domingo, 30 de agosto de 2026

Histórias de bola

 

Da bola* 

Luis Fernando Veríssimo 

A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do seu irmão menor, que sairá correndo para se queixar em casa. No caso de se usar uma pedra, lata ou outro objeto contundente, recomenda-se jogar de sapatos. De preferência os novos, do colégio. Quem jogar descalço deve cuidar para chutar sempre com aquela unha do dedão que estava precisando ser aparada mesmo. Também é permitido o uso de frutas ou legumes em vez da bola, recomendando-se nestes casos a laranja, a maça, o chuchu e a pera. Desaconselha-se o uso de tomates, melancias e, claro, ovos. O abacaxi pode ser utilizado, mas aí ninguém quer ficar no golo. 

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* Parte de uma crônica de LFV, que dá dicas para pelada de garotos de arrabalde, que jogavam felizes, numa era antes dos jogos eletrônicos, em campinhos de qualquer cidade pobre do Brasil. 

A Bola 

Luis Fernando Veríssimo 

O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. 

O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “Legal!”. Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. 

Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa. 

– Como e que liga? – perguntou. 

– Como, como é que liga? Não se liga. 

O garoto procurou dentro do papel de embrulho. – Não tem manual de instrução? 

O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.  

– Não precisa manual de instrução. 

– O que é que ela faz? 

– Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela. 

– O quê? 

– Controla, chuta… 

– Ah, então é uma bola. 

– Claro que é uma bola. 

– Uma bola, bola. Uma bola mesmo. 

– Você pensou que fosse o quê? 

– Nada, não. 

O garoto agradeceu, disse “Legal” de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. 

O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto. 

– Filho, olha. 

O garoto disse “Legal”, mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Bedeu

 

O suingue que nasceu em Porto Alegre e ganhou o Brasil 

Quando a gente fala de Black Music, Samba-Rock e Suingue no Rio Grande do Sul, existe um nome que não pode jamais ser esquecido: Bedeu. 

Jorge Moacir da Silva, o nosso Bedeu, nasceu em Porto Alegre em 4 de dezembro de 1946, no ambiente cultural da antiga Ilhota, região da Cidade Baixa marcada pela presença e pela resistência da comunidade negra. 

Ainda criança, aos seis anos, já tocava pandeiro e ganhou o apelido de “Bedeu do Carnaval” ‒ apelido que acabou se transformando no nome artístico que entraria para a história da música brasileira. E que história! 

Bedeu foi muito mais do que um cantor. Foi compositor, violonista, percussionista e um dos grandes criadores do suingue gaúcho, aquela mistura irresistível de samba, rock, balanço, percussão e influências da música negra que ganhou uma identidade própria nas pistas e nos bailes de Porto Alegre. 

Nos anos 1960, Bedeu já estava envolvido com grupos de baile e experiências musicais que misturavam samba e rock. Mais tarde, sua passagem por São Paulo abriu uma porta importante: suas composições começaram a ser gravadas por grandes nomes da música brasileira. 

E aqui está uma das grandes curiosidades de sua trajetória: 

Bedeu teve suas composições gravadas por artistas como Wilson Simonal, Jair Rodrigues, Bebeto, Dhema, Neguinho da Beija-Flor e Os Originais do Samba. 

Sua parceria com Alexandre Rodrigues e Leleco Telles produziu algumas das páginas mais bonitas do suingue brasileiro. 

Entre suas composições estão verdadeiros clássicos como: Minha Preta, Nêga Olívia, Grama Verde, Kid Brilhantina, Guerreiro, Tá na Hora, Menina Carolina, Saudades de Jackson do Pandeiro, Pau-Brasil, Skuliba, Negona. 

E não estamos falando apenas de músicas que ficaram esquecidas no passado. 

Mais de 40 composições de Bedeu foram identificadas em gravações de diferentes artistas e grupos, mostrando o tamanho de sua influência. Sua obra chegou às vozes de nomes como Bebeto, Wilson Simonal, Jair Rodrigues, Os Originais do Samba, Branca di Neve, Neguinho da Beija-Flor, Fernanda Abreu, Clube do Balanço e Ultramen, entre muitos outros. 

Pau Brasil ‒ um capítulo à parte 

Em 1975, de volta a Porto Alegre, Bedeu se uniu a Alexandre Rodrigues, Leleco Telles, Cy, Leco do Pandeiro e Nêgo Luiz para formar o Pau Brasil. 

Ali estava nascendo algo muito especial. 

