sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

O Soneto

 

O Soneto é uma poesia breve, com padrões rigorosamente definidos, que se constitui de quatorze versos (geralmente decassilábicos, podendo ser também dodecasssilábicos, dos quase se originam os chamados versos alexandrinos) metrificados, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos, ambos rimados entre si. Isto quer dizer que os quartetos devem conservar o mesmo par de rimas e, os tercetos, três pares de rimas comuns aos dois. Etimologicamente, o termo é derivado do latim sonus, passando para sonet no provençal sonnètto no italiano e, finalmente, soneto em português. Foi estruturado na Itália, onde era usual o strambotti, uma forma de composição poética decassilábica que se constituía de uma oitava de rima ou de uma sextilha. Com o passar do tempo, deu-se a aglutinação natural dos dois modelos e a sua divisão em quartetos e tercetos, originando-se daí a estrutura final do soneto.  

O primeiro poeta a escrevê-lo foi Giacomo de Lentino (1190 a 1246). No entanto, o seu grande incentivador foi o imperador germânico Frederico II, que estimulava a prática do “lirismo cortês” entre os poetas que costumava reunir em Palermo. Dante Alighieri (1265 a 1321), contudo, foi o primeiro poeta de nomeada a tornar-se o seu grande cultivador. Foi seguido por Francesco Petrarca (1304 a 1374) que consolidou a sua forma, assegurando-lhe o padrão definitivo. 

O soneto esteve em moda nos séculos XVI, XVII e XVIII, perdendo força, a partir daí e paulatinamente, na estação romântica da nossa literatura. Depois, ressurgiu com mais ímpeto e mais vigor no parnasianismo e no simbolismo. No modernismo, ele apenas sobreviveu. Todavia, é inegável que ainda hoje o soneto continua sendo parte integrante do estro (entusiasmo artístico) de grandes poetas. 

(...) 

Para argumentar, eis alguns dos sonetos que ainda hoje enfeitam a paisagem da minha cansada retina: Visita à casa paterna (Luís Guimarães Júnior), Velho tema (Vicente de Carvalho), Confiteor (Humberto de Campos), À Carolina (Machado de Assis), Formosa (Maciel Monteiro), Vandalismo (Augusto dos Anjos), As pombas (Raimundo Corrêa), Incansável (Carmen Cinira), Eu (Florbela Espanca), História antiga (Raul de Leoni), Ouvir estrelas (Olavo Bilac), Os cisnes (Júlio Salusse), A Espera (J. G. de Araújo Jorge), Duas almas (Alceu Wamosy), Soneto de fidelidade (Vinicius de Moraes) e tantos outros que não haveria aqui espaço capaz de conter a lista inteira. Mas não nego a intenção de homenagear seus autores quando resolvi escrever um livro apenas de sonetos. 

(Do livro “Musa Rediviva” de Edson Xavier de Almeida*) 

*Edson Xavier de Almeida, o militar (paraquedista n ͦ 509 do 1951/3 – MS n ͦ  311), o professor e o poeta tiveram sempre igual dimensão e coexistiram em perfeita harmonia. Leia o seu soneto abaixo que homenageia um paraquedista morto: 

Boina paraquedista 

Quando a hora final me for chegada,
O toque de silêncio, o adeus, a dor...
Quero esta boina rubra pendurada
Na solitária cruz para onde eu for.

E então a minha boina avermelhada,
Com o meu sangue estampado em sua cor,
Há de ser para sempre relembrada
Como o troféu de um bravo 
 o destemor!

E não se assustem, para o espaço olhando,
Se virem, no final de uma largada,
Minha boina vermelha flutuando...

Certamente, sou eu que ainda estarei,
Com saudade da vida e da Brigada,
Saltando entre os amigos que deixei.

Ao usurpador disenterino

Marcos Bagno*

Busco palavras que digam
com precisão e detalhe
sem uma letra que falhe
os vícios que em ti se abrigam
– tudo aquilo que és de fato:
traidor, abutre, rato!

Um nome que te descreva
no que tens de baixo, vil,
de covarde, de servil,
de abominação primeva
– como quem de ossos se nutre:
rato, traidor, abutre!

Meu raso vocabulário
encontrá-lo não consegue
sem que minha língua cegue
frente ao teu estercorário
– repito o que sei de cor:
rato, abutre, traidor!

Nem disseste adeus à vida
pra teu nome entrar na História
em meio a mais baixa escória
por haver e já havida
– é ali teu posto exato,
traidor, abutre, rato!

Na laia imunda de Judas,
de Catilina e Sertório,
de Calabar e Silvério,
eis o miasma que exsudas
– teu nome é desse teor:
rato, abutre, traidor!

