Trilogia
do gaúcho a pé:
“Sem Rumo”
(De piazito abandonado a peão e daí ao desemprego, eis a trajetória de Chiru,
vítima de maquinações políticas que não chega a compreender.)
“Porteira
Fechada” (Obra-prima de Cyro Martins, registrada a expulsão do posteiro
Guedes da fazenda modernizada. Guedes dirige-se para a cidade e no processo de
absoluto empobrecimento, é levado ao roubo e depois à prisão e ao suicídio.)
“Estrada
Nova” (Ainda o processo de expulsão da terra, mas agora atenuado pela
perspectiva de uma sociedade mais justa.)
Características
gerais:
neorrealismo;
valor
documental;
denúncia
social explícita.
02.
Dyonélio Machado (1895-1985)
“O Louco do Cati” (Considerado uma obra-prima de Dyonélio, é um
dos livros mais insólitos da literatura brasileira do século XX. Aqui, Machado
aprofundou sua visão literária dos marginalizados e deslocados, trazendo à cena
o anti-herói de uma espécie de epopeia às avessas. Um livro sobre a condição
humana.)
“Os Ratos”
(Narrativa que se passa em 24 horas. Os Ratos tem como personagem central um
modesto burocrata que precisa arranjar dinheiro para pagar o leiteiro. Dessa
história trivial, Dyonélio extraiu drama ao mesmo tempo psicológico e social.
Acompanharemos angustiado a luta de Naziazeno, enquanto o autor vai construindo
‒ como pano de fundo ‒ a cidade de Porto Alegre dos anos 30.)
03.
Aureliano de Figueiredo Pinto
(1898-1959)
“Memórias
do Coronel Falcão” (1973) (escrito nos anos 30, mas publicado postumamente,
Memórias do Coronel Falcão é um romance instigante por analisar a decadência da
sociedade tradicional gaúcha, na pecuária. Além disso, traça um quadro
convincente da ditadura de Borges de Medeiros, que, sob ideário positivista,
durou mais de vinte anos no Rio Grande do Sul.)
04.
Ivan Pedro de Martins (1914-2003)
“Fronteira
Agreste” (1942) (Registro oral lírico, ora contundente de uma fazenda de
gado do Rio Grande do Sul, vista pelo olhar de um escritor capixaba. Proibido
durante o Estado Novo, seja pela miséria que o autor encontrou no campo, seja
pelo ideário liberal que enuncia no texto, Fronteira Agreste vem tendo
sucessivas edições. Hoje, no entanto, os senões literários do romance são
visíveis. Deverá permanecer como documento social.)
05. Josué
Guimarães (1921-1986)
“A Ferro
e a Fogo” (Dois volumes clássicos sobre a colonização alemã do Rio Grande
do Sul.)
“Os
Tambores Silenciosos” (Em uma pequena cidade do interior, durante o Estado
Novo, prefeito proíbe a circulação de notícias, gerando o surgimento de situações
degradadas como, por exemplo, os tambores fascistas do integralismo.)
“Camilo
Mortágua” (Romance de um personagem oligárquico decadente que triunfa no
universo burguês de Porto Alegre e depois decai. Toda a ação da narrativa é
vista por Camilo no cinema onde o filme de sua vida substitui o filme de
verdade.)
“Enquanto
a Noite não Chega” (Dois velhinhos e mais o coveiro esperam pela morte numa
cidade-fantasma da qual são os últimos moradores.)
Características
gerais:
presença
do realismo tradicional;
domínio
do romance histórico.
06.
Moacyr Scliar (1937-2011)
“Carnaval
dos Animais ‒ “A Balada do Falso
Messias” ‒ “A Orelha de Van Gogh”
(contos onde o humor mescla-se com situações aparentemente absurdas.)
“O
Exército de um Homem Só” – “O
Centauro no Jardim” – “A Estranha
Nação de Rafael Mendes” (Romances
centrados em personagens jovens, divididos entre o ideal e o real, vendo suas
utopias destruídas pela realidade brasileira. O gosto pelo fantástico e pela
alegoria encontram neles uma perfeita cristalização. Também a ironia se
presentifica como característica central do estilo de Scliar.)
