quarta-feira, 30 de setembro de 2020

A evolução do ensino da Matemática

 

                                                    Em 1960:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

                                                    Em 1970:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda ou seja R$ 80,00. Qual é o lucro?

                                                   Em 1980:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. Qual é o lucro?

                                                   Em 1990:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:

(  ) R$ 20,00 (  ) R$ 40,00 (  ) R$ 60,00 (  ) R$ 80,00 (  ) R$ 100,00

                                              Em 2000:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00. Está certo?

                                     (  ) SIM       (  ) NÃO

                                               Em 2020:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00.

Se você souber ler coloque um ‘X’ no R$ 20,00.

(  ) R$ 20,00 (  ) R$ 40,00 (  ) R$ 60,00 (  ) R$ 80,00 (  ) R$ 100,00

 

Secretária eletrônica escolar

 

Esta é a mensagem que os professores e direção de uma escola da Califórnia decidiram gravar na secretária eletrônica da escola.

A escola exige dos alunos e dos pais responsabilidade pelas faltas dos estudantes e pelo trabalho de casa. A escola e os professores estão sendo processados por pais que querem que seus filhos sejam aprovados mesmo com muitas faltas e sem fazer os trabalhos escolares.

Aqui vai a mensagem gravada:

- Olá! Para podermos ajudá-lo, por favor, ouça todas as opções: 

- Para mentir sobre o motivo das faltas do seu filho: tecla 1

- Para inventar uma desculpa para seu filho não ter feito o trabalho de casa: tecla 2

- Para se queixar sobre o que nós fazemos: tecla 3

- Para insultar os professores: tecla 4

- Para reclamar que não foi informado sobre os problemas do seu filho, quando na verdade lhe enviamos documentos diversas vezes: tecla 5

 - Se quiser que criemos eduquemos o seu filho: tecla 6

- Se quiser agarrar, esbofetear ou agredir alguém aqui da escola: tecla 7

- Para pedir um professor novo, pela terceira vez neste ano: tecla 8

- Para se queixar do transporte escolar: tecla 9

- Para se queixar da alimentação fornecida pela escola: tecla 0

- Se você já compreendeu que este é o mundo real e que seu filho deve ser responsabilizado e responsável pelo próprio comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelas tarefas de casa, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é culpa do professor nem da escola, desligue e tenha um bom dia!



E-Mail Errado

 


Quando o homem chegou e foi para seu quarto no hotel, viu que havia um computador com acesso à internet, então decidiu enviar um e-mail à sua mulher, mas errou uma letra, sem se dar conta, e o enviou a outro endereço (outra pessoa).

O e-mail foi recebido por uma viúva que acabara de chegar do enterro do seu marido e que, ao conferir seus e-mails, desmaiou instantaneamente.

O filho, ao entrar em casa, encontrou sua mãe desmaiada, perto do computador, em que na tela se poderia ler:

“Querida esposa, cheguei bem. Provavelmente se surpreenda em receber notícias minha por e-mail, mas agora tem computador aqui e podem-se enviar mensagens às pessoas queridas. Acabo de chegar e já me certifiquei que já está tudo preparado para quando você chegar na sexta-feira que vem. Tenho muita vontade de te ver e espero que sua viagem seja tão tranquila como está sendo a minha.”

PS: Não traga muita roupa, porque aqui faz um calor infernal!

 

Riqueza Semântica

 

Riqueza semântica é isto descrito aqui.

Um político, que estava em plena campanha, chegou a uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, subiu em um caixote e começou seu discurso:

- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui convocados, reunidos ou ajuntados, para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual é transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou ajunta, é minha postulação, aspiração ou candidatura à Prefeitura deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:

- Escute aqui, por que o senhor utiliza sempre três palavras para dizer a mesma coisa?

O candidato responde:

- Pois veja, meu senhor, compatriota, chefia: A primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como poetas, escritores, filósofos, etc. A segunda é para pessoas com um nível cultural médio como o senhor e a maioria dos que estão aqui. E a terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele bêbado ali com copo de chope na mão caído da cadeira. 

De imediato, o bêbado se levanta cambaleando e responde:

- Senhor postulante, aspirante ou candidato! (hic) O fato, circunstância ou razão de que me encontre (hic) em um estado etílico, bêbado ou mamado (hic) não implica, significa, ou quer dizer que meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou ralé mesmo (hic). E com todo o respeito, estima ou carinho que o Senhor merece (hic), pode ir agrupando, reunindo ou ajuntando (hic), seus pertences, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir diretinho (hic) à leviana da sua genitora, à mundana de sua mãe biológica ou à puta que o pariu! 


Vícios forenses

 

Dois zeladores do Fórum local, muito caipiras, mas extremamente observadores, numa certa manhã de pouco serviço, depois de vinte anos de trabalho no local, habituados aos linguajares forenses, mas nem sempre conhecendo o significado dos termos, postaram-se a prosear:

- Compadre João, hoje amanheci agravado. Tentei embargar esse meu sentimento retido, até que decaí. Cassei uma forma de penhorar uma melhora, arrestar um alento, sequestrar um alívio, mas a dor fez busca e a apreensão da minha felicidade. Tive uma conversa sumária com a minha filha sobre o ordinário do noivo dela. Disse que vou levar aquele réu pro Fórum, seja em que foro for. Vou pedir ao Juízo, ao Ministério Público, de qualquer instância ou entrância. Não importa a jurisdição, mas esse ano aquele condenado casa.