És escorpião impávido
diante da tua presa,
é da tua natureza
ser predador sempre ávido
– ages por ser verdadeiro
verme, ladrão, carniceiro!

Não suportas a justiça,
abominas a verdade,
se te falam d’igualdade
teu pelo d’hiena s’eriça
– o pus te reveste a derme,
carniceiro, ladrão, verme!

O poder que não conquistas
roubas a quem de direito;
teu apelido é despeito,
teu sobrenome é golpista
– só vences na corrupção,
abutre, verme, ladrão!

Riscas do mapa a cultura,
a saúde, a moradia;
se pudesses já vendias
o mar, o céu e a natura
– homem não és nem no cheiro,
rato, abutre, carniceiro!

Alcaguete, cafetão,
conspirador, embusteiro,
sabujo, pulha, negreiro,
entreguista, vendilhão
– combates um povo inerme,
carniceiro, abutre, verme!

Reúnes tua mundiça,
corja de maus perdedores,
legião de estupradores,
cultores de ódio e sevícia
– vêm todos lamber teu chão,
abutre, verme, ladrão!

Mas ouve bem, interino,
de nós, que não te tememos
(nem aos juízes supremos
de um tribunal viperino):
– ontem, hoje, eternamente
nunca serás presidente!

* Marcos Bagno é linguista, escritor e professor da UnB.

Da revista “Caros amigos a primeira à esquerda” 2016

Usurpador: que ou aquele que usurpa, que ou aquele que se apodera por violência ou meios injustos daquilo que não lhe pertence ou a que não tem direito. 

O prefixo “dis-” pode ter vários significados, como separação, negação, dificuldade, contrariedade, privação. 

Disenterino ou disentérico?: Aquele que sofre de disenteria. A palavra disenterino não consta no meu dicionário do Aurélio...


Na escola sem partido.

 A matemática sem “ideologia”. 

Por Paulo Cândido

– Bom dia, professor, aqui é Luíza, do Departamento de Desideologização de Material Didático da editora. 

– Bom dia, Luíza. Em que posso ajudar? 

– É sobre algumas modificações que precisamos que sejam feitas no seu livro. 

– Mas eu sou professor de matemática, filha… 

– Sim, mas tem uns problemas. 

– Meu livro é para o ensino fundamental… 

– Então, o seu caso é simples, o senhor vai ver. 

– Fale… 

– Logo no início, nos exercícios de adição, tem o exercício 6 na página 23, “João não conseguia dormir então começou a contar os carneirinhos que, na sua imaginação, pulavam uma cerca”. 

– E qual o problema? 

– O problema é que os carneirinhos pulando a cerca são uma crítica velada aos enclosements ingleses e uma referência à acumulação primitiva do capital. 

Propomos mudar para “franguinhos entrando no navio, que o pujante agronegócio brasileiro exporta para a Europa”. 

– Ninguém conta frangos para dormir. 

– Justo, por causa da ideologia que sataniza o produtores rurais que põem comida na nossa mesa. Tem outro, mais para frente, na página 32, o exercício 7 diz que “Rita tinha 18 bananas e comeu 4”. Bananas é uma referência ao Brasil como uma Banana Republic, não pode. 

– Troca por laranjas. 

– Aí seria uma crítica aos prestadores de serviço financeiros que ajudam os empresários a impedir que o governo tome seu dinheiro através dos impostos. Trocamos por abacaxis. 

– Abacaxis? Ninguém come quatro abacaxis. 

– Sim, também trocamos “comeu 4” por “vendeu 4 livremente realizando um justo lucro por seu esforço”. 

– As crianças de 8 anos vão entender isso? 

– Vão entender se for explicado, se a ideologia deixar de ocultar delas como as relações comerciais fazem justiça a quem produz. 

– Ah, tá. Mais alguma coisa? 

– Tem mais umas coisinhas, eu mando por e-mail. Mas o mais grave é a parte final do livro. Precisamos marcar uma reunião para rever os capítulos 7 e 8. 

– Divisão? 

– Isso. Divisão é um conceito marxista que não pode ser usado para doutrinar as criancinhas. 

– Mas como as crianças vão aprender aritmética sem divisão? 

– Nossos especialistas estão finalizando uma proposta. A ideia geral é mostrar que a divisão pode ser correta, desde que a operação reflita que, por exemplo, 100 reais divididos por 100 pessoas resulte em 99 reais para uma e o real restante dividido entre as outras 99. 

– Mas isso acaba com a Matemática! 

– Acaba com a Matemática Igualitária e Comunista que imperou até hoje, professor, e a substitui por uma matemática mais justa! Já temos até um projeto de lei para ser apresentado ao Congresso tornando obrigatório o ensino da Matemática Meritocrática!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Pra sempre

 Sérgio Vaz

Cadê o menino? 

