O Soneto é uma poesia breve, com padrões rigorosamente definidos, que se constitui de quatorze versos (geralmente decassilábicos, podendo ser também dodecasssilábicos, dos quase se originam os chamados versos alexandrinos) metrificados, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos, ambos rimados entre si. Isto quer dizer que os quartetos devem conservar o mesmo par de rimas e, os tercetos, três pares de rimas comuns aos dois. Etimologicamente, o termo é derivado do latim sonus, passando para sonet no provençal sonnètto no italiano e, finalmente, soneto em português. Foi estruturado na Itália, onde era usual o strambotti, uma forma de composição poética decassilábica que se constituía de uma oitava de rima ou de uma sextilha. Com o passar do tempo, deu-se a aglutinação natural dos dois modelos e a sua divisão em quartetos e tercetos, originando-se daí a estrutura final do soneto.
O primeiro poeta a escrevê-lo foi Giacomo de Lentino (1190 a 1246). No entanto, o seu grande incentivador foi o imperador germânico Frederico II, que estimulava a prática do “lirismo cortês” entre os poetas que costumava reunir em Palermo. Dante Alighieri (1265 a 1321), contudo, foi o primeiro poeta de nomeada a tornar-se o seu grande cultivador. Foi seguido por Francesco Petrarca (1304 a 1374) que consolidou a sua forma, assegurando-lhe o padrão definitivo.
O soneto esteve em moda nos séculos XVI, XVII e XVIII, perdendo força, a partir daí e paulatinamente, na estação romântica da nossa literatura. Depois, ressurgiu com mais ímpeto e mais vigor no parnasianismo e no simbolismo. No modernismo, ele apenas sobreviveu. Todavia, é inegável que ainda hoje o soneto continua sendo parte integrante do estro (entusiasmo artístico) de grandes poetas.
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Para argumentar, eis alguns dos sonetos que ainda hoje enfeitam a paisagem da minha cansada retina: Visita à casa paterna (Luís Guimarães Júnior), Velho tema (Vicente de Carvalho), Confiteor (Humberto de Campos), À Carolina (Machado de Assis), Formosa (Maciel Monteiro), Vandalismo (Augusto dos Anjos), As pombas (Raimundo Corrêa), Incansável (Carmen Cinira), Eu (Florbela Espanca), História antiga (Raul de Leoni), Ouvir estrelas (Olavo Bilac), Os cisnes (Júlio Salusse), A Espera (J. G. de Araújo Jorge), Duas almas (Alceu Wamosy), Soneto de fidelidade (Vinicius de Moraes) e tantos outros que não haveria aqui espaço capaz de conter a lista inteira. Mas não nego a intenção de homenagear seus autores quando resolvi escrever um livro apenas de sonetos.
(Do livro “Musa Rediviva” de Edson Xavier de Almeida*)
*Edson Xavier de Almeida, o militar (paraquedista n ͦ 509 do 1951/3 – MS n ͦ 311), o professor e o poeta tiveram sempre igual dimensão e coexistiram em perfeita harmonia. Leia o seu soneto abaixo que homenageia um paraquedista morto:
Boina paraquedista
Quando a hora final me for
chegada,
O toque de silêncio, o adeus, a dor...
Quero esta boina rubra pendurada
Na solitária cruz para onde eu for.
E então a minha boina avermelhada,
Com o meu sangue estampado em sua cor,
Há de ser para sempre relembrada
Como o troféu de um bravo ‒ o destemor!
E não se assustem, para o espaço olhando,
Se virem, no final de uma largada,
Minha boina vermelha flutuando...
Certamente, sou eu que ainda estarei,
Com saudade da vida e da Brigada,
Saltando entre os amigos que deixei.
















