terça-feira, 30 de julho de 2024

Outro de elevador

 Luis Fernando Veríssimo

“Ascende” dizia o ascensorista. Depois: “Eleva-se”. “Para cima”. “Para o alto”. “Escalando”. Quando perguntavam “Sobe ou desce?” respondia “A primeira alternativa”. Depois dizia “Descende”, “Ruma para baixo”, “Cai controladamente”, “A segunda alternativa”... “Gosto de improvisar”, justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam “Sobe?” respondia “É o que veremos...” ou então “Como a Virgem Maria”. Desce? “Dei”. Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia “tem seus altos e baixos”, como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: “Era só me pedirem ‒ eu também canto!”  

(Do jornal O Globo, 2002)

O Questionário Proust

 

Consiste em uma série de perguntas sobre a personalidade, conhecidas após a popularização das respostas do escritor francês que lhe dá o nome, Marcel Proust. Com temas que proporcionam a reflexão, o questionário favorece o autoconhecimento. Além disso, pode ser utilizado por quem busca compreender melhor os outros – seu propósito inicial.  

O Questionário Proust é um conjunto de perguntas respondidas pelo escritor francês Marcel Proust e frequentemente usado atualmente por entrevistadores. Proust respondeu ao questionário em um álbum de confissões — uma espécie de jogo de salão popular entre os vitorianos. (Wikipédia)  

Confira, abaixo, a lista de perguntas e as respostas originais de Proust! 

01. Qual o aspecto mais marcante de sua personalidade? 

“Um desejo de ser amado, ou, para ser mais preciso, ser acarinhado e mimado, muito mais do que ser admirado.” 

02. Qual é a qualidade que você mais gosta em um homem?

“A inteligência e o senso moral.” 

03. Qual é a qualidade que você mais gosta em uma mulher?

“Encantos femininos.” 

04. Qual sua principal característica?

05. O que você mais valoriza em seus amigos? 

“Ter carinho por mim e se a sua personalidade é extraordinária o bastante para que seu carinho seja ainda mais valioso.” 

06. Qual é a característica que você menos gosta em você?

“Não saber, não ser capaz de ‘querer’.” 

07. Qual seu passatempo favorito?

“Amar.” 

08. Qual sua ideia de felicidade? 

“Receio que ela não seja incrível o suficiente, não me atrevo a falar, tenho medo de destruí-la falando-a.” 

09. Qual sua ideia de tristeza?

“Não ter conhecido minha mãe ou minha avó.” 

10. Se não fosse você, quem gostaria de ser?

“Eu mesmo, como as pessoas que admiro gostariam que eu fosse.” 

11. Onde gostaria de morar?

“Um país onde certas coisas que eu gostaria se realizassem como por mágica, e onde o carinho seria sempre retribuído.” 

12. Qual sua cor favorita?

“A beleza não está nas cores, mas na harmonia delas.” 

13. Qual seu pássaro favorito?

“Andorinha.” 

14. Quem são seus escritores favoritos?

“Atualmente, Anatole France e Pierre Loti.” 

15. Quem são seus poetas favoritos?

“Baudelaire e Alfred de Vigny.” 

16. Quem é seu herói favorito da ficção?

“Hamlet.” 

17. Quem é sua heroína favorita da ficção?

“Berenice [de Racine].” 

18. Quem são seus compositores favoritos?

“Beethoven, Wagner e Schumann.” 

19. Quem são seus pintores favoritos?

“Leonardo da Vinci e Rembrandt.” 

20. Quem são seus heróis na vida real?

“Sr. Darlu, Sr. Boutroux.” 

21. Quais são suas heroínas favoritas da história?

“Cleópatra.” 

22. Quais são seus nomes preferidos?

“Eu só tenho um de cada vez.” 

23. O que você mais odeia?

“O que é ruim sobre mim.” 

24. Quais são as figuras históricas que você mais despreza?

“Não sou instruído o suficiente.” 

25. Qual o evento militar que você mais admira?

“Meu serviço militar!” 

26. Que talento você mais queria ter?

“Força de vontade e sedução.” 

27. Como você quer morrer?

“Melhorado – e amado.” 

28. Qual é seu estado de espírito atual? 

“Entediado por ter pensado em mim mesmo para responder a todas essas perguntas.” 

29. Por quais defeitos você tem mais compaixão?

“Aqueles que entendo.” 

30. Qual é seu lema?

“Tenho medo de que se contar me traga má sorte.” 

Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (Auteuil, 10 de julho de 1871,  – Paris, 18 de novembro de 1922) foi um escritor francês, mais conhecido pela sua obra À la recherche du temps perdu (Em Busca do Tempo Perdido), que foi publicada em sete partes entre 1913 e 1927.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Cachorra morre

 e menina de quatro anos escreve para Deus:

Abbey, nossa cadelinha de 14 anos, morreu no mês passado. No dia seguinte a seu falecimento, minha filha de 4 anos, Meredith, chorava e comentava sobre a saudade que sentia de Abbey. Ela perguntou se poderia escrever uma carta para Deus para que assim que Abbey chegasse ao céu, Deus a reconhecesse. Eu concordei e ela ditou as seguintes palavras: 

Querido Deus! 

O Senhor poderia tomar conta da minha cadela? Ela morreu ontem e está ai no céu com o Senhor. Estou com muitas saudades dela. Fico feliz porque o Senhor a deixou comigo mesmo que ela tenha ficado doente. Espero que o Senhor brinque com ela. Ela gosta de nadar e de jogar bola. 

Estou mandando uma foto dela para que assim que a veja, o Senhor saberá logo que é a minha cadela. Eu sinto muita saudade dela. 

Meredith 

Pusemos num envelope a carta com uma foto de Abbey com Meredith e a endereçamos: 

Deus 

Endereço: Céu. 

Também pusemos nosso endereço como remetente. 

Então, Meredith colou um monte de selos na frente do envelope, pois ela disse que precisaria de muitos selos para a carta chegar até o céu. 

Naquela tarde, ela colocou a carta numa caixa do correio. 

Recebi (provavelmente de alguém dos serviços do correio) um pacote embalado num papel dourado em nossa casa endereçado a Meredith numa caligrafia desconhecida. Dentro havia um livro escrito por Mr. Rogers, intitulado “Quando um animal de estimação morre”. 

Colada na capa interna do livro estava a carta de Meredith. Na outra página estava a foto das duas com o seguinte bilhete: 

“Querida Meredith, a Abbey chegou bem ao céu. A foto ajudou muito e eu a reconheci imediatamente. Abbey não está mais doente. O espírito dela está aqui comigo assim como está no seu coração. Ela adorou ter sido seu animal de estimação. Como não precisamos de nossos corpos no céu, não tenho bolso para guardar a sua foto. Assim, a estou devolvendo dentro do livro para você guardar como uma lembrança da Abbey. Obrigado por sua linda carta e agradeça à sua mãe por tê-la ajudado a escrevê-la e a enviá-la pra mim. Que mãe maravilhosa você tem! Eu a escolhi especialmente para você. Eu envio minhas bênçãos todos os dias e lembra que amo muito vocês. 

A propósito, sou fácil de encontrar. Estou em todos os lugares onde exista amor. Com amor, Deus”. 

O livro enviado para a menina era “Quando um Pet Morre” de Fred Rogers. 

Em entrevista, a mãe contou que Meredith, ao contrário da família, não ficou surpresa ao receber a resposta. Para a menina, era óbvio que Deus responderia sua carta. 

A história ficou famosa nos EUA e uma funcionária do correio assumiu ter respondido a carta de Meredith.

domingo, 28 de julho de 2024

Quando eu estiver velhinha

  e for morar com meus filhos...

Quando eu estiver bem velhinha, vou morar um pouco com cada filho e dar a eles tantas alegrias... Do jeito que eles me deram. 

Quero retribuir tudo o que desfrutei deles fazendo as mesmas coisas. Oh, eles vão adorar! 

Escreverei nas paredes com lápis de cores diversas, pularei nos sofás de sapatos e tudo. Beberei das garrafas e as deixarei vazias e fora da geladeira; vou escovar os dentes e deixar a pasta aberta em cima da pia. 

Vou tomar banho e deixar a tolha molhada em cima da cama. Vou carregar tudo que é copo e prato que eu puder pro quarto. Minhas roupas vou deixar espalhadas pelo quarto, meias em baixo da cama. 

Quando me chamarem para o jantar, que eles prepararam, não vou comer as verduras, as saladas ou a carne, vou derramar leite na mesa, na toalha limpinha que acabaram de colocar. 

Vou fazer birra pra tomar os remédios e quando se zangarem, corro ‒ peguem-me se for capaz! 