O grupo juntou guitarra, baixo, bateria e uma poderosa percussão afro-brasileira, criando uma sonoridade que carregava o samba, mas conversava com o rock e com a música negra que estava movimentando o mundo. 

Em 1978 veio o álbum “O Samba e Suas Origens”, considerado por pesquisadores uma das obras mais completas do suingue negro produzido no Sul. 

No ano seguinte, “Pau Brasil”, de 1979, continuou essa história. 

E os discos chegaram às pistas de dança de São Paulo e de outras regiões, mostrando que aquele som que vinha de Porto Alegre tinha força para ultrapassar fronteiras. 

E quem viveu os bailes sabe... 

Bedeu não fazia música apenas para se ouvir. Era música para dançar. Era o balanço da guitarra, o peso da percussão, o vocal, o ritmo e aquele “molho” que fazia a pista responder. É por isso que sua obra encontrou um lugar tão especial nos bailes negros. Em Porto Alegre, essa música ganhou um nome próprio: Suingue. 

E Bedeu foi um dos seus maiores representantes. O pesquisador Mateus Mapa considera Bedeu e a geração do Pau Brasil parte fundamental da formação do samba-rock/suingue do Sul, movimento que nasceu da convivência entre músicos, escolas de samba, clubes sociais negros e bailes da cidade. 

Bedeu foi nacional 

Talvez essa seja uma das partes mais importantes de sua história. Durante muito tempo, falar de música brasileira significava olhar quase exclusivamente para Rio e São Paulo. 

Mas Bedeu mostrou que Porto Alegre também tinha uma voz negra forte, criativa e original. Ele saiu do Sul, dialogou com o eixo nacional, teve suas músicas gravadas por grandes artistas e ajudou a colocar o suingue gaúcho no mapa da música brasileira. 

E o mais bonito é que essa influência não terminou com sua partida. “Grama Verde”, por exemplo, ganhou nova vida com a Ultramen. “Kid Brilhantina” ficou conhecida também na voz de Branca di Neve. “Saudades de Jackson do Pandeiro”, parceria com Luís Vagner, foi posteriormente gravada pelo Clube do Balanço. Sua obra continuou viajando de geração em geração. 

Um artista que merece ser lembrado 

Bedeu morreu em 5 de agosto de 1999, aos 52 anos. Partiu cedo demais. Mas deixou algo que o tempo não conseguiu apagar: uma obra. Uma obra que continua sendo tocada, dançada, regravada e redescoberta. 

Em 1998, recebeu o Prêmio Açorianos de Música – Destaque Especial, reconhecimento importante de sua cidade. E existe uma imagem que talvez resuma tudo: 

Aquele menino que começou tocando pandeiro na Porto Alegre de outros tempos cresceu, atravessou fronteiras, encontrou grandes músicos brasileiros, criou clássicos, colocou o suingue gaúcho nas pistas e deixou uma marca profunda na música negra brasileira. 

Bedeu não foi apenas parte da história. Bedeu ajudou a escrever essa história. E para nós, que amamos Black Music, Charme, Samba-Rock e Suingue, revisitar Bedeu é muito mais do que matar a saudade. É reconhecer nossas raízes. É lembrar de uma época em que o LP girava, a agulha descia, o salão começava a ferver e bastavam os primeiros acordes para todo mundo saber: Agora tem suingue! 

Bedeu vive na música. Bedeu vive nos bailes. Bedeu vive na memória. Bedeu vive no suingue de Porto Alegre. 

Post de Pires Índio 

P.S.: Escute, na internet, o CD “Bedeu – Swing Popular Brasileiro” – 1998 – CD completo. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A curiosidade é muito perigosa...

 

Um velhinho, muito safo, está num botequim fuleiro tomando tranquilamente seu chope espumante diário. Um grupo de rapazes está em outra mesa conversando animadamente. 

O idoso, pensativo, suspira olhando para as paredes do bar um tanto desolado. Um dos rapazes, notando a tristeza do ancião, se dirige a ele, curioso: 

‒ Está tudo bem com o senhor? ‒ pergunta tentando saber o porquê daquela tristeza. 

O velhinho começa a contar aos rapazes a razão do seu descontentamento: 

‒ Estou tentado me lembrar das cinco coisas que não fiz na vida, puxo pela memória e só, a muito custo, consigo me lembrar de quatro. 

Os rapazes, solidários, se acercam do idoso, incentivando para que tentasse se lembrar das cinco coisas que ele não fez na vida. 

