quarta-feira, 30 de abril de 2025

Visões da Copa de 2098

José Roberto Torero 

Decidi ver como seria a Copa de 2098. Então, seguindo o “Manual do vidente sem mestre” escrito por Nostradamus, enchi uma bacia, coloquei uma vela de cada lado e comecei a olhar para a água a fim de enxergar o futuro. 

Depois de muita concentração, vi torcedores sendo teletransportados para os estádios, para confortáveis poltronas, acompanhando as estatísticas dos jogos em terminais e ainda podendo rever os melhores lances em holografias. 

No campo, vi um futebol mais que total, com os jogadores, apenas oito de cada lado, correndo e perdendo seis quilos por jogo. As marcas das chuteiras estavam escritas em néon e piscavam. Havia anúncios nas traves e até nas bandeirinhas dos assistentes. 

Olhando mais fixamente pude ver os enormes placares eletrônicos e juízes-robôs marcando faltas e impedimentos com precisão absoluta. 

Cada atleta tinha em sua cabeça uma minicâmera, o que deve ter deixado as transmissões de TV bem interessantes. A grama era sintética. As roupas, de um tecido diferente, impossível de ser puxado por qualquer Júnior Baiano. 

Porém quando um atacante ia disparar um petardo com sua perna biônica, fui atrapalhado por Zidane, meu cachorro, que entrou na sala e bebeu um pouco de água da bacia. Esperei as marolas acabarem e continuei meu exercício de vidente, vendo mais algumas coisas da última Copa do século 21, coisas que descreverei aqui num inigualável furo de reportagem: 

a) Como a clonagem está bem avançada em 2098, a Fifa é dirigida por Havelange 4º e na CBF estará sob o comando de Ricardo 6º. 

b) Por determinação deles, os jogadores brasileiros, ao fim de cada Copa, serão obrigados a exibir espontaneamente uma faixa de agradecimento ao grande Havelange 4º e Ricardo 6º pelos grandes serviços prestados ao futebol. 

c) Por determinação de Havelange 4º, os jogos só serão exibidos por pay-per-view.

d) As seleções não representarão mais países, pois o nacionalismo será considerado uma praga do século 20, causa de guerras, ódios e revoluções. Em vez disso, a Copa será disputada entre marcas de tênis, divididas assim: 

Grupo 1: Nike, Mizuno, Adidas e... 

Grupo 2: Reebok, All-Star, Le Coq... 

e) Por determinação de Havelange 4º e Ricardo 6º, nenhum atleta poderá ficar doente ou indisposto antes de partidas importantes. 

f) Os comentaristas esportivos serão substituídos por computadores que avaliarão as disposições táticas. 

g) Antes de cada jogo não serão mais tocados os hinos nacionais dos países, mas apenas os jingles comerciais das marcas que disputam a competição. Então Zidane decidiu tomar banho na minha bacia e não vi mais nada. 

Alguns podem estar pensando que eu inventei tudo isso. A esses incrédulos eu poderia dizer; “Quem viver verá!” Mas como é pouco provável que alguém que está lendo esta crônica agora esteja vivo em 2098, só posso desejar uma coisa, que não vejamos nada parecido com isso enquanto ainda estivermos por aqui. 

Folha de S. Paulo, 18 de julho de 1998. 

Vocabulário* 

holografia: imagem fotográfica tridimensional obtida com o uso de raios laser. 

néon: tipo de iluminação. 

Júnior Baiano: zagueiro que ficou famoso por ter puxado a camisa de um adversário na Copa de 1998, provocando um pênalti e a consequente derrota do time brasileiro na partida. 

petardo: chute violento. 

biônica: no texto, com sentido de movida por força eletrônica. 

clonagem: processo biológico de obtenção de um clone, isto é, uma cópia originada de uma célula matriz por meio da engenharia genética. 

Fifa: sigla de Federação Internacional de Futebol Association. 

Havelange: referência a João Havelange, dirigente da Fifa por longos anos. 

CBF: sigla de Confederação Brasileira de Futebol. 

Ricardo: referência a Ricardo Teixeira, dirigente da CBF por longos anos. 

pay-per-view: programa transmitido por canal a cabo e só acessível mediante pagamento de uma taxa. 

jingle: mensagem de propaganda musicada. 

******* 

* Do livro didático “História em Documento Imagem e Texto”, de Joelza Ester Rodrigue

terça-feira, 29 de abril de 2025

O barbeiro falador

 

No bairro onde eu moro, tem um barbeiro, com o qual corto os meus cabelos há mais de 20 anos. Sujeito simpático, mas muito falador, adora puxar conversa com os clientes para saber os que eles fazem ou deixam de fazer. 

Uma das curiosidades dele é saber para onde os seus atendidos viajaram nas férias. Se uma pessoa diz, por exemplo, que viajou para França para conhecer especificamente a cidade de Paris, ele contra-argumenta dizendo: 

‒ Paris? Que cidade sem os antigos encantos. O bom mesmo é conhecer Madrid. 

Nunca ele elogia um lugar em que um cliente tenha conhecido e gostado. 

Fiquei ausente dois meses de sua barbearia. Chegando lá, ele, curioso, perguntou-me o que eu tinha feito por tão longo período ausente. Disse que tinha feito um passeio pela Itália, especificamente por Roma e o Vaticano. 

