terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Em 2025

 Carpinejar

 

Que você se lembre de procurar a lua no fim do dia, que volte a se sentir no interior, observando as estrelas no céu. 

Que você ame quando menos esperar, que seja feliz de repente. 

Que você dirija cantando as suas músicas prediletas, não sofrendo tanto com os engarrafamentos.

 Que você possa estar em casa quando chover. 

Que você possa estar na rua quando houver sol e brisa. 

Que você seja surpreendido pela fala de uma criança, renovando a sua delicadeza. 

Que você engome a sua roupa fantasiando o encontro. 

Que você namore num jantar segurando as mãos por cima da mesa e encostando os pés por baixo. 

Que você dance como se não houvesse amanhã, que converse em botecos numa eterna saideira. 

Que você frequente os cinemas para recuperar o protagonismo de sua vida. 

Que você se esforce para reconhecer os seus colegas, sempre os chamando pelo nome. 

Que você já demonstre capricho no café da manhã, no primeiro ato de se servir. 

Que você nunca passe por um cachorro sem oferecer a ternura da sua infância. 

Que você durma consciente de dormir, que não desmaie no sofá ainda vestido. 

Que você abra espaço para plantas em sua residência, que não se veja longe do verde. As mudas melhoram o nosso silêncio e solitude. 

Que você descubra algo novo todo mês, que não se restrinja a repetir o que já conhece. 

Que você seja premiado com dinheirinho perdido nos bolsos dos casacos. 

Que você reviste as peças antes de colocar na máquina de lavar. 

Que você dê mais valor para as moedas e para os 15 minutos que sobram. 

Que você seja mais alegre torcendo para o seu time do que secando o rival. 

Que você elogie os amigos e incentive seus projetos de mudança. 

Que você respeite a dor da perda e não apresse o luto de ninguém. 

Que você leia um pouco por vez, algumas páginas, para treinar a memória. 

Que você invista num esporte, para recobrar o prazer da disputa saudável. 

Que você convide os pais para uma viagem, que não se reduza ao mundo do casal. 

Que você tenha confiança para não se rebaixar, e humildade para não deixar nenhuma pessoa invisível ao seu lado. 

Que você esqueça o celular quando estiver frente a frente com os seus afetos. 

Que você consiga listar os lugares aonde deseja ir, os shows a que pretende assistir, começando a contagem regressiva de seus sonhos. 

Que você tenha coragem de enfrentar as amizades quando elas se envolverem em relacionamentos tóxicos, e tenha empatia para socorrê-las sem jogar na cara que tinha razão e avisou antes. 

Que você não se constranja ao entrar no elevador ou sala de espera do médico. 

Que você saiba diferenciar a teimosia burra da insistência inteligente. 

Que você se apresente aos seus vizinhos. 

Que você não desmarque compromissos com a família em cima da hora, causando frustrações e descrédito. 

Que você faça o bem para depois olhar para quem foi. 

Que você acredite em si e desconfie das críticas. 

Que você seja contente do seu jeito, sem preconceito, usando a gamela para o churrasco ou para as frutas. 

Que você não seja influenciável a ponto de duvidar de si, nem uma parede a ponto de não escutar ninguém. 

Que você jamais subestime seu problemas pensando que não precisa de terapia. 

Que você aprenda a respirar quando irritado, a se aclamar quando provocado, a se retirar quando o outro não fizer por merecer a sua companhia. 

Que você perdoe as suas versões anteriores e agradeça quem se tornou. 

Que 2025 não traga nada para você, que você mesmo busque. 

(Do jornal Zero Hora, 31.12.2024)

Um pequeno texto poético

 

— Então, o que fazemos agora?

— Amor.

— Tens a certeza?

— Absoluta.

— Está bem, vou despir-me.

— Espere… por que tu estás tirando tua roupa?

— Bem… para fazer, né?

— Quem te disse que é preciso despir-se para fazer amor?

— Mas não é assim que funciona?

— Não, meu bem. Fazer amor não é só com o corpo. É muito mais profundo que isso.

— Então, como se faz?

— Mantenha tuas roupas. Vamos conversar. Falar até que nossas vozes se tornem ecos suaves. Vamos rir sem motivo, até que o riso se transforme em música. Vamos mergulhar no olhar um do outro, buscando pedaços de eternidade no silêncio. Vamos fazer amor com nossas almas, não apenas com nossos corpos.

— E depois?

— Depois, vamos nos observar como quem lê um livro raro. Sem pressa. Até que as palavras se tornem supérfluas e o silêncio diga mais do que qualquer frase. Nesse momento, talvez possamos nos tocar.

— Tocar? Como?

— Não com pressa, mas com a delicadeza de um carinho que flutua, que dança no ar antes de pousar, se dissolvendo na eternidade de um abraço.

— Isso soa tão… lindo.

— Dá-me tua mão.

— Aqui está.

— Sentes isso? Esse calor silencioso? Aqui está a verdadeira essência de fazer amor.

— E então?

