segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Nós somos aquela geração...

 que não vai voltar.

Crescemos com sapatos cheios de pó, joelhos raspados e coração apressado, não para olhar para uma tela, mas para terminar o lanche e sair correndo para a rua ‒ onde a única coisa importante era uma bola e alguns amigos. 

Nós éramos os que voltávamos da escola a pé, falando alto ou sonhando em silêncio, com a mente já no próximo jogo, na próxima aventura, entre um buraco na areia e um segredo sussurrado atrás de um canto. Um pau podia ser uma espada, ma poça virava um mar para conquistar. Nossos tesouros eram berlindes, cromos, barquinhos de papel. 

E o céu, nosso único limite. Não tínhamos backups, apenas memórias na mente e nos rolos fotográficos. As fotos eram tocadas, cheiradas, guardadas em gavetas ‒ junto a cartas escritas à mão, postais dos avós, e desenhos coloridos que os pais guardavam como joias. 

Nós chamávamos de “mãe” a quem curava nossas febres, e “pai” que nos ensinou a andar de bicicleta. Não era preciso mais. 

À noite, sob os cobertores, conversamos baixinho com o irmão na cama ao lado, rindo por besteira, com medo que algum adulto ouvisse e desligue esse pequeno mundo de cumplicidade. Essa geração está indo, pouco a pouco, como uma fotografia que perde a cor, mas ninguém quer jogar fora. 

Nós nos afastamos silenciosamente, levando uma mala invisível: o eco do riso na rua, o cheiro de pão acabado de fazer, corridas sem sentido e aquela liberdade que eu não conhecia notificações. Nós éramos crianças quando ainda se podia ser. E talvez essa seja a nossa maior fortuna. 

Passarinhando Mensagens

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