É, o moleque de calças curtas que agora pouco corria sem destino por aqui, você não viu? 

Mas ele passou bem diante dos teus olhos e quase te derrubou, tamanha bagunça que fez no teu coração. 

E a menina? Como “Que menina?”, aquela com tranças enormes arrastando pelo chão, uma bonequinha. 

Passou chupando o dedo pulando de pé em pé jogando amarelinha. 

O menino, onde se escondeu aquele menino? 

É, esse barco sem rumo que te fez embarcação? 

O Traquina serelepe passou com uma pipa na mão: “Manda buscá! Manda buscá!” 

E a linha de cerol quase corta teu braço, quase arranca o sol do céu, viu não? 

A menina está vendo ela? Como “Qual?” 

Aquela ruiva de sarda pintada de lápis de cera ou a negra com dentes de estrelas no balanço da lua, tanto faz... Não viu nenhuma delas? 

Desataram na tua ladeira zombando das tuas rugas, das fugas que ficaram para trás. 

Está sentindo o mundo parar e o tempo que não almejo? 

Lá no silêncio do universo, sem passado nem presente, eles se encontram para o primeiro beijo. 

Pode vê-los jurando amor eterno? 

Não? Que pena. 

Estão diante dos teus olhos fazendo bagunça no teu coração. 

Bora viver, quanto mais se vive, menos se morre. 

(Do jornal “Caros amigos, a primeira à esquerda”, de 2014)

O menino prodígio

 Millôr Fernandes

Era um desses meninos modelos. Desses, é modo de dizer, pois nunca existiu outro igual. O seu primeiro choque com o mundo foi com o próprio pai. Estava um dia brincando com o seu trenzinho, fazendo barulho, enquanto o pai lia. De repente o pai gritou: “‒ Para com isso, menino!” Ele parou. Olhou para o pai e disse: “− Talvez, meu pai, outro menino de minha idade perguntasse por que o senhor dá essa ordem. Eu não. Obedeço e pronto!” 

Outra feita subiu numa escada-de-mão para tirar mangas de uma mangueira. A escada escorregou no tronco da árvore molhada e lá veio ele ao chão, num tombo perigoso. Ficou caído, todo machucado, enquanto a mãe se aproximava chorando e gritando. Levantou-se e disse: “− Minha mãe, espero que isto me sirva de lição.” 

Às visitas ele se apresentava rapidamente sempre que sua mãe o chamava. Para não embaraçá-las, dizia logo: “− Realmente estou muito crescido, não estou? Agora posso retirar-me para brincar lá fora e não perturbar a conversa das senhoras?” 

Certa vez saía de casa para ir ao cinema. Sua mãe ajeitou-lhe o laço do sapato. Ele disse, olhando a expressão do rosto dela: “− Realmente, a gente tem um filho, cria-o com tanto carinho e logo ele tem atitudes e vontades próprias. Isso é muito triste, a senhora não acha?” 

Quando falavam qualquer coisa de mais sério ou picante à sua frente, ele se levantava, pedia licença para se retirar: “− Os senhores sabem; eu ainda não tenho idade para ouvir certas coisas.” 

Quando o pai lhe dava dinheiro para comprar livros ou divertir-se, comentava invariavelmente: “− Na minha idade o senhor já ganhava a vida sozinho.” 

Se surpreendia a mãe trabalhando fora de horas, não se esquecia de dizer: “‒Oh! A senhora trabalha como uma escrava para sustentar-me e a verdade é que eu jamais saberei reconhecer isso.” 

Quando se esquecia e discutia um problema, voltava logo a si e ordenava: “− Bem, e agora creio que a senhora não quer ouvir mais uma palavra sobre esse assunto!” 

Se errava, dizia ao pai: “− Na verdade não sei o que está acontecendo com os meninos da minha idade. No seu tempo não era assim.” 

Ou então: “− Realmente eu já tenho idade para não fazer mais isso!” 

Ou ainda:  “− Nunca serei nada na vida se continuar assim.” 

Quando entrou para a faculdade, disse ao pai: “− O senhor nunca teve as oportunidades que está me dando.” 

Quando teve o seu primeiro amor, falou a ambos, pai e mãe: “− Acho que estou numa idade crítica. 

Quis casar cedo, mas reconheceu-o diante da progenitora: “− Sim Senhora, depois de todos os sacrifícios que a senhora fez por mim!” 

Era um cínico ou era um sábio.

O mau humor do jornaleiro

 

Havia um jornaleiro que estava sempre mal humorado, este entregava seus jornais todos os dias de casa em casa, sempre com a cara fechada, demonstrando sua insatisfação naquilo que fazia. Seu semblante estava sempre carregado de mau humor. 