O velhinho, fazendo um esforço danado, começa a falar do que consegue ainda se lembrar: 

‒ A primeira coisa que me lembro que não fiz, seria jogar basquete, que não fiz pela minha baixa estatura. A segunda era ser piloto de avião, não consegui porque as aulas eram muito caras. A terceira... a terceira, se não me falha a memória, era conhecer Paris! A quarta, vou ver se consigo me lembrar, acho que era cursar Medicina, atendendo o desejo do meu saudoso pai. A quinta? Não consigo me lembrar. Eu tento, tento, mas é impossível trazer à memória... 

Os jovens estão empolgadíssimos com a narrativa do idoso, um deles, o mais afoito, chega a sentar-se à mesa do velho senhor, pedindo mais detalhes daquilo que está faltando para completar as cinco coisas não foram feitas pelo velhinho. 

O idoso começa a tamborilar os dedos na mesa, e a garotada dando força: 

‒ Vamos lá que o senhor consegue, respira fundo, pensa bem, vai buscar no fundo dos neurônios o quinto desejo! Força! Vai fundo! O senhor consegue! 

De repente, o velho senhor dá um pulo da cadeira: 

‒ Me lembrei! Agora vejo tudo claramente na minha memória! Consegui me lembrar! Aleluia! 

Os jovens, com uma alegria esfuziante, cercam o velhinho, com uma curiosidade monumental: 

‒ Conta pra nós, tio, conta em detalhes, não nos aguentamos para saber. Conta logo! 

O velhinho, com um sorriso maroto, conta a eles: 

‒ A quinta coisa não fiz na vida foi comer o c... de um curioso! 

A gargalhada, no bar, foi geral.

Noel Rosa dando sua última entrevista

 Rio de Janeiro-RJ, maio de 1937

Este profundamente tocante, histórico e raríssimo registro publicado na Revista Carioca em 1º de maio de 1937 eterniza o mestre Noel Rosa (à direita) ao lado de um repórter (à esquerda), em uma de suas últimas fotografias conhecidas em vida. 

Apenas três dias após esta publicação vir a público, em 4 de maio de 1937, o Poeta da Vila faleceria precocemente aos 26 anos em sua casa em Vila Isabel, vítima da tuberculose. 

Guardado e preservado pelo inestimável Arquivo Nirez, este registro da imprensa carioca simboliza a despedida silenciosa de um gênio que, mesmo em tão pouco tempo de vida, transformou para sempre a MPB com sua ironia fina, lirismo poético e retrato fiel da boemia e da sociedade do Rio de Janeiro. 

Revisitar este momento histórico em maio de 1937 é uma imersão de profundo respeito pela memória de um ícone atemporal da nossa cultura popular. 

A fotografia se trata de uma restauração digital, para ter acesso ao registro original basta passar para o lado e ir até a última foto. 

Créditos: 

Arquivo Marcelo Bonavides ‒ Estrelas que nunca se Apagam  

Revista Carioca (Edição de 01/05/1937) / Arquivo Nirez (Registro e Preservação Histórica) 

Memória da Música Popular Brasileira e da Imprensa

Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 – Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937) foi um sambista, compositor, bandolinista e violonista brasileiro, considerado um dos mais importantes artistas da música no Brasil. Teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no “asfalto”, ou seja, entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época ‒ fato de grande importância, não só para o samba, mas para a história da música popular brasileira. 

Morto prematuramente aos 26 anos em decorrência de tuberculose, deixou um conjunto de canções que se tornaram clássicas dentro do cancioneiro popular brasileiro. 

Em 2016 foi agraciado in memoriam com a Ordem do Mérito Cultural do Brasil (OMC), na classe de grão-mestre. 

Assinatura de Noel Rosa


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Uma história escatológica

 (Não leia)

 As várias explicações

No vagão de um trem, que viajava com poucas pessoas pelo interior gaúcho, estavam um agricultor, um médico, um poeta, um comunista e um telegrafista. 

O agricultor, no almoço, tinha comida uma feijoada completa. Não se aguentando mais, solta um pum barulhento e terrivelmente fedorento. 

Espalhou-se pelo trem o cheiro de um flato avassalador. Cada um dos ocupantes do vagão tece, a sua maneira, comentários para dar uma explicação do que acabaram de presenciar. 

Fala o médico: 

‒ Esse cheiro e o barulho são de gases acumulados no estômago ou nos intestinos que são eliminados pelo ânus, popularmente conhecido como pum ou peido, oriundo da fermentação de carboidratos e fibras não digeridos realizada pelas bactérias presentes no intestino grosso. 

