quinta-feira, 31 de julho de 2025

Como surgiu o Teorema de Pitágoras

 

Pitágoras raramente estava em casa, e sua esposa, Enusa, aproveitava cada ausência para se entregar, em segredo, a quatro camponeses sem instrução, conhecidos naquela época na Grécia como “catetos”, pois eram os encarregados de lavrar a terra. 

Certa vez, Pitágoras voltou mais cedo do que o habitual, grande erro fazê-lo sem avisar e, ao chegar, encontrou os cinco em plena ação. Cego de fúria, eliminou os cinco sem pensar duas vezes. 

Decidiu enterrá-los em seu próprio jardim, um terreno de forma retangular cujo comprimento media exatamente o dobro da largura. 

Por respeito (ou ironia) à sua esposa, dividiu o jardim ao meio, gerando dois quadrados perfeitos. Em um deles, sepultou Enusa. 

O quadrado restante ele dividiu em quatro seções do mesmo tamanho, e, em cada uma, enterrou um dos camponeses. 

Assim, todos juntos ocuparam uma área exatamente igual a de Enusa. 

Com a raiva já mais amena, subiu ao topo de uma colina para refletir e, ao observar sua obra de cima, soltou uma frase que marcaria para sempre a história da geometria: 

“A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da puta Enusa.” 

Se tivessem me ensinado o Teorema de Pitágoras assim, eu jamais teria esquecido! 

Fonte: Presente de Grego. 

► O Teorema de Pitágoras estabelece uma relação entre os lados de um triângulo retângulo. Ele afirma que a soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos (os dois lados que formam o ângulo reto) é igual ao quadrado do comprimento da hipotenusa (o lado oposto ao ângulo reto). Matematicamente, isso é expresso como a² + b² = c², onde 'a' e 'b' são os comprimentos dos catetos e 'c' é o comprimento da hipotenusa. 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Me compra isso! Agora!

 

Gritou o menino, apertando com força um pacote de salgadinhos como se fosse um troféu de guerra. 

A mãe, visivelmente exausta, o rosto vermelho não só pelo calor, mas também pela vergonha de estar sendo observada, soltou um suspiro e respondeu, derrotada: 

‒ Tá bem, filho… pode levar. 

O menino sorriu vitorioso, como quem aprendeu cedo que, se insistir o suficiente, sempre vai vencer. 

Mas, naquele supermercado, no meio da fila do caixa, alguém observava em silêncio. Era uma senhora de cabelos prateados e olhar firme, chamada Dona Aurora. Não era apenas uma idosa qualquer. Era uma professora aposentada. Mãe. Avó. E alguém que já tinha visto aquela cena se repetir mil vezes ‒, e com finais bem diferentes. 

Ela não conseguiu se calar. Sua voz saiu suave, mas firme, como quem não fala para julgar, mas para alertar: 

‒ Me perdoe por me intrometer, minha senhora… mas os filhos não aprendem com o que a gente entrega. Eles aprendem, mesmo, é com o que a gente tem coragem de negar. 

A mãe, surpresa, virou-se para encará-la. Ainda sem saber se concordava ou se se sentia ofendida. 

Dona Aurora continuou: 

‒ Os filhos precisam de asas… não de prêmios a cada birra. Se você entrega tudo, eles não aprendem a esperar. Não aprendem a errar. E, pior, não aprendem a escutar um “não” sem explodir. 

Aquelas palavras ficaram ecoando dentro do peito da mãe. Ela não disse nada. Só assentiu devagar, como quem digere uma verdade dura, mas necessária. 

Alguns minutos depois… 

O pequeno guerreiro do corredor de salgadinhos voltou com a mesma intensidade: 

‒ Me dá o celular! Agora! Eu quero jogar! 

A mãe parou. Respirou fundo. Dessa vez, não abaixou a cabeça. Olhou nos olhos do filho. O coração acelerado. As dúvidas gritando por dentro. Mas, com uma firmeza recém-descoberta, respondeu: 

‒ Não, meu amor. Hoje, não. 

E o caos começou. 

O menino atirou o pacote no chão, se jogou em seguida, gritando como se o mundo tivesse acabado. Chorava alto, chutava o ar, rolava pelo piso frio entre os carrinhos.  