Em uma das casas nas quais entregava seus jornais, havia um homem que sempre o esperava, e fazia isso com satisfação e alegria estampadas em seu rosto. 

Assim, toda vez que o jornaleiro lhe entregava o jornal, este lhe sorria e lhe agradecia e lhe desejava um bom dia e um bom trabalho; o jornaleiro como se não o ouvisse, não lhe endereçava nenhum gesto de gratidão e, fechado em seu descontentamento, prosseguia caminho. 

Esta cena se repetiu por vários meses, até quando um dia, o seu vizinho que às vezes via a cena, lhe interrogou: 

− Por que você continua cumprimentando este moço? Ele passa sempre mal humorado e nem sequer responde ao seu cumprimento! 

− Sabe o que é − respondeu o homem − é que eu não quero que ele tenha poder de decisão sobre os meus atos. 

Autor desconhecido

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Uma crônica de Marina Colassanti

 26.09 1937 ‒ 26.01.2025

Foto de O Globo 

“Eu sei, mas não devia”, publicada pela autora Marina Colasanti no Jornal do Brasil, em 1972, continua nos cativando até os dias de hoje. 

Eu sei, mas não devia. 

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. 

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. 

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. 

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. 

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. 

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

O Parnasianismo

 Resumo prático para professores de Literatura

01. Marco do início do período: 

► 1880 → com a publicação de “Sonetos e Rimas”, de Luís Guimarães Júnior (obra de valor meramente histórico). 

02. Origem e estilo: 

► O Parnasianismo originou-se na França, sendo difundido através de obras de Théophille Gauthier, Lecomte de Lisle e José Heredia. Manifestando-se exclusivamente na poesia, o estilo parnasiano foi contemporâneo das obras em prosa do Realismo e do Naturalismo. 

03. Aspectos de diferenciação entre a poesia parnasiana e tradição romântica: 

► A poesia parnasiana anunciava-se como antirromântica na medida em que pregava a ausência do subjetivismo e abandono das formas românticas populares e musicais, tão de agrado dos românticos. 

04. Principais características da poesia parnasiana: 

‒ isenção da manifestação sentimentais;

‒ preferência pela descrição minuciosa;

‒ evocação frequente de cenas e personagens históricos e mitológicos;

‒ preocupação exaustiva com a forma rebuscada;

‒ culto de uma parte desligada de qualquer compromisso histórico, ou seja, a “arte pela arte”;

‒ objetividade: o poeta apresenta o fato, a personagem, a coisa como são e acontecem na realidade pela sua (do poeta) maneira de ver, sentir e pensar;

‒ impassibilidade: o poeta não pode participar, de qualquer forma, daquilo que está apresentando (isenção de ânimo);

‒ perfeição de forma: a poesia, para o poeta parnasiano, deve ser perfeita, equilibrada, sem excessos. 

05. Comentários sobre algumas características do parnasianismo: 

► Tentando combater a herança romântica de que estava impregnada a poesia da época, a poesia parnasiana propunha uma atitude fria e impassível perante o mundo, “enxugando” o poema de qualquer sentimentalismo ou subjetivismo. Em conseqüência, os poemas ortodoxamente parnasianos são quase impessoais, para o que muito contribui a linguagem rebuscada e elitista, bem como os temas historicamente distanciados: cenas e personagens de civilizações antigas e do mundo clássico. 

06. Explicação da atribuição do nome “Parnasiano” a este estilo literário: 

► Segundo a mitologia grega, “Parnaso” era o nome de um monte habitado pelas musas. Assim, denominaram-se “parnasianos”, os poetas que aderiram a esse estilo. No Brasil, a denominação chegou através da França: “Le Parnesse Contemporain” era o título de uma publicação para a qual colaboravam os parnasianos franceses (1866). 

07. Principais representantes, no Brasil, da poesia parnasiana: 

Olavo Bilac, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho. (Os três primeiros constituíram a chamada “Trindade Suprema”, ou seja, foram eles os que mais de perto chegaram ‒ durante parte de suas obras ‒ dos modelos parnasianos franceses).



terça-feira, 28 de janeiro de 2025

O Arcadismo

 Resumo prático para professores de Literatura

01. Espaço cronológico de duração do período: 

► 1768 a 1836 

02. Marcos respectivos de início e fim do período: 

► 1768 → publicação de “Obras Poéticas” (Cláudio Manuel da Costa); 

► 1836 → publicação de “Suspiros Poéticos e Saudades” (Gonçalves de Magalhães).

