domingo, 28 de julho de 2024

Quando eu estiver velhinha

  e for morar com meus filhos...

Quando eu estiver bem velhinha, vou morar um pouco com cada filho e dar a eles tantas alegrias... Do jeito que eles me deram. 

Quero retribuir tudo o que desfrutei deles fazendo as mesmas coisas. Oh, eles vão adorar! 

Escreverei nas paredes com lápis de cores diversas, pularei nos sofás de sapatos e tudo. Beberei das garrafas e as deixarei vazias e fora da geladeira; vou escovar os dentes e deixar a pasta aberta em cima da pia. 

Vou tomar banho e deixar a tolha molhada em cima da cama. Vou carregar tudo que é copo e prato que eu puder pro quarto. Minhas roupas vou deixar espalhadas pelo quarto, meias em baixo da cama. 

Quando me chamarem para o jantar, que eles prepararam, não vou comer as verduras, as saladas ou a carne, vou derramar leite na mesa, na toalha limpinha que acabaram de colocar. 

Vou fazer birra pra tomar os remédios e quando se zangarem, corro ‒ peguem-me se for capaz! 

Quando eu estiver velhinha e morar com meus filhos, quando estiverem no telefone e não puderem me alcançar, vou aproveitar para brincar com açúcar ou água sanitária. Eles vão balançar suas cabeças e correr atrás de mim, mas eu estarei escondida embaixo da cama! 

Sentarei bem perto da TV e vou mudar de canal o tempo todo. Tirarei os chinelos e os deixarei pela sala e perderei sempre um pé; vou fugir e ir pegar um sol sem avisar. E, mais tarde, à noite, já deitada, vou agradecer a Deus por tudo, fechar meus olhinhos para dormir, e meus filhos vão olhar para mim com um meio sorriso e vão dizer: 

‒ Ela é tão doce quando está dormindo!


(Autor desconhecido) 

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