sábado, 28 de fevereiro de 2026

Deus nos livre

 Luis Fernando Veríssimo

Deus nos livre da bomba de nêutron, do câncer e

das pessoas que cutucam dizem “Hein? Hein?”

Deus nos livre da crítica estruturalista e da fome.
Deus nos livre de todos os “ismos”.
Em especial do botulismo.
Deus nos livre da Censura.
E da morte prematura.
Deus nos livre da multidão.
Deus nos livre da solidão,
e Deus nos livre, peremptoriamente, de jamais
usar a palavra “peremptoriamente”.
Deus nos livre do lirismo e da coriza nasal.

Deus nos livre de outro festival da canção.

E do nosso coração.

Deus nos livre dos bêbados que confidenciam.

Deus nos livre de um dia acordar, de ressaca,

no palco do Teatro Municipal lotado.
Deus nos livre do protocolo, do requerimento em três vias,
do protocolo, das fotografias 3x4,
da ficha de chamada
e de descobrir que não é aqui,
é no outro guichê.

Deus nos livre do outro guichê.

Deus nos livre da gincana.

Deus nos livre de perder o Mário Quintana.
Deus nos livre da autoridade competente,
que com a incompetente ainda há diálogo.

Deus nos livre da fome dos outros.

Deus nos livre da meia-idade.

E da falsa humildade.

Deus nos livre da ira, da soberba, da gula, da luxúria,

da avareza, da inveja, da preguiça

e da mania de limpar o ouvido com a tampa da caneta.

Deus nos livre da terrível faca de dois gumes.

Deus nos livre da paixão desenfreada e da grama artificial.

Deus nos livre da burrice dos outros,
que a nossa até que é simpática.
Deus nos livre da terceira idade.
E da falsa humildade.
Deus nos livre da ira, da soberba, da gula,
da luxúria, da avareza, da inveja, da preguiça e
desta mania de limpar o ouvido
com uma tampa de caneta Bic.
Deus nos livre da dissolução dos costumes.
E da terrível faca de dois gumes.
Deus nos livre dos que querem o nosso mal.
Deus nos livre dos que só querem o nosso bem.
Deus nos livre dos que querem o nosso.
Deus nos livre do despertador, da seborréia,
das pessoas que nunca piscam e das que citam Fukuyama.
Deus nos livre do mar de lama.
Deus nos livre da tragédia.
E da alta classe média.
Deus nos livre dos futurólogos.
Deus nos livre do futuro!
Deus nos livre da burrice alheia,

que a nossa é pitoresca.

Deus nos livre da superstição.
E de tanta assombração.

Deus nos livre dos nossos salvadores.
Deus nos livre de colidir com um meteoro e

pontas que nunca cruzam para a área.
Deus nos livre dos que pedem que Deus os livre.
Deus nos livre das bravatas.
Deus nos livre das gravatas.
E, meu Deus, dos plutocratas.
 

(Do livro “O Rei do Rock” ‒ RBS/Editora Globo)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Cirandeiro

 Martinho da Vila 

Samba enredo da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel 

1972

Aprendeu-se a liberdade,

Combatendo em Guararapes,

Entre flechas e tacapes,

Facas, fuzis e canhões.

Brasileiros irmanados,

Sem senhores, sem senzala,

E a senhora dos prazeres

Transformando pedra em bala.

Bom Nassau já foi embora,

Fez-se a revolução

E a festa da pitomba é a reconstituição. 

Jangadas ao mar

Pra buscar lagosta,

Pra levar pra festa

Em Jaboatão.

Vamos preparar

Lindos mamulengos

Pra comemorar a libertação. 

E lá vem maracatu, bumba-meu-boi, vaquejada,

Cantorias e fandangos,

Maculelê, marujada,

Cirandeiro, cirandeiro,

Sua hora é chegada,

Vem cantar esta ciranda,

Pois a roda está formada. 

Cirandeiro,

Cirandeiro, ó,

A pedra do seu anel

Brilha mais do que o sol. 

O samba-enredo de 1972 da Unidos de Vila Isabel “Onde o Brasil aprendeu a liberdade”, composto por Martinho da Vila, narra a expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro no século XVII, com foco na Batalha dos Guararapes. A obra exalta a união de brancos, negros e indígenas contra os invasores, celebrando a liberdade e a identidade nacional. 

De autoria de Martinho da Vila, o samba faz um relato sobre a Batalha dos Guararapes e passeia pelas tradições do Nordeste, o que inclui os pescadores artesanais de lagosta em suas jangadas. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Cafezinho

 Rubem Braga

Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café. 

Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase: 

‒ Ele foi tomar café. 

A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante. Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer: 

‒ Bem cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o senhor Bonifácio morreu afogado no cafezinho. 

Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago: 

‒ Ele saiu para tomar um café e disse que volta já. 

Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar: 

‒ Ele está? ‒ alguém dará o nosso recado sem endereço. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: 

‒ Ele disse que ia tomar um cafezinho... 

Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão: 

‒ Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí... 

Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar. 

Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho. 