− Calma, compadre Pedro − interrompeu o zelador João. Preliminarmente, sem querer contestar ou impugnar sua inicial, aconselho o senhor a dar uma oportunidade de defesa para o requerido − atente para o contraditório. Eu até dou pro senhor uma jurisprudência a respeito: minha filha tinha, também, um namorado contumaz, quase revel. O caso deles, em comparação ao da sua filha, é litispendência pura; conexão, continência. E eu consegui resolver o incidente. Acho que o senhor tá julgando só com base na forma, sem analisar o mérito.

O zelador Pedro, após ouvir, retrucou:

− Mas, compadre, não tem jeito. O indiciado não segue o rito: se eu mostro razão, ele contrarazoa; se eu contesto, ele replica. Pra falar a verdade, tô perdendo a contrafé. Achei que, passada a fase instrutória, depois da especificação, a coisa fosse melhorar. Mas não. Já tentei de toda forma sanear a lide − tudo em vão. Baixei, outro dia, um provimento, cobrando custas pelo uso do sofá lá de casa, objeto material que os dois usam de madrugada. No entanto, ele, achando interlocutória minha decisão, apelou, e disse que não paga nem por precatório... Aí eu perdi as estribeiras: desobedeci o princípio da fungibilidade e deixei de receber o recurso...

− Nossa, compadre, o senhor chegou a esse ponto? − indagou o zelador João, que continuou: − Mas, compadre, o bem tutelado é sua filha − releve. Faça o seguinte, compadre Pedro: marque uma audiência, ouça testemunhas e nomeie perito. Só assim vamos saber se a menina ainda é moça. Se houve atentado ao pudor ou se a sedução se consumou.

Pedro ouvia atento, quando interferiu:

− É mesmo, compadre. Se ele não comparecer, busco debaixo de vara; ainda assim, se não encontrar ele, aplico a confissão ficta. Quando eu lembro que ele tá quase abandonando a causa... Minha filha naquela carência, e o suplicado sem interesse; ela com toda legitimidade, e ele só litigando de má-fé.

 − Isso mesmo, compadre Pedro − apoiou João, que completou: − O processo deve ser esse. O procedimento escolhido é o mais certo. Mas, antes de sentenciar, inspecione e verifique se tudo foi certificado. Dê um prazo peremptório, veja o direito substantivo e procure algum adjetivo na conduta típica do elemento. Cuidado para não haver defeito de representação, pois do contrário, tudo pode ser baixado em diligência. Só tem um problema − ponderou: − É que a comadre é uma tribunal − o senhor é " “a quo” e ela é  “ad quem”... Se sua mulher der apoio ao rapaz, tá tudo perdido: baixa um acórdão já transitado em julgado, encerra a atividade jurisdicional do senhor e manda tirar o nome do moço do rol dos culpados, incluindo o compadre.

− É... É, compadre − disse Pedro desanimado. O senhor tem razão. Eu vô é largar mão dessa minha improcedência, refrescar meus memoriais, e extinguir o caso, arquivando o feito, com baixa na distribuição. Acho, até, com base na verdade real, que a questão de fundo da menina já foi sucumbida pelo indiciado. Não cabe nem rescisória.

E no mesmíssimo momento, exclamaram os compadres:

− “Data vênia!” 


Velhice é fogo!

 


Na sala de TV, o velhinho levanta e a mulher pergunta:

− Aonde você vai?

− À cozinha − responde ele.

− Você não quer me trazer uma bola de sorvete? − pede ela.

− Lógico! − responde o marido, solícito.

− Você não acha que seria bom escrever isso no caderno?

− Ah, para com isso! − ironiza o velhinho − pode deixar que eu vou me lembrar disso!

Então, ela acrescenta:

− Então me coloca calda de morango por cima. Mas escreve para não ter perigo de esquecer.

− Eu lembro disso. Já sei que você quer uma bola de sorvete com calda de morango.

− Ah! Aproveita e coloca um pouco de chantili em cima! Mas lembra do que o médico nos disse... Escreve isso no caderno.

Irritado, o velhinho exclama:

− Ah, que saco, Gertrudes! Eu já disse que vou me lembrar!

Em seguida vai para a cozinha.

Depois de uns vinte minutos, ele volta com um prato com uma omelete.

A mulher olha para o prato e diz:

− Eu não disse que você iria esquecer? Cadê a torrada!?


A droga

 

A droga é maravilhosa. Nada faz você se sentir melhor, tanto que você nem precisa de sexo porque, quando a consome, você tem uma sensação orgástica que dura muito mais tempo que o orgasmo sexual. Você nunca se cansa, não sente fadiga, não dorme, não sente fome, nem sede, nem dor e muito menos preocupações...

Mas o preço que você paga é realmente muito alto. Se você a escolher, terá que desistir de todo o resto. Seus amigos, seu(sua) parceiro(a), sua família, suas finanças pessoais, suas habilidades cognitivas progressivamente diminuídas, sua saúde, sua sanidade mental, sua vontade, seu estado físico, sua capacidade de decidir, SUA LIBERDADE.

O preço é a solidão mais absoluta e uma vida cinzenta, um mundo em que as cores ficam acinzentadas, onde os sons da música não despertam mais nada em você. Nada o agrada, nada o enche de prazer, nada o satisfaz, porque nada é suficiente para fazê-lo feliz.