— Vamos continuar. Conversar até que o dia se canse de nos ouvir. Deixa-me olhar para ti, observar o arco dos teus cílios, o contorno dos teus lábios. Se um beijo nascer, ele virá por si só, sem convite.

— E se as palavras acabarem?

— Então, nossas almas falarão. Vamos abrir nossos segredos até que não restem barreiras. Vamos contemplar-nos até que o prazer seja puro e absoluto.

— E se meus olhos se recusarem a fechar?

— Então ficarei aqui, olhando para ti a noite inteira.

 *******

Esse texto não possui comprovação real do seu autor.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

O Voto e o Pão

 Alceu de Deus Collares


Mandam no teu destino,
Mas ele é teu, meu irmão.
Ergue teus braços finos
E acaba com a exploração.
Faz tua revolução! 

O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.

O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.
O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão. 

Tua casa está caindo,
Pouca comida tem no fogão.
Tua mulher está mal vestida,
Teu filho de pé no chão,
Faz tua revolução! 

O voto e tua única arma,
Põe teu voto na mão.
O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.

O voto e tua única arma,
Põe teu voto na mão. 

Escravismo, feudalismo, capitalismo,
Socialismo, tudo em vão.
Vai milênio, vem milênio
E continuas na escravidão.
Faz tua revolução! 

O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.
O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.
O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão. 

Cristianismo, judaísmo, hinduísmo,
Todos querem a tua salvação.
Tu rezas noite e dia,
Ninguém ouve a tua oração.
Faz tua revolução! 

O voto e tua única arma,
Põe teu voto na mão.
O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.
O voto e tua única arma,
Põe teu voto na mão. 

Construíste, com teu trabalho,
Toda riqueza desta nação.
Por justiça, tens o direito
Vai pegar o teu quinhão,
Faz tua revolução! 

O voto e tua única arma,
Põe teu voto na mão.
O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.

O voto e tua única arma,
Põe teu voto na mão, 

A liberdade é o pão do espírito,
Do corpo, a liberdade é o pão.
Desperta pra luta, amigo,
Faz tua revolução! 

O voto e tua única arma,
Põe teu voto na mão.

O voto e tua única arma,
Põe o teu voto na mão.
O voto é tua única arma,
Põe teu voto na mão.


Alceu de Deus Collares foi um advogado, servidor público e político brasileiro. Foi Governador do Rio Grande do Sul de 1991 a 1995 e Prefeito de Porto Alegre de 1986 a 1989, sendo o primeiro negro a ocupar ambos os cargos. Collares nasceu na campanha gaúcha, sendo oriundo de uma família muito pobre. Wikipédia. 

Nascimento:  12 de setembro de 1927, Bagé, Rio Grande do Sul;

Falecimento: 24 de dezembro de 2024, Porto Alegre, Rio Grande do Sul.


sábado, 28 de dezembro de 2024

Meus votos para o seu 2025

 Martha Medeiros

Que você tenha dezenas de novas primeiras vezes. Que saiba diferenciar um influencer de um nonsenser. 

Que continue sabendo escrever à mão. 

Que envelheça sem perder o borogodó. 

Que receba outra chance (você ainda não estragou tudo). 

Que saiba diferenciar o que é excessivo do que é essencial. 

Que em vez de prestar tanta atenção nos milhares de seguidores, você responda com mais presteza a mensagem privada que alguém te enviou. 

Que a maturidade te dê experiência no combate (entra ano, sai ano, e a vida continua difícil). 

Que você olhe para os dois lados antes de atravessar. 

Que quando se sentir muito angustiado, perceba logo que a saída é mudar de ponto de vista. 

Que você não ria do que não é engraçado. Não precisa ser simpático com idiotas. 

Que você encontre o amor que mereça. 

Que você saiba ser adorável com quem está conversando. Uma dica: faça perguntas. 

Que você consuma coisas boas. Livros, comida, música, pessoas, postagens. Seja exigente. 

Que descubra a solução para a maioria dos problemas de relacionamento: controlar o ego. 

Que você se recuse a confrontos. Gaste sua energia dançando. 

Que seja sempre franco, assim nunca terá medo de ser desmascarado. 

Que você ria com seus amigos até quase explodir. 

Que você retire os obstáculos que te paralisam: preguiça, pudor, medo do fracasso, medo do sucesso, procrastinação, falta de autoconfiança. 

Que compreenda que felicidade não significa a mesma coisa para todos. 

Que você busque mais conhecimento e menos crenças. 

Que você aceite que agora você é assim, não importa como você era antes. 

Que você não leve nenhum tombo. Quebrar a cara, acontecerá às vezes, mas quebrar uma perna, evite a qualquer custo. 

Que não se preocupe tanto com o que não lhe diz respeito (mas política, diz). 

Que não seja irritantemente bonzinho, boazinha. Ninguém vai para o céu. Ninguém. 

Que você procure entender o mundo em que vive antes de julgar os que são diferentes de você. Se for imprescindível julgar, julgue pelo conjunto da obra, e não pelo que aconteceu hoje de manhã. 