Rio, 1939.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Triste rotina de mortes

 Mário Corso

 

Não passa semana sem termos manchete da morte de uma mulher por seu companheiro, ou ex-companheiro. O tema varia quando é seguido de suicídio, de filicídio, do assassinato do novo companheiro da ex-esposa, dos pais ou dos irmãos delas. Enfim, de qualquer um que represente, aos olhos do homem, apoio àquela que ousa deixa-lo. É um crime que, por si só, abre a porta para outros. 

Campanhas têm sido tentadas, se elas têm sucesso, são muito discretos. De qualquer forma, as iniciativas são melhores do que nada, é um começo. 

Por que esses homens matam suas mulheres? Se fala em sentimento de posse, em ódio pelas mulheres, em não saber ouvir um não de uma mulher. Não excluo esses argumentos, mas eles sozinhos não dão conta da equação. 

O que pesa, nesses crimes, é algo mais fundo: a tentativa desesperada de retomar a masculinidade sentida como perdida. No abandono pela mulher, homens frágeis na sua virilidade sentem-se simbolicamente feminizados. Funciona, na cabeça deles, como se o jogo tivesse virado: antes provedores, controladores, agora eles são os passivos, os rejeitados. 

A dita masculinidade frágil é isso. São homens que não se sentem intrinsicamente homens. Só se sentem homens se tiverem uma mulher como fiadora do seu papel. Por isso, insistem obsessivamente em manter os relacionamentos. Por isso, para eles, o abandono é decisivo. Eles não perdem apenas a mulher, eles perdem o chão da sua identidade. É como se o mundo estivesse de ponta-cabeça. 

Enquanto o arquétipo feminino passa pelo poder de dar a vida, o do homem passa por tirar a vida ‒ ser um guerreiro. Por isso, em uma masculinidade acuada, matar lhe restituiria imaginariamente a masculinidade. Eles sabem que vão ser presos, mas isso é tão menor perto da loucura de que estão tomados. 

A dificuldade em reduzir os feminicídios é estrutural. Estamos vivendo um momento de transição em que a nova forma de ser homem ainda não se consolidou, e a velha ainda não foi embora. 

Campanhas ajudam, leis duras também. Mas o que realmente fará diferença é a construção de uma nova subjetividade masculina, capaz de sustentar a perda, a rejeição e a solidão sem recorrer à violência, sem enlouquecer. 

Crônica do jornal Zero Hora, de fevereiro de 2026.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Fotografia

 Antônio Carlos Jobim

Eu, você, nós dois,
Aqui neste terraço, à beira-mar.
O sol já vai caindo e o seu olhar
Parece acompanhar a cor do mar.
Você tem de ir embora,
A tarde cai,
Em cores se desfaz,
Escureceu.
O sol caiu no mar,
E aquela luz
Lá em baixo se acendeu...
Você e eu.
 

Eu, você, nós dois,
Sozinhos neste bar, à meia-luz,
E uma grande lua saiu do mar,
Parece que este bar já vai fechar,
E há sempre uma canção
Para contar,
Aquela velha história
De um desejo,
Que todas as canções
Têm pra contar
E veio aquele beijo...
Aquele beijo...

A música “Fotografia”, um clássico da Bossa Nova, foi composta por Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim). A canção foi escrita em 1959 e é conhecida por descrever cenas de amor com harmonias marcantes, sendo gravada por grandes nomes como Elis Regina, Gal Costa e o próprio Jobim, que achamos a mais verdadeira, pois ele estava no terraço de um bar em Ipanema, num encontro às escondidas, com a musa da canção.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Dicas do professor

 Paulo Flávio Ledur 

— Professor Flávio Ledur, seguidamente encontro nas leituras, o SENÃO e SE NÃO indiscriminadamente. Como usá-los sem errar? 

Professor Ledur responde: 

Uma dica rápida, mas eficiente para essa dúvida: 

Será SE NÃO quando puder ser trocado por ► CASO NÃO. 

Se essa troca não der certo, será ► SENÃO. 

Apliquem a DICA do professor e respondam: 

1 ‒ O hospital pode fechar...............consertarem os equipamentos. 

a) SENÃO 

b) SE NÃO 

2 ‒ Ninguém,..............as famílias dos noivos assistiram à cerimônia. 

a) SENÃO 

b) SE NÃO 

3 ‒ O sol não é.............. um pequeno astro movendo-se no cosmo. 

a) SENÃO 

b) SE NÃO 

“Seja cara de pau”

 Diz autor de livro com dicas para tímidos

Autor do Manual de Sobrevivência dos Tímidos, Bruno Maron também é designer e quadrinista da Folha de S.Paulo. Hoje, mais velho, supera melhor a timidez: 

Manual de Sobrevivência dos Tímidos é um livro escrito e ilustrado por Bruno Maron. Organizado em seis capítulos, a obra faz uma abordagem bem-humorada e certeira sobre como funciona a timidez. Maron também apresenta conselhos surrealistas sobre como fugir ou enfrentar a socialização. 

P.: Em outra entrevista você afirmou que, na época da faculdade, sentia que não era humano. O que você quis dizer com isso? 

R.: Eu não me considerava à altura dos acontecimentos, me considerava menor, quase como se eu não fosse humano ou como se fosse um ser humano de segunda categoria. É uma bad trip que é uma espiral. A timidez é um vórtice de desespero e, nos casos mais graves, um buraco negro. 