O cristal da droga é uma armadilha perigosa, um lobo disfarçado de Chapeuzinho Vermelho, e, gradualmente, comerá a coisa mais valiosa que você tem na vida: SUA ALMA. E quando você perceber e quiser fugir, será tarde demais, você ficará preso atrás das barras invisíveis que você mesmo criou, fazendo coisas que não o deixarão dormir à noite, porque, para descansar, não há melhor travesseiro do que uma consciência limpa. E você não terá isso nunca mais, porque além de se machucar, você causará muitos danos àqueles que mais ama e o amam, causará muita dor... e você passeará por lugares estranhos, lidando com pessoas que não se importam com sua vida, apenas seu dinheiro ou seu corpo.

E você verá com nostalgia e angústia e dor e culpa e vergonha tudo o que anteriormente enriqueceu sua vida e deu sentido aos seus dias e você perdeu por isso. E você estará sozinho com ele, amando e odiando-o... E quando você decidir recuperar sua vida, não poderá mais se libertar das correntes desse vício maldito.

O crack, o pó, a maconha e o álcool são as maiores armadilhas. Você precisa saber disso. E digo isso porque o número de atiradores e novos consumidores está crescendo a cada dia. Não se deixe levar pela curiosidade, não siga seus amigos ou seus parceiros se eles estiverem usando drogas e querem você experimente por curiosidade...

                                           NÃO EXPERIMENTE. 

                                                   NÃO USE.

Se você cometeu o erro de prová-la e já entrou na escuridão, procure ajuda. Com ela ao seu lado, sua vida só pode terminar de duas maneiras: preso ou morto. 

                                              (Autor desconhecido)


A Capela de Ipanema

Nossa Senhora Aparecida e a Capela de Ipanema 

Preocupada com o futuro religioso do novo bairro que surgia, Dª. Déa Cezar Coufal, responsável por inúmeros trabalhos sociais em Ipanema e devota de Nossa Senhora Aparecida, empreendeu também a construção da capela nos anos 30 do século passado. Atualmente conhecido por Santuário Nossa Senhora Aparecida, o local oferece a comunidade, todos os anos, uma das festas mais bonitas em homenagem a Santa Padroeira do Brasil.

A história da capelinha inicia em 1931 quando Déa Coufal pediu à Sociedade de Terrenos Balneário Ipanema LTDA a doação de alguns lotes para a construção da igreja. Conforme nos conta o padre Antônio Lorenzatto:

“Pediu à sociedade loteadora a doação dos terrenos 1 e 58 da quadra 13, com frente para a praça central, Avenida Tramandaí e rua Leme. Isto lhe foi concedido. Estando assegurado a espaço para a construção do templo, dona Déa viajou para Aparecida, em São Paulo. Adquiriu uma estátua de Nossa Senhora Aparecida com as mesmas dimensões da original, pediu para que um sacerdote a benzesse dentro do Santuário Nacional. Depois procurou o professor de arquitetura, o espanhol Fernando Corona e combinaram projetar e construir uma capela em estilo barroco”.

Com doações de fiéis e moradores do bairro, a capela foi sendo erguida. Devido ao grande número de veranistas, a festa de inauguração da nova igreja deu-se no verão de 1937. Depois disso, a festa da padroeira seria sempre realizada nos meses de janeiro ou fevereiro de cada ano. A primeira missa foi celebrada pelo Monsenhor Emílio Lottermann em janeiro e a primeira comunhão em novembro de 1937 com um grupo de crianças do Colégio Escolas Reunidas do Passo do Capivara.

Infelizmente, a simpática capelinha, em estilo barroco espanhol, não teria vida longa, pois junto à construção foram erguidos eucaliptos, cujas raízes, anos mais tarde, danificaram os alicerces da igreja. Conforme relembra Padre Antônio:

“No local onde foi feita a capela havia um pântano, era um banhado. Por isso havia na região o cultivo de arroz pelos antigos fazendeiros. Para drenar, o loteador mandou plantar nas imediações da igreja alguns eucaliptos. Não resolveu muito, pois tempos mais tarde toda a estrutura da capela ficou comprometida. Com o aumento das fendas, foi pedido um exame à Secretaria de Obras Públicas e em 30 de julho de 1960, após meticulosa vistoria, as autoridades condenaram o prédio”.

A demolição da capelinha foi sentida por todos, pois ela era um “mimo” da arquitetura colonial espanhola e durante muitos anos acompanhou o desenvolvimento do bairro, tornando-se referência em Ipanema. Nas palavras de Padre Antônio percebe-se uma nostalgia, um misto de tristeza e saudade causadas pelas transformações ocorridas na região. “Quando no começo dos tempos, Deus criou a terra (Gen.1,1) formou também a bela e extensa planície Ipanema. E o criador viu que era bom‟ (Gen. 1,31). Mas, Ipanema não era apenas um bom recanto, mas seria igualmente um bairro esplêndido, engastado por encantadoras praias e graciosos montes cobertos por mataria verde-escura”. (Padre Antônio D. Lorenzatto, 1º pároco de Ipanema, hoje com 92 anos).


                               Igreja de Nossa Senhora Aparecida

Foto atual

 Referências:

 LORENZATTO, Padre Antônio. Entrevista concedida à autora. Porto Alegre, abril de 2011.

                                 (Do blog Janete & Porto Alegre)

 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

A Raposa e as Uvas

 


Versão de Millôr Fernandes

De repente, a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a perder de vista. Olhou e viu além de tudo, à altura de um salto, cachos de uvas maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas. Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo que tinha, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também, não tem importância. Estão muito verdes”. E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular e havia o risco de despencar, esticou a pata e conseguiu! Com avidez colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes!