Quando eu estiver velhinha e morar com meus filhos, quando estiverem no telefone e não puderem me alcançar, vou aproveitar para brincar com açúcar ou água sanitária. Eles vão balançar suas cabeças e correr atrás de mim, mas eu estarei escondida embaixo da cama! 

Sentarei bem perto da TV e vou mudar de canal o tempo todo. Tirarei os chinelos e os deixarei pela sala e perderei sempre um pé; vou fugir e ir pegar um sol sem avisar. E, mais tarde, à noite, já deitada, vou agradecer a Deus por tudo, fechar meus olhinhos para dormir, e meus filhos vão olhar para mim com um meio sorriso e vão dizer: 

‒ Ela é tão doce quando está dormindo!


(Autor desconhecido) 

As pombas

 

Muitos de vocês me desprezam,

e eu não entendo por quê.

Eu não sou feia nem mereço seu ódio.

Sobrevivo todos os dias nas ruas.

Isso costumava ser prados.

Não há mais sementes saborosas,

porque você transformou árvores em edifícios.

Eu como o que você joga no chão,

porque não tenho escolha.

A água é cada vez mais difícil de encontrar.

Sabe o que é preciso para sobreviver num mundo que já não é meu?

Por favor, não me assuste nem me magoe.

Deixa-me viver.

Viva no seu mundo que um dia foi meu...

 

Fonte: The Happy Pants Ranch animal sanctuary & rescue registered charity 1185169 

Do blog de Tereza Mateus 

Se não as quiser perto de você,

não lhes atire pedras. 

Se você não as quiser alimentá-las,

não lhes dê veneno. 

Se você não as amar,

não as maltrate.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

O bilhete de Joãozinho

 Carpinejar

Vou contar uma piada sem graça. Mas sua graça consiste em não ser uma piada. 

Joãozinho caminha para a escola de manhãzinha, tropeça numa pedra e vê que ela esconde um bilhete. Pega o papelzinho e põe no bolso. 

Ao se acomodar em sala de aula, decide espiar o que está escrito. A professora se encontra no meio de uma lição. Percebendo a distração do aluno, recolhe o bilhete e lê. 

Fica horrorizada e o manda para a direção. 

A diretora tenta entender o que aconteceu. Joãozinho explica: 

‒ No caminho da escola, tropecei numa pedra e vi um bilhetinho escondido. Fui olhar o que era na aula e a professora me expulsou da sala. 

A diretora toma a folha, lê e fica horrorizada. 

‒ Não posso admitir isso na escola. Você está expulso. 

Joãozinho chega em casa. A mãe estranha a sua aparição muito cedo e pergunta: 

‒ O que houve? 

Joãozinho explica: 

‒ No caminho da escola, tropecei numa pedra e vi um bilhetinho escondido. Fui olhar o que era na aula e a professora me expulsou da sala. Ela me mandou para a direção, a diretora leu e me expulsou da escola. 

A mãe, então, disse: 

‒ Quero ler! 

Analisou uma por uma das linhas e ficou horrorizada. 

‒ Vá falar com o seu pai! 

Ele aparece no serviço do pai, que para tudo para socorrê-lo. 

‒ O que foi, filho? 

Joãozinho explica: 

‒ No caminho da escola, tropecei numa pedra e vi um bilhetinho escondido. Fui olhar o que era na aula e a professora me expulsou da sala. Ela me mandou para a direção, a diretora leu e me expulsou da escola. Mostrei para a mãe e ela me mandou para cá. 

O pai passa os olhos pelo papel e fica horrorizado: 

‒ Não quero mais ver você pela frente. 

Ele corre para a residência dos avós. O avô atende e busca consolar o neto. Pede para não chorar. 

Joãozinho explica: 

‒ No caminho da escola, tropecei numa pedra e vi um bilhetinho escondido. Fui olhar o que era na aula e a professora me expulsou da sala. Ela me mandou para a direção, a diretora leu e me expulsou da escola. Mostrei para a mãe e ela me mandou para o pai. O pai viu e me mandou para longe. 

O vô não acredita que seja algo tão sério, já supõe uma injustiça. Desamassa o bilhete, lê e fica horrorizado. 

‒ Vá embora, não posso dar abrigo para você. 

Joãozinho, desesperado, sobe o Morro da TV. Lá ele vai ler o bilhete em voz alta, sozinho. Sem ninguém por perto, e finalmente descobrir o motivo de tamanho ódio. 