P.: Você acha que os tímidos são um pouco egocêntricos, por se preocuparem demais com o que os outros vão dizer?

R.: Eles se acham o centro do mundo (risos). O tímido tem a falsa ilusão de ser o centro do mundo. 

P.: Como fugir daquelas situações sociais inevitáveis, como a conversa com o vizinho no elevador? 

R.: O ideal é tentar evitar papo furado e encontros insignificantes. Às vezes, eu me pegava sofrendo porque interagia com uma pessoa de quem eu não gostava. E o tímido não consegue se impor. Então, primeiramente, tem de identificar quem é chato nesse sentido e tentar evitar. Mas, se por acaso você o encontra, sempre tem a desculpa do “tenho que ir nessa”. Tem de inventar algo para sair daquilo, senão você é vampirizado por aquela pessoa chata. 

P.: O que a timidez trouxe para você como benefício?

R.: Ela me fez criar uma vida interior. Passei a me interessar por muitas coisas que de repente um cara que só se preocupava em pegação não se preocupava, como astronomia, por exemplo. Também corri atrás de quadrinhos, que eram uma espécie de refúgio. A introspecção nos ajuda a entender as relações humanas, a finitude do homem e a hierarquizar os valores das coisas. 

P.: Que conselho você daria para o Bruno de 16 anos, muito mais tímido do que o Bruno de 36?

R.: Seja cara de pau. Tem um bando de gente muito pior do que você que está conseguindo um monte de coisa. Então, é só ter mais cara de pau que você vai conseguir. 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Verificação de Literatura Brasileira

 (do Barroco ao Naturalismo)

 

“Raimundo tinha vinte e seis anos e seria um tipo acabado de brasileiro, se não foram os grandes olhos azuis, que puxara do pai. Cabelos muito pretos, lustrosos e crespos; tez morena e amulatada, mas fina; dentes claros que reluziam a negrura do bigode; estatura alta e elegante; pescoço largo, nariz direto, fronte espaçosa. A parte mais característica da sua fisionomia era os olhos ‒ grandes, ramalhudos, cheios de sombras azuis; pestanas eriçadas e negras, pálpebras de um roxo vaporoso e úmido; as sobrancelhas, muito desenhadas no rosto, como a nanquim, faziam sobressair a frescura da epiderme que, no lugar da barba raspada, lembrava os tons suaves e transparentes de uma aquarela sobre papel de arroz. 

Tinha os gestos bem educados, sóbrios, despidos de pretensão; falava em voz baixa, distintamente, sem armar ao efeito; vestia-se com seriedade e bom gosto; amava as artes, as ciências, a literatura e, um pouco menos, a política.” 

Trecho de “O Mulato”, de Aluísio de Azevedo 

Agora, com base na leitura do texto acima, resolva as questões propostas abaixo. 

01. O texto de Aluísio de Azevedo constitui, fundamentalmente: 

(a) uma narração         (d) uma tese

(b) uma descrição       (e) nenhuma das anteriores

(c) uma dissertação 

02. A resposta correta da questão acima fundamenta-se no fato de que o texto em questão: 

(a) aborda uma realidade dinâmica, em movimento, em transformação;

(b) aborda uma realidade abstrata, fruto do raciocínio do autor;

(c) aborda uma fração concreta da realidade, imobilizada num corte estático;

(d) aborda uma realidade subjetiva e emocional;

(e) nenhuma das anteriores. 

03. Nesse sentido, a classe gramatical mais relevante presente no texto‚ representada por: 

(a) verbos;                            (d) verbos e adjetivos;

(b) verbos e substantivos     (e) nenhuma das anteriores.

(c) substantivos e adjetivos 

04. Os verbos presentes no texto são predominantemente: 

(a) de movimento                (d) de ligação

(b) de ação                           (e) nenhuma das anteriores

(c) de fenômenos 

05. Alguns traços que o texto atribui a Raimundo afastam-no do padrão étnico de sua raça. Assinale a alternativa que indica algum desses traços: 

(a) tipo acabado de brasileiro;        (d) cabelos lustrosos e crespos;

(b) sobrancelhas negras;                 (e) nenhuma das anteriores.

(c) tez morena e amulatada; 

06. Qual, dentre as características abaixo, não se refere à Escola Barroca: 

(a) teocentrismo X antropocentrismo.

(b) estilo complexo.

(c) utilização de muitas figuras de linguagem.

(d) visão paradoxal da realidade.

(e) predomínio da razão sobre a emoção. 

07. Nasceu em Salvador (BA) e morreu no Recife (PE). Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, voltou ao Brasil. Perseguido pelas sátiras que escrevia, acabou exilado em Angola, de onde regressou em 1695, fixando em Pernambuco. É considerado o melhor poeta do barroco brasileiro. Falamos de: 

(a) Padre Antônio Vieira.     (d)  José de Anchieta.

(b) Gregório de Matos.        (e)   Rocha Pita.

(c) Pero Vaz de Caminha. 

08. “Enquanto pasta alegre o manso gado,

minha bela Marília, nos sentemos

à sombra deste cedro levantado.

Um pouco meditemos

na regular beleza,

que em tudo quanto vive nos descobre

a sábia Natureza.” 