E a mãe… ficou ali. Firme. Silenciosa. Presente. Ela não gritou. Não o pegou no colo. Não deu o celular. Esperou. Com o peito apertado. Com vontade de chorar junto. Mas com a certeza de que aquele momento era mais do que um ataque de birra: era uma lição. Dois, três, cinco minutos… Até que o menino, vendo que ninguém reagia, foi se acalmando sozinho. Sentou. Respirou fundo. Limpou o rosto com a manga da camiseta. Se levantou. Não disse nada. Mas também não pediu mais nada. 

A mãe se agachou, olhou nos olhos dele ‒ olhos ainda marejados ‒ e disse com a doçura de quem ama de verdade: 

‒ Filho… nem sempre você vai ter o que quer. Mas eu sempre vou estar aqui, te ajudando a crescer. 

Pegou sua mãozinha pequena e saíram caminhando devagar. Antes de passar pela porta, ela se virou, olhou para a Dona Aurora, e sussurrou: 

‒ Obrigada. 

Reflexão Final: 

Naquele dia, aquela mãe aprendeu algo que tantas outras esquecem entre a pressa, o cansaço e o barulho do mundo: 

Amar não é ceder sempre. Amar é ensinar. Não se trata de comprar o silêncio da criança com doces ou celulares… Mas de formar um ser humano que saiba esperar, frustrar-se e, ainda assim, respeitar. Porque se uma criança não aprende a ouvir um “não” de quem a ama… Mais tarde, a vida vai ensinar. E ela não tem paciência. Nem ternura. Dizer “não” também é um ato de amor. 

******* 

Contos que curam 

terça-feira, 29 de julho de 2025

Quenga

 Deonísio da Silva*

A palavra quenga foi trazida por negros tornados escravos que falavam banto, língua africana na qual “kienga” designa a metade do coco já sem o cabaço, outro nome da polpa, servindo de recipiente, vasilha conhecida também por cabaça. 

A moça, ao deixar de ser virgem, foi comparada a essa cabaça sem cabaço (com mudança de gênero e de significado), que em Portugal não é palavrão. A palavra “cabaço” aparece no nome de vários vinhos portugueses e é também apelido e sobrenome. No português do Brasil, cabaço é palavra chula, tida por obscena. Em Portugal, não. 

No ciclo do açúcar, no Nordeste, a ex-virgem, se não casasse, “caía na vida”, virava quenga e o povo usava a palavra indecorosa, obscena e chula para designar o que a donzela perdera, identificado na língua culta por hímen, do grego “hymen”, membrana, cujo étimo está também em Himeneu, deus das bodas e protetor dos matrimônios. 

No centro do Rio, havia (não sei se haverá ainda) o Bar das Quengas, distante de onde navegavam os marinheiros que descobriram o Brasil. Um deles estava de castigo na cesta da gávea, posta no caralho, outro nome de um dos mastros do navio, tornado palavrão, de onde ele fez ouvir seu brado retumbante para avisar: Terra à vista. 

Vamos a palavras de domínio conexo neste campo de significados. Caralho veio do grego “kharax”, haste da videira, pelo latim vulgar “caraculus”, depois “caraclu” no português arcaico, consolidando-se como caralho, já então designando, não apenas o apoio das plantas da videira, mas também o mastro do navio. Como, quando e por que as palavras se tornam palavrões são outros quinhentos, de que é exemplo a bolsinha (boceta) do mito de Pandora, obrigado a mudar de nome para caixa de pandora. 

O Brasil foi descoberto da Casa do Caralho. E muitos membros de sua classe dominante são ilustres filhos de bastardos, isto é, gerados por moças expulsas de casa. Mais tarde, os filhos foram acolhidos, mas suas mães, não, como demonstrado na origem da expressão “filho da mãe”. 

Dom Gaspar de Bragança, ao ser nomeado Arcebispo Primaz de Braga, orgulha-se de ser filho do rei Dom João VII, omitindo, porém, ser filho também da monja Madalena Máxima, amante do soberano. Sua mãe, então, reclama em carta ao filho, reiterando: “você é filho da mãe, não apenas filho do pai”. A carta foi resgatada pelo professor e escritor Fernando Venâncio (1944-2025), da Academia das Ciências de Lisboa, autor de “Assim nasce uma língua”, dentre outros livros. 

A etimologia, ao fornecer o verdadeiro sentido de palavras e expressões, que é apenas o primeiro que teve, dá preciosos indícios da formação de uma língua, no caso o português do Brasil, talvez a melhor herança que Portugal nos deixou. 

Diferentemente dos “Bastardos Inglórios”, título de um filme famoso, gloriosos bastardos brasileiros estão entre aqueles que fizeram deste país uma grande nação.