03. Características da sociedade contemporânea do período arcádico: 

‒ domínio progressivo da burguesia;

‒ Ciclo do ouro;

‒ laicização da cultura (leigos = não é eclesiástico);

‒ mudança econômica do Nordeste para o Sudeste;

‒ urbanização e industrialização crescente;

‒ início da vida literária na colônia;

‒ Despotismo Esclarecido;

‒ Centro Econômico Minas Gerais (Vila Rica);

‒ Iluminismo e Enciclopedismo;                               

‒ Inconfidência Mineira. 

04. Origem do Arcadismo: 

► França 

05. Outras denominações do período arcádico: 

► Neoclassicismo ‒ Setecentismo ‒ Escola Francesa 

06. Origem do nome Arcadismo: 

► “Arcadismo” ‒ revela a identidade que os poetas desse período pretendiam estabelecer entre o universo construído pelos seus textos e o mundo bucólico e pastoril da Arcádia grega. 

07. Características da literatura arcádica: 

‒ presença de deuses mitológicos;

‒ exaltação da vida campesina e pastoril (bucolismo);

‒ valorização da natureza, da simplicidade e do equilíbrio;

‒ subjetivismo e nativismo. 

08. Principais árcades brasileiros: 

a) Líricos:  

‒ Cláudio Manuel da Costa;

‒ Tomás Antônio Gonzaga;  

‒ Silva Alvarenga;

‒ Alvarenga Peixoto. 

b) Épicos: 

‒ Basílio da Gama;

‒ Santa Rita Durão. 

09. Explicação da adoção de pseudônimos pelos poetas árcades: 

► Os poetas arcádicos adotavam pseudônimos pastoris porque, através deles, ficava mais evidenciada a adoção de um comportamento pastoril. É como se os pseudônimos marcassem a distância entre o eu real (histórico) e o eu poético. 

10. Obras principais: 

► De Cláudio Manuel da Costa → pseudônimo: “Glauceste Satúrnio”: 

Vila Rica” (poema épico) ocupa-se da descoberta do ouro e da fundação de Vila Rica, hoje Ouro Preto; 

Obras Poéticas” (poema lírico); 

► de Tomás Antônio Gonzaga  pseudônimo: “Dirceu” 

Marília de Dirceu”; 

Cartas Chilenas” poema satírico atribuído a Tomás Antônio Gonzaga; 

► de Silva Alvarenga  pseudônimo: “Alcindo Palmireno” 

Glaura”; 

► de Alvarenga Peixoto  pseudônimo: “Eureste Fenício” 

“Obras Poéticas”; 

► de Basílio da Gama  pseudônimo: “Termindo Sipílio” 

Uraguai"; 

► de Santa Rita Durão 

Caramuru” (Diogo Álvares Correia).

O Barroco

 Resumo prático para professores de Literatura

01. Espaço cronológico de duração do período: 

► 1601 a 1768 

02. Marcos respectivos do início e do fim do período:        

►1601→ publicação de “Prosopopeia” (Bento Teixeira) 

03. Características da sociedade contemporânea do período barroco: 

‒ Ambiente colonial;

‒ 1768 → publicação de “Obras Poéticas” (Cláudio Manuel da Costa);

‒ submissão à Espanha;

‒ Invasão holandesa;

‒ fortalecimento da Igreja Católica: (Contrarreforma, Jesuitismo, Inquisição);

‒ identificação entre o grupo produtor e consumidor das obras = elogio mútuo;

‒ baixa qualidade literária. 

04. Tipos de produção literária barroca (Literatura das Academias): 

‒ Academia dos Esquecidos, Bahia, 1724;

‒ Academia dos Felizes, Rio de Janeiro, 1736;

‒ Academia dos Seletos, Rio de Janeiro, 1752;

‒ Academia dos Renascidos, Bahia, 1759. 

05. Características da produção acadêmica: 

‒ obras de cunho não exclusivamente literário;

‒ literatura de bajulação às autoridades;

‒ obra em destaque: “História da América Portuguesa”, de Rocha Pita. 

06. Características da literatura barroca não acadêmica (artísticas): 

‒ tentativa de fusão entre teocentrismo e antropocentrismo;

‒ importância dos temas religiosos;

‒ preocupação catequética;

‒ influência camoniana (Luís de Camões);

‒ exploração da linguagem: presença constante de antíteses, paradoxos, hipérboles, anáforas, quiasmos (jogos de palavras). 

07. Origem do Barroco: 

► Espanha. 

08. Outras denominações do período barroco: 

► Seiscentismo, Escola Espanhola e Gongorismo (Luís de Gôngora). 

09. Principais representantes da literatura barroca no Brasil: 

‒ Bento Teixeira (introdutor da escola barroca entre nós);

‒ Padre Antônio Vieira;

‒ Gregório de Matos Guerra (principal poeta da escola barroca brasileira). 