Como sugerem os versos acima, a celebração da vida campestre e o culto à Natureza são próprias da estética: 

(a) arcádica  (b) romântica   (c) parnasiana   (d) realista  (e) barroca 

09. Assinale a alternativa que apresenta dois poetas que participaram da Inconfidência Mineira. 

(a)  Castro Alves               Tomás Antônio Gonzaga.

(b)  Gonçalves Dias           Cláudio Manuel da Costa

(c)  Cláudio Manuel da Costa              Tomás Antônio Gonzaga

(d)  Gonçalves Dias           Gonçalves de Magalhães

(e)  Gonçalves de Magalhães              Castro Alves 

10. O indianismo de nossos poetas românticos é:

(a) forma de apresentar o índio em toda a sua realidade objetiva. O índio como elemento étnico da futura raça brasileira. 

(b) meio de reconstruir o grave perigo que o índio representava durante a instalação da capitania de São Vicente. 

(c) modelo francês seguido no Brasil. Uma necessidade de exotismo que em nada difere do modelo europeu. 

(d) meio de eternizar liricamente a aceitação, pelo índio, da nova civilização que se instalava. 

(e) forma de apresentar o índio como motivo estético. Idealização com simpatia e piedade. Exaltação da bravura, do heroísmo e de todas as qualidades morais superiores. 

11. Livros indianistas de José de Alencar são: 

(a) Iracema          -        Ubirajara    -        Inocência

(b) O Guarani      -        Iracema      -        A Escrava Isaura

(c) A Moreninha  -        Iracema      -        Lucíola

(d) Ubirajara        -        Iracema      -        O Guarani

(e) Lucíola           -        Senhora      -        O Tronco do Ipê 

12. A morte foi sempre uma presença viva: a morte prematura de seu irmão; a morte de seus colegas de faculdade; a dor no peito que cedo o levaria. Ele foi o responsável pelo contorno do “Mal do século” em nossa literatura. 

(a) Gonçalves Dias.               (d) Castro Alves.

(b) Álvares de Azevedo.        (e) Junqueira Freire.

(c) Fagundes Varela. 

13. São obras da fase realista de Machado de Assis: 

(a) Dom Casmurro        -        Casa de Pensão.

(b) Dom Casmurro        -        O Mulato.

(c) Memórias Póstuma de Brás Cubas      -        Dom Casmurro.

(d) O Mulato        -        Casa de Pensão.

(e) Memórias Póstumas de Brás Cubas     -        A Mão e a Luva. 

14. A respeito da ficção de Machado de Assis, pode-se afirmar que: 

(a) se desenvolveu do Romantismo para o Naturalismo, consagrando-se sobretudo nas crônicas políticas e nos contos satíricos. 

(b) amadureceu sob a influência de José de Alencar, de quem tomou os temas e o estilo, tal como se vê em Quincas Borba. 

(c) exemplo típico da literatura naturalista, sendo apenas superada pela obra-prima O Cortiço, de seu mestre Aluísio Azevedo.

(d) representa a conquista da maturidade da literatura nacional a partir de Memórias Póstumas de Brás Cubas. 

(e) atingiu com Ressurreição e A Mão e a Luva o plano mais alto de nossa literatura de expressão realista. 

15. “O homem, destituído de qualquer elemento espiritual, reduzido a um simples e curioso produto físico-químico, passou a ser joguete do determinismo, conceito filosófico que compreende o ser humano como privado de livre arbítrio e impulsionado fatalmente pelas imposições do substrato fisiológico.”

O crítico refere-se ao: 

(a)     parnasianismo       (d)  romantismo

(b)     realismo                (e)  impressionismo

(c)     naturalismo 

16. O romance     explora o preconceito racial e a tacanhez provinciana de São Luís do Maranhão. Gira em torno Raimundo, de origem humilde que consegue concluir os estudos. 

(a) O Mulato                   (d) Casa de Pensão

(b) O Cortiço                  (e)  A Carne

(c) O Ateneu 

17. O primeiro escritor brasileiro a levantar, em sua obra, problemas sociais referentes a habitações coletivas foi: 

(a) Raul Pompéia        (d)    Aluísio Azevedo

(b) Castro Alves          (e)    Machado de Assis

(c) José de Alencar 

18. “O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. Ninguém se conhecia naquela zumba de grito sem nexo, choro de crianças esmagadas e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Da casa do Barão saíam clamores apoplíticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque.” 

Esta passagem pertence ao romance: 

(a) O Mulato               (d)    Casa de Pensão

(b) O Ateneu               (e)    O Cortiço

(c) Lucíola 

19. Em Aluísio de Azevedo, no trecho ‒ “Toda ela respirava um odor sensual de trevos e plantas aromáticas. Irriquieta, saracoteando o atrevido e rígido quadril baiano...” 

A personagem é caracterizada sobretudo pela: 

(a) serenidade e estaticidade;

(b) sensualidade e dinamicidade;

(c) dinamicidade e contensão;

(d) sensualidade e estaticidade;

(e) exotismo e dinamicidade. 

20. O texto da questão anterior foi extraído do romance O Cortiço. Em que cidade brasileira se desenrola sua ação? 

(a) Rio de Janeiro;

(b) São Luís do Maranhão;

(c) São Paulo;

(d) Salvador;

(e) Recife.  