Como pequena amostra adicional, no bicentenário da independência do Brasil, em 2022, demos uma olhada nos filhos legítimos e bastardos de Dom Pedro I, o príncipe português que proclamou nossa independência. 

Ele teve filhos até com piedosas monjas recolhidas em conventos, constituindo prole numerosa e outorgando às respectivas mães títulos nobiliárquicos importantes, seja de nobreza territorial, quando eram pobres ou apenas remediadas, seja de nobreza simbólica apenas, pois ricas já eram, como foi o caso da Marquesa de Santos. 

Portanto, “quod erat demonstrandum”, como demonstrado, longe de ser palavrão, a palavra quenga é fresta para entender nossa História. 

Evidentemente, quenga designa também a prostituta “tout court”, figura atualmente redimida do imaginário popular para designar desjeitoso empoderamento feminino, um tanto diferente do empoderamento europeu, que busca legalizar a prostituição como trabalho decente. 

Drummond recomenda: “Chega mais perto e contempla as palavras. / Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra / e te pergunta, sem interesse pela resposta, / pobre ou terrível, que lhe deres: trouxeste a chave?”. 

Pois interroguemos também nós as palavras e perguntemos a cada uma: “trouxeste a chave?”. Elas têm muito a nos dizer. 

******* 

*O professor Deonísio da Silva é doutor em Letras pela USP e autor de “De onde vêm as palavras”, editora Almedina, 1.192 páginas, 18ͣ edição. Na rádio BandNews, apresenta a coluna semanal “Sem Papas na Língua”. 

P.S. Deonísio da Silva (Siderópolis, SP, 1948), é professor e escritor. Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal de São Carlos ( UFSCar) para onde entrou por concurso público em 1981 e pela qual se aposentou em 2003, foi também professor e um dos vice-reitores da Universidade Estácio de Sá (2003-2020). É membro brasileiro da Academia das Ciências de Lisboa. 

Curiosidades literárias em Leituras Livres 

Normas ortográficas

 

Emprego do “z” e do “s(izar - isar - ez - eza - ês - esa)

01. Terminam em izar (com z) os verbos derivados de palavras cujo radical não terminam em s: 

Agonia - agonizar

concreto - concretizar

atual - atualizar

civil - civilizar

drama - dramatizar

fiscal - fiscalizar

cristal  - cristalizar

humano - humanizar

agonia - agonizar

concreto - concretizar

atual  - atualizar

civil   - civilizar

drama - dramatizar

fiscal - fiscalizar

cristal - cristalizar

humano - humanizar 

02. Terminam em isar (com s) os verbos derivados de palavras cujo radical terminam em s: 

Liso - alisar

Paralisia - paralisar

Divisa - divisar

Improviso - improvisar

Friso - frisar

Análise - analisar

Aviso - avisar

Bis - bisar

Catálise - catalisar

Gris - grisar

Pesquisa - pesquisar

Piso - pisar 

Exceção: catequese – catequizar 

03. Terminam em eza ou ez (com z) os substantivos derivados de adjetivos: 

Baixo - baixeza

Mudo - mudez

Alto - alteza

Ácido - acidez

Ligeiro - ligeireza

Surdo - surdez

Frio - frieza

Árido - aridez

Pobre - pobreza

Limpo - limpeza

Esperto - esperteza

Pequeno - pequenez

Grande - grandeza

Altivo - altivez

Delicado - delicadeza

Frígido - frigidez 

04. Terminam em esa (com s) os substantivos não derivados de adjetivos: 

Marquês - marquesa

Duque - duquesa

Príncipe - princesa

Defender - defesa

Barão - baronesa

Cônsul - consulesa 

05. Terminam em ês ou esa (com s) os adjetivos que indicam nacionalidade, origem ou procedência: 

Português - portuguesa

Japonês - japonesa

Inglês -inglesa

Burguês - burguesa

Montanhês - montanhesa

Montês -  montesa

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Um anônimo herói brasileiro

 Édio Erig

Natural de Salvador do Sul, no Vale do Caí, RS, Édio foi quem interceptou uma ordem de bombardeio ao Palácio Piratini em 1961, durante a Campanha da Legalidade. Formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Édio era sargento da aeronáutica e estava de serviço na Base Aérea de Canoas na época. A mensagem ordenando o bombardeio foi interceptada por ele na sala do Oficial do Dia. 