10. Bento Teixeira: 

‒ autor da epopeia “Prosopopeia” de 94 estrofes em oitava rima;

‒ objetivo da obra: exaltação de Jorge de Albuquerque Coelho;

‒ influência camoniana: (obra de valor apenas histórico). 

11. Padre Antônio Vieira: 

‒ pertence à literatura luso-brasileira;

‒ características da obra de Vieira: Sermões;

‒ intensa participação na vida social de sua época. 

12. Gregório de Matos: 

►epíteto: “O Boca do Inferno” 

Obra: 

lírica      (expressão emotiva)

satírica   (crítica social)

religiosa (conflito: Deus/Homem)

amorosa (oposição: respeito/desejo)

O Modernismo

 Resumo prático para professores de Literatura

Geração de 22 

Fase de destruição e experimentação

(1922 - 1930) 

► Pesquisa estética → adaptação aos valores das vanguardas europeias. 

► Destruição da linguagem tradicional → principalmente pela paródia. 

► Nacionalismo (primitivismo) 

Submovimentos: 

Pau-Brasil

Antropofagia

Verde-Amarelo

Anta 

► Busca da “síntese brasileira” e da “palavra brasileira” 

Oswald de Andrade → grande agitador das ideias modernistas. 

a) Narrativas: Memórias Sentimentais de João Miramar 

Serafim Ponte-Grande

‒ panfletos satíricos

‒ paródias à linguagem convencional

‒ fragmentação, elipses, etc. 

b) Poesia: Pau-Brasil 

‒ vinculação com o primitivismo 

Mário de Andrade → o principal líder teórico do modernismo. 

a) Ficção: 

“Macunaíma”:

‒ rapsódia primitivista do “herói sem nenhum caráter”

‒ sátira à linguagem usual 

“Amar, verbo intransitivo”:

romance psicológico sobre a “educação sentimental” de um adolescente realizada por uma governanta alemã. 

b) Poesia:        

Pauliceia desvairada - Lira Paulista‒ primeira obra com elementos modernizadores

‒ invocação estética

‒ valorização da realidade de São Paulo 

Clã do Jabuti    (nacionalismo)

Lira Paulistana (indagação social) 

Raul Bopp 

a) Poesia: 

Cobra Norato 

‒ vinculação à Antropofagia‒ poema baseado numa lenda amazônica 

Cassiano Ricardo 

a) Poesia:    

Martim Cererê 

‒ “O Brasil dos meninos, poetas e heróis”

‒ poesia “verde-amarela” 

Plínio Salgado 

a) Romance:  

O Estrangeiro ‒ romance ideológico de técnica vanguardista.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

O Impressionismo

 Resumo prático para professores de Literatura

1. Impressionismo: 

Movimento de vanguarda europeu, nascido no território das artes plásticas, em especial a pintura, no final do século XIX. “Não as coisas, mas a impressão das coisas.” (Claude Monet) 

2. Características do Impressionismo: 

► O impressionismo é uma fusão de elementos realísticos e simbólicos. A reprodução da realidade de uma maneira objetiva, minuciosa, constituía a norma realista. 

► Para o impressionista a realidade ainda é foco de interesse, mas o que ele pretende registrar e a impressão que a realidade provoca no espírito do artista, no momento mesmo em que se dá a impressão. 

► O importante não o objeto, e sim as sensações e emoções que o objeto desperta num determinado instante. 

► O impressionista capta o instante, o fragmentário, o instável. O tempo constitui, portanto, o elemento básico do movimento. 

3. Principal escritor do impressionismo brasileiro: 

Raul Pompeia nasceu em 1863, no Rio de Janeiro, onde se suicidou na noite de Natal de 1895. 

Militante radical nos movimentos abolicionistas e republicano, suas opiniões e atitudes políticas custaram-lhe caro: perdeu o emprego de diretor da Biblioteca Nacional e teve várias polêmicas azedíssimas. 

4. Obras: 

a) Romances: 

Uma tragédia no Amazonas (1880);

As Joias da Coroa (1882);

O Ateneu (Crônicas de Saudade) (1888) ‒ principal obra do autor. 

b) Poesias: 

Canções sem Metro (1883) 

c) Contos: 

Microscópios (1881) 

5. Comentário sobre a principal obra de Raul Pompeia: 

O Ateneu ‒ Crônicas de Saudade” como o próprio subtítulo indica, é um livro de memórias, ou seja, o tempo da ação é anterior ao tempo da narração: o personagem Sérgio, já adulto, narra seu tempo de aluno interno no Ateneu; a narrativa é feita em primeira pessoa, e Sérgio é o personagem-narrador, o que permite ao autor entrar no complexo mundo das revelações que só se fazem à consciência. E mais ainda: O Ateneu é um romance autobiográfico; a fronteira entre a ficção e a realidade é muito frágil. As identidades são claras: Sérgio é Raul Pompeia; o Dr. Aristarco Argolo de Ramos, Visconde de Ramos, do Norte, é na realidade o Dr. Abílio César Borges, Barão de Macaúbas, do Norte; o Ateneu é o Colégio Abílio; Sérgio, assim como Raul Pompéia, entra no colégio com 11 anos de idade. 