Que não caia naquele ditado enganoso, “que vê cara, não vê coração”. O coração está na cara, sim: o olhar e o sorriso entregam tudo. 

Que você encontre o que não estava procurando, e passe a considerar os acasos como bênçãos. 

Que você não tenha vergonha de perguntar onde é o banheiro. 

Que se deixou sua vida ser conduzida pelos outros, reassuma o volante. 

Que você saiba contabilizar o que tem a perder e o que tem a ganhar diante de qualquer situação. 

Que você siga seu faro. 

Que sua solidão seja repleta de acontecimentos. 

Que você mantenha a orquestra tocando, não importa o drama ao redor. 

Que quando as coisas estiverem desmoronando, você lembre que é apenas uma fase. 

Que você deseje, mas sem intransigência, sem fazer questão absoluta de nada. Deseje sem obsessão. 

Que você não fique contra você em 2025. 

(Do caderno donna, do jornal Zero Hora, 28.12.2024)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

A mulher e o café

 

A mulher...

É como um bom café:

Aroma irresistível, intensidade que desperta e energia que transforma.

Cuide dela.

Porque sempre haverá alguém à espreita, esperando que você falhe.

Se for fria, compreenda-a.

Se for doce, valorize-a.

Se for apaixonada, corresponda-a.

Se for ciumenta, tranquilize-a.

Se for carinhosa, envolve-a.

Se for complexa, escute-a.

O segredo?

Faça-a rir, e ela permanecerá.

Porque o riso é a chave que mantém o amor vivo,

e um coração que sorri, nunca se distancia. 

Rogério dos Santos 

A mulher...

É como um bom café

Que cheira delicioso.

Ele tira teu sono,

E te enche de energia,

Cuida dela.

Porque sempre

Tem um esperando

Tu falhares.

Se for fria, entende ela.

Se for fofinha, queira ela.

Se ela é excitada, cumpra tua tarefa...

Se for ciumenta, cuida dela.

Se ela for carinhosa, abraça-a.

Se for complicada, ouve-a.

E o grande segredo...

É fazê-la rir muitas vezes

Para que ela nunca vá embora!

Autor desconhecido


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Jesus merece ser celebrado

 David Coimbra

Jesus Cristo por Fraga

Ele foi o homem mais importante da história ocidental, só que não pela religião, e sim pela filosofia. O Ocidente é o que é graças a Jesus. 

A religião atrapalha quando você tenta dimensionar a figura de Jesus. Porque Jesus foi o homem mais importante da história ocidental, só que não pela religião, e sim pela filosofia. 

As ideias de Jesus mudaram o mundo. Não a crença; as ideias. 

Até o surgimento dele, a desigualdade entre os seres humanos era vista como algo natural. Platão defendia o governo aristocrático dos mais sábios e Aristóteles dizia que a escravidão era uma condição do próprio ser. Ou seja: a pessoa nascia para ser escrava e viveria melhor sendo escrava. 

As primeiras considerações morais de uma religião foram feitas pelos egípcios. Eles acreditavam que, depois que a pessoa morria, ela era julgada no Tribunal de Osíris. A principal cerimônia desse julgamento era presidida pela deusa Maat, uma bela morena que tinha asas sob os braços e que enfeitava os cabelos negros com uma pena de avestruz. Essa pena Maat colocava no prato de uma balança e a apresentava ao réu, que devia acomodar o próprio coração no outro prato. Se seu coração fosse mais pesado do que a pena, significava que estava cheio de pecados que cometera em vida e ele era condenado sem direito a apelar para o STF. 

Então os egípcios tentavam ser bons em vida para não serem condenados após a morte. 

Gregos e romanos não incorporaram essa noção moral dos egípcios. Para seus deuses, pouco importava se os homens fossem bons ou maus, desde que lhes prestassem homenagens e lhes fizessem sacrifícios. Os deuses greco-romanos apreciavam a bajulação mais do que a decência. 

Jeová, dos antigos hebreus, fazia mais exigências éticas. Começou com os 10 Mandamentos e foi se aperfeiçoando na poeira dos séculos. Por volta de 750 antes de Cristo apareceu o terrível profeta Amós, o primeiro socialista da Humanidade, que defendia os pobres e amaldiçoava os ricos. Sua pregação era uma denúncia: 

“Vendem o justo por dinheiro, o indigente por um par de sandálias, esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível!” 

“Ai dos que vivem tranquilos em Sião! Dos que estão confiantes no Monte da Samaria! (...) Ai dos que se deitam em camas de marfim ou se esparramam em cima dos coxins, comendo cordeiros do rebanho, vitelos cevados em estábulos! (...) Acabou a festa dos boas-vidas!” 

Os profetas tornaram o judaísmo uma religião asperamente moral. 

Jesus bebeu dessa ética, mas foi adiante. Jesus dizia que todos somos irmãos, pregava contra a vindita e, ousadia inominável até os dias de hoje, intimava os homens a amar os próprios inimigos. Pela primeira vez na História, o amor ao próximo se transformou na maior valência do caráter humano. 