Ele, como sempre muito indagador, pediu detalhes do meu passeio. Resolvi contar a seguinte “história”: 

‒ Em Roma, fui a vários lugares históricos, porém um dia resolvi só conhecer o Vaticano, a Capela Sistina e, principalmente, apreciar o teto pintado por Michelangelo e a Basílica de São Pedro. 

Numa dessas visitas, aproveitei para receber a bênção do Papa numa multidão de gente de várias partes do mundo. Estava num grupo de uns 500 brasileiros. O Papa apareceu no balcão da basílica. Então, aconteceu algo inesperado. Ele apontou para o povão, que lotava a praça, e perguntou: “Hay brasilianos acá?”. Os brasileiros gritaram bem alto: “Sim!”. Ele fez com os dedos que queria falar somente com um e apontou para o nosso grupo. Cada pessoa levantava o braço, ele fazia um sinal que não era a pessoa escolhida, até chegar a minha vez. Para minha surpresa, fui eu o escolhido. 

Quatro guardas suíços, que fazem a segurança do Papa, me escoltaram até o interior da Basílica de São Pedro. Andei por vários corredores e subi algumas escadas, até chegar ao balcão onde se encontrava Sua Santidade. 

O barbeiro ouvia a minha “história” com muita atenção, com os olhos arregalados e cheio de curiosidade, absorvendo cada palavra do que eu estava contando.

Continuei a minha narrativa: 

‒ Ajoelhei-me aos seus pés, beijei sua mão estendida para mim, quando aconteceu algo inacreditável: 

Ele olhou bem dentro dos meus olhos, passou uma mão na minha cabeça, e disse algo que eu não esperava ouvir: 

“Que cabelinho mal cortado!”

segunda-feira, 28 de abril de 2025

PDV DO APOSENTADO

 

PDV: Programa de Demissão Voluntária 

Prezado Senhor:

Conforme registro do nosso cadastro de controle, verificamos que Vossa Senhoria atingiu o limite de idade previsto por lei. Nossos estudos estatísticos indicam que sua idade não mais oferece nenhuma vantagem para a sociedade. Muito pelo contrário, acarreta uma carga complementar a entidades assistenciais de sua comunidade, bem como o desagrado daqueles que o cercam. 

Por esse motivo, Vossa Senhoria deverá se apresentar ao Crematório Municipal até oito (8) dias após o recebimento deste, pela manhã, a partir das 9 horas, diante do forno n° 5, Ala Norte, para que possamos proceder à sua incineração. Na oportunidade, Vossa Senhoria deverá apresentar-se munido dos seguintes documentos acessórios: 

1) carteira de identidade (original); 

2) protocolo do atestado de óbito em andamento; 

3) comprovante de pagamento de taxa de cremação (autenticado); 

4) comprovante de pagamento do Imposto de Renda dos últimos cinco anos (autenticado); 

5) um (1) saco plástico (sem propaganda de supermercado) para as cinzas, com seu CPF impresso em silk-screen na cor lilás; 

6) dois (2) metros cúbicos de lenha seca ou dezoito (18) litros de gasolina de alta octanagem. 

Para evitar qualquer contratempo ou perigo de explosão, fica estipulado que, até quarenta e oito (48) horas antes da incineração, Vossa Senhoria não poderá ingerir qualquer bebida de álcool ou mesmo comer batata-doce ou repolho, pois esses produtos provocam gases incontroláveis e de alta periculosidade ao ecossistema. 

Agradecemos antecipadamente sua valiosa colaboração e 

ADEUS! 

____________________________

 Diretor da Repartição

domingo, 27 de abril de 2025

Princípio 90/10

 Já ouviu falar do Princípio 90/10?

Que princípio é este? Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você. 

Você já ouviu falar de Stephen Covey? Ele é um escritor estadunidense, autor do best-seller administrativo “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”. Covey instrui como ter uma vida plena a partir da autoliderança, que é o processo de liderar a si mesmo para alcançar metas profissionais e pessoais. 

Dentro de seu trabalho está o desenvolvimento do princípio 90/10, que traz uma premissa simples e honesta sobre os fatos que acontecem em nosso dia a dia e a forma como os conduzimos.  

Mas, o que é o princípio 90/10 e como ele pode melhorar a sua vida? 

Vamos explicar tudo para você!  

Ele diz que 10% da vida é o que acontece com você. 

Os outros 90%? É como você reage. 

Derrama café. Molha o monitor, a mesa, os fones, o chão. 

O caos se instala em dois segundos. 

Você congela. 

Dá vontade de gritar. 

De chorar. 

Mas esse derrame… são os 10%. 

O que você vai fazer agora? 

Essa é a parte dos 90%. 

Pode deixar isso arruinar sua manhã. 

Ou pegar uma toalha, limpar, rir de si mesmo… e seguir em frente. 

A vida vai derramar, cedo ou tarde. 

Às vezes café. Às vezes algo bem maior. 

Você não pode controlar os derrames. 

Mas pode escolher se vai deixar que eles roubem a sua paz. 

Quanto menos poder você der aos 10%, mais forte se tornará nos 100%.