Em seguida, Édio comunicou aos colegas que estavam de serviço o que estava acontecendo. A reação imediata foi uma revolta e os mecânicos sabotaram os aviões para que não pudessem decolar. Se os aviões decolassem carregados, não poderiam pousar sem soltar as bombas. 

− Ia morrer muita gente inocente, que não tinha nada a ver com o movimento militar, porque moravam em volta do palácio − disse o ex-militar em entrevista para o jornal Folha de S.Paulo. 

Em entrevista ao jornalista Juremir Machado no ano passado, que marcou os 60 anos da Legalidade, Édio, que chegou a ser preso pelo ato, contou que não se vê como um herói e que apenas agiu por senso de responsabilidade. 

− Fiz o que a consciência me mandou. Se a ordem tivesse chegado antes ao comandante, outro poderia ter sido o destino. Nós não queríamos que inocentes morressem no Palácio Piratini. Quanta gente seria atingida! Uma comissão foi ao palácio comunicar que não haveria bombardeio. Pagamos prisão pela nossa rebelião. Em 1964, com o golpe, fui transferido para Belém. Lá, fui expulso da Aeronáutica. Colegas fizeram uma vaquinha para eu ter passagem de volta. Só depois da anistia é que recuperei direitos − contou Édio. 

O ataque, frustrado pelo sargento, tinha como objetivo calar Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, que discursava para a população de Porto Alegre em defesa da posse de João Goulart, o Jango, como presidente do Brasil. Ministros das Forças Armadas haviam vetado a sucessão legal do presidente Jânio Quadros, que tinha renunciado, ao então vice-presidente Goulart. 

Édio, ao longo de todos esses anos, manteve uma posição discreta em relação ao seu feito. De acordo com a filha, Naiara, ele sempre foi uma pessoa de posicionamento firme e com um pensamento crítico muito ativo. Nos últimos anos, gostava de passar o tempo livre lendo, passeando pelo interior do Estado ou na sua casa de praia em Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. 

Édio Erig morreu em 15 de outubro de 2022, aos 90 anos. Ele estava internado no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, desde o dia 23 de setembro para tratar de problemas no coração e no pulmão. Além da filha, ele deixa o genro, Airton, os netos, Lucas e Caroline, e as bisnetas, Maria Clara e Manuela.

(Obituário do jornal Zero Hora, outubro de 2022)

domingo, 27 de julho de 2025

Tipos de assaltantes

 Regionalidades de acordo com o Estado:

Assaltante cearense: 

‒ Ei, bixim... Isso é um assarto... Arriba os braços e num se bula nem faça munganga... Passa vexado o dinheiro senão eu pranto a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora... Perdão, meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da mulesta! 

Assaltante mineiro: 

‒ Ô, sô, prestenção... Isso é um assarto, uai... Alevanta os braço e fica quetim que esse trem na minha mão tá cheio de bala, sô... Mió passá logo os trocados que eu num tô bão hoje... Vai andando, uai, tá esperando o quê, uai? 

Assaltante gaúcho: 

‒ Ô, gurí, tu ficas atento, tchê... Báh, isso é um assalto... Tu levantas os braços e te aquieta, vivente! Não tente nada e tome cuidado que esse facão corta que é uma barbaridade, tchê! Passa os pilas pra cá! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro pega no teu lombo, gaudério velho! 

Assaltante carioca: 

Seguiiiinnte, mermão... Tu tá lascado, pai, isso é um assalto... Passa a grana e levanta os braços, brother... Não fica de bobeira que eu atiro bem pra cacete... Vai andando e se olhar pra trás tu vira presunto... 

Assaltante baiano: 

Ô meu rei...(longa pausa)... isso é um assalto... Levanta os braços, mas não se avexe não... Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado... Vai passando a grana, bem devagarinho... Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado... Não esquenta, meu irmãozinho, vou deixar teus documentos na próxima encruzilhada... 

Assaltante paulista: 

Ôrra, meu... Isso é um assalto, mano... Alevanta os braços, meu... Passa a grana logo, truta... Mais rápido, ô meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Curintia, tá ligado! Tá me tirando? Se manda, meu... 

Assaltante político: 

Caro povo brasileiro, no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas: energia, água, esgoto, gás, passagem de ônibus, Iptu, Ipva, licenciamento de veículos, seguro obrigatório, gasolina, álcool, imposto de renda, IPI, ICMS,PIS, COFINS... se não fizermos isso, nós não teremos aumento salarial e não teremos mais as nossas rachadinhas. E como sempre, vocês vão ficar bem quietinhos, sem fazer nada... E vão votando, vão votando! 