O Ocidente é o que é graças a Jesus. A Declaração dos Direitos Humanos, a Revolução Francesa, o voto universal, a abolição das escravaturas, o feminismo, o antirracismo, os direitos dos homossexuais, a ideia de que todas as pessoas nascem iguais, independentemente da melanina, do gênero ou dos atributos físicos, tudo isso é fruto da filosofia de Jesus. 

Jesus merece ser celebrado. Feliz Natal. 

(Do jornal Zero Hora, 24 de dezembro de 2021)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Camões e a Vestibulanda

 

No vestibular FUVESP pediram para os candidatos fazerem a análise do trecho do poema de Camões abaixo: 

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer!”


A análise do poema feita por uma aluna prevestibulanda de 16 anos, foi a seguinte:

“Ah! Camões,
Se vivesses hoje em dia,

Tomavas uns antipiréticos,
Uns quantos analgésicos
E Xanax ou Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
Consultavas a internet
E descobririas
Que essas dores que sentias,
Esses calores que te abrasavam,
Essas mudanças de humor repentinas,
Esses desatinos sem nexo,
Não eram feridas de amor,
Mas somente falta de sexo!”

Uma história para meditar

 

Era uma vez um amigo meu... 

Um certo dia, um amigo meu abriu a gaveta da mesa de cabeceira da sua esposa e apanhou um pacote embrulhado em papel de arroz. “Este ‒ disse o meu amigo ‒ não é um pacote qualquer, é uma peça íntima, uma lingerie finíssima”. 

Abriu o pacote, jogou fora o papel, pegou na peça, e acariciou a seda macia e a renda. “Ela comprou esta lingerie a primeira vez que estivemos em Nova Yorque... uns 8 ou 9 anos atrás. Nunca a usou. Estava esperando o momento certo, a ocasião especial para poder usá-la. Bom, acho que a hora chegou.” Aproximou-se da cama e colocou a lingerie perto de outros objetos que levaria para o cemitério. A sua esposa havia morrido de repente.

O meu amigo olhou para mim e disse: “Nunca guardes nada à espera de uma ocasião especial, cada dia que vivemos, é uma ocasião especial”.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Tchê amigo, feliz 2025!

Tchê, numa dessas tardes em que o sol tava se indo embora, e eu, no meu matear solito, comecei a pensar... Estamos botando mais uma marca na existência da vida. Então, decidi que deveria mandar uma tropilha de palavras pra ti, assim poderia dividir com meus amigos, leitores deste almanaque, esses devaneios de saudades desse tempo que já se foi, pois já estamos no fim dessa etapa chamada de dois mil e vinte e quatro. 

Nisso me lembrei dessa tal de Internete, achei que seria fácil, era só camperear por alguns saites e já de pronto acharia o que estava por procurar. Me deparei com muita coisa da buena, mas nada daquilo que eu queria te dizer, pois descobri que não havia ali as palavras puras que minha alma xucra sente para falar contigo. 

Por isso, vivente, te digo, com esse meu jeitão rude, que fiz tudo que pude pra te dizer o que minha alma gaúcha sente, queria ter te encontrado todos os dias, ter te dito buenos dias, buenas tardes, buenas noites e tudo mais, mas, talvez, nos vimos tão depressa, nos afazeres das nossas tarefas diárias, que nem isso aconteceu, pois o ano recém-nasceu, e já está para acabar. 

Mas peço ao Tropeiro do Universo, sim, Ele que tudo pode, que nos traga sentimentos nobres de amor e amizade. Que tenhas lembranças boas, por tudo que te aconteceu. Que o Menino, que nesta data nasceu, nos ilumine todos os dias. Que renasça a alegria, para quem a perdeu. Que, se acaso não te aconteceu tudo aquilo que tu querias, que não tu percas a alegria, o entusiasmo e a coragem de viver. 

A vida é uma viagem, mas é nós que escolhemos o caminho. Espera mais um pouquinho e tudo de bom vai te acontecer. Um novo ano vai nascer, deposite nele tua esperança. Quem espera sempre alcança, diz o velho ditado. Então, te desejo, parceiro amigo, junto com tua gente, um Novo Ano maravilhoso de conquistas, alegrias e realizações. 


Mas para que tudo aconteça, antes agradece ao Pai Soberano, pois estiveste na proteção do céu, pois assim a cada ano, será feliz o teu viver; e, em cada amanhecer, será como um Novo Ano! Boas Festas e Feliz Natal! E um baita 2025 pra ti e pra todos os teus entes queridos, tchê!

Para acessar o Almanaque Cultural Brasileiro ►

nilomoraes.blogspot.com

sábado, 21 de dezembro de 2024

Magia

 Meu inesquecível Natal de 1954 

“O brinquedo essencial do homem é a bola.

Quem ganha uma bola descobre dois mundos,

o de dentro e o de fora.” 