Ao atingir o topo do lugar, com o Guaíba ao fundo, levanta o papel com a mão  direita. Enche o pulmão de coragem e começa a leitura para toda a Porto Alegre ouvir. Só que vem um vento sorrateiro e leva a mensagem embora, para nunca mais. 

Moral da história: 

Jamais deixe alguém falar por você. Mesmo que seja tímido, mesmo que seja reservado, mesmo que não se expresse bem. Na boca de um terceiro, suas palavras podem ser distorcidas. Assuma a sua vida. Não dependa de um fiador para transmitir o que deseja. Talvez se transforme em vítima de segundas intenções, de interesses alheios à sua vontade. A versão do outro nunca será exatamente a sua versão.  

Tampouco seja garoto de recados. Os mensageiros sempre arcam com as consequências. 

Por último, não carregue o que não sabe do que se trata. Acabará sendo o único responsabilizado pelo conteúdo.   

(Do jornal Zero Hora, 24 de julho de 2024)

quinta-feira, 25 de julho de 2024

O presente inesperado

 

Sou psicóloga e, como atendo crianças em meu consultório, aviso-as que podem trazer brinquedos se quiserem. Um menino de 5 anos sempre levava algo, mas antes de ser atendido, ele o escondia com as mãos atrás das costas e pedia que eu adivinhasse o que era. 

Certa vez, depois de uns dez dias de férias, ele voltou para a consulta. Entrou com as mãos livres, de repente as colocou para trás e perguntou: 

‒ O que eu trouxe hoje? 

Como eu vi que não tinha nada nas mãos, respondi: 

‒ Hoje você não trouxe nada. Eu vi que você está com as mãos vazias aí atrás. 

De imediato, ele abriu os dois braços e, vindo em minha direção, respondeu: 

‒ Você errou feio, porque eu trouxe foi um abraço pra você!

(Cláudia L. Soares)

Bandido incompetente

 

Como qualquer profissão estressante, o trabalho policial está repleto de episódios que chegam às raias do absurdo. Aqui vai um que, por egoísmo, ignorância ou ganância, se revelou não apenas um tonto, mas um completo idiota. 

Reconhecimento 

“Recebemos um comunicado sobre o roubo da bolsa de uma mulher”, recorda-se o detetive Chris Stewart, de Brunswick, Geórgia. “Pouco depois, vimos um homem que correspondia à descrição feita pela vítima. Nós o apanhamos e o levamos de volta à cena do crime.” 

Stewart explicou ao suspeito que, tão logo chegassem, ele deveria sair da viatura e olhar a vítima de frente, para o reconhecimento. O suspeito cumpriu as instruções à risca. 

Desceu do carro, olhou para a vítima e deixou escapar: ´

“É ela, é ela sim! Esta é a mulher que eu assaltei.” 

(Do livro “Rir é Melhor Remédio”, 

de Seleções do Reader's Digest)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

A Idade do Gato

 Quando crianças viram adolescentes

Por Adair Lara*

Acabo de perceber que, enquanto crianças representam cães ‒ leais e afetuosos ‒, adolescentes são gatos. É fácil ser dono de um cachorro. Você o alimenta, treina-o e manda nele. O cachorro apoia a cabeça em seu joelho e fica olhando como se você fosse um quadro de Rembrandt. Corre com entusiasmo quando chamado. 

Por volta dos 13 anos, seu adorável cachorrinho vira um grande gato velho. Quando chamado para entrar, ele parece surpreso, como se perguntasse quem morreu e nomeou você imperador. Em vez de acompanhar seus passos, ele desaparece. Você só o verá de novo quando ele estiver com fome. Nesse momento, interromperá a corrida através da cozinha com tempo suficiente para farejar o que você está oferecendo. E, quando você estende a mão para acariciar-lhe a cabeça, naquele antigo gesto afetuoso, ele se afasta com um tranco e oferece um olhar distante, como se estivesse tentando lembrar onde já o viu antes. 

Você, sem perceber que o cachorro agora é um gato, pensa que algo deve estar muito errado com ele. Parece tão antissocial, tão distante, talvez deprimido. Recusa-se a comparecer às reuniões familiares. 

Como foi você quem o criou, ensinou-o a buscar o graveto, ficar parado e sentar-se ao ouvir o comando, supõe que fez algo errado. Afogado em culpa e medo, redobra esforços para fazer seu bichinho se comportar. 