A razão da prisão

 

Aparício Torelly, o Barão de Itararé, mestre e glória do humorismo brasileiro, saiu do colégio dos jesuítas em sua cidade natal (São Leopoldo, RS, onde, ainda estudante, fundou o jornal manuscrito O Capim Seco), para satirizar a ditadura no Rio de Janeiro. Em 1938, estava diante dos juízes do Tribunal de Segurança. 

‒ O senhor sabe por que está preso? 

‒ Sei sim. Porque desobedeci a minha mãe. 

‒ Não entendi. 

‒ Muito simples, doutor juiz. Eu sempre gostei muito de café. Minha mãe reclamava: Meu filho, não tome tanto café que um dia você vai se dar mal. Eu desobedeci e continuei tomando café. No mês passado, estava com alguns amigos tomando um cafezinho na Galeria Cruzeiro, chegaram os homens da polícia e me levaram. Minha mãe tinha razão: eu ainda ia me dar mal por causa de café. E me dei. 

O interrogatório foi encerrado. 

(Do livro “Folclore Político”, de Sebastião  Nery)

Sócrates e o burro

 

Sócrates disse um dia:

“Se um burro me der um pontapé, processo-o, queixo-me dele ou dou-lhe um pontapé?” 

Não se trata de ganhar todas as discussões, mas sim de escolher as que valem a nossa energia. A ignorância grita e a sabedoria é silenciosa. 

Quando alguém não tem nada para oferecer a não ser insultos e barulho, a resposta mais forte é o silêncio.

Não se rebaixe ao nível de alguém que só está à procura de conflitos. A verdadeira inteligência não precisa de se impor, ela simplesmente brilha. 

******* 

A expressão “Sócrates e o burro” refere-se a uma frase atribuída ao filósofo Sócrates: “Se um burro me chutasse, eu o processaria?”. Esta frase é frequentemente usada para ilustrar a importância de não rebaixar-se ao nível de pessoas que usam insultos e provocações em vez de argumentos construtivos. Em vez de reagir a provocações com mais violência ou discussões vazias, a resposta mais sábia é o silêncio, ou seja, ignorar a provocação e não alimentar o conflito. 

Explicação mais detalhada: 

A frase: 

A frase “Se um burro me chutasse, eu o processaria?” é uma forma de ilustrar a ideia de que nem toda provocação ou insulto merece uma resposta. Uma pessoa que se limita a insultar ou a fazer barulho não está a apresentar um argumento válido, portanto, não merece uma resposta da mesma forma. 

O conceito de sabedoria: 

Sócrates, conhecido pela sua sabedoria e método socrático, não se deixava levar por provocações. A sua sabedoria consistia em identificar o que é verdadeiramente importante e relevante e, portanto, em não desperdiçar energia em discussões sem valor. 

O silêncio como resposta: 

A frase sugere que, quando alguém não tem nada de útil ou construtivo a oferecer, a melhor resposta é o silêncio. Ignorar as ofensas e não se deixar levar por emoções é uma forma de demonstrar superioridade e não se rebaixar ao nível do adversário. 

Importância da escolha das batalhas: 

Não se trata de não responder a todas as provocações, mas sim de escolher as que merecem a nossa atenção e energia. Há situações em que uma resposta calma e assertiva é mais eficaz do que uma reação impulsiva ou emocional. 

sábado, 26 de abril de 2025

Pastor da Esperança

 De Solbela in verso e prosa

 

No jardim do mundo caminhas,

com passos de fé e de paz,

semeando amor nas estradas,

onde a dor já não quer ficar.

 

Teu sorriso é ponte e acalanto,

teu olhar, brisa a confortar,

em teus gestos floresce o encanto

de quem veio só para amar.

 

Semeador de um sonho divino,

guardião da ternura e do bem,

Papa Francisco, doce menino,

que guia o rebanho que tem.

 

Tua voz é oração que renova,

tua vida, evangelho a brilhar,

e no peito do mundo, outra trova:

esperança a nos despertar.

(Do blog Pensamentos poesia e literatura)

O novo esquema tático

 Sérgio Jockymann

‒ Você, disse o técnico apontando para o ponta-esquerda, é o homem-chave do esquema. 

O ponta-esquerda piscou e não disse nada. 

‒ Primeiro, você tem que neutralizar o lateral, tá entendendo? 

Ele concordou com a cabeça. 

‒ Na hora que ele subir, você fecha o espaço. 

‒ Sim, senhor. 

O time todo ouvia atentamente. 

‒ Agora, de vez em quando ele tem que avançar, tá entendendo? 

O ponta-esquerda limpou a garganta, mas não disse nada. 

‒ É a tática. Você olha o jogo e deixa que ele venha. E fica ali, atrás dele. Aí vem a bola da defesa e você dispara. 

‒ Sim, senhor. 

‒ Mas sempre junto à lateral. 

‒ Sim, senhor. 

‒ Agora, de vez em quando você tem que derivar para o centro. 

‒ Para o centro? 

‒ Não muito para o centro. 

‒ Não, senhor. 

‒ Mas fica ali, meio no centro e meio na ponta. 

‒ Sim, senhor. 

O técnico foi para o quadro-negro e traçou várias linhas. 

‒ Isso aqui é você. 

O ponta-esquerda olhou o pontinho de giz e concordou que era ele. 

‒ Você vai ter dupla função, tá entendendo? A primeira eu já expliquei. É segurar o lateral, soltar o lateral, ir pela ponta aberto e de vez em quando jogar fechado. 