(Paulo Mendes Campos em O Gol é necessário – Crônicas Esportivas)

Comecei a entender a Magia do Natal, lá pelos meus nove anos. Não que eu não soubesse da fantasia, da atmosfera grandiosa com que se reveste tudo em torno do Natal, é que, com essa idade, eu entendi que Natal, para uma criança, é o presente que se ganha ao acordar; é o que se espera, com ansiedade, encontrar embaixo da cama ou na árvore enfeitada no dia de Natal. 

Em virtude de eu ser filho de um modesto funcionário público, desde cedo eu entendi as dificuldades da compra de um presente. Geralmente, nos natais, meu pai me presenteava com coisas práticas: um sapato novo, uma calça ou uma camisa. Mas, naquele Natal, aconteceu-me algo diferente. Fui dormir sem nenhuma perspectiva. Sabia que no outro dia seria dia de Natal. A mesa estaria mais farta, ganharia, talvez, uma peça de roupa nova, ou um carrinho qualquer. Mas, no outro dia, algo fantástico aconteceu. Lá estava ela com o meu nome: uma linda bola de couro número 5. Não sei quem a comprou, mas ela foi dada para mim, uma bola novinha, e só quem já foi moleque de bairro sabe o que representa uma bola número 5. Ela representa, para um garoto, o maior sonho que se possa imaginar. Significa ter o mundo a seus pés. Significa ser o dono da maior felicidade do mundo! Poder jogar em qualquer posição. Ser escalado, começar e terminar uma partida, mesmo sendo um perna-de-pau, pois numa pelada de onze contra onze, o dona da bola é o dono do time! 

Dormi abraçado àquela bola. Não deixava que caísse no chão. Passava sebo nas costuras para que ela não se estragasse. Ela era a minha bola. O meu melhor presente de Natal. 

Hoje, adulto, já tive excelentes natais. Aburguesei-me e posso comprar alguma felicidade que o dinheiro pode proporcionar, mas nada é igual. Recebo presentes, dou bons presentes, mas não há magia. Nada, nem de longe, tem aquela alegria e aquela felicidade que uma bola de couro número cinco me proporcionou naquele distante Natal dos meus tenros nove anos. 

(Texto de Nilo da Silva Moraes)


Quando a escuridão envolve a tua alma

 

Quando a escuridão envolve a tua alma*,

quando cada membro do teu corpo dói,

carregado pelo peso do cansaço,

e teus olhos, cansados,

não encontram descanso na noite.

Quando o sono não vem,

e os sonhos permanecem como ecos sem resposta.

Quando tudo em ti clama por desistir…

Este é o momento em que a mudança desperta.

Pois nada na Terra é estático,

nem a dor, nem a luta, nem a noite mais longa.

Tu percorreste um longo caminho,

exausto, ansiando por alívio,

orando por uma fresta, um caminho, uma saída…

Tua fé, inabalável.

Mesmo diante de cada luta, cada perda,

cada golpe que te empurrou para trás.

Tu te mantiveste estoico,

mesmo que o coração esteja exausto.

E agora…

Logo aparecerá, no horizonte, um ponto de luz.

Pequeno no início, mas crescendo.

Expandindo para iluminar o teu caminho,

guiando teus passos, renovando tuas esperanças.

Está chegando…

A roda do destino gira novamente.

A luz retorna, banhando tua jornada.

Teu coração se tornará leve,

teu caminho, mais claro.

Que nesta noite sagrada,

a noite do Solstício de Inverno,

tu encontres esperança na luz que renasce.

Pois, mesmo no ápice da escuridão,

a promessa de um novo amanhecer sempre nos alcança. 

(Autor desconhecido) 

* “Quando a escuridão envolve tua alma” é uma passagem da Bíblia, Isaías 58:10-11, que diz: “se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia”. 


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Aos passageiros de voos internacionais

 Uma lição para passageiros frequentes:

Cuidado com os passageiros demasiado amigáveis.

Num voo para o Dubai, uma senhora mais velha sentou-se ao meu lado. Ela, educadamente, pediu-me ajuda com a sua bagagem, mas um cavalheiro gentil, do outro lado do corredor, ajudou-a. Como não sou alto, evito os compartimentos superiores sempre que possível. 

Uma vez sentada, ela, imediatamente, começou uma conversa agradável comigo. Ela era amigável, e conversamos durante todo o voo. No entanto, quando começamos a descida em Dubai, ela queixou-se de fortes dores de estômago. Preocupado, chamei a comissária de bordo, que prestou a ela alguma assistência básica. A senhora, então, começou a chamar-me “meu filho”, agarrada à minha mão. Parecia que todos pensaram que éramos parentes. 

Quando aterramos, o senhor, que tinha ajudado antes, tirou a mala dela e, silenciosamente, aconselhou-me a manter distância e esclarecer à tripulação que não estávamos viajando juntos. O aviso dele provou ser inestimável. 

