Recolhidos por
Apolinário Porto Alegre
(1844 – 1904)
Abram
a cancha, que vai o mancha.
Acabou-se
o que era doce; quem comeu, regalou-se.
A
formiga sabe que erva corta.
A
gato velho, camundongo novo.
Aleluia,
carne no prato, farinha na cuia.
A
que à tarde come milho, é besta de pai e filho.
Aqui
há coisa, se não é gambá, é raposa.
Araçá
do campo dá maleitas.
A
roça roça a gente
A
touro fraco todos o pialam.
Berimbau
não é gaita.
Boi
lerdo bebe água suja.
Branco
em rancho de palha faz desconfiar.
Caboclo
não joga espada.
Caboclo
sou, mas sou são.
Cada
qual com seus carurus.
Cada
macaco em seu galho.
Cão
não rejeita osso.
Capenga
não forma.
Capim
todos comem, o ponto é saber dá-lo.
Casa
na roça e na cidade põe a gente em necessidade.
Casco
de boi velho, onde senta, não escorrega.
Céu
pedrento, chuva ou vento.
Cesteiro
que faz um cesto, faz um cento, contanto que tenha taquara e tempo.
Coco
velho é que dá bom azeite.
Com
chimango não gasto pólvora.
Cuia
curtida, mate bom
De
cobra não nasce passarinho.
De
manhã não há mosquitos.
Dois
bicudos não se beijam.
Dois
tatus não fazem casa em um só buraco.
É
a corda e a caçamba.
Em
casa velha tudo são ratos.
Encomenda
sem dinheiro fica no Rio de Janeiro.
Em
cômoda barata, entra barata.
Em
falta de farinha crueira serve.
Em
festa de jacu não entra inhambu.
Em
tempo de murici (ou buriti), cada um cuida de si.
Estômago
de porco, paladar de urubu.
Facão
novo (ou adaga nova) se quebra, não se dobra.
Filho
de tigre (ou onça) sai pintado.
Filho
de gato apanha rato.
Fogo
na canjica, que é de milho verde.
Guisado
por mão de sinhá, quem não comerá?
Isto
é de grapiapunha: obra feita, dinheiro na unha.
Isto
não vale dez réis de mel coado.
Jalapa,
quando mata, rapa.
Macaco
não olha para o seu rabo.
Macaco,
quando se coça, quer chumbo.
Macaco
velho não cai de pau pobre.
Macaco
velho não mete a mão em cumbuca.
Macaco
morre por banana.
Mais
vale um urubu na unha que dois sabiás voando.
Mangueira
não dá pitangas.
Moças,
fita e chitas, não há feias nem bonitas.
Moço
monarca não se assina, mas risca a marca.
Mulata
velha, ou parteira ou alcoviteira.
Mulher
não casa com carrapato, porque não conhece o macho.
Não
aquento água para outro tomar mate.
Não
há mais lugar na canoa.
Na
cacunda do tatu, tamanduá aquenta sol.
Não
há sapo sem a sua sapa.
Milho
plantado tarde, dá pendão, não dá espiga.
Mosquitos,
enquanto cantam, não mordem.
Não
se apanha o rato, apertando o rabo do gato.
Não
sou branco, mas sou franco.
O
guraxaim já para patrulha.
O
mico é que morre de caretas.
O
porco quando acaba de comer, vira o cocho.
O
que é um boi para quem tem uma estância?
O
que o urubu não conhece, não come.
O
sol é o poncho do pobre.
O
tatu procura sempre o seu buraco.
O
uso do cachimbo faz a boca torta.
Papagaio
come milho, periquito leva fama.
Partida
de parelheiro, sentada de sendeiro.
Pica-pau
não fura aroeira.
Pitangueira
não dá mangas.
Por
cima de tanta farofa, por baixo molambo só.
Porco
do mato não se coça em árvore de espinho.
Praga
de urubu não mata cavalo gordo.
Quando
o carancho está infeliz, não árvore que o aguente.
Quando
o urubu está sem sorte, não há galho que o suporte.
Quem
de poçuca vive, de poçuca se mantém.
Quem
dorme na soga, amanhece com fome.
Quem
é lerdo não come pirão.
Quem
não campeia, não acha.
Quem
é ruim, na encontra capão para pouso.
Quem
matou o cão foi o Baeta; quem não pode não se meta.
Quem
mente, fica cacunda.
Quem
muito se abaixa, a bunda lhe aparece.
Quem
não me apoia, não me come boia.
Quem
não pode
Quem
não pode com mandinga, não toma patuá.
Quem
quer guabiju, sacode o galho.
Quem
tem dó de angu, não cria cachorro.
Quem
tem medo, não amarra negro.
Quem
tem vergonha, morre de fome.
Roceiro
na cidade, é força de necessidade.
Se
não sou ligeiro, os quatis me lambem.
São
brancos, lá se entendem.
Se
tatu visse, carreira não dava.
Se
tem muito dinheiro, coma num cocho.
Soldado
velho não se aperta, e quando se aperta, deserta.
Traíra
quando não tem o que comer, come os parentes.
Traíra
velha só come lambaris.
Tatu
velho não sai em mundéu.
Tiro
dado, bugio deitado.
Tiro
dado, jacu no chão.
Todos
têm a sua chica.
Tome
fumo, se é que pita.
Trempe
de tição, comerá ou não?
Um
boi corneta deita a tropa a perder.
Um
macaco só em qualquer galho se arranja.
Ver
de que pau se faz uma canoa.
Ver de quantos paus se faz uma canoa.
Do livro “Popularium Sul-rio-grandense”,
de Apolinário Porto Alegre.
Instituto Estadual do Livro, RS

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