Todo o time olhou para o ponta-esquerda, mas ele não disse nada. 

‒ Isso é futebol moderno. Eu vim para cá pra ensinar a vocês o futebol moderno. Parece complicado, mas não é. 

O ponta-esquerda tossiu, mas não disse nada. 

‒ Agora a segunda função, porque no futebol moderno todo mundo tem segunda função, tão entendendo? 

Ninguém disse que não estava. 

‒ Quer dizer, o time deles está pensando que você vai jogar pela ponta, pelo centro e segurando o lateral. Mas aí é que eles se enganam. Por que... 

Deu um murro no quadro-negro. 

‒ ... você vai ter uma segunda função. Aí é que ele vão cair na armadilha porque não esperam a segunda função. 

Se virou diretamente para o ponta-esquerda. 

‒ Você já jogou pelo meio de campo? 

‒ Não, senhor. 

‒ Hoje vai jogar. 

O ponta-esquerda limpou a garganta. 

‒ Eu nunca joguei. 

‒ Mas não tem problema. É só na hora em que eles atacam, cair pelo meio e segurar o miolo. 

Olhou triunfante para o time. 

‒ Não treinei isso durante a semana, porque eles tinham seis olheiros na cidade. Mas eu já tinha me decidido. Vai ser a surpresa. 

Todo mundo concordou que ia ser mesmo. 

‒ Você entendeu tudo? 

‒ Sim, senhor. 

‒ Tem alguma pergunta? Vamos, seja sincero. Tem alguma pergunta? 

‒ Não, senhor. 

‒ Então, vamos para o campo. 

Na saída do vestiário, o centroavante pegou o ponta-esquerda pelo braço e perguntou: 

‒ Sinceridade, amizade, tu entendeu? 

O ponta-esquerda cuspiu para o lado. 

‒ Tô por fora, meu. Faço o meu jogo e tá acabado. 

‒ Acho que é o melhor, concordou o centroavante. Na outra semana fui atrás do homem e fiquei todo embananado. 

Enquanto isso, o técnico explicava aos repórteres o novo esquema tático do time. 

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Uma mulher de verdade

 

Não, não sou para qualquer um.

E eu não vou mudar para agradar ninguém.

Já fui a mulher que calou pra não se incomodar.

Aquela que se diminuiu para o outro brilhar.

Aquela que aguentou com medo de ficar sozinha.

Eu fui a mulher que engoliu as palavras,

que escondeu seu caráter,

que se esqueceu de si mesma

enquanto tentava segurar o insustentável.

Mas isso já passou,

e não há como voltar atrás.

Hoje, eu sou a mulher escolhida.

Que se ouve.

Que se cuida.

Que se coloca em primeiro lugar sem culpa.

Não procuro alguém que me ature.

Procuro alguém para comemorar.

Não estou procurando salvar ninguém.

Aprendi a me salvar.

Não estou disposta a me encolher por ninguém.

Nem a mendigar carinho, tempo ou respeito.

Eu sei quanto valho.

E não vou rebaixá-lo para acomodar o ego de ninguém.

Eu sou caráter, eu sou fogo, eu sou verdade.

Eu sou intensidade sem desculpas.

Eu sou amor do bem... mas só para quem souber segurar.

E se isso te assusta, se for grande, se não consegues lidar com isso...

Está tudo bem.

Mas sai do meu caminho.

Porque eu não estou mais aqui para perder tempo

com quem não tem ideia do que procura.

Nem para ensinar a ninguém como eu mereço ser amada.

Não sou prova.

Eu não sou pausa.

Eu não sou plano B.

Eu sou muito para jogar pouco. 

Secretosdelcorazón

 Do blog Mulheres Maduras

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Impossível acreditar que perdi você

 Márcio Greyck

Não, eu não consigo acreditar

No que aconteceu,

É um sonho meu,

Nada se acabou.

Não, é impossível,

Eu não consigo

Viver sem você,

Volte e venha ver,

Tudo em mim mudou.

Eu já não consigo

Mais viver dentro de mim,

E viver assim,

É quase morrer.

Venha me dizer sorrindo

Que você brincou,

E que ainda é meu,

Só meu, o seu amor.

Hoje, mais um dia

De tristeza para mim passou,

Nem o meu olhar,

Nada se alegrou.

Sinto-me perdido,

No vazio,

Que você deixou,

Nada quero ser,

Já nem sei quem sou.

Eu já não consigo

Mais viver dentro de mim,

E viver assim,

É quase morrer.

Venha me dizer sorrindo

Que você brincou,

E que ainda é meu

Só meu, o seu amor.

O advogado, o professor e o poço

 

Um advogado vendeu seu poço para um professor. 

Dois dias depois, o advogado foi até o professor e disse: 

‒ Professor, eu lhe vendi o poço, mas não a água dele, se quiser usar a água, terá que pagar a mais. 

O professor sorriu e respondeu: 

‒ Sim, eu ia até você para falar sobre isso. Eu ia dizer que você deveria tirar água que está no poço, senão terá que começar a pagar aluguel a partir de amanhã. 

Ao ouvir isso, o advogado ficou nervoso e disse: 

‒ Ah, eu estava só brincando, professor! 