07. Tabajara
Ruas (1942- )
“Os
Varões Assinalados” (Romance desmistificador sobre a Revolução
Farroupilha.)
“Perseguição
e Cerco a Juvêncio Gutierrez” (Novela sobre o drama de um adolescente que
sabe da morte anunciada de um tio que ama e idolatra.)
08.
Charles Kiefer (1958- )
“O
Pêndulo do Relógio” ‒ “Valsa para
Bruno Stein” – “Quem faz gemer a
terra”. (Romances sobre os excluídos
e os derrotados pela modernização agrícola no Rio Grande do Sul ‒ a partir dos
anos 80. O último deles é sobre os colonos sem terra.)
09.
Luiz Antônio de Assis Brasil (1945- )
“Um
Quarto de Légua em Quadro” (Dramas dos açorianos que povoaram Porto Alegre,
no século XVIII, vistos sob a ótica de médico que acompanha a expedição.)
“A Prole
do Corvo” (Visão desmistificadora da Revolução Farroupilha através da
trajetória de um pobre diabo arrebanhado à força para lutar no confronto.)
“Manhã
Transfigurada” ‒ “As Virtudes da Casa”
(Romances sobre paixões interditas e exacerbadas pela rigidez moral das épocas
passadas.)
“Cães da
Província” (Relato situado em Porto Alegre, 2ª metade do século XIX,
justapõe duas histórias de “loucuras”: a do famoso professor e teatrólogo
Quorpo Santo e do açougueiro da Rua do Arvoredo que assassinou vários homens
interessados na sua mulher.)
“Videiras
de Cristal” (Visão romanceada do confronto conhecido como a “Guerra dos
Muckers” que ensangüentou a zona colonial alemã.)
“Um
Castelo no Pampa” (Perversas famílias ‒ Pedra da Memória ‒ Os Senhores do
Século). (Trilogia sobre as velhas elites oligárquicas que dominaram o Rio
Grande, sob uma perspectiva duramente crítica, vezes satírica do autor.)
Características
gerais:
predominância
do romance histórico;
estrutura
neo-realista;
linguagem
tradicional;
visão
crítica e desmistificadora do passado.
10.
José Clemente Pozenato (1938-2024)
“O
Quatrilho” (Romance da imigração italiana em que casais errados ‒ como no
jogo que dá origem ao título do livro ‒ reagrupam-se em novos pares.)
11.
Laury Maciel (1924-2002)
“Noites
do Sobrado” ‒ “Rosas de Papel Crepom”
(Romances de tendência histórica onde o autor reconstitui a vida cotidiana na
antiga cidade de Mundo Novo ‒ Taquara.)
12. Sérgio Faraco (1940- )
“Hombre”
– “Manilha de Espadas” – “Doce Paraíso” (Belos e tensos contos ‒
passados em sua maioria no pampa fronteiriço onde velhos valores como honra,
coragem e solidariedade são postos à prova.)
13. Lya
Luft (1938-2021)
“As
Parceiras” – “Reunião de Família”
– “Quarto Fechado” – “Asa Esquerda do Anjo” (Novelas introspectivas onde mulheres buscam
desesperadamente seus papéis na vida afetiva e social.)
14. João
Gilberto Noll (1946-2017)
“Hotel
Atlântico” – “Rastros de Verão” –
“Harmada” (Narrativas pós-modernas
onde personagens vagam por Porto Alegre ou pelo país sem passado, sem futuro,
nem alternativas. Desabadas todas as crenças e utopias, o mundo perde o sentido
e a existência torna-se absurda.)
15. Caio
Fernando Abreu (1948-1996)
“Pedras
de Calcutá” – “Morangos Mofados”
– “Os Dragões não Conhecem o Paraíso” (Contos de alto refinamento
psicológico onde o autor trata de forma cética o mundo urbano brasileiro,
centrando-se em tipos que vivem à margem do sistema burguês.)
16. Luis
Fernando Veríssimo
“O
Analista de Bagé” – “Ed Mort” ‒ “O Gigolô das Palavras” – “O Popular” – “Comédias da vida Privada” (Crônicas de fino humor, onde o absurdo e
o imprevisto da existência são desvelados.)