isso. Quando estreei minha primeira obra, os espectadores de três filas da platéia me apuparam ruidosamente.

- Sim, e o resto do teatro?

- Estava vazio.

No restaurante 

- Como achou o bife, senhor?

- Com alguma dificuldade e depois de procurá-lo durante algum tempo. Estava debaixo de uma batata frita. 

Na farmácia 

Entra um freguês na farmácia e pede:

- Por favor, me dê dez reais de naftalina.

O farmacêutico encosta a escada na armação e sobe até p topo para pegar o vidro onde estão as naftalinas. Desce com o vidro, serve o freguês, recebe o dinheiro, torna a subir a escada e põe o vidro de volta no lugar. Depois desce.

Entra outro freguês.

- Por favor, me dê dez reais de naftalina.

O farmacêutico repete o ritual de encostar a escada, subir, apanhar o vidro, servir o freguês e tornar a subir a escada para recolocar o vidro no lugar. Quando estava lá em cima, entra mais um freguês, e ele já pergunta, para se prevenir:

- Dez reais de naftalina?

- Não, responde o freguês.

O farmacêutico desce e chega no balcão.

- Então, o que o senhor deseja?

- Cinco reais de naftalina.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

Curvas da vida

 

“Não importa o que você pedir, é apenas uma visão microscópica daquilo que Deus deseja lhe dar.” 

Você já se perguntou por que a estrada tem curvas? Por que é que todas as estradas não são retas? Por que é que as ruas da cidade sobem, descem, e dobram esquinas? As curvas da estrada nos dão a oportunidade de ir vendo um pouquinho de cada vez. À medida que vamos avançando, ganhando terreno, um pouco mais nos é revelado. É assim que a vida funciona. Ela vai lhe dando aquilo com que você consegue lidar em pequenas doses, mesmo quando você acha que aguentaria mais. Isso é o que chamamos de graça de Deus. Onde quer que você se encontre, é exatamente onde precisa estar. Mesmo quando você queria estar em outro lugar, em circunstâncias diferentes, a vida sabe que você provavelmente não conseguiria lidar com a outra situação. 

Deepak Chopra escreveu: 

“Sejam quais forem os relacionamentos que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, eles são os relacionamentos de que você precisava naquele momento.”

Quando você estiver preparada para fazer uma coisa nova, de uma maneira nova, você fará, com pessoas novas. Há gente à espera da pessoa na qual você está se transformando. É provável que você ainda não esteja pronto para conhecê-las. A cada momento específico, cada um de nós está passando pelo processo de ser e de se tornar. Estamos aprendendo o máximo que podemos. A estrada tem curvas e estamos sendo preparados para lidar com o que nos aguarda a cada curva. Obrigada, meus Deus, por ter feito as curvas da estrada! Obrigada por nos amar o suficiente para nos dar apenas aquilo com que conseguimos lidar no momento em que acontece! Obrigada, meu Deus, por permitir que o curso do processo da vida seja lento e suave. Deus quer o melhor para você e só deus sabe o que é melhor para você.

(Autora: Iyanla Vanzant, livro:

“Um dia minha alma se abriu por inteiro”)

terça-feira, 20 de abril de 2021

Com uma ajuda do Rei

 

Roberto Carlos por Cícero Lopes 

(...) 

No livro “Roberto Carlos em detalhes”, de Paulo César Araújo, ele conta, por exemplo, que os compositores brasileiros corriam para mostrar a Roberto suas novas músicas, na expectativa de que uma delas fosse gravada no tradicional disco de Natal. Ser gravado por Roberto era ganhar na loteria. Houve quem comprasse casa com o dinheiro dos direitos autorais de uma única canção. 

Luiz Ayrão contou, numa entrevista, que um dia foi à casa de Roberto para lhe mostrar algumas músicas. Mostrou uma; Roberto não gostou. Mostrou a segunda; Roberto também não gostou. A terceira: nada feito. Luiz Ayrão já estava ficando sem músicas para apresentar, quando alguém avisou que Roberto estava sendo chamado ao telefone. Ele foi atender e Ayrão ficou dedilhando o violão e cantando uma música que ainda não estava pronta: 

Olhe aqui, preste atenção,
Essa é a nossa canção.
Vou cantá-la seja aonde for
Para nunca esquecer o nosso amor
Nosso amor.

Veja bem, foi você
A razão e o porquê.
De nascer esta canção assim,
Pois você é o amor que existe em mim.
 

Você partiu e me deixou,
Nunca mais você voltou
Pra me tirar da solidão.
E até você voltar,
Meu bem, eu vou cantar,
Essa nossa canção.
 

Roberto Carlos tapou com a mão o bocal do telefone e avisou: 

− É essa. Essa eu vou gravar! 

E “Nossa Canção” se transformou no primeiro sucesso romântico do Rei. 

Quer dizer: ele sabia o que estava fazendo, sabia o que queria, sabia onde pretendia chegar. É a excelência do intérprete unida à sabedoria na administração da própria trajetória. 

(Parte de uma crônica de David Coimbra, em Zero Hora, abril de 2021)

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Humor de Leon Eliachar

 Assalto − como evitá-lo

 

01º Não sair de casa. 

02º Não ficar em casa. 

03º Se sair, não sair acompanhado. Nem sozinho. 

04º Se sair sozinho ou acompanhado, não sair a pé. Nem de carro. 

05º Se sair a pé, não andar devagar. Nem depressa. Nem parar. 