Partilhado por: «O SALOIO»

Admirável Chip Novo

 Música e letra de Pitty

Pane no sistema, alguém me desconfigurou.

Onde estão meus olhos de robô?

Eu não sabia, eu não tinha percebido,

Eu sempre achei que era vivo. 

Parafuso e fluido em lugar de articulação,

Até achava que aqui batia um coração.

Nada é orgânico, é tudo programado,

E eu achando que tinha me libertado. 

Mas lá vêm eles novamente,

Eu sei o que vão fazer,

Reinstalar o sistema. 

Pense, fale, compre, beba,

Leia, vote, não se esqueça,

Use, seja, ouça, diga,

Tenha, more, gaste, viva. 

Pense, fale, compre, beba,

Leia, vote, não se esqueça,

Use, seja, ouça, diga: 

Não, senhor, sim, senhor, não, senhor, sim, senhor.

Não, senhor, sim, senhor, não, senhor, sim, senhor.

Admirável Mundo Novo é uma obra de ficção científica publicada em 1932. O livro se passa num futuro em que as pessoas são robotizadas e aceitam as regras impostas, sem questionar.  

A música expressa tal situação em primeira pessoa, soando como uma canção de protesto. Mostra que numa existência onde luta-se para adquirir algum sentido, o que entra em pane justamente o que é imposto por "eles". Também mostra que o jovem tem o sentimento de estar fora de si e de ser comandado por forças externas, conforme seu desejo ou controle. Esse sistema programa corações e mentes, cujo funcionamento “não é vivo e nem orgânico”. A canção é provavelmente uma referência ao livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

O Papa morreu

 Carpinejar

Reprodução da internet 

Ainda diremos muitas vezes ao longo do dia: 

‒ O Papa morreu! 

Não acreditando. Não nos conformando. 

Papa Francisco se despediu do corpo do argentino Jorge Mario Bergoglio ontem (21.04.2025), aos 88 anos, às 2h35min, um pouco depois da Páscoa. Trata-se de um adeus premonitório, já que foi ele que ressuscitou a Igreja ‒ assumiu o Vaticano em meio a escândalos de abuso e corrupção. 

Quis a história que fosse o primeiro papa a morrer logo depois de se despedir publicamente. Abençoou a todos 24 horas antes do seu último suspiro, na Praça de São Pedro, visivelmente debilitado e em cadeira de rodas. 

Não se isolou para morrer na solidão do luxo. Ele se desfez da mortalidade perto de seus fiéis, concedendo a tradicional bênção Urbi et Orbi. Inclusive realizou um passeio surpresa pela praça no papamóvel, acenando com extremo esforço, num gesto que emocionou a multidão. 

O Papa Francisco foi um pontífice de muitos primeiros ‒ não apenas simbólicos, mas também estruturais. Ele quebrou protocolos, rompeu as amarras da tradição e abriu novos caminhos para a Igreja Católica. 

O primeiro latino-americano. 

O primeiro da idade contemporânea a assumir o papado após a renúncia do seu antecessor. 

O primeiro jesuíta da Companhia de Jesus no posto, priorizando a evangelização e a ação social. 

O primeiro em mais de um século a optar por não residir nos apartamento papais no Palácio Apostólico. Desde sua eleição, em março de 2013, ele escolheu viver na Casa Santa Marta, uma residência mais modesta dentro do Vaticano. 

O primeiro a adotar o nome Francisco ‒ em homenagem a São Francisco de Assis, levando os estigmas da humildade, da pobreza e do olhar cuidadoso aos mais vulneráveis. 

O primeiro a usar um nome sem numeral, indicando ainda mais seu propósito de desapego dos títulos tradicionais. Poderia ter sido Francisco I desde o início ‒ como João Paulo I, por exemplo. Mas ele viveu o que pregou e foi apenas um servo, sem a necessidade de uma linhagem. 

O primeiro a nomear leigos e leigas para cargos de alta responsabilidade. Estendeu o poder de voto às mulheres no Sínodo dos Bispos, algo inédito. 

O primeiro a levantar o debate sobre temas considerados tabus, como celibato e diaconato feminino. 

O primeiro a visitar a Península Arábica, os Emirados Árabes Unidos, assinando o Documento sobre a Fraternidade Humana com o grande imã Al-Azhar ‒ um marco no diálogo inter-religioso, em 2019. 

O primeiro papa ativo no combate às mudanças climáticas. Publicou a encíclica Laudato Si, um dos documentos mais forte da cúria sobre meio ambiente, justiça social e cuidado com o planeta. 

O primeiro a se declarar apaixonado por futebol, torcedor fanático do San Lorenzo. 

O primeiro a escutar tango, e não música sacra, em seus momentos privados. 

O papa mais humano, o mais simples, o mais carismático desde João XVIII. Aquele que não desejava ser papa, pois os grandes líderes nunca desejam o poder. 

Um papa que preferia o abraço com o tapa nas costas ao beijo solene em sua mão. 

O primeiro em nossos corações. Nos corações beatos. Nos corações ateus. 

Talvez o último assim. 

(Crônica do jornal Zero Hora, de 22 de abril de 2025)

 


Um aforismo de Pascal

 “É justo que o que é justo seja seguido. É necessário que o que é mais forte seja seguido. 