Moral:

 A frustração é uma forma de julgamento tão boa

 quanto qualquer outra.


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Clube da Guria

 Por Ricardo Chaves

A cantora Elis Regina com o radialista Ary Rêgo, apresentador do programa “Clube do Guri”, que marcou época no Estado ente agosto de 1950 a julho de 1966; A atração, que ia ao ar pela Rádio Farroupilha, abria o microfone para crianças e adolescentes, e um dos destaques foi Elis, que começou a se apresentar em 1957, aos 12 anos de idade.

(...)

Clube do Guri foi levado ao ar durante 16 anos (entre 1950 a 1966), nas manhãs de domingo, pelas ondas da Rádio Farroupilha. Nos seus primeiros meses, a nova atração foi chamada de Clube do Papai Noel, mas, logo depois, com patrocínio da Fábrica Neugebauer, o nome mudou para Clube do Guri, referência a um dos produtos da empresa, o achocolatado Guri.

Transmitido ao vivo (primeiro, da sede emissora na Rua Duque de Caxias; depois, a partir do incêndio que destruiu o prédio em 1954*, do auditório localizado num casarão da Rua Siqueira Campos)**, era um programa musical em que crianças e adolescentes de cinco a 15 anos se apresentavam cantando, tocando algum instrumento ou declamando. Na maioria das vezes, cantoras e cantores mirins interpretavam os sucessos de artistas famosos como Ângela Maria, Cauby Peixoto ou Nelson Gonçalves. Os participantes se apresentavam sempre acompanhados pelo pianista Ruy Silva e pelo Regional da Rádio Farroupilha (foto abaixo).

Um incidente ocorrido nos bastidores do palco daquele auditório quase alterou a configuração da constelação das grandes estrelas da música brasileira. Em 1957, uma menina de 12 anos, que havia sido aprovada na pré-seleção realizada na véspera, chegou de roupa nova para cantar o samba-canção Lábios de Mel. Porém, uma prosaica hemorragia nasal acabou por manchar o vestido dela, além de causar-lhe um constrangimento tal, que a candidata a cantora simplesmente desapareceu.

(...) Quase dois meses depois, Ary Rêgo ao entrar na Casa Sloper para comprar um presente de Dia das Mães para sua mulher, foi reconhecido por um das balconistas, que relatou-lhe o desastre sucedido com uma sobrinha quando esta estava prestes a se apresentar. Então, o radialista persuadiu a tia a aconselhar a sobrinha a voltar, pedindo que não atribuísse maior importância ao fato. Felizmente, foi o que aconteceu. A menina, chamada Elis Regina, voltou para ser, dali em diante, uma das principais cantoras da história da música popular brasileira.

Foi pelo rádio, numa edição extra de um noticioso do dia 19 de janeiro de 1982, que Ary ficou sabendo, para sua tristeza, da morte de Elis.

(Do Almanaque Gaúcho de Zero Hora)

*   As dependências da Rádio Farroupilha foram incendiadas no dia 24 de agosto de 1954, em represália à morte de Getúlio Vargas.

** O último auditório da Rádio Farroupilha estava situada na Rua Siqueira Campos, defronte a uma paineira, que está lá até hoje, chamada de a paineira do Bromberg, tombada pelo município.

Faleceu, na última quinta-feira (20.09.2007), aos 89 anos − cinco dias antes de seu aniversário, em Porto Alegre (RS), o radialista gaúcho Ary Rêgo. Conhecido pelo programa “Clube do Guri”, que revelou a cantora Elis Regina, morreu vítima de câncer no aparelho digestivo.

Sua carreia, iniciada em 1942 quando ingressou na Rádio Pelotense, foi bastante tranquila. Após sua inserção na rádio, assumiu mais tarde a direção da programação e, cinco anos depois, passou a atuar como locutor na Rádio Farroupilha, depois apresentador do Clube do Guri.

P.S. Eu, responsável por este blog, nasci no mesmo ano em que nasceu Elis Regina Carvalho Costa, nascida em 17 de março de 1945, e eu, em setembro do mesmo ano. Fui, aos 13 anos, ao programa “Clube do Guri”, apresentado todos os domingos das 10 às 12 horas no auditório da Rádio Farroupilha, com entrada gratuita para a garotada. A Fábrica Neugebauer dava envelopes com chocolate em pó para a meninada da plateia.

NSM

Não se trata cachorro como se fosse gente...

 

Cachorro é cachorro, gente é gente.

Cachorro tem que ser tratado como cachorro − com respeito à sua fidelidade, ao seu caráter, ao seu amor e sua pureza.

Cachorro não finge, não trai, não julga, não mente...

Cachorro o ama pelo que você é, seja lá quem você for, milionário ou indigente...

Cachorro é emocionalmente inteligente, não guarda mágoas. Perdoa sem que você tenha que implorar perdão.

E, uma vez perdoado, o perdão é permanente.

Por que haveríamos de tratar um ser assim como se fosse gente?

Gente a gente também não deve tratar como cachorro...

Porque não é qualquer um que merece carinho na barriga, cafuné na orelha, demonstração de amor sem motivo aparente.

Gente não morde. Mas há outras formas de se cravar o dente, no coração, no bolso, na alma. Por vezes com veneno de serpente.

Gente fofoca, calunia, beija-o enquanto o inveja, e o odeia, sorridente.

Cachorro obedece, respeita, se submete.

Gente ama com ressalvas, faz promessas que não cumpre.