A tripulação de cabine perguntou se estávamos ligados, e eu disse-lhes que tínhamos acabado de nos conhecer no voo. Enquanto desenbarcávamos, ela implorou-me para carregar a bolsa dela. Preocupado, eu hesitei, mas o cavalheiro sinalizou enfaticamente para eu não o fazer. Ele até me passou um bilhete sugerindo que eu deixasse a tripulação tratar dela. 

Sentindo-me inquieto, mas seguindo o conselho dele, saí do avião, deixando-a esperar pela cadeira de rodas. Minutos depois, o caos explodiu. Ela tinha fugido da cadeira de rodas, tentando escapar com suas malas. A polícia do aeroporto rapidamente a prendeu. 

Para meu choque, ela começou a gritar, a chamar-me de “filho” e a acusar-me de a abandonar. Foi aí que percebi a verdade ‒ ela estava carregando drogas e tentando me implicar. 

Felizmente, o cavalheiro deu um passo em frente para confirmar que éramos estranhos. A polícia pediu-lhe para dar o meu nome completo, mas ela não pôde, porque eu nunca o tinha partilhado com ela. A minha bagagem foi cuidadosamente revistada e tirada o pó de minhas impressões digitais, assim como os dela. Nenhuma ligação foi encontrada e acabei por ser ilibado. 

Esta experiência ensinou-me uma lição inestimável: nunca toque na bagagem ou nos pertences de ninguém durante o voo ou no aeroporto, por mais inofensivo que o pedido pareça. A sua bagagem é responsabilidade sua, e a deles é deles. 

Agora, se alguém não consegue gerir o seu compartimento superior ou precisar de ajuda, eu direciono-o para a tripulação de cabine sem hesitar. Chame-me frio, mas é autopreservação. 

Take-away para Viajantes:

Seja gentil, mas sempre cauteloso

‒ a sua vida pode depender disso. 

Tráfego Aéreo Brasil

Oração de fim de ano

 (de 2024) 

Marco Matos

Senhor (ou o que você acredite), afasta de mim gente chata. Que o novo ano venha leve, repleto de descobertas. Pessoas negativas ao nosso redor contaminam os nossos sonhos. A chatice é algo sem cura. Só quem já tentou fazer um chato criar noção sabe o que eu estou dizendo. 

Que os meses passem sem pressa. Os dias sejam saboreados de histórias boas para lembrarmos para sempre. Bem-vindos sejam os encontros com amigos, família, amor. Que a colheita de quem trabalha duro venha generosa. 

Que o céu não nos traga medo, nem das tormentas e nem do fim. Quero escutar mais músicas, assistir a artistas no palco, emocionar-me ao ver arte e cultura. Que meu corpo dance sem vergonha e um sorriso se abra no meu rosto sempre que der vontade. 

Quero um ano de frio na barriga, de vento na cara, de bolhas nos pés de tanto caminhar em busca da felicidade. Que os medos fiquem no ano velho e façam companhia para os erros do passado, para a angústia da preocupação e para a servidão dos indiferentes. 

Que cada amanhecer seja celebrado e cada entardecer vivido com o amargo de um chimarrão na boca. Que os filmes escolhidos depois de vários minutos olhando o catálogo valham a pena. E também que não faltem os vinhos e nem os motivos pra comemorar. 

Quero correr na rua, ver gente alegre. Quero tomar suco verde nos sábados pela manhã e encher a mesa do café com as frutas que eu mais gosto e um bom iogurte. Que eu sinta o perfume das flores e ouça o canto dos passarinhos quando estiver cansado. 

Espero que o ano não me atropele e a rotina não abafe minha criatividade. Quero viver as quatro estações. Ficar ardido de uma tarde de sol na beira da praia, ver os plátanos se despirem, entrar num café e tirar as luvas. Quero ler o que ainda não foi escrito e me surpreender com a bondade humana. 

Quero acreditar nos outros. Quero abandonar a perfeição. 

Senhor, olhe por nós e mostre o caminho da caridade. Quero dar as mãos a pessoas que tenham sonhos parecidos com os meus. Que eu chore muito de felicidade. Que meus pés pisem em lugares que eu sempre tenha imaginado estar. 

Me ajude a encarar o preconceito, a suportar as críticas e me fortaleça na fé. Que eu jamais divide do meu coração. Que nesse ano novo a vida seja de graça em com graça. 

(Do jornal Zero Hora, 20.12.2024)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

O que é, afinal, um intelectual?

 

Umberto Eco nos responde com uma lucidez afiada e desconcertante: 

“Se por intelectual entendermos aqueles que trabalham com a cabeça e não com as mãos, um bancário seria um intelectual, e Miguel Ângelo, que esculpiu com as próprias mãos, não seria. Nesse sentido, com a chegada dos computadores, qualquer um poderia se considerar intelectual. Mas será que isso faz sentido? Não para mim.” 

Para Eco, o verdadeiro intelectual não é definido por uma profissão ou classe social. Ele é aquele que “produz novos conhecimentos através da criatividade”. 