 

sábado, 26 de julho de 2025

Palestra na madrugada

 

Quatro horas da manhã, um homem, com andar meio cambaleante, com uma garrafa de bebida na mão, caminha pela rua escura. 

Um carro da polícia se aproxima e os policiais resolvem averiguar a situação: 

‒ Aonde vai o cidadão nesse estado etílico a uma hora destas? 

‒ Estou indo assistir a uma palestra, homens da Lei. 

‒ Palestra? A esta hora? Nesse estado de embriaguez. Sobre o quê? 

‒ Sobre os efeitos do álcool e das drogas no corpo humano. Os danos causados pela esbórnia. A farra na degradação da vida amorosa conjugal. Nos impactos negativos sobre o sistema nervoso central e periférico advindos dessa vida desregrada. Dos malefícios aos órgãos internos e também externos devastados pela ingestão desenfreada de fumo, álcool e drogas ilícitas. E a vida sem Deus no coração. 

‒ Ô meu, fala sério! E quem vai dar uma palestra desta abrangência e relevância científica a esta hora da madrugada? 

‒ Minha esposa, quando eu chegar em casa!!! 

(Texto da internet)

Preto Demais

 Hugo Ojuara

Enquanto seu discurso tá pronto na internet,

Prenderam o neguinho ali na Praça Sete,

Que tava pedindo dinheiro pra vender chiclete,

Mas, com playboy fumando um boldo ali, ninguém se mete.

 

Porque o pai é juiz, e a mãe é delegada,

Enquanto a mãe do neguinho é sua empregada.

Um corre danado, maior agonia,

E pega um busão lotado pra delegacia.

 

Chegando na delegacia,

A mãe do neguinho pergunta assim para o doutor delegado:

‒ Mas o que foi que ele fez para estar algemado?

O doutor começa então a descrever o caso:

 

‒ É que ele é preto demais,

Corre demais, fala demais, sorri demais.

Tá estudando demais, comprando demais,

Viajando demais e assim não dá mais.

 

Mas ele joga demais, dança demais,

E canta demais, é bonito demais.

Tá se unindo demais, planejando demais,

Assim ele vai passar o meu filho pra trás.

 

Há-há pro terror de vocês,

Os tempos de submissão do nosso povo

Estão com os dias contados,

Vão tentar nos silenciar, nos forjar,

Mas nosso plano tá mais que traçado.

 

Então só quem é negão

E tem muito orgulho de ser preto,

E preto demais,

Vai cantar assim, ó.

 

É que eu sou preto demais, corro demais,

Falo demais, sorrio demais,

Tô estudando demais, comprando demais,

Viajando demais, eu só quero paz.

 

Eu também jogo demais, danço demais,

Canto demais, sou bonito demais.

Tô me unindo demais, planejando demais

E vou fazer comer poeira os filhinhos de papai.


sexta-feira, 25 de julho de 2025

Ortografia

  onde – aonde – mal e mau

ONDE Emprega-se com verbos que não indiquem movimento, quando significa:

em que lugar. 

Ex.:   

Não sei onde está a chave.

Não sei onde estou. 


AONDEEmprega-se com verbos de movimento ou que indiquem direção:

a que lugar. 

Ex.:   

Queres chegar aonde?

Vais aonde? 

Coloque nos espaços das frases onde ou aonde: 

01. Não sei _________ queres chegar com isso.

02.___________ encontraram o chaveiro?

03. Gostaria que você me dissesse ________ estão os meus óculos.

04. Você pode me dizer _______  vamos com tanta pressa?

05. O lugar por ___________ andei é muito bonito.

06.__________ comem dois, comem três.

07.__________ foram todos os alunos?

08.__________ o menino deve permanecer?

09.__________ irás, menino?

10. Não sei____________ irei neste verão.

 

MAL (advérbio) 

Usa-se Quando se opõe a bem: 

Ex.:   

Ele está mal de vida. 

Nosso time jogou mal. 

ou quando é conjunção: 

Ex.:   

Mal cheguei, ele já havia saído. 

Obs.: O mal = substantivo = os males 

MAU (adjetivo) 

Usa-se quando se opõe a bom (bons): 

Ex.: 

Ele fez um mau negócio.

Ele é um mau jogador.

Os assaltantes são muito maus. 