O Ateneu” é uma obra que permite duas leituras: uma no campo individual, fruto da vivência de Sérgio/Raul Pompeia como interno no Ateneu/Colégio Abílio e representa a “vingança” do autor contra a estrutura do internato; outro no campo político-social, ampliando o universo, sendo o Ateneu a própria representação da Monarquia decadente e Aristarco, do governo. Ambas as leituras, no entanto, não podem ser vistas isoladamente e independente; ao contrário, elas se fundem, as interpenetram, se completam. (artistarco = aristocrata = aristocracia)

O Simbolismo

 Resumo prático para professores de Literatura

01. Época: 

► O simbolismo, em nossas letras, manifestou-se na segunda metade do século XIX. 

02. Datas que assinalam o início e o fim do simbolismo: 

► 1893 ‒ ano em que Cruz e Sousa publicou as obras “Missal” (prosa) e “Broquéis” (poesia);

►1922 ‒ Semana de Arte Moderna. 

03. Momento histórico: 

► O Simbolismo reflete um momento histórico extremamente complexo que marcaria a transição para o século XX e a definição de um novo mundo, o qual se consolidaria a partir da segunda década deste século; basta lembrar que as últimas manifestações simbolistas são contemporâneas da Segunda Guerra Mundial e da Revolução Russa. 

Tomava corpo, assim, o fantasma da guerra. Sempre que se torna difícil analisar o mundo exterior e entendê-lo racionalmente, o tendência natural é cair na sua negação, voltando-se para uma realidade subjetiva; as tendências espiritualistas renascem; o subconsciente e o inconsciente são valorizados, segundo a lição freudiana. 

04. Origem do Simbolismo: 

► O Simbolismo originou-se na França, através da poesia de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e Mallarmé. 

05. Aspectos de oposição entre o Simbolismo e o Parnasianismo (estilo literário que o antecedeu e ao mesmo tempo lhe foi contemporâneo): 

► Ao contrário do Parnasianismo, que propunha uma poesia afastada dos valores subjetivos e românticos, o Simbolismo reinstaura a linguagem poética, fundada no “eu” e na percepção subjetiva da realidade. 

O Simbolismo desempenhou, na poesia, um papel semelhante ao desempenhado pelo Impressionismo na pintura. Por outro lado, a poesia simbolista teve pontos de convergência com as Filosofias de Bergson, Hartmann e Schopenhauer. 

07. Características da poesia Simbolista: 

‒ aprofundamento da introspecção;

‒ exploração do subconsciente e do inconsciente;

‒ fuga da matéria e a busca da região do espírito (fuga da realidade exterior);

‒ temática intimista (volta-se para si mesmo);

‒ linguagem figurada, musical, colorida e rica (supervaloriza a metáfora, a imagem; a sonoridade, o ritmo, as vogais, as rimas; as cores, principalmente a branca;

‒ emprega vocabulário nobre, incomum, brilhante). 

► O Símbolo: o simbolista, com frequência, não conseguem (ou não pretende) descrever essas emoções ou estados da alma. Usa, por isso, de meios indiretos, para sugerir ou representar tais momentos. O meio mais usado é o símbolo para manifestar ou retratar o mundo interior. 

08. Principais poetas simbolistas brasileiros: 

► João da Cruz e Sousa¸ Alphonsus de Guimaraens, Mário Pederneiras, Emiliano Perneta e Alceu Wamosy (simbolista gaúcho). 

O Naturalismo

 Resumo prático para professores de Literatura

01. Época: 

► O Naturalismo, em nossas letras, manifestou-se na segunda metade do século XIX. 

02. Data que assinala o início do Naturalismo: 

►1881 - ano da publicação de “O Mulato” de Aluísio Azevedo. 

03. A que estilo se opõe o Naturalismo: 

► Combatendo o individualismo, o sentimentalismo, o subjetivismo e os valores burgueses, o Naturalismo se opõe ao Romantismo. 

04. Ideias que predominavam na sociedade contemporânea ao Naturalismo: 

► O Naturalismo foi o Realismo numa medida mais radical, talvez, levando ainda mais longe o espírito científico proposto. 