Só cachorro (e uma ou outra mãe) é que ama incondicionalmente.

Por que tratar como cachorro − que fica ao seu lado até a morte − alguém que o abandona de repente?

É totalmente sem noção e incoerente tratar gente como se fosse cachorro – e tratar cachorro como se fosse gente.

Cachorro é um ser superior, em forma de amor que em qualquer circunstância, merece a nossa proteção...

Gente a gente conta nos dedos quem merece o nosso respeito, nosso amor e nosso perdão.

*Texto de Eduardo Affonso.


domingo, 27 de setembro de 2020

Marta Rocha

 (1936-2020)

No ano de cinquenta e quatro,

Quando eu usava galocha,

Era um guri muito arteiro,

Daqueles virados no tocha;

Lia a Revista “O Cruzeiro”,

Para olhar as Cabrochas.

Neste país varonil,

Foi eleita Miss Brasil,

Maria Martha Hacker Rocha!

Depois foi para os “Esteites”

Concorrer a Miss Universo.

Naquela época já havia

Alguns Jurados perversos;

Do tipo aqui do Brasil,

Adeptos à lei de Gerson,

Pois por duas polegadas,

Ela foi desclassificada,

Com resultado adverso!

Marta Rocha não se abalou,

Continuou com a luz acesa.

Era a mulher mais bonita,

O Brasil tinha certeza,

Verdadeira obra-prima,

Da nossa Mãe Natureza.

O mundo a idolatrou,

E até hoje continuou

Referência de beleza!

Um dia a vida termina,

Infelizmente é assim.

Para Deus não interessa,

Se somos bons ou ruins;

Se a pessoa é preta ou branca,

Se é pobre ou tem dim-dim,

Marta Rocha, eterna princesa,

Hoje, pra nossa tristeza,

Sua vida chegou ao fim!

Hoje é um dia de luto,

Aqui no plano terrestre,

Mostrando que o ser humano,

Seja Aprendiz, seja Mestre,

Teu sucesso foi um exemplo,

Pra cidade e pro agreste,

Mas no céu hoje tem festa,

Rezar muito é o que nos resta,

Com estes versinhos do Prestes!

(Antônio Prestes)

Maria Martha Hacker Rocha (Salvador, BA, 19 de setembro de 1936 − Niterói, 4 de julho de 2020) foi uma rainha da beleza que foi eleita a primeira Miss Brasil em 1954.

Aos 18 anos, participou do Miss Bahia, vencendo o concurso. Em 26 de junho de 1954, foi eleita Miss Brasil, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Em julho de 1954, logo depois de chegar aos Estados Unidos, tornou-se a favorita nas casas de apostas para vencer o Miss Universo. No entanto, Martha ficou em 2º lugar, perdendo para a americana Miriam Stevenson.

De volta ao Brasil, tornou-se referência nacional de beleza e alcançou a fama.

            Duas polegadas: A lenda que é contada como verdade

A história das duas polegadas foi uma invenção do jornalista João Martins, da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, para consolar o orgulho brasileiro. Tudo foi combinado com os demais jornalistas brasileiros que estavam em Long Beach. A própria Martha autorizou a versão, conforme consta em sua autobiografia. Segundo Martha, nem ela soube se essa história das duas polegadas foi verdade mesmo. “Nos Estados Unidos, nunca ninguém me tirou as medidas”, disse em sua biografia.

No livro “O império de papel – os bastidores de O Cruzeiro”, o jornalista Accioly Netto, ex-diretor de “O Cruzeiro”, garante que as polegadas não passaram de invenção do fotógrafo de revista, João Martins, inconformado com o resultado. Martins criou a história e contou com a cumplicidade de outros jornalistas presentes em Long Beach, nos Estados Unidos, naquela noite.

Martha confirmou a lenda em “Martha Rocha – uma autobiografia”, lançada em 1999.

O episódio foi imortalizada numa marchinha de Carnaval composta por Pedro Caetano, Alcyr Pires Vermelho e Carlos Renato e gravada pela própria Martha Rocha em 1955. A parte mais conhecida da letra diz: Por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás/Por duas polegadas e logo nos quadris/Tem dó, tem dó, seu juiz!

Em dezembro de 2015, o colunista Ancelmo Gois reviveu na coluna Retratos da Vida, de O Globo, a história das duas polegadas, relembrando que em 1955 Pedro Caetano, Alcyr Pires Vermelho e Carlos Renato lançaram uma marchinha de Carnaval onde se cantava: “Por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás/Por duas polegadas, e logo nos quadris/Tem dó, tem dó, seu juiz!”.

                                     Por duas polegadas

        Pedro Caetano-Alcyr Pires Vermelho-Carlos Renato

                                               1955

Por duas polegadas a mais,

passaram a baiana pra trás.

Por duas polegadas,

e logo nos quadris,

tem dó, tem dó, seu juiz! (bis)

 Marta! Marta!

Não ligue mais pra isso não.

Marta! Marta!

Ninguém tem o seu violão!

Morreu em 4 de julho de 2020 após uma insuficiência respiratória seguida de um infarto. Seu sepultamento foi realizado no dia seguinte, 5 de julho, no Cemitério no Santíssimo Sacramento, em Niterói. Segundo um dos seus filhos, ela estava em um estado debilitado há bastante tempo e morreu de forma relativamente tranquila.

P.S. Há, na internet, uma gravação dessa música cantada pela própria Marta Rocha.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Explicando a Gravidez no Século 21

 

As abelhas, as flores, uma sementinha, a cegonha, 

tudo isto já está fora de moda.