Coloque nos espaços das frases mal ou mau: 

01. Consta que ele não é um _________ profissional, logo é bom.

02. Este aparelho está _________ colocado.

03. Foi a primeira vez que ouvi falar ______ dele.

04. Não acredito que ele seja tão ______ assim.

05. Levantei-me, _______ clareou o dia.

06. O homem _______ geralmente perde para o homem bom.

07. O bem nem sempre derrota o ________ .

08. Eles responderam pelos _______ que praticaram.

09. Ela está de _________ comigo.

10. Não estudou direito, por isso saiu-se _____ na prova. 


terça-feira, 22 de julho de 2025

Sete sinais que o homem está no seu limite;

 e quase ninguém percebe…

1 - Ele começa a responder tudo com “tá bom”, vamos deixar assim...”. 

Quando ele para de argumentar, de se importar ou até de explicar, não é porque concorda ‒ é porque desistiu. Desistiu de ser ouvido, de ser compreendido. Ele sabe que, seja qual for sua opinião, vai parecer errado, então prefere engolir o orgulho e economizar energia. 

2 - Passa mais tempo sozinho do que o normal, ele e suas angústias. 

Ele não se afasta porque quer. Se tranca no banheiro, prolonga o banho ou dirige sem rumo por uns minutos extras. Esses momentos de isolamento são a única pausa que encontra para não explodir ou simplesmente sentir que é ele mesmo, longe das cobranças. 

3 - Prefere o silêncio, mesmo quando algo o incomoda. Se fecha no seu mundo interior. 

Ele ouve críticas, provocações ou até comentários que doem, mas escolhe não responder. Não é porque concorda ou aceita, mas porque sente que, se abrir a boca, só vai piorar as coisas. O silêncio vira sua forma de sobreviver em meio ao caos. 

4 - Está sempre com sono, mas nunca consegue descansar. Seus pensamentos e sonhos são sempre sinistros, 

Ele reclama do cansaço, mas o que realmente o destrói não é o corpo, é a mente. Quando deita, o turbilhão de pensamentos sobre contas, responsabilidades e problemas que ele não sabe como resolver o mantém acordado, noite após noite. 

5 - Evita falar sobre o futuro, pois teme o que irá acontecer com ele. 

Ele já teve sonhos, planos e ambições, mas agora mal consegue pensar no dia de amanhã. Não é porque não quer, mas porque o futuro parece distante, inatingível e cheio de mais responsabilidades que ele não sabe se conseguirá aguentar. 

6 - Explode por coisas pequenas. Está sempre cercado de maus presságios. 

O copo fora do lugar, a mensagem ignorada, a buzina de um carro. Ele não está com raiva dessas coisas ‒ são só o estopim de uma mente saturada, que carrega muito mais do que deveria. 

7 - Faz tudo no automático, pois está fechado na sua depressão e no seu inferno interior. 

Ele vive um dia igual ao outro, sem entusiasmo, sem brilho no olhar. Trabalha, volta pra casa, come, dorme. Não porque quer, mas porque perdeu a conexão com o que um dia o fazia feliz. 

(Texto da internet)


segunda-feira, 21 de julho de 2025

Termos da oração

01. Os termos da oração classificam-se em: essenciais, integrantes, acessórios e o vocativo.           

02. Os termos essenciais da oração são: sujeito e predicado.           

03. Sujeito é o termo da oração do qual se faz uma declaração.           

04. Predicado é o termo da oração do qual se declara alguma coisa do sujeito. 

05. O sujeito classifica-se em: simples, composto, indeterminado  e oração sem sujeito.           

06. O predicado pode ser: verbal, nominalverbo-nominal. 

07. O sujeito simples apresente somente um núcleo. 

08. O sujeito composto apresenta dois ou mais núcleos.           

09. No sujeito indeterminado não podemos identificar o sujeito.           

10. Na oração sem sujeito há uma ação verbal, mas ninguém a pratica. 

11. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo transitivo ou de verbo intransitivo.           

12. Verbo transitivo (o que transita) é aquele que precisa de complemento. 

13. Verbo intransitivo (que não transita) é aquele que não precisa de complemento. 

14. O núcleo do predicado verbal é sempre o verbo.           

15. Predicado nominal é aquele que se constitui de verbo de ligação mais predicativo do sujeito ou predicativo do objeto. 

16. O núcleo do predicado nominal é o nome e nunca o verbo.           

17. Predicado verbo-nominal é aquele que se constitui de um verbo intransitivo mais predicativo do sujeito; ou de um verbo transitivo, mais predicativo do objeto.                       