06º Se sair de carro, não parar nas esquinas. Nem no meio da rua. Nem nas calçadas. Nem nos postos de gasolina. Nem nos sinais. Melhor é deixar o carro e pegar uma condução. 

07º Se pegar uma condução, não pegar ônibus. Nem táxi. Nem trem. Nem carona. 

08º Se decidir ficar em casa, não ficar sozinho. Nem acompanhado. 

09º Se ficar sozinho ou acompanhado, não deixar a porta aberta. Nem fechada. 

10º Como não adianta mudar de cidade, nem de país, o único jeito é ficar no ar. Mas não num avião. 

Anúncios Teatrais

Precisa-se com urgência de um contra-regra que seja a favor. 

Violonista procura oportunidade para acompanhar cantora bonita − depois do espetáculo. 

Contrata-se um diretor com talento bastante para obedecer todas as ordens. 

Procura-se figurinista de alto gabarito para despir vedetes de alto gabarito. 

Precisa-se de uma bilheteira com bastante experiência para na hora de receber o salário já trazer o troco. 

Bailarina que trabalha no fundo de cena deseja oportunidade de dar um passo à frente. 

Precisa-se de cenógrafo avançado, mas não muito, a fim de sair das limitações do palco. 

Empresário com vinte por cento de conversa contrata companhia com oitenta por cento de talento. 

(Livro: O Homem ao Meio, Página 33)

10 momentos inéditos do Oscar

 Por Rafael Battaglia

Da primeira mulher negra ao primeiro campeão estrangeiro, uma linha do tempo dos desbravadores no prêmio, cuja edição desse ano acontece em 25 de abril de 2021. 

A edição de 2021 do Oscar ficará marcada como a primeira vez em que duas mulheres, Chloé Zhao e Emerald Fennell, concorrem a Melhor Direção. Elas estão por trás, respectivamente, de de Nomadland e Bela Vingança, que também estão no páreo para Melhor Filme. 

Abaixo, montamos uma linha do tempo com outros momentos inéditos da história do prêmio, que acontece há 91 anos. Confira: 

1929 – Primeira edição do Oscar. 

1940 – A atriz Hattie McDaniel se torna a primeira negra a vencer um Oscar por …E o Vento Levou. Pela lei de segregação racial, ela não pôde se sentar com o resto do elenco. 

1945 – Ary Barroso é o primeiro brasileiro indicado. Ele concorreu pela canção “Rio de Janeiro”, do filme Brazil. 

1964 – Sidney Poitier vence como Melhor Ator por Uma Voz nas Sombras e se torna o primeiro negro a conquistar o prêmio. 

1974 – A produtora Julia Phillips é a primeira mulher a ser indicada (e vencer) na categoria de Melhor Filme por Golpe de Mestre. 

1977 – Lina Wertmüller é a primeira mulher nomeada à direção por Pasqualino Sete Belezas. Mas a primeira vitória feminina na categoria só veio em 2010, com Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror). Em 2019, Lina ganhou um Oscar honorário. 

1977 – Peter Finch é o primeiro ator a ganhar um Oscar póstumo. Ele venceu por Rede de Intrigas, mas morreu dois meses antes da cerimônia. 

1987 – Aos 21 anos, Marlee Matlin é a primeira (e até agora a única) artista surda a conquistar o troféu de Melhor Atriz por Filhos do Silêncio. Ela é também a mais jovem vencedora da categoria. 

2020 – O sul-coreano Parasita é o primeiro filme em língua estrangeira a vencer como Melhor Filme. 

2021 – Riz Ahmed (O Som do Silêncio) e Steven Yeun são, respectivamente, o primeiro muçulmano e o primeiro asiático-americano a disputar Melhor Ator. 

Do blog da revista Super Interessante

 

domingo, 18 de abril de 2021

Os Silva

 

Tem Silva bombeiro

Tem Silva escritor

Tem Silva bicheiro

Tem Silva doutor

Tem Silva que é artista

Tem Silva futebolista

Tem Silva operário

Tem Silva funcionário

Tem Silva escrivão

Tem Silva patrão

Tem Silva soldado

Tem Silva advogado

Tem Silva gerente

Tem Silva assistente

Tem Silva tenista

Tem Silva dentista

Tem Silva solteiro

Tem Silva casado

Tem Silva viúvo

Tem Silva veado

Tem Silva e mais Silva

Tem tanta gente

Que mais de um Silva

Já foi presidente:

Um deles, do uísque;

Outro, da aguardente.  

(Pílulas de humor por Max Nunes)

*  Jânio da Silva Quadros seria o presidente do uísque? 

** Luís Inácio Lula da Silva seria o presidente de aguardente?

Uma cena marcante de novela

 Fala do último capítulo da novela, de 2012, “A vida da gente”, 

por Nicete Bruno.

Foto de Nicete Bruno e Stênio Garcia, personagens da novela. 

“Quem teve o privilégio de viver muito, sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes, as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes, elas se depositam devagar como a conta-gotas, diante da avidez de nossas perguntas.

E, por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, como tanto amigos aqui do nosso baile, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extinguem. Urgências se acalmam. Passos ágeis alentam. 

Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo... sempre passando... 

E é por isso que eu queria nesta noite erguer um brinde a ele, que esculpiu no meu rosto e na minha alma a sua marca da qual eu tanto me orgulho. 

Então, ao tempo! Ao Tempo! 

*****

P.S. A cena e fala da atriz está na internet. 

A atriz disse que adorou participar da trama de Lícia Manzo e que o elenco se deu muito bem durante as gravações. “Está todo mundo feliz. Foi um trabalho lindo!”, elogiou ela.