●
Cheiro de mimeógrafo: Álcool, folha úmida entregue na sala, expectativa, prova,
ansiedade, não olhar para os lados.
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Cheiro de lancheria: Fruta amassada, biscoito, suco, leite, achocolatado,
cuidado materno.
● Cheiro
de guarda-roupa fechado: Naftalina, madeira, lã, inverno, avós.
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Cheiro de cabeça de bebê: Adocicado, quentinho, vontade de repousar ali, colo,
futuro, apego.
● Cheiro
de garagem: Gasolina, borracha, diesel, território do silêncio.
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Cheiro de terra molhada: Barro vivo, raiz exposta, roça, quintal, infância.
● Cheiro
de cloro: Piscina, verão, gritaria, boias, pele enrugada.
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Cheiro de protetor solar: Praia, viagens, família reunida, férias.
● Cheiro
de igreja: Incenso, genuflexório, velas, confessionário.
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Cheiro de hospital: Corredores assépticos, luz branca, avental, touca, medo de
morrer.
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Cheiro de sapato na caixa: Couro, cadarços enrolados, estreia, encontros.
● Cheiro
de carro saindo da concessionária: Plástico, promessa que vale por doze meses.
● Cheiro
de papel velho: Biblioteca de escola, estudar para exames, solidão.
● Cheiro
de cachorro molhado: Umidade, tecido encardido.
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Cheiro de lenha: Serra, aconchego, lareira, fogão antigo, pinhão, nostalgia.
● Cheiro
de salão de beleza: Spray, química, conversa alta, esmaltes.
● Cheiro
de mala aberta: Roupa misturada, zíper, passeios, sensação de carregar mais do
que o necessário.
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Cheiro de enxoval lavado: friozinho delicioso, conforto, fricção das mãos.
● Cheiro
de cédula de dinheiro novinha: Notas grudadas e esticadas, salário, sonho de
prosperidade.
● Cheiro
de cera: Casa com piso de tábuas, interior, escorregar de meia.
● Cheiro
de óleo de peroba: Mesas brilhando, toalhas de crochê.
● Cheiro
de água sanitária: Calçadas varridas, baldes, água escorrendo, espuma, gente
passando na ponta dos pés.
● Cheiro
de talco: Banho, pijama, hora de dormir.
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Cheiro de carvão: Churrasco, domingo, salada de maionese, cantoria, piadas.
● Cheiro
de café: Despertar, raiar do sol, chaleira fervendo, soro da felicidade.
Você
pode virar as costas para um nome ou uma fisionomia. Jamais para um cheiro.
Parte da crônica de Carpinejar, no jornal Zero Hora,
26.04.2026