A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica. 

A justiça sem a força será contestada, porque há sempre maus; a força sem a justiça será acusada. É preciso, pois, reunir a justiça e a força; e, dessa forma, fazer com que o que é justo seja forte, e o que é forte seja justo. 

A justiça é sujeita a disputas: a força é muito reconhecível, e sem disputa. Assim, não se pôde dar a força à justiça, porque a força contradisse a justiça, dizendo que esta era injusta, e que ela é que era justa; e assim, não podendo fazer com que o que é justo fosse forte, fez-se com que o que é forte fosse justo.” 

******* 

* Aforismo: máxima ou sentença que, em poucas palavras, explicita regra ou princípio de alcance moral; apotegma, ditado. Texto curto e sucinto, fundamento de um estilo fragmentário e assistemático na escrita filosófica, relacionado a uma reflexão de natureza prática ou moral.

Blaise Pascal (19.06.1623-19.08.1662) foi um matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo francês. Prodígio, Pascal foi educado por seu pai. Os primeiros trabalhos de Pascal dizem respeito às ciências naturais e ciências aplicadas. Contribuiu significativamente para o estudo dos fluidos. 

“O coração tem razões que a própria razão desconhece.” 

Blaise Pascal

terça-feira, 22 de abril de 2025

Morre lentamente

 

Morre lentamente quem não viaja,

quem não lê,

quem não ouve música,

quem não encontra prazer em nem um tipo de arte,

quem não encontra graça em si mesmo. 

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,

quem não ajuda os outros e não se deixa ajudar,

quem vota em candidatos fascistas e negacionistas. 

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos,

quem não muda de marca,

quem não se arrisca vestir uma nova cor,

ou não conversa com quem não conhece. 

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru,

quem só lê, acredita e divulga fake news. 

Morre lentamente quem evita uma paixão,

quem prefere o preto no branco e os pontos nos “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,

sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. 

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,

quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,

quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. 

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte, ou da chuva incessante. 

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,

não pergunta sobre um assunto que desconhece,

ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. 

Poema sem autoria conhecida* 

* Esse poema é atribuído, erroneamente, na internet, ao poeta chileno Pablo Neruda.

Rap da felicidade

 Eu só quero ser feliz 

Mc Cidinho e Mc Doca

Eu só quero é ser feliz,

Andar tranquilamente na favela onde eu nasci.

E poder me orgulhar

E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer

Com tanta violência eu sinto medo de viver,

Pois moro na favela e sou muito desrespeitado.

A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado.

Eu faço uma oração para uma Santa Protetora,

Mas sou interrompido a tiros de metralhadora.

Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,

O pobre é humilhado, esculachado na favela.

Já não aguento mais essa onda de violência,

Só peço à autoridade um pouco mais de competência. 

Diversão, hoje em dia, não podemos nem pensar,

Pois até lá nos bailes, eles vêm nos humilhar.

Ficar lá na praça que era tudo tão normal,

Agora virou moda a violência no local.

Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,

Estão perdendo, hoje, o seu direito de viver.

Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,

Só vejo paisagem muito linda e muito bela.

Quem vai pro exterior da favela sente saudade,

O gringo vem aqui e não conhece a realidade.

Vai pra Zona Sul, pra conhecer água de coco,

E o pobre na favela vive passando sufoco.

Trocaram a presidência, uma nova esperança,

Sofri na tempestade, agora eu quero a bonança,

O povo tem a força, precisa descobrir.

Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui. 

A música “Eu só quero é ser feliz”, interpretada pela dupla Cidinho e Doca, é um retrato visceral da realidade das favelas brasileiras e um hino de resistência e esperança para seus moradores. A letra expressa o desejo simples, mas profundamente significativo, de viver com dignidade e paz em um ambiente frequentemente marcado pela violência e pela marginalização social. 

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Origem da Síndrome de Down

 

Você sabia que a síndrome de Down carrega o nome de um homem que, em plena era vitoriana, ousou ver humanidade onde muitos só enxergavam rótulos? 

John Langdon Down, médico britânico, foi o primeiro a classificar essa condição em 1866. Mas ele foi além da medicina ‒ foi um visionário, um humanista num tempo em que pessoas com deficiência intelectual eram descartadas pela sociedade. 

Langdon Down iniciou sua carreira como médico-chefe da instituição Earlswood, um local destinado ao cuidado de indivíduos com deficiências intelectuais. Ele chegou sem experiência na área, mas com algo raro e poderoso: empatia. Onde outros viam fardos, ele enxergava vidas com dignidade. Onde outros aplicavam castigos, ele buscava cuidado. 

Naquela época, era comum encontrar pacientes maltratados, em condições desumanas, vivendo sob violência, negligência e abandono. Mas Langdon Down decidiu mudar essa realidade. Proibiu punições físicas, exigiu higiene rigorosa, contratou novos profissionais e introduziu atividades terapêuticas como jardinagem, pintura e artesanato ‒ tudo para estimular o desenvolvimento e resgatar a autoestima dos pacientes. 

Ele foi além do cuidado médico. Registrou mais de 200 fotografias dos seus pacientes com sensibilidade e respeito. Em vez de expô-los como “casos clínicos”, retratou-os em trajes elegantes, em poses dignas, como quem diz silenciosamente: “Eles merecem ser vistos com humanidade.” 