Fala o poeta: 

‒ Isso é apenas o suspiro de um ânus apaixonado, com gases saindo silenciosamente para espalhar, com seu cheiro peculiar, seu amor ao mundo! 

Fala o comunista: 

‒ Vocês não entenderam nada. Isso é o grito de liberdade da merda oprimida pelas dobras intestinais! 

Fala o telegrafista: 

‒ Eu já acho que não foi nada disso. Vocês sentiram o cheiro, que para nós, telegrafistas, é o aviso que vem uma grande bosta pela frente! 

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(História contada pelo senhor Garibaldi, no CPG)

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Avesso

 (Música de um relacionamento homoafetivo)

 Jorge Vercillo

Nós já temos encontro marcado, eu só não sei quando.

Se daqui a dois dias,

Se daqui a mil anos,

Com dois canos pra mim apontados.

Ousaria te olhar,

Ousaria te ver. 

Num insuspeitável bar,

Pra decência não nos ver,

Perigoso é te amar,

Doloroso querer. 

Somos homens pra saber o que é melhor pra nós.

O desejo a nos punir só porque somos iguais.

A Idade Média é aqui,

Mesmo que me arranquem o sexo,

Minha honra, meu prazer,

Te amar eu ousaria.

E você? O que fará se esse orgulho nos perder? 

No clarão do luar, espero

Cá nos braços do mar, me entrego.

Quanto tempo levar, quero saber se você

É tão forte que nem lá no fundo irá desejar. 

No clarão do luar, espero

Cá nos braços do mar, me entrego.

Quanto tempo levar, quero saber se você.

É tão forte que nem lá no fundo irá desejar. 

O que eu sinto, meu Deus, é tão forte, até pode matar.

O teu pai já me jurou de morte por eu te desviar.

Se os boatos criarem raízes,

Ousarias me olhar?

Ousarias me ver? 

Dois meninos num vagão e o mistério do prazer.

Perigoso é me amar,

Obscuro querer,

Somos grandes para entender, mas pequenos pra opinar. 

Se eles vão nos receber, é mais fácil condenar,

Ou noivados pra fingir.

Mesmo que chegue o momento que eu não esteja mais aqui,

E meus ossos virem adubo,

Você pode me encontrar no avesso de uma dor. 

No clarão do luar, espero

Cá nos braços do mar, me entrego.

Quanto tempo levar, quero saber se você

É tão forte que nem lá no fundo irá desejar. 

No clarão do luar, espero, espero,

Cá nos braços do mar me entrego.

Quanto tempo levar, quero saber se você

É tão forte que nem lá no fundo irá desejar. 

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“Avesso”, de Jorge Vercillo, aborda de forma direta o preconceito e a repressão vividos por um casal homoafetivo. O verso “A Idade Média é aqui” não é apenas uma metáfora, mas uma crítica clara à persistência da intolerância nos dias atuais, mostrando que, apesar dos avanços, o preconceito ainda é uma realidade. A canção traz à tona o medo e o perigo enfrentados por quem desafia normas sociais, como fica evidente em “O teu pai já me jurou de morte por eu te desviar”, que revela o risco de violência e rejeição familiar. 

A música retrata encontros secretos e o receio constante do julgamento, como em “Num insuspeitável bar, pra decência não nos ver”. A descoberta da sexualidade aparece em “dois meninos num vagão e o mistério do prazer”, mostrando como o amor precisa ser vivido às escondidas. O refrão, “No clarão do luar espero / Cá nos braços do mar me entrego”, traz esperança e entrega, mesmo diante da dor e da incerteza. Assim, “Avesso” constrói um retrato sensível da luta por viver um amor verdadeiro em meio à repressão, destacando a coragem de resistir e amar, mesmo quando tudo parece contrário. 

P.S.: Homoafetivo refere-se ao afeto, ao amor ou ao relacionamento romântico entre pessoas do mesmo sexo ou gênero. O termo destaca o vínculo emocional e sentimental de um casal, sendo amplamente aplicado no Direito e na sociedade para descrever uniões estáveis e casamentos civis igualitários. 

Me conte a sua história

 Maurício Duboc/ Carlos Colla

 Canta Roberto Carlos

Me conta a sua história,

Fala dos seus amores e dos seus desenganos.

Conta pra mim seus desejos,

O sonho escondido que não realizou. 

Me conta a sua história,

Me fala das promessas que tanto fizeram.

Fala da sua tristeza,

Do quanto chorou e ninguém percebeu. 