O exemplo é brilhante: 

Um camponês que descobre um novo enxerto capaz de criar uma nova classe de maçãs está, de fato, realizando uma atividade intelectual. Enquanto isso, um professor de filosofia que repete, ano após ano, a mesma aula sobre Heidegger pode não estar sendo um intelectual de verdade. 

A chave, então, é a criatividade crítica: a habilidade de questionar, analisar e reinventar aquilo que fazemos. 

“É a única régua capaz de medir a atividade intelectual”, conclui Eco. 

Seu pensamento desafia qualquer definição simplista e nos lembra que ser intelectual não é um título ‒ é um compromisso com a originalidade e com o pensamento crítico. 

Trecho inspirado na entrevista com Umberto Eco 

(1932-2016).


Samba do Trabalhador

 (Ocioso)

Darcy da Mangueira

Na segunda-feira eu não vou trabalhar,
É, é, é a.
Na terça-feira não vou pra poder descansar,
É, é, é a.
Na quarta preciso me recuperar,
É, é, é a.
Na quinta eu acordo meio-dia, não dá,
É, é, é a.
Na sexta viajo pra veranear,
É, é, é a.
No sábado vou pra Mangueira sambar,
É, é, é a.
Domingo é descanso e eu não vou mesmo lá,
É, é, é a.
Mas todo fim de mês chego devagar,
É, é, é a.
Porque é pagamento eu não posso faltar,
É, é, é a.
E quando chega o fim do ano
Vou minhas férias buscar
E quero o décimo-terceiro
Pro natal incrementar.

Na segunda-feira não vou trabalhar,
É, é, é a.
Eu não sei porque tenho que trabalhar,
Se tem gente ganhando de papo pro ar,
Eu não vou, eu não vou,
Eu não vou trabalhar.
Eu só vou, eu só vou
Se o salário aumentar,
É, é, é a.

A minha formação não é de marajá,
Minha mãe me ensinou foi colher e plantar,
Eu não vou, eu não vou,
Eu não vou trabalhar,
Eu só vou, eu só vou,
Se o salário aumentar,
É, é, é a.

Tô cansado...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

As palavras

 O porquê deste almanaque

Sempre gostei das palavras, da sua sonoridade, do sentido que elas contêm, das mensagens que elas transmitem e da importância que elas possuem. 

Menino, entendi o primeiro significado daquelas letras que, agrupadas, faziam “Ivo viu a uva”. Desenhar o som e fazer a letra “a”, foi a minha primeira obra de arte. Mais tarde, já alfabetizado, ler as reportagens da revista “O Cruzeiro”, texto de David Nasser e fotos de Jean Manzon. Devorar as “Cinelândias” que divulgavam os artistas americanos. Aprender a gostar de leituras um pouco mais “literárias” nas Seleções”. 

Adolescente, tomar conhecimento dos primeiros livros da Literatura Brasileira. Ler, encantado, “A Moreninha”, “O Moço Loiro”. “Iracema” (verdes mares bravios da minha terra natal , onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba), “O Ateneu”. Ler e reler para tentar descobrir o adultério de Capitu e não achar, no livro, onde o autor nos revelaria a verdade. Perceber, mais tarde, que o autor deixava para nós, no nosso preconceito pessoal, a verdade que cada um poderia enxergar... 

Li quase tudo de Artur Miller (Nexus, Sexus, Plexus) e notei que nas entrelinhas pequenas verdades estavam escondidas. Notei isto também em “Wherter”, de Goethe. De repente, num diálogo, numa descrição, o autor nos dava um pequeno conceito filosófico, e eu percebia que era aquilo que eu queria dizer em algumas circunstâncias da minha vida. 

Possuo uma pequena biblioteca, são centenas de livros dos mais variados assuntos. Gosto de ler biografias, livros relacionados a humor e de política em geral. Um dia, um amigo duvidou que eu tivesse lido aqueles livros todos. Confessei a ele que não havia lido uma vez aqueles livros... mas mais de uma vez. 

Li a Bíblia e parei. Parecia que havia um dedo apontado para mim. Em cada texto uma verdade, uma confrontação. Desisti, talvez, quem sabe, um dia... 

Em consultórios, lia revistas médicas. Funcionário público, com tempo ocioso, lia jornais todos os dias e toda espécies de revistas. Comecei a recortar e guardar textos, poemas, curiosidades, piadas, filosofias baratas. Enchi pastas, gavetas, sacolas de textos. Nunca tinha coragem de jogá-los fora. talvez um dia... 

E esse dia chegou, finalmente. 

Neste meu “almanaque” está quase tudo que eu guardei e divulguei pela internet. Se eu gostei, muitos dos meus amigos talvez também gostem. São muitas palavras, milhares de palavras que, em alguma fase da minha vida, deu-me uma alegria efêmera: Uma gargalhada, um riso, um sorriso, uma esperança... sei lá, mas me deu um imenso prazer ler palavras que diziam pequenas verdades a conta-gotas. 