MENSAGEM 

“Eis a sublime estupidez do mundo, que quando nossa fortuna está abalada ‒ muitas vezes pelos excessos de nossos próprios atos ‒ culpamos o Sol, a Lua e as estrelas pelos nossos desastres; como se fôssemos canalhas por necessidade, idiotas por influência celeste; escroques, ladrões e traidores por comando zodíaco”. 

Shakespeare ‒ “Rei Lear”             

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Como funciona a doação de órgãos

 

● Os principais critérios que definem a escolha do paciente são tempo de espera e urgência. 

● A lista é gerenciada pela central de transplantes de cada estado do Brasil. 

● Nem o doador nem a família podem escolher para quem vão os órgãos. 

● Pela lei, parentes de até quarto grau (pais, irmãos, netos, avós, tios, sobrinhos e primos) e cônjuges podem ser doadores entre si em vida. 

● No caso de receptores que não são parentes, o transplante só pode ser feito com autorização judicial. 

● A doação consiste na retirada cirúrgica de órgãos ou tecidos saudáveis de um recém-falecido e sua posterior reposição no corpo de uma pessoa doente, o receptor. 

● Os órgãos que podem ser doados são coração, pulmão, fígado, rim, pâncreas e intestino. 

● Os tecidos que podem ser doados são córneas, pele, ossos e válvulas cardíacas. 

● Na morte encefálica, órgãos e tecidos podem ser doados. 

● Nos casos em que o coração para, somente tecidos podem ser transplantados. 

● Podem ser doados em vida um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. 

● Dentre todas as etapas, ainda é preciso correr contra o tempo para levantar o histórico do paciente morto e avisar o possível receptor de que há um órgão disponível. 

● Em alguns casos, não mais do que poucas horas podem separar a retirada do órgão do corpo e o transplante para o paciente. 

● Coração, pulmão, fígado e pâncreas têm prazo máximo de seis horas para a doação. 

● O rim pode ser transplantado em até 24 horas. 

● córneas têm até 15 dias para o transplante. E tecidos como osso duram até cinco anos porque são conservados em freezers. 

As etapas de um transplante 

Diagnóstico: a morte encefálica do paciente é determinada. 

Autorização: a família é avisada e, se decidir pela doação, precisa assinar termo por escrito, diante de testemunhas, para autorizar a retirada de órgãos. 

Entrevista: são feitas entrevistas com familiares para investigar o histórico clínico e rastrear possíveis doenças do doador.  

Retirada: ocorre a cirurgia para a retirada dos órgãos. Aqueles que a família optou por doar são preservados em solução refrigerada enquanto se define o receptor. 

Transporte: na central de notificação do Estado onde ocorreu a morte, descobre-se qual é o receptor mais adequado. Ele é avisado e deve se deslocar ao hospital com urgência. 

Cirurgia: no hospital, o receptor passa por uma pré-operatório para receber o órgão. 

● Então, é feito o transplante. 

Recuperação: finalizada a cirurgia, o receptor precisa passar a tomar medicamentos para evitar a rejeição do órgão. 

(Do caderno Vida, do jornal Zero Hora, fevereiro de 2026)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Pedaço de tempo, pedaço de felicidade.

 

Crônica de Nilo da Silva Moraes 

Estávamos todos sentados, ou melhor, desmanchados nas cadeiras. Do mar, não muito distante, vinha uma brisa suave que nos enchia de vida, nos refrescando até a alma. Na mesa, uma cerveja loura, geladíssima, espumante. Os copos enchiam e logo se esvaziavam. Os goles desciam pela garganta; as idéias, através das palavras diziam coisas sem nexo, sem se preocupar em formar algo de importância. 

O sol do meio-dia nos tocava de leve, manso e macio como uma carícia de mulher amada. Enfim, arriscaria até a dizer que era um sol aveludado. As meninas, douradas, passavam por nós indóceis, mas ninguém ligava; estávamos completos, felizes sem saber por quê. 

Éramos todos amigos de amizades formadas com o desenrolar dos anos, e, não sei por qual acaso, tínhamos nos reunido naquela praia. O tempo ali parecia que não passava. A vida ali era muito mais vida. Uma vida que Deus, talvez, reservasse somente aos seus escolhidos. Naquela praia, na mesa, éramos como anjos que se encontram para descansar num fim de semana no paraíso. Gente? Creio que não éramos, talvez fôssemos bichos, plantas... sei lá! Naquela hora, naquele momento, não pensávamos em nada. As sensações nos vinham de fora. Os olhos se fixavam em qualquer ponto. O corpo, só o corpo sentia e vivia. O único som era o balanço do mar batendo na areia. Um som que quando chegava aos nossos ouvidos, parecia um som celestial. Ríamos de qualquer coisa. Quando não tínhamos motivos para rir, pelo menos um sorriso ficava constantemente em nossos lábios. 

Era depois do almoço, sentíamos de barriga cheia, como um ruminante que se deita ao sol, feliz, por haver saciado a fome, e como estar de barriga cheia fosse a maior ventura desta vida. Creio, aliás tenho certeza, que todos estávamos leves e com cuca fresca. Não tínhamos obrigações com horários, encontros formais, conversas desnecessárias, etc. Nós nem sabíamos quem éramos. Não tínhamos passado; não sabíamos o que fazíamos no presente e futuro não interessava a ninguém. Só queríamos viver, simplesmente. 