Em 1868, Langdon Down deu um passo ainda mais ousado: comprou uma mansão para criar um novo modelo de cuidado. O lugar não era apenas uma instituição ‒ era um lar. Chamava-se Normansfield, e ali, pessoas com síndrome de Down recebiam educação particular, aprendiam equitação, música, jardinagem, e se apresentavam num teatro construído especialmente para elas. Um espaço onde talento, criatividade e alegria floresciam. 

Hoje, mais de 150 anos depois, a mansão ainda existe no Reino Unido como o Langdon Down Centre, que abriga o histórico Teatro Normansfield e mantém vivo o legado de um homem que foi muito além da medicina. 

Langdon Down não apenas identificou uma condição genética. Ele lutou por respeito, empatia e inclusão, muito antes dessas palavras ganharem força no mundo. 

Que a história desse homem nos lembre: a verdadeira ciência é aquela que reconhece o valor da vida ‒ toda vida. 

(De Pensamentos, poesia e literatura) 

A Síndrome de Down, também conhecida como trissomia do cromossomo 21, é uma condição genética que ocorre devido à presença de um cromossomo extra no par 21. Isso causa características físicas, intelectuais e de desenvolvimento típicas da síndrome, além de aumentar o risco de certos problemas de saúde.  

Causa: 

A síndrome de Down é causada por uma falha na divisão celular durante a formação do embrião, resultando em três cópias do cromossomo 21 em vez de duas.  

Inclusão: 

É importante lembrar que pessoas com síndrome de Down podem ter vidas cheias de significado e propósito, e devem ser incluídas em todas as áreas da sociedade.  

domingo, 20 de abril de 2025

Pessoas solares

Há pessoas que onde chegam é como o sol que surge glorioso depois de vários dias nublados e chuvosos. Chegam sempre com um sorriso nos lábios, abraçando todo mundo, dizendo aos amigos e parentes palavras de amor e ternura. Chegam com os braços abertos envolvendo as pessoas num gesto de acolhimento e carinho. 

Sua alma é cheia de paixão pelas coisas que elas acreditam, seja uma pessoa, a família, um clube, um esporte ou um partido político. Elas sabem por que amam as coisas que elas acreditam. Elas lutam pelo melhor combate, por um único motivo: elas são cristãs, e sabem em que lado devem estar na vida. 

Elas têm um escudo que as protegem contra o mal do mundo, pois lutam pela justiça, lutam pelo desprotegido, lutam pelo desamparado, sempre escolhem o lado mais fraco e, com seu poder pessoal, equilibrar as coisas, fazendo a balança da justiça pender para o lado certo. 

Essas pessoas, muitas vezes, são atacadas pelos invejosos, pelos líderes negativos, mas, como a caravana que passa pelo deserto, deixa os cães ladrarem e seguem em frente, altivas. 

Disse uma vez o teatrólogo Nelson Rodrigues: “Toda a unanimidade é burra.” Essas pessoas não seguem a matilha, elas têm ideias próprias, seguem a sua consciência, sua fé, agem com o coração e humanismo para fazer o bem ao próximo. Elas têm uma coisa que é fundamental ao ser humano: empatia, saber olhar o sofrimento do humilde, a fome do desamparado, a solidão do triste, a tristeza do depressivo. Elas sempre têm uma palavra de carinho para dar a quem precisa. 

Sua chegada, nas reuniões familiares, sempre é motivo de alegria, pois sua presença dá vida ao local, sua imagem é o sol que dá luz ao ambiente, todos esperam o seu abraço, seu beijo, suas palavras de carinho. 

Elas são um exemplo a ser seguido, pois elas fazem amigos e admiradores nos ambientes onde elas transitam. Elas conquistam, além de amigos, elas conquistam discípulos pelos seus exemplos e liderança. Enfim, elas são pessoas solares!

A expressão “pessoa solar” refere-se a um termo que descreve uma característica de personalidade de alguém que é radiante, cheio de energia positiva e que irradia luz e calor para as pessoas ao seu redor. Essas pessoas são geralmente alegres, otimistas e têm uma disposição positiva para a vida.

A mulher e a cobra

 

A mulher foi buscar água no rio e, ao ver uma cobra chorando de dor e ferida, a socorreu. Levou-a para sua casa. 

A cobra propôs à mulher: 

‒ Você cuida de mim… em troca, eu lhe dou proteção. 

E assim elas fizeram. 

Carinhosamente, a mulher cuidou da cobra. 

Não por amor, mas pela proteção que a cobra lhe oferecia. 

A cobra também protegeu a mulher. Não por amor, mas pelo cuidado que recebia. 

À noite, enquanto a mulher dormia, a cobra rondava a casa, vigiando. De manhã, tomavam café juntas e passeavam pelo bosque. Tudo parecia em harmonia… 

Até que um dia, sem qualquer aviso, a cobra mordeu a mulher e fugiu. 

Indignada, a mulher ardia em dor ‒ não apenas da mordida, mas da traição. Ela queria uma explicação. Revirou a casa: embaixo da cama, atrás do sofá, nada da cobra. Saiu pelo mundo afora com o corpo latejando. Procurou na floresta. No vale. No deserto. 