Agora você está lidando com um gato e, portanto, tudo o que funcionava antes produz hoje o resultado oposto. Chame-o, e ele fugirá. Diga-lhe que fique sentado, e ele pulará para o balcão. Quanto mais se aproximar dele, torcendo as mãos, mais ele se afastará. 

Em vez de continuar a agir como dono de um cachorro, você precisa aprender a se comportar como dono de um gato. Ponha o prato de comida próximo à porta e deixe que ele volte para você. Mas não se esqueça de que um gato também precisa de ajuda e afeição. Sente-se imóvel e ele virá, procurando o colo aquecido e confortável do qual não se esqueceu completamente. Esteja lá para abrir a porta. 

Algum dia, seu filho crescido entrará na cozinha e lhe dará um beijão. Dirá: “Você ficou em pé o dia inteiro! Deixe-me lavar estes pratos.” Perceberá, então, que seu gato voltou a ser um cãozinho. 

(Do livro “Rir é o melhor remédio”, da Seleções de Reader′s Digest) 

* Adair Lara é autora do livro Hold Me Close, Let Me Go, um depoimento sobre como educar um adolescente. 

terça-feira, 23 de julho de 2024

Nomes perfeitos para cada profissão

 Leia-os em voz alta

● H. Ramos → professor de judô 

● Ana Lisa → psicanalista 

● P. Lúcia → fabricante de bichinhos 

● Marcos Dias → fabricante de calendários 

● Olavo Pires → cozinheiro de lanchonete 

● Décio Machado → lenhador 

● H. Lopes → jóquei 

● Oscar Romeu → Dono de concessionária de automóveis 

● Hélvio Lino → professor de música 

● Eudes Penteado → cabeleireiro 

● Sara Vaz → mãe de santo 

● Passos Dias Aguiar → motorista de caminhão 

● Régis Melo Dias → maestro 

● Édson Fortes → baterista 

● Sara Dores da Costa → fisioterapeuta 

● Jamil Jonas Costa → urologista 

● Iná Lemos → pneumologista 

● Ema Tomás → enfermeira de hospital 

● Inácio Filho → obstetra 

● Oscar A. Melo → confeiteiro 

● H. Romeu Pinto → especialista em doença venéreas 

● Malta Aquino Pinto → idem 

● Pinto Souto → fabricante de cuecas 

● Alberta Alceu Pinto → garota de programas 

● Ester Elisa → enfermeira 

● Caio Roland da Rocha → alpinista 

● Olavo Pinto → enfermeiro de clínica geriátrica

● Jacinto Leite Aquino Rego → ? 

● Jacinto Pinto Aquino Rego → ?

domingo, 21 de julho de 2024

As melhores frases brasileiras 3

 

01.  Existo, logo desisto.

02.  Nada é mais fácil para uma mulher do que se passar por difícil.

03.  O homem é o pecado capital da mulher.

04.  Quem renega seus vícios nos incomoda com suas virtudes.

05.  Há cabeças que mesmo cortadas ainda emitem alguns pensamentos.

06. Em um século a mulher saiu do porão, encostou-se ao parapeito da janela e se instalou na vitrine.

07.  Quase todo mundo fala de si mesmo como se fosse o melhor dos seres humanos.

08.  Espera-se dos outros o impossível; de si mesmo apenas o possível.

09.  Quem sai aos seus não precisa de exame de DNA.

10.  No fim, sua vida era um livro aberto de páginas em branco. Rezou sempre na mesma cartilha.

11.  Não se distraia com as instruções de segurança. Concentre suas atenções na própria comissária.

12.  Sem dúvida era um político equilibrado. Só saía de cima do muro quando tinhas cacos de vidro.

13.  Era tão analfabeto que, para fazer um O, tinha que sentar nu na areia.

14.  A prova de que a bebida não causa amnésia é que os bêbados sempre se lembram de pedir mais uma.

15.  Se trabalho enriquecesse, formigas não viveriam no buraco.

16.  Tão alienado que, quando caía em si, tirava o corpo fora.

17.  Nem todas as palavras são levadas pelo vento. As mais pesadas permanecem no chão.

18.  Quem lida com estivador tem que jogar pesado.

19.  A contradição do humorista ateu é a presença de espírito.

20.  Monótona a vida do perneta: sempre no mesmo pé.

21.  Mãe, só tem uma. Mas o que tem de filho-da-mãe...

22. A prova de que o sofrimento sempre ensina é que os professores ganham uma miséria.

23.  As bactérias se alastram porque vão fungo nas doenças.

24.  Saúde no Brasil: Há pus no fim do túnel.

25.  Era um intelectual tão colonizado que nos restaurantes da moda só pedia caldo de cultura.

26.  Ia trabalhar de jeans apertado e provocante. Foi demitida por justa calça.

27.  Pobre quando estica no fim de semana é porque morreu mesmo.

28.  Atrás de todo político de sucesso tem sempre uma empreiteira que o financia.

29.  Loteria corre sempre. E muito, porque poucos conseguem ganhar.

30.  Algo muito repetido passa a ser uma verdade. Quantas vezes isso já foi repetido.

31.  Era uma casa tão pequena que um quarto parecia um oitavo.

32. Com a devastação atual, as únicas folhinhas a cair no outono serão as do calendário.

33.  Muitos perdem o bonde da história por pegá-lo andando.

34. Dizer preju já é uma tentativa para diminuir o prejuízo.

35.  No fast food a pressa é inimiga da refeição.

36.  Brasil é o país onde todos dizem “com certeza” e ninguém tem certeza de nada.

37.  Fale-me em ênclise e dar-te-ei esta mesóclise.

38. Terra à vista, é claro – mas com 500 anos para pagar.

39.  Encontrou o teatro de portas fechadas: pregaram-lhe uma peça.

40.  Toda grande queda na bolsa sempre levanta suspeita.

41.  Não importa a marca – papel higiênico é tudo a mesma merda.

42.  Primeiro estágio do amor: atração. Último estágio do amor: traição.

43.  Muita gente que construiu castelos nas nuvens hoje mora embaixo da ponte.

44.  Uma consulta ao oculista está custando os olhos da cara.

45.  Serviço funerário é uma atividade que nunca vai morrer.

46.  Nos crematórios, toda quarta-feira é de cinzas.

47.  Para o mau entendedor, meia palavra é bosta.

48.  Quando a esmola é demais, o santo de verdade devolve.

49.  A panela de pressão explodiu porque caiu em depressão.

50.  Pequeno crime não compensa.

51.  Lavar dinheiro é uma grande sujeira.

52.  Imortal é aquele que não tem onde cair morto.

53.   Se duvidar, as grandes empreiteiras superfaturam até mesmo as pontes de safena.

54.  Quem mete os pés pelas mãos é o contorcionista de circo.

55.  Era considerado gente fina porque sempre fazia vista grossa.

56.   Alguns homens se deixam comprar; outros, por sua vez, se vendem por muito pouco.

57.  Era um luxo de lixa – mas acabou virando um lixo.

58.  Se Maomé não vai à montanha é porque achou uma moita mais perto.

59.  As pessoas que gostariam de ser imortais são as mesmas que não sabem o que fazer no sábado à noite.

60.  Bom tempo aquele em que bala perdida era apenas não conseguir pegar doce no dia São Cosme e São Damião.

61.  Afinal, deputado no Brasil é parlamentar ou pra lamentar?

62.  Pobre só lança pedra fundamental de alguma coisa quando começa o quebra-quebra.

63.  Do jeito que vai o arrocho, os trabalhadores vão torcer para que tudo acabe em pizza. Pra ver se comem alguma coisa.

64. Olho da rua: o ponto de vista do patrão.

65.  Na telefônica o clima é de medo. O chefe é cheio de pulso.

66.  Palavra de ordem dos coveiros: o luto continua.

67.  E o futuro do Brasil? Aí já outros 500 anos.

68. Tuberculoso declara o imposto de renda como pessoa tísica.

69.  Do modo que a coisa anda, até nuvem passageira vai pagar taxa de embarque.

70.  Em bar de racista, a conta vem discriminando o chope claro do escuro.

71.  Do comerciante roubando no peso da comida: filo porque quilo.

72.  Azar é nascer virado pra lua, em noite de eclipse.

73.  Nem toda que reluz é loura.

74.  Era tão rica que combinava o sapato com a cotação da bolsa.

75.  Insegurança: vão-se os anéis, os dedos e a vida.

76.  A fome é tanta, que à noite todos os gatos são ao molho pardo.

77.  A filha da ostra era uma pérola.

78.  Os últimos serão os primeiros a darem uma desculpa pelo atraso.

79.  Esperança: o governo já abriu concorrência pra instalar a luz no fim do túnel.

80.  Deus é brasileiro, mas pediu asilo no céu.

81.  Uma mariposa só não faz bordel.

82.  De nada adianta bancos inteligentes e gerentes burros.

83.  Correu a vida inteira atrás de dinheiro; na realidade morreu em último lugar.

84.  Amiga: o problema do seu namorado é psicológico. Ele não Freud, nem sai de cima.

85.  Minha Terra em palmeiras onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeia já foram em contrabando pra lá.

86.  Diariamente o monge trapista cavava sua sepultura. Aos 98 anos achou petróleo.

87.  Quem tem boca vai a Roma. Quem tem pé-de-pato vai a Veneza.

88.  Hoje tem comida, mas cuidado com os espinhos. – É peixe, mãe? – Não, é cactos.

89.  O mau é o bom que não deu certo.

90.  A única coisa que eu não tolero é a intolerância.

91. A notícia da sua morte causou grande surpresa. Ninguém lembrava que ele ainda estava vivo.

92.  Por que não desorganizam o crime organizado?

93.  Natal dos homens corresponde à sexta-feira da paixão dos perus.

94.  O sindicato do crime recomenda: nunca trabalhem sem carteira assassinada.

95.  Aquele médico só cuidava de clientes mortos. Era legista.

96.  O Ibama prendeu o faquir. Usava pele de ouriço como fronha de travesseiro.

97.  Nunca peça a graça no dia do Santo. Ele está muito ocupado.

98. Para os homens a cobra é um símbolo fálico. Para as cobras o falo é um símbolo ofídico.

99.  O cupim teve uma forte indigestão. Roeu 20 páginas de um livro de um mau escritor.

00. Era um jogador sem sorte. Em toda sua vida só acertou uma vez. Na roleta russa.


O céu mais belo,

 da janela de um hospício 

Juliana Bublitz

No filme Goyo (filme argentino recém-lançado na Netflix)*, o protagonista é um aficionado por Van Gogh, a ponto de enxergar os traços do pintor se movendo e tentar reproduzi-los. 

A tela cima, chamada A Noite Estrelada, talvez seja o melhor exemplo da técnica que se tornaria uma marca do artista (com centenas de pinceladas rápidas dando  movimento e profundidade à cena). 

Concluída em 1889 no interior da França, a obra tem uma história um tanto peculiar: foi inspirada na vista da janela de um “hospício”. 

À época, atormentado por uma crise que o levou a mutilar a orelha, o Van Gogh ficou internado no asilo psiquiátrico de Sain-Paul-de-Mausole, em Provença, por cerca de um ano.

Hoje, o quando está exposto no Museu de Arte Moderna de Nova York (o famoso MoMA) e é um dos mais procurados pelo público. Ah, e até o asilo virou ponto turístico, com uma ala dedicada ao artista. 

(Do Caderno ZH2, do jornal Zero Hora, 21 de julho de 2024) 

PS: O autorretrato com a Orelha Enfaixada ou Autorretrato com a Orelha Cortada é uma obra feita a partir da técnica de óleo sobre tela, por Vincent Van Gogh, em um autorretrato, como o título da pintura sugere. Em 23 de dezembro de 1888, antevéspera de Natal, Paul Gauguin e Vincent Van Gogh tiveram uma discussão. O primeiro passou a noite em um hotel, enquanto o segundo, que é o retratado em questão, cortou um pedaço do lóbulo da própria orelha esquerda. Para fazer os dois autorretratos depois desse evento, posicionou-se em frente a um espelho, o que dá a impressão de ele ter cortado a orelha direita. O pedaço do membro arrancado ele embrulhou em um lenço e o levou para uma prostituta de Arles ‒ Rachel, com quem ele mantinha relações sexuais e que conhecia Gauguin ‒ com um bilhete que dizia: “Guarde com cuidado”. 

Após sair do hospital, em 6 de janeiro de 1889, o pintor elaborou este autorretrato. Ao fundo, à direita, pode-se enxergar um quadro com japonesas à frente do Monte Fuji e a parte superior de um cavalete com uma tela em branco à esquerda. A inscrição que acompanha a obra no museu em que está exposto, o Instituto Courtauld de Arte, diz que a justaposição de imagens pode sugerir a perda de poder criativo e artístico do pintor. Supõe ainda que Van Gogh tenha recebido influência da pintura japonesa, por ostentar uma obra daquele país em sua casa e retratá-la em um quadro dele.

* Filme imperdível por sua temática humana.