De vez enquanto bocejávamos, o corpo se aconchegava ainda mais na cadeira. Uns, mudando de posição, procuravam um ângulo melhor para receber o sol. Outros queriam somente a minissombra dos guarda-sóis. O lugar comum entre nós era a preguiça repousante que nos entorpecia por completo. E sempre alguém, entre goles de cerveja, assobiava uma música que afluía espontaneamente em pedaços de pequenos sons. Para nós, além da inércia, existia uma felicidade inconsciente. Felicidade feita de sol, de mar, de cerveja e de muita amizade. Não queríamos saber de mais nada. O mundo estava muito distante, e coisas negativas como fome, tristeza, trabalho, poluição, guerras, desamor... Tudo isso ficou lá, no mundo real. O que ignorávamos, alienadamente, era justamente o que nos fazia felizes naquele momento. 

No ar, pairava um cheiro agradável de maresia, um cheiro de vida. Parecia que ainda estávamos instalados no ventre materno, pois não sentíamos nenhuma sensação exterior. O sol era o cordão umbilical que nos enchia de vida. Não havia nenhum interesse de nascer para a realidade. A mãe natureza era prodigiosa para conosco. Creiam! Vocês precisam estar lá para ver como era bom! 

De repente, depois de muito tempo, alguém sugere de irmos à beira-mar. Então uma sensação estranha de realidade (uma sensação leve) faz com que pensemos em outras coisas. Eu, por exemplo, lembro-me que estávamos brigados, talvez até uma separação definitiva. E com esta sensação, levanto-me da cadeira e começo a pensar em você... Com saudades... 

(Tramandaí, dezembro de 1971)

Lar, um lugar para voltar

Você já se deu conta da importância do seu lar? 

Não nos referimos ao valor financeiro da sua casa, mas da importância do aconchego do lar. Na correria do nosso dia-a-dia, muitos de nós não pensamos no que significa ter um lar para voltar ao final de um dia de trabalhos intensos e cansativos. No entanto, o lar é a base segura de todos aqueles que possuem esse grande tesouro. 

Temos acompanhado as histórias de pessoas que obtiveram grande sucesso nas artes, na música, nos esportes, e todos eles apontam a união familiar como ponto de apoio seguro. Existem pessoas que lutaram com dificuldades, passaram por necessidades de toda ordem, mas lograram êxito graças ao carinho e à dignidade dos pais que ofereceram suporte para vencer os obstáculos. 

Por essa razão, o lar é um elemento indispensável como base para uma carreira de sucesso. Não importa o tamanho da construção nem o material de que é feito, mas importa que seja um verdadeiro ninho de amor, afeto e amizade. Pode ser uma mansão ou uma tapera... Um bangalô, ou um barraco singelo... Pode faltar o pão, mas não deve faltar o abraço de ternura de uma mãe dedicada... Pode faltar uma cama confortável, mas não deve faltar os braços fortes de um pai que ampare e oriente... Pode faltar o luxo, mas não deve faltar o toque delicado de uma mãe caprichosa. 

Pode faltar muita coisa, mas não pode faltar o diálogo amigo que estreita os laços e se faz ponte de entendimento em todas as situações. A casa pode ser frágil e não oferecer resistência contra a chuva fria, mas o lar deve ser bastante resistente para suportar as investidas das drogas e de todos os vícios. A construção pode balançar com os açoites dos ventos impiedosos, mas o lar deve se manter firme mesmo diante das investidas mais ásperas da indignidade e da desonra. 

Se você nunca havia pensado nisso, pense agora. 

E, à noitinha, enquanto o sol se despede do dia e o manto escuro da noite se estende sobre a cidade, e você, vencido pelo cansaço, avistar seu lar de portas abertas e um familiar de braços abertos para dizer: 

- Olá! Como foi seu dia? 

Você perceberá como é importante poder voltar para casa. Com chuva ou com sol, lá está o nosso lar para nos acolher e nos dar abrigo. Por essa razão, valorizemos esse refúgio seguro no qual passamos a maior parte de nossas vidas, valorizando também aqueles que compartilham conosco desse pequeno oásis e fazendo com que ele possa ser um verdadeiro porto seguro. E nunca nos esqueçamos de que o lar, mesmo quando assinalado pelas dores decorrentes do aprimoramento das arestas dos que o constituem, é oficina purificadora onde se devem trabalhar as bases seguras da humanidade de todos os tempos.

(Autor desconhecido)

Quem foi Tereza da Praia?

 Por Moises Di Souza


Ela não foi uma personagem histórica documentada, mas uma figura poética eternizada na canção “Tereza da Praia”, um dos encontros mais elegantes da música brasileira. A música foi gravada em 1954 por dois gigantes da era do rádio: Dick Farney e Lúcio Alves, com composição de Tom Jobim e Billy Blanco. 