18. O predicado verbo-nominal apresenta dois núcleos: o nome e o verbo.

19. Os verbos podem ser de ligação, transitivos ou intransitivos.    

20. Os verbos transitivos exigem objeto direto ou objeto indireto. 

21. Verbo transitivo direto exige objeto direto.           

22. Verbo transitivo indireto exige objeto indireto.           

23. Verbo intransitivo nunca exige objeto.           

24. No predicado nominal o verbo sempre é um verbo de ligação.

domingo, 20 de julho de 2025

A História da HP

 E tudo começou... numa garagem!

Muito antes de computadores, impressoras e tecnologia espalhada por todo o planeta, dois jovens sonhadores se conheceram na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos: Bill Hewlett e David Packard. 

Em 1939, com apenas 538 dólares emprestados, eles começaram seu sonho dentro de uma garagem simples na cidade de Palo Alto, Califórnia, que mais tarde seria chamada de “o berço do Vale do Silício”. 

Foi lá que nasceu a Hewlett-Packard, ou simplesmente HP. Eles decidiram o nome da empresa jogando cara ou coroa para escolher qual sobrenome viria primeiro. 

Sorte? Destino? Ou o começo de uma revolução? 

O primeiro produto da HP foi um oscilador de áudio, e sabe quem foi um dos primeiros clientes? Nada menos que a Walt Disney Studios, que comprou 8 unidades para testar o som no filme Fantasia. 

Com o passar dos anos, a HP se transformou em sinônimo de inovação, precisão e confiabilidade. Entrou no mundo dos computadores, depois nas impressoras, e logo estava presente em escolas, escritórios e casas em todos os cantos do mundo. 

Quem nunca viu uma impressora HP? Quem nunca teve aquele monitor com o símbolo discreto e elegante? 

David Packard era conhecido por seu espírito humilde, mesmo sendo milionário. Costumava dizer que o sucesso não vem do lucro, mas sim da contribuição que uma empresa faz ao mundo. 

Já Bill Hewlett era o inventor nato, curioso, detalhista, sempre testando novas formas de melhorar a tecnologia e facilitar a vida das pessoas. 

Ambos faleceram, David em 1996 e Bill em 2001, mas o legado dos dois é imortal. Criaram não só uma marca, mas ajudaram a moldar toda a revolução digital que vivemos hoje. 

E aquela garagem? Foi tombada como símbolo histórico da Califórnia. Um lembrete de que, com uma boa ideia, coragem e parceria verdadeira, qualquer um pode mudar o mundo. 

Se um dia você olhar pra sua impressora HP, ou usar um notebook da marca, lembre-se: tudo começou com dois amigos, um sonho e uma garagem simples nos anos 30... 

(Tchê)

sábado, 19 de julho de 2025

Principais figuras de linguagem

 

Aliteração: repetição de consoantes: O rato roeu a roupa do rei de Roma. 

Anáfora: repetição de uma palavra no início de uma frase: É pau, é pedra, é o fim do caminho... 

Antítese: termos opostos: Corpo grande, alma pequena. 

Assonância: repetição de sons vocálicos: Ana ama sua cama. 

Catacrese: termo “emprestado”, serve para suprir a falta de uma palavra: Ele embarcou no avião. 

Elipse: omissão de palavra: Comi uma pizza; ele, um sanduíche. 

Eufemismo: suavização das palavras: Ele faltou com verdade. (por mentiu) 

Hipérbato: inversão da ordem direta: Está pronta a comida. 

Hipérbole: exagero das palavras: Estou morrendo de medo. 

Ironia: dizer o contrário do que se pensa: Era tão sábio, mas foi reprovado. 

Metáfora: palavra com sentido figurado: Minha filha é uma flor. 

Metonímia: consiste no uso de uma palavra fora do seu contexto semântico normal,  : Gosto de ler Machado de Assis. 

Onomatopeia: imitar sons ou ruídos: Os sinos faziam blém, blém... 

Paradoxo: Termos contraditórios: O som profundo do silêncio. 

Pleonasmo: redundância intencional: Chovia uma triste chuva. 

Prosopopeia: humanizar seres inanimados: As pedras andam devagar. 

Sinestesia: mistura de sentidos, figura de linguagem está ligada aos sentidos: audição, visão, tato, paladar e olfato: O doce som da sua voz. 

Zeugma: omissão de termo já citado: O bebê aprendeu a andar. E depois, a falar. 


quinta-feira, 17 de julho de 2025

Se você visse

 Del Loro e Horondino Silva (Dino)

Se você visse a boca que me beija todo dia.