Num livro, muitas vezes, a gente lê e marca uma página, uma frase, uma palavra que nos disse alguma coisa ou tocou a nossa sensibilidade. Num texto de jornal ou uma piada contada por um amigo numa roda informal, se alguém não a guardar e não transcrevê-la, ela se perde para sempre. 

Aqui estão as bobagens de que eu mais gostei. Espero que vocês gostem também. Ainda professor, em sala de aula, no início ou no final do turno, eu lia uma pequena passagem de um livro, um poema, uma curiosidade literária, e, às vezes, os alunos me perguntavam o nome do livro ou do autor, pois pela “palinha” já tinham gostado do livro. 

Este é um almanaque de “palinhas”. Quem sabe se por elas vocês não acabem lendo mais livros e se humanizando pela beleza e o conteúdo da leitura. Afinal, não é disso estamos precisando?

(Texto de Nilo da Silva Moraes)

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Escrever é reescrever

 

 

Qualquer pessoa pode redigir desde que tente para valer. O difícil é reler até nada mais ter para cortar ou acrescentar. A mensagem deve permanecer clara. 

Primeiro, é preciso  saber que o universo reservou um lugar certo para cada palavra e só  ali  ela  faz  sentido. Como disse Voltaire, uma palavra posta fora do lugar estraga o pensamento mais bonito. 

Mas ninguém nasce com esta clarividência. Um texto se constrói, às vezes lentamente, muitas vezes penosamente, raras vezes facilmente. Depende do esforço do construtor. E de sua persistência para refazer a obra quando ela desabar, seja por insuficiência de alicerce cultural, seja por causa de desvios temáticos ou de implosões gramaticais. 

Qualquer pessoa consegue escrever, desde que tente para valer. Talento natural existe e ajuda, mas não é tudo. 

Uma boa maneira de começar é selecionar o que se tem a dizer e para quem. A partir daí, da forma mais simples e direta possível, narra-se o fato. Com as palavras que vierem à cabeça.  Até que se esgotem. Depois, sim, começa a tarefa mais trabalhosa: reler uma, duas, tantas vezes quantas forem necessárias.  E ir  retirando,  sem autocomiseração, tudo o que parecer duvidoso, exagerado, sem graça nem sentido. Se não sobrar nada, começa-se de novo. Se sobrar muito, talvez seja melhor fazer outra leitura. 

Quando não houver mais nada para acrescentar ou tirar,  e  a mensagem principal permanecer clara, o texto está pronto. 

Parece simples, mas dói um bocado. Só que não tem outro jeito.

Nilson Souza 

(Zero Hora, 31-12-1990)

Variedades humorísticas

 

O brinde dos farmacêuticos 

A União farmacêutica ofereceu um lauto banquete para a classe médica e farmacêutica. À hora do brinde, levanta-se um farmacêutico e, depois de breves palavras, disse:

- Bebo à saúde de todos!

- Ooooooooooh!... – lamentou a turma.

Corrigiu, então, o orador:

- Bebo à saúde de todos os presentes!

- Aaaaaaaaaah!... – suspirou a plateia. 

Como atravessar uma rua... 

Um senhor explica ao seu amigo como atravessar uma rua sem perigo em vários países: 

- Na Itália, atravesse a rua de braço com uma loura; na Inglaterra, atravesse acompanhado de um cão; nos Estados Unidos, leve pelo menos três crianças junto; na Alemanha, vista um uniforme de oficial do Exército; na França, use barbas postiças e óculos escuros; no Brasil. não atravesse. 

O Poeta e o Asno

Vicente Cardarelli, o grande poeta italiano, estava fazendo 60 anos e seus admiradores e amigos resolveram fazer-lhe uma grande festa de aniversário. Contam que a certa altura da homenagem, que corria muito alegre, um rapaz, desses que aparecem ninguém sabe como, postou-se diante do poeta e gritou: 

- O senhor pode ser um grande poeta, mas eu tenho 20 anos! – Ah, ah, ah! 

- Meu caro jovem – disse Cardarelli sem se ofender. – Talvez você não saiba que um asno com 20 anos é mais velho que um homem com 60.

Regras são regras! 

Homem folgado precisa mesmo ter uma mulher resolvida! 

Um casal, recém-casado, vai para a nova casa e o marido diz:

- Se você quer viver comigo as minhas regras são estas: as segundas e terças à noite vou tomar café com os amigos; as quartas, à noite, vou ao cinema com o pessoal; e as quintas, sextas e sábados, à noite, vou ao bar com os amigos; aos domingos vou deitar cedo porque preciso descansar! Se quiseres, queres, se não quiseres...

Então, a mulher responde:

- Para mim, querido, só existe uma regra: aqui em casa todas as noites têm sexo; quem está, está... Quem não está... Azar! É isso aí.

Duas rapidinhas:

A professora para Joãozinho:
- Qual o tempo verbal da frase: “Isso não podia ter acontecido”?
- É preservativo imperfeito, professora.

O professor de matemática pergunta ao aluno:
- Se você tivesse sete dólares num bolso e sete dólares no outro, o que teria?
- As calças de outra pessoa, professor!