Na superfície, a canção narra, com fina ironia e leveza, a história de uma jovem disputada por dois amigos que cantam em forma de diálogo. Mas, por trás da harmonia impecável e do charme interpretativo, havia também uma história real de bastidores revelada por Hilton Jorge, pianista que acompanhou Dick Farney por dez anos, de 1977 a 1987. Segundo Hilton Jorge, quando Lúcio Alves surgiu como intérprete de uma moderníssima Música Popular Brasileira, Dick Farney já era um artista consagrado. Parte da chamada imprensa “especializada” tentou criar uma rivalidade entre os dois, insinuando ora que Dick imitava Lúcio, ora que Lúcio imitava Dick. Em comum acordo, os dois artistas decidiram transformar a suposta disputa em música. Procuraram Tom Jobim e Billy Blanco e propuseram a criação de uma canção que pudessem cantar juntos, uma resposta elegante à tentativa de instaurar um clima de inimizade. Assim nasceu “Tereza da Praia”. 

Mais do que um dueto, a gravação tornou-se um gesto público de amizade e maturidade artística. A música antecipava o clima intimista que anos depois floresceria com João Gilberto e a Bossa Nova. Ali já estavam o fraseado suave, a divisão rítmica refinada e a influência do jazz que marcariam uma geração. E há ainda um detalhe delicado: a Tereza homenageada era Teresa Hermany, esposa de Tom Jobim à época. A musa da canção, portanto, tinha nome, história e endereço, mas foi transformada em símbolo. Tornou-se a mulher idealizada da praia carioca, cenário eterno de encontros, paixões e canções. “Tereza da Praia” permanece como um retrato sonoro de um Brasil elegante, onde até as rivalidades eram resolvidas com harmonia, inteligência e música de altíssimo nível. Mais do que uma personagem, Tereza é a prova de que a arte, quando nasce da nobreza de espírito, atravessa décadas sem perder o frescor. 

Obs: Movido pelo bom senso, reeditei o texto, dando créditos a Hilton Jorge Gogô Valente, que foi pianista de Dick Farney. 

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P.S.: A canção “Tereza da Praia” fala sobre dois homens que disputam uma mesma garota que conheceram no Leblon (bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro). 

Conta-se que, na época, existia uma rivalidade entre Dick Farney e Lúcio Alves e, então, os compositores da canção insistiram para que os dois cantassem juntos, a fim de promover a pacificação. Foi Tom quem procurou Billy com a ideia de uma música que reunisse Dick e Lúcio, que o público supunha inimigos pessoais. 

O nome de Tereza, foi escolhido por Billy Blanco, e era também o nome da mulher de Tom. Sobre essa coincidência, de ser a então mulher de Tom Jobim homônima da personagem, Billy Blanco esclarece em seu livro ‘Tirando de Letra‘: “Lamento desapontar críticos, jornalistas e boateiros: Tereza da praia é figura absolutamente fictícia”. 

A música foi o primeiro grande sucesso de Tom Jobim e Billy Blanco. 

‒ Lúcio?
– Eu.
– Arranjei novo amor no Leblon.
– Não diga!
– Que corpo bonito, que pele morena,
– Que amor de pequena, amar é tão bom…

– Oh Dick
– Sim.
– Ela tem um nariz levantado?
– Tem!
– Os olhos verdinhos?
– É mesmo…
– Bastante puxados?
– Humm.
– Cabelo castanho, né?
– E uma pinta do lado…

– E a minha Tereza da praia!
– Se ela é tua é minha também!
– O verão passou todo comigo…
– O inverno, pergunta com quem…

‒ Então vamos a Tereza na praia deixar,
Aos beijos do sol
E abraços do mar.
– Tereza é da praia…
– Não é de ninguém!
– Não pode ser tua,
– Nem tua também.

‒ Tereza é da praia,

Não é de ninguém. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Dez golpes mais frequentes

 E dicas para se proteger.

Falso familiar: O que é ► fingindo ser um parente, o criminosos diz ter mudado de telefone e pede valores via Pix para pagar uma conta ou resolver uma emergência. 

● Como se proteger: confirme a história diretamente com o parente citado. Nunca faça transferência sem verificar. 

Falsa central: O que é ► golpista se apresenta como funcionário de empresa ou banco, afirma que uma compra suspeita foi feita e convence a pessoa a informar senhas ou fazer transferências para cancelar o processo. 

● Como se proteger: bancos não pedem senha ou código por telefone. Termine a ligação e contate a instituição financeira. 

Falso gerente: O que é ► o golpista se identifica como gerente ou funcionário do banco para direcionar operações bancárias. 

● Como se proteger: não compartilhe senhas, tokens ou códigos. Confirme a informação diretamente no aplicativo ou na agência bancária. 

Falso advogado: O que é ► a partir de processos judiciais reais, criminosos informam que há valores a receber, mas exigem pagamento prévio de taxas. 

● Como se proteger: confirme a história com seu advogado. Consulte no site do tribunal se a decisão citada foi mesmo publicada. 

Falso prêmio: O que é ► promessa de brinde ou desconto extraordinário mediante pagamento de frete ou preenchimento de dados. 

● Como se proteger: não informe dados pessoais em links recebidos por mensagem. Confirme a promoção nos canais oficiais da marca. 

Falso leilão: O que é ► golpistas criam imitações de sites de leiloeiras e divulgam pregões falsos. A vítima “ganha” e paga o sinal, mas o bem não existe. 

● Como se proteger: verifique se o site é oficial e confira CNPJ. Desconfie de preço muito abaixo do mercado. Confirme o leilão diretamente com a empresa antes de pagar sinal. 

Falso investimento: O que é ► criminosos simulam uma corretora de investimento que promete lucro rápido e acima da realidade do mercado. A vítima transfere valores e tem acesso a uma plataforma com dados falsos. No entanto, os valores não são pagos quando o cliente tenta sacar o dinheiro. 

● Como se proteger: verifique se a empresa é autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nunca transfira dinheiro para contas de pessoas físicas indicadas por supostos consultores. Não invista seguindo orientação de empresa que não tem sede física e que não tem referência de atendimento autêntico. 

Golpe dos nudes: O que é ► após troca de imagens ou conversa íntima, a vítima passa a ser ameaçada para realizar pagamentos. Os golpistas se passam por pais ou autoridades e exigem dinheiro para não denunciar ou divulgar o caso. 

● Como se proteger: não envie dinheiro nem ceda a ameaças. Pare contato e denuncie o caso à Polícia Civil. 

Links falsos (phishing): O que é ► mensagens de texto ou e-mails levam a páginas que imitam bancos ou lojas para capturar senhas e dados de cartões bancários. 

● Como se proteger: não clique em links suspeitos e verifique o endereço. Ative autenticação em dois fatores para proteger contas em aplicativos e contas de e-mail. Utilize antivírus em computadores e celulares. 

Boletos ou tributos falsos: O que é ► guias adulteradas ou fraudulentas que imitam cobranças oficiais são enviadas por mensagens ou e-mails. A vítima paga, mas o valor é direcionado para contas de estelionatários. 

● Como se proteger: gere guias apenas em sites ou aplicativos oficiais do governo. Confira CNPJ e beneficiários antes de pagar. Evite pagar boletos recebidos por WhatsApp ou e-mail sem confirmação. 

Fonte: delgado Filipe Bringhenti,

diretor da Divisão de Crimes Cibernéticos

da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

 Matéria do jornal Zero Hora, fevereiro de 2026

A professora inspiradora

 

Figura quase celestial que descia a ladeira local de saia branca, deixando um rastro de admiração por onde passava. Aquela imagem de pureza e elegância ficou guardada como uma fotografia nítida na memória do garoto por quase duas décadas. 

Foi somente em 1968 que essa lembrança de infância ganhou melodia e versos definitivos. Tibério Gaspar, já adulto e inserido na efervescência cultural do Rio de Janeiro, uniu-se ao pianista Antônio Adolfo para dar vida à canção. Naquele momento, a composição passou pelo filtro: A sonoridade do nome original, Brasilina, embora carregasse a identidade da mulher real, não parecia encaixar na cadência que a música pedia. Havia uma busca por algo mais rítmico, que evocasse ao mesmo tempo o respeito e a leveza do interior. 

Foi nessa lapidação poética que Brasilina se transformou em Sá Marina, o “”, esse tratamento carinhoso e arcaico para as senhoras de prestígio, deu à musa uma aura de lenda. A música “Sá Marina” nasceu, então, e se tornou um clássico absoluto da música popular brasileira. 

Quando a canção estourou na voz de Wilson Simonal e se tornou um fenômeno mundial em 1968, o interesse pela identidade da verdadeira musa cresceu. No entanto, o tempo é implacável, e as décadas haviam transformado a jovem professora em uma senhora que já não guardava as mesmas feições da juventude. 

Procurada para entrevistas e registros fotográficos que revelariam sua face ao Brasil, Brasilina tomou uma decisão de uma sensibilidade ímpar: ela escolheu o silêncio. 

Ao recusar a exposição, ela protegeu não a si mesma, mas a própria canção. Brasilina compreendeu que o público precisava da imagem eterna daquela moça de saia branca flutuando pela ladeira de Anta, e que sua imagem presente poderia romper o feitiço da obra de arte. 

Ela preferiu habitar para sempre o imaginário coletivo como a “Sá Marina” da música, provando que, às vezes, a melhor maneira de se tornar imortal é permitir que a poesia ocupe o lugar da realidade. 

Texto da internet 

Sá Marina 

Antônio Adolfo e Tibério Gaspar 

Descendo a rua da ladeira
Só quem viu, que pode contar.
Cheirando a flor de laranjeira,
Sá Marina vem pra dançar…
 

De saia branca costumeira,
Gira ao sol, que parou pra olhar.
Com seu jeitinho tão faceira,
Fez o povo inteiro cantar…
 

Roda pela vida afora
E põe pra fora esaa alegria.
Dança que amanhece o dia
Pra se cantar.
Gira, que essa gente aflita,
Se agita e segue no seu passo,
Mostra toda essa poesia do olhar.

Deixando versos na partida
E só cantigas pra se cantar.
Naquela tarde de domingo,
Fez o povo inteiro chorar.
E fez o povo inteiro chorar.
E fez o povo inteiro chorar…
 

P.S.: A professora Brasilina foi a musa inspiradora da famosa canção “Sá Marina” (1968), sucesso na voz de Wilson Simonal. Ela era uma mulher loira e bonita que vivia em Anta, um distrito de Sapucaia (RJ), e causou um amor platônico no compositor Tibério Gaspar quando ele tinha 8 anos de idade.