Me conta a sua história,

Me fala dos seus erros,

E deixa que eu enxugue a lágrima num beijo.

Eu quero ser apenas aquele que um dia

Você tanto amou. 

Me conta a sua história,

Encosta no meu ombro,

Mas venha sem receios, venha sem remorsos.

Eu não a quero pura, eu não a quero santa,

Eu quero só você. 

Me conta a sua história,

Encosta no meu ombro,

Mas venha sem receios,

Venha sem remorsos.

Eu não a quero pura, eu não a quero santa,

Eu quero só você. 

Eu quero ser apenas aquele que um dia

Você tanto amou.

Aquele que ficou.

Eu quero ser apenas aquele que um dia,

Você tanto amou.

Aquele que ficou.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Mercedes Sosa e os lobos

 Em Porto Alegre

Na entrevista concedida por Geraldo Lopes, fundador da Opus Entretenimento (uma das maiores empresas de eventos do Brasil, que completa 50 anos em 2026), à Juliana Bublitz, do jornal Zero Hora. Em uma das perguntas, ele contou um fato da breve passagem da artista argentina por Porto Alegre num show dela no Gigantinho durante o regime militar. 

“Fiz um show dela no Gigantinho* durante a ditadura militar, em plena repressão. Soltaram uma bomba de efeito moral no ginásio. Lembro das palavras dela até hoje: ‛Qué se prendam las luces, porque a los lobos les gusta la oscuridad’. Ela fez o show com as luzes acesas até o final. 

* Gigantinho, ginásio de esporte e palco para shows pertencente ao Sport Club Internacional, de Porto Alegre, RS.

Mercedes Sosa (9 de julho de 1935 – 4 de outubro de 2009) foi uma cantora argentina, uma das mais famosas na América Latina. A sua música tem raízes na música folclórica argentina. Ela se tornou uma das expoentes do movimento conhecido como Nueva canción. Apelidada de La Negra pelos fãs, devido à ascendência ameríndia, ficou conhecida como a voz dos “sem voz”.

domingo, 23 de agosto de 2026

Organize suas finanças

  e faça o dinheiro render

 A liberdade financeira 

Giane Guerra

Já ouviu falar do movimento Fire? É a sigla para Financial Independence, Retire Early (Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada). 

A ideia é viver de forma austera, gastando o mínimo e aplicando as economias. 

A meta é aposentar-se cedo e viver de “renda passiva” gerada pelos investimentos, sem nem depender da providência pública. 

Padrão de vida 

A “liberdade financeira” permite parar de trabalhar, se o desejo vale o sacrifício para a pessoa, mas ela também pode seguir trabalhando, mas em algo que gosta e não porque precisa para pagar as contas do mês. 

E mesmo que a renda passiva não seja suficiente para aposentar-se, pode ser para garantir um padrão de vida melhor ou a viagem bacana das férias. Que tal? 

Opções seguras e acessíveis 

Tesouro direto 

● É considerado um investimento de baixo risco de crédito, por ter o Tesouro Nacional como emissor. 

● Observe o tipo de título, o indicador de rentabilidade, o prazo e as regras de resgate. Títulos tradicionais podem apresentar oscilações de preço quando vendidos antes do vencimento. 

● Se você busca uma reserva de emergência, é importante observar liquidez e condições de resgate do produto. 

CDB 

● São os títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras e bancos. Avalie o banco ou a instituição que emite o título. Não escolha o produto só pela rentabilidade oferecida. 

● Confira também o prazo, a liquidez e as condições para resgate antecipado. Retornos muito acima dos praticados no mercado merecem investigação. 

● CDBs elegíveis contam com a cobertura do FGC dentro dos limites estabelecidos pelo fundo: de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ, por instituição ou conglomerado, respeitado o teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. 

A farra do consignado 

Giane Guerra 

Em tese, Consignado é para ser mais “barato”, com juro menor. Por quê? Porque traz menos riscos de inadimplência ao banco ou à financeira que empresta, já que é descontado do salário. Ainda mais quando tem garantia de FGTS. 

A farra do consignado ocorreu porque o governo não limitou juro de largada e várias financeiras viram um filão de mercado nos trabalhadores doidos para pegar dinheiro extra em operações que o empregador não pode vetar. 

Não pegue consignado sem precisar, muito menos com juro alto! 

Dicas para não correr riscos 

● Além dos juros, é essencial observar o Custo Efetivo Total (CET), pois muitas instituições incluem taxas que não