Até que, passando por uma caverna, encontrou a serpente escondida lá. Mesmo fraca, com o veneno já dominando o corpo, a mulher gritou: 

‒ Encare-me! Diga por que me feriu! Eu cuidei de você! Eu te salvei! Te dei abrigo! 

‒ Eu não mordi porque quis ‒ sibilou a cobra ‒ você colocou sua mão pesada sobre mim. Tentei de tudo… não consegui me soltar. Morder foi meu único recurso. 

‒ E por que não me disse? Por que não pediu pra eu tirar a mão? 

A discussão seguiu… 

Uma tentando provar que estava certa; a outra fugindo da culpa. O tempo foi escorrendo e com ele, o sangue da mulher. Por fim, a conversa não resolveu nada. Nem perdão. Nem entendimento. Nem cura. Só mais veneno correndo nas veias. 

Desesperada, a mulher correu para o hospital. Caiu na porta da entrada, já em coma. Seus olhos não enxergavam mais. Mas seus ouvidos ainda podiam ouvir… 

‒ Infelizmente, esse caso não tem mais solução. Ela demorou demais pra buscar ajuda… disse o médico. 

A pior coisa que você pode fazer quando é mordido é gastar tempo precioso tentando entender por que te feriram. Discutir com quem te machucou só espalha mais o veneno. Não insista em explicações onde não há consciência. 

Se alguém o destruiu com palavras, mentiras ou atitudes, dê as costas. Vá cuidar da sua alma. Do seu sangue. Da sua vida. 

Isaías Bastos* 

* Isaías Bastos escreve fábulas, reflexões, crônicas e contos, que compartilha nas redes sociais.  


sábado, 19 de abril de 2025

A mensagem à mãe de Thomas Edison

 

Um dia, Thomas Edison chegou em casa e entregou um papel para sua mãe. Ele disse a ela: 

‒ Meu professor me deu este papel e me disse para entregá-lo apenas para minha mãe. 

Os olhos de sua mãe estavam cheios de lágrimas enquanto ela lia em voz alta a carta para o filho: 

‒ “Seu filho é um gênio. Esta escola é pequena demais para ele e não tem bons professores para treiná-lo. Por favor, ensine-o você mesmo.” 

Muitos anos depois da morte de sua mãe, Edison tornou-se um dos maiores inventores do século. Um dia, ele estava mexendo no armário antigo e encontrou uma carta dobrada que sua professora lhe deu para sua mãe. Ele abriu. A mensagem escrita na carta era: 

“Seu filho está mentalmente doente. Não podemos mais deixá-lo frequentar nossa escola. Ele foi expulso.” 

Edison ficou emocionado ao ler e então escreveu em seu diário: 

'Thomas Edison foi um menino com deficiência mental e, graças aos esforços de sua mãe, se transformou em uma das pessoas mais importantes do século' 

Moral: 

O amor e a educação de uma mãe

 podem mudar o destino de uma criança. 

Outra versão 

Carta do Professor de Thomas Edison para sua Mãe 

Certo dia, Thomas Edison chegou em casa com um bilhete para sua mãe. Ele disse: “meu professor me deu este papel para entregar apenas a você.” 

Os olhos da mãe lacrimejavam ao ler a carta e resolveu ler em voz alta para seu filho: 

“Seu filho é um gênio. Esta escola é muito pequena para ele e não tem professores ao seu nível para treiná-lo. Por favor, ensine-o você mesmo!” 

Depois de muitos anos, Thomas Edison veio a se tornar um dos maiores inventores do século. 

Após o falecimento de sua mãe, resolveu arrumar a casa quando viu um papel dobrado no canto de uma gaveta. Ele pegou e abriu. 

Para sua surpresa era a antiga carta que seu professor havia mandado a sua mãe, porém o conteúdo era outro que sua mãe leu anos atrás. 

“Seu filho é confuso e tem problemas mentais. Não vamos deixá-lo vir mais à escola!” 

Edison chorou durante horas e então escreveu em seu diário: “Thomas Edison era uma criança confusa, mas graças a uma mãe heroína e dedicada, tornou-se o gênio do século.”

* Thomas Edison registrou 2.332 patentes. O fonógrafo foi uma de suas principais invenções. Outra foi o cinematógrafo, a primeira câmera cinematográfica bem-sucedida, com o equipamento para mostrar os filmes que fazia. Edison também aperfeiçoou o telefone, inventado por Antonio Meucci, em um aparelho que funcionava muito melhor. Fez o mesmo com a máquina de escrever.Trabalhou em projetos variados, como alimentos empacotados a vácuo, um aparelho de raio X e um sistema de construções mais baratas feitas de concreto. Entre as suas contribuições mais universais para o desenvolvimento tecnológico e científico encontra-se a lâmpada elétrica incandescente, o fonógrafo, o cinetoscópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone. Edison é um dos precursores da revolução tecnológica do século XX. Teve também um papel determinante na indústria do cinema. 

Thomas Alva Edison foi um empresário dos Estados Unidos que patenteou e financiou o desenvolvimento de muitos dispositivos importantes de grande interesse industrial. “O Feiticeiro de Menlo Park1, como era conhecido, foi um dos primeiros a aplicar os princípios da produção maciça ao processo da invenção.  

Nascimento: 11 de fevereiro de 1847, falecimento: 18 de outubro de 1931.