► Naturalismo significa o tipo de realismo que procura explicar cientificamente a conduta e o modo de ser dos personagens por meio de fatores externos, de conduta biológica e sociológica, que condiciona a vida humana. 

05. Origem do Naturalismo: 

► O Naturalismo originou-se na França, em 1867, ano que Émile Zola publicou “Therèse Raquin”, primeiro romance naturalista. 

06. Principais características da prosa Naturalista: 

‒ por ver o ser humano submetido às mesmas leis que regem o mundo físico;

‒ pelo desaparecimento das dimensões metafísicas das personagens;

‒ pela importância dos instintos e da carga hereditária nas ações humanas;

‒ pela crença no condicionamento social do indivíduo;

‒ pela intenção “experimental” do romance;

‒ pelo objetivismo e cientificismo: hereditariedade de temperamento e caracteres ‒ determinismo do meio ambiente ‒ determinismo do momento histórico. 

07. Principal prosador brasileiro ligado ao Naturalismo: 

► ALUÍSIO Tancredo Gonçalves de AZEVEDO 

‒ Nasceu em São Luís do Maranhão, em 1857. Faleceu em Buenos Aires, em 1913. 

08. Obras: (mais importantes e alguns comentários) 

► “O Mulato”  ‒ 1881 ‒ livro que denuncia os preconceitos raciais e todas as suas hipocrisias. Obra polêmica, usa como centro da narrativa a cidade de São Luís (Maranhão). Alguns personagens são perfeitamente identificáveis em figuras proeminentes da cidade. 

► “Casa de Pensão” - 1884 - segue os esquemas da hereditariedade de caracteres e as fraquezas e corrupções dos personagens. São dadas como decorrência de uma herança sanguínea. 

► “O Cortiço” - 1890 - é a obra-prima de Aluísio de Azevedo que, nela, consegue retratar a miséria dessas habitações (cortiços). Miséria física, moral, resultado de uma sociedade que forçava em se distanciar e esquecer os seus cortiços.

O Realismo

 Resumo prático para professores de Literatura

01. Época: 

► O Realismo, em nossas letras, manifestou-se na segunda metade do século XIX. 

02. Data e obra que assinala o início do Realismo: 

► 1881 ‒ ano da publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. 

03. A que estilo se opõe o Realismo: 

► Combatendo o individualismo e os valores burgueses, o Realismo opõe-se ao Romantismo. 

04. Ideias que predominavam na sociedade contemporânea ao Realismo: 

► O Realismo reflete uma sociedade em que à cristalização da burguesia, do capitalismo e da industrialização corresponde ao surgimento do proletariado (operários). Tais contradições manifestam-se na Filosofia de Hegel, no Positivismo de Auguste Comte, no Socialismo de Proudhon, no evolucionismo de Charles Darwin. 

05. Origem do Realismo: 

► O Realismo originou-se na França, a partir das pinturas de Coubert e dos Romances de Gustave Flaubert (“Madame Bovary”, 1857). 

06. Principais características da prosa Realista: 

‒ caracteriza-se pela intenção de fazer predominar, na arte, o real sobre o imaginário; 

‒ por documentar o seu mundo contemporâneo; 

‒ por encarar a Arte como instrumento de difusão de novos ideais políticos e filosóficos; 

‒ pela defesa de ideias antirromânticas, antirreligiosas e antimonárquicas; 

‒ pela forma exigente e trabalhada; 

‒ fidelidade ao objeto: a preocupação fundamental do escritor realista é apresentar a história, a personagem, a cena, a paisagem, a coisa enfim, como é na realidade, sem desfigurá-la.                               

07. Principal prosador brasileiro ligado ao Realismo: 

► Joaquim Maria MACHADO DE ASSIS 

‒ Nasceu no Rio de Janeiro (Morro do Livramento) em 1839. Aí faleceu em 1908. 

‒ De origem humilde, órfão muito cedo, gago, mulato, epilético. Tendo provado privações, conseguiu Machado, com muito esforço, chegar a funcionário público, depois de ter sido aprendiz de tipógrafo e redator. 

‒ Tímido e reservado, autodidata apaixonado, conseguiu transformar-se no melhor prosador de nossas letras. Fundou, com Joaquim Nabuco e outros, a Academia Brasileira de Letras (1897). 

08. Obras: (apenas os romances de Machado de Assis) 

►1ª fase: (Romântica) → “Ressurreição”, “A Mão e a Luva”, “Helena”, “Iaiá Garcia” (de 1872 a 1878); 

► 2ª fase: (Realista) → “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba”, “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires” (de 1881 a 1908). 

► foi ainda contista, teatrólogo e poeta.