Esta é a explicação moderna e tecnologicamente correta:

− Um certo dia, um filho pergunta ao seu pai:

− Papai, como é que foi que eu nasci?

− Muito bem, meu filho, chegou o momento de falar disso, pois então vou explicar o que você deve saber:

“Um dia, o papai e a mamãe entraram no Facebook, fizeram amizade e ficaram amigos. Depois, o pai mandou um e-mail à mamãe para se encontrarem num cybercafé. Descobrimos que tínhamos muitas coisas em comum e que nos entendíamos muito bem. Quando não estávamos à frente do laptop, conversávamos no chat do iPhone. Desta forma, fomo-nos conhecendo e nos apaixonamos, até que um belo dia decidimos partilhar os nossos arquivos. Entramos escondidos numa lanhouse e o papai introduziu o seu Pendrive na entrada USB da mamãe. Quando começou o download dos arquivos, nos demos conta de que tínhamos esquecido do software de segurança e que não tínhamos Firewall. Já era tarde demais para cancelar o download e impossível apagar os arquivos baixados. Passados nove meses apareceu o Vírus...”.


Impulso para viver

 

Lutamos contra o silêncio do corpo. Ainda que haja dor, demora, descaso. Somos feitos de células, céus, terras, tecidos, versos, veias. A vida é maior que tudo e, diante do susto de perdê-la, ninguém volta a ser o mesmo. Respiração profunda. Batimentos, sentidos, temperatura. Pulso, impulso, oxigênio. Esterilidade das paredes brancas e do avental azul suave contrasta com o cítrico desejo de resistir. Rodeados por aparelhos, bolsas de soro, distantes de casa, os olhos encharcam, denunciam que nem tudo é palpável, matéria, rigidez.

Há palavras soltas, pensamentos sem nome. Lá fora, as filas crescem. Guardar alguns sonhos. Aguardar. Guerra travada contra os invasores dos órgãos e outros desequilíbrios. Para os médicos, somos pacientes. Para o sistema, temos que ter paciência. E, de nós, o que queremos é paz. Não a paz calada. A paz que canta e dança, que insiste em proferir a entonação de dentro do peito.

                            Alina Souza, no Correio do Povo.


Sete mitos sobre as vacinas

 

1. Vacinas causam autismo.

→ O estudo que propôs essa ligação já foi há muito desbancado pela comunidade médica e hoje é tido como uma das maiores fraudes da história da medicina. Milhares de crianças foram submetidas a testes e nenhuma ligação entre autismo e vacinas foi encontrada.

2. Vacinas proporcionam 100% de proteção.

→ As vacinas com a maior taxa de proteção chegam a cerca de 95% de efetividade, e não mais do que isso.

3. As crianças recebem mais vacinas do que seu sistema imunológico pode aguentar.

→ O sistema imunológico de uma criança é capaz de responder a cerca de 100 bilhões de antígenos ao mesmo tempo. A vacina tríplice viral, por exemplo, contém 24 antígenos.

4. Como a maioria das doenças evitáveis por vacinas está sumindo, as vacinas não são mais necessárias.

→ Graças à chamada imunidade de rebanho, algumas doenças necessitam de um nível de vacinação alto para que não se espalhem. O sarampo, por exemplo, precisa que 95% da população seja imunizada para que não se propague.

5. Vacinas enfraquecem o sistema imunológico.

→ As vacinas são desenvolvidas para fortalecer o sistema imunológico, e não o contrário.

6. Vacinas são 100% seguras.

→ Nada na medicina é 100% seguro. Até o mais inofensivo dos medicamentos pode causar efeitos colaterais. A maior parte deles, no caso das vacinas, são brandos. Mais isso não é regra.

7. A imunidade conferida pela contração da doença é melhor do que a imunidade vacinal.

→ Apesar da imunidade conferida pela doença ser, de fato, mais “potente”, os riscos que se corre contraindo-a são bem maiores que os possíveis riscos de uma vacina.

                (Da revista Super Interessante, setembro de 2015)


Curiosidades musicais

 

Toda vez que o jovem Bethoven estudava violino, uma pequena aranha descia de sua teia e parava em cima de uma mesa, onde ficava escutando Bethoven tocar. Bethoven se encantava com a presença do inseto, até que um dia, sua mãe ao ver a aranha se assustou e esmagou-a. O jovem Bethoven ficou tão desolado, que parou de tocar violino.

O Compositor Eric Satie foi sempre um excêntrico, quando da data de sua morte, seus colegas foram ao apartamento no qual residia e encontraram uma moradia extremamente simples, com uma cama, uma mesa com uma vela e no guarda-roupa somente um par de sapatos, 7 ternos e 7 camisas exatamente iguais. Foi ele também fundador de uma nova religião na qual ele era o único pastor e único fiel.

O Compositor Heitor Villa-Lobos, em visita à França, foi questionado por uma jovem francesa, se os Brasileiros ainda cultivavam o hábito da antropofagia (comer pessoas). Villa-Lobos respondeu:

- Claro, Senhorita, ainda gostamos muito e nosso prato preferido são criancinhas francesas!

Aos 18 anos, jogando pelo CSA de Alagoas como meia-armador, Djavan resolveu largar o futebol e se dedicar inteiramente à música. Se tivesse continuado, hoje já teria encerrado a carreira e nós jamais poderíamos assistir a esta performance ao lado.