Se você visse a cor que os olhos dela têm.

Se você visse as mãos que me acariciam,

Não creio que você quisesse amar a mais ninguém.

                     

Se você visse todas as manhãs o seu sorriso

Nascido de um amor tão verdadeiro,

Que faz pra mim de tudo um paraíso,

Eu não a troco pelo mundo inteiro.

 

Se você visse a casa arrumada,

Minha roupa engomada,

Quando chega do trabalho, que carinho,

Além de tudo isso, sem vaidade,

Há lá, dentro do meu ninho,

Fé, esperança e caridade.

******* 

P.S. Assista a interpretação dessa música nas vozes de Miltinho e Zeca Pagodinho e uma bela orquestra

Vitaminas para quem tem pressa

 Bruno Carbinatto, Bruno Vaiano, Manuela Mourão e Maria Clara Rossini

(...) 

Vitamina A

Retinol 

Solúvel em: lipídeos 

Deficiência causa: cegueira noturna, hiperqueratose (espessamento dos tecidos) e querotomalácia (amolecimento da córnea). 

Dose diária recomendada: 600 microgramas (μg). 

Consumo em excesso causa: náusea, dores, danos ao fígado, má formação fetal na gestação etc. A dose máxima segura é de 3 mg diários. 

Vitamina B 

Tiamina (B1), riboflavina (B2), niacina (B3), ácido pantotênico (B5), piridoxina (B6), biotina (B7), ácido fólico (B9), cobalamina (B12). 

Solúvel em: água. 

Deficiência causa: o leque de problemas é grande demais para esta caixinha, mas inclui anemia megaloblástica no caso das vitaminas B9 e B12, pelagra na ausência de B3, e beribéri para deficiência de B1. 

Dose diária recomendada: tiamina (B1) 1,2 mg / riboflavina (B2) 1,3 mg / niacina (B3) 16 mg / ácido pantotêmico (B5) 5 mg /  piridoxina (B6) 1,3 mg /  biotina (B7) 30 μg / ácido fólico (B9) 240 μg / cobalamina (B12) 2,4 μg. 

Consumo em excesso: as vitaminas 1, 2, 5, 7 e 12 não têm doses máximas registradas para adultos. Para a B3, o máximo são 35 mg por dia. Para a B6 100 mg e par B9, 1.000 μg (equivalente a 1 mg). 

Vitamina C 

Ácido ascórbico 

Solúvel em: água. 

Deficiência causa: escorbuto, doença com sintomas como sangramento nas gengivas, fadiga, dores nas articulações, hematomas etc. 

Dose diária recomendada: 45 mg. 

Consumo em excesso: a dose máxima segura é de 2.000 mg (equivalente a 2g) diários. Acima disso, pode causar náusea, diarreia e acidificar a urina, entre outras complicações. 

Vitamina D 

Colecalciferol (D3) ou ergocalciferol (D2)

 Solúvel em: lipídeos 

Deficiência causa: problemas ósseos como o raquitismo em crianças e a osteomalacia e a osteoporose em adultos. 

Dose diária recomendada: 5 microgramas (μg). 

Consumo em excesso: o consumo de 1.250 μg diários ou mais pode causar hipercalcemia (níveis excessivos de cálcio no sangue). 

Vitamina E 

Tocoferóis e tocotrienóis 

Solúvel em: lipídeos 

Deficiência causa: os primeiros sintomas resultam da má condução de impulsos elétricos pelos neurônios, como a redução de contrações musculares involuntárias, chamada hiporreflexia. 

Dose diária recomendada: 10 mg. Consumo em excesso: acima da dose máxima de 1.000 mg (1g) diário, o risco mais significativo é de hemorragia. Ocasionalmente, fraqueza muscular, náusea e diarreia também. 

Vitamina K 

Filoquinona (K1) e menaquinonas (K2) 

Solúvel em: lipídeos 

Deficiência causa: problemas na cicatrização dos ferimentos, fluxo menstrual mais intenso e outros sinais de má coagulação do sangue. Em casos extremos, hemorragias. 

Dose diária recomendada: 65 microgramas (μg). 

Consumo em excesso: não há dose máxima para adultos. Crianças que consomem em excesso um vitâmero chamado menadiona (K3), porém, podem desenvolver anemia hemolítica e outros problemas. 

(Matéria da revista Super Interessante, junho de 2025)