Quando Belchior foi até a casa de Antonio Marcos mostrar “Todo sujo de batom” para ele gravar, antes mostrou “Paralelas”, mas ele não gostou. Da cozinha onde estava, Vanusa ouviu Belchior passando a canção ao violão e disse: O Tuninho não gostou, mas eu gostei. Quero gravar! “Que sexto sentido da loiraça!”

Todas as vezes que Jerry Adriani se encontra com Erasmo Carlos, não perde a oportunidade de dizer: “Pô, bicho! Você esqueceu do meu nome na tua festa!”. Realmente, na Festa de Arromba do Erasmo não estava o Jerry Adriani. Mas a cobrança é apenas brincadeira de amigos. 

Quando Isolda num restaurante, enquanto aguardava a chegada do prato pedido, propôs uma brincadeira com duas amigas onde cada uma deveria escrever no guardanapo um verso de amor para um namorado, não imaginava que estava criando um dos maiores sucessos de sua carreira de autora: Os versos que ela escreveu foram “Das lembranças que eu trago da vida você é a saudade que eu gosto de ter” pensando no irmão Milton Carlos que havia falecido num acidente de automóvel.

Normalmente, os poetas fazem canções para homenagear suas cidades. Com a cidade de Maringá no Paraná aconteceu o contrário. A cidade recebeu este nome em homenagem à canção Maringá de Joubert de Carvalho. O fato ocorreu em 1947, quando Elizabeth Thomas, esposa do presidente da Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, sugeriu que esta canção que ela gostava tanto desse nome a uma cidade recém-construída pela empresa, e que em breve se tornaria uma das mais prósperas do estado.

Quando Chico Buarque enviou em 1970 a canção “Apesar de você” para a censura, tinha certeza que ela não passaria. Mas passou e foi o lado A do compacto simples que tinha no lado B Desalento. 100 mil cópias vendidas, música na boca do povo e um jornal insinua que a canção era uma homenagem ao Presidente Médici (E os censores não perceberam nada!). Imediatamente, todos os compactos foram recolhidos, a gravadora invadida e todas as cópias do disco destruídas.

Ao contrário do que muitos pensam, não foi a canção “Último desejo” a derradeira obra do poeta Noel Rosa, mas sim a canção “Eu sei sofrer” uma espécie de desabafo ao saber que, tuberculoso com apenas 26 anos, tinha poucos dias de vida.

Quando Patativa do Assaré, grande poeta cearense da literatura de cordel, escreveu o poema de cordel “A triste partida” contando a saga do nordestino que deixa sua terra natal para tentar a sorte nos estados do Sul e Sudeste, nem de longe imaginava que seus versos iriam se tornar um dos maiores sucessos da canção nordestina, eternizada na voz do Rei do Baião Luiz Gonzaga. Esta canção foi a primeira da MPB a superar a barreira dos 8 minutos de duração.

O nome do saxofone provém do nome do seu inventor Adolphe Sax, construtor franco-belga de instrumentos. Este instrumento destinava-se às bandas militares, mas também deixou a sua marca na música Pop e no Jazz.

A mais famosa canção de Natal, “Noite Feliz”, foi composta nas vésperas de Natal de 1818, na aldeia austríaca de Oberndorf, nas montanhas do Tirol, pelo padre Joseph Mohr, que fez os versos, e pelo mestre-escola Franz Xavier-Gruber, que escreveu a música.

Nas missas da meia-noite as pessoas estavam acostumadas a ouvir a melhor música. Veio a descobrir-se, entretanto, que o órgão tinha sido estragado pelos ratos e não havia possibilidades de repará-lo a tempo.

Surgiu então a ideia de compor uma canção para que o organista, excelente tocador de violão, a apresentasse naquela noite, tendo sido cantada por um coro de crianças acompanhado por uma viola de 12 cordas.

 “Noite Feliz” – a canção do Céu, como lhe chamam – é hoje cantada em todo o mundo. Para a língua portuguesa foi feita uma feliz tradução por Frei Pedro Sinzig:

Noite Feliz! Noite Feliz!

O Senhor, Deus de Amor,

pobrezinho, nasceu em Belém.

Eis na lapa Jesus, nosso Bem.

Dorme em paz, ó Jesus!

Dorme em paz, ó Jesus!

Noite Feliz! Noite Feliz!

Eis que no ar vêm cantar

aos pastores os Anjos dos céus

anunciando a chegada de Deus,

de Jesus Salvador!

De Jesus Salvador!

Noite Feliz! Noite Feliz!

Ó Jesus, Deus da luz,

quão afável é Teu coração

que quiseste nascer nosso irmão

e a nós todos salvar!

E a nós todos salvar!

A música “As flores do jardim da nossa casa” foi composta por Roberto Carlos num quarto de hotel na Holanda, onde ele estava com o filho Segundinho que se submetia a um tratamento de glaucoma congênito. A música foi feita para o filho.

O primeiro disco gravado por Roberto Carlos foi um 78 rmp com duas músicas no estilo bossa-nova: “Fora de Tom” e “João e Maria”, compostas por Carlos Imperial. O disco foi gravado em agosto de 1959. 

* Eu, Nilo Moraes, um dia, no Município de Gravataí, procurando discos de compositor e cantor francês Henry Salvador, eu achei, casualmente, esse compacto simples com essas duas músicas.

Roberto Carlos sofreu um acidente. Sua perna esquerda foi esmagada por um trem em Cachoeiro do Itapemirim e parte dela teve que ser amputada. Foi em 1947: ele tinha 6 anos de idade. Na música “O divã”, ele conta um pouco desse trauma no trecho: “Me lembro bem da festa, o apito, e na multidão um grito, o sangue no linho branco, a paz de quem carregava nos seus braços quem chorava”.


Pergunta Difícil

 

Leia a próxima pergunta antes de descer para ver a resposta da primeira. Está na hora de eleger um novo líder mundial, e você tem direito a voto. Aqui estão algumas informações sobre os três candidatos:

Candidato A - Está associado a políticos corruptos e consulta astrólogos. Já teve duas amantes. Fuma como uma chaminé e bebe de 8 a 10 Martinis por dia.

Candidato B - Já foi despedido de dois empregos, costuma dormir até o meio-dia, usava ópio na universidade e bebe um quarto de uma garrafa de whisky todas as noites.

Candidato C - Ele é um herói de guerra! Condecorado. É vegetariano, não fuma, bebe uma cerveja ocasionalmente e nunca teve nenhuma relação extraconjugal.

 

Qual destes candidatos você escolheria?

 

Qual é sua resposta?

 

Pensou bem?

 

Candidato A é Franklin Delano Roosevelt.


Candidato B é Winston Churchill.


Candidato C é Adolph Hitler.


Interessante, não é mesmo?

Faz a gente parar para pensar antes de julgar os outros.

O primeiro clube de remo do Brasil

 Por Ricardo Chaves

Fotografia: Autor desconhecido, década de 1930 (?). Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo.

Descrição da imagem: Fotografia formato paisagem em preto e branco. Cais do porto. À esquerda, armazéns e várias pessoas com roupas de frio e chapéus à margem do Guaíba. Na água, muitos barcos de regata. Ao fundo navio atracado no porto. 

No dia 21 de novembro de 1888 foi fundado, por um grupo de jovens de famílias de imigrantes alemães, aquele que é considerado o primeiro clube de remo do Brasil, o Ruder Club Porto Alegre (Clube de Regatas Porto Alegre). Do grupo inicial fazia parte Alberto Bins, que viria a ser prefeito da capital anos depois.

Para dar início à prática, foram importados dois barcos da Alemanha, gigs de quatro e seis remos, comprados com dinheiro emprestado pela mãe de Alberto Bins. A primeira sede do grupo ficava às margens do Guaíba, próximo à praça da Alfândega. Quatro anos depois seria criado um segundo clube de remo, o Ruder-Verein Germania.

Em 1894 é formado o “Comitê de Regatas”, com a finalidade de incentivar a prática do esporte por meio de competições abertas ao público. A primeira regata teve a participação dos dois clubes, o Ruder Club Porto Alegre e o Ruder-Verein Germania. Tratou-se de grande acontecimento na cidade, com uma distância percorrida de 1.800 metros, com saída na estação de bondes em Navegantes e a chegada no trapiche do Germânia.

Em 1903 um grupo de luso-brasileiros criou seu próprio clube, o Clube de Regatas Almirante Tamandaré, que tinha o diferencial de ter o português como língua de comando e instruções de navegação, ao contrário do que nos acontecia outros clubes, onde o idioma oficial era o alemão.

Em 1917, em consequência da entrada do Brasil na guerra contra os impérios centrais da Áustría-Hungria e Alemanha, os nomes dos clubes são nacionalizados, passando a se chamar, o mais antigo, Clube de Remo Porto Alegre e Clube de Regatas Guahyba (antigo Ruder-Verein Germania). Os dois clubes iriam se fundir em 1936, recebendo o nome de Clube de Regatas Guaíba-Porto Alegre, que ficou conhecido pela sigla GPA. O auge do novo clube foi entre as décadas de 1940 e 1960. Atualmente a sede do GPA fica na rua João Moreira Maciel, 470, bairro Marcílio Dias.

Referências:

CHAVES, Ricardo. Clube de remo mais antigo do Brasil é revitalizado para exposição. Publicado em Zero Hora em 02/10/2019. 

Clube de Regatas Almirante Barroso. A história do Remo em Porto Alegre. 

(Do blog Amigos do Patrimônio Histórico, postado por Ricardo Eckert)


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Um pequeno texto Machado de Assis

 

Machado de Assis aos 25 anos

 A história dos subúrbios*

 (Machado de Assis. Gazeta de Notícias, 4 de novembro de 1900)

              “Em vão passavam as gerações, ele não passava.

Chamava-se João.

Noivos casavam, ele repicava às bodas;

crianças nasciam, ele repicava ao batizado;

pais e mães morriam, ele dobrava aos funerais.

Acompanhou a história da cidade.

Veio a febre amarela, o cólera-morbo, e João dobrando.

Os partidos subiam ou caíam,

João dobrava ou repicava sem saber deles.

Um dia começou a Guerra do Paraguai, e durou cinco anos;

João repicava e dobrava,

dobrava e repicava pelos mortos e pelas vitórias.

Quando se decretou o ventre-livre das escravas,

João é que repicou.

Quando se fez a abolição completa,

quem repicou foi João.

Um dia proclamou-se a República,

João repicou por ela, e repicaria pelo Império,

se o Império tornasse.

Não lhe atribuas inconsistências de opiniões;

era o ofício.

João não sabia de mortos nem de vivos;

a sua obrigação de 1853 era servir à Glória,

tocando os sinos, e tocar os sinos para servir à Glória,

alegremente ou tristemente,

conforme a ordem.”

(*Quanta gente, que nós conhecemos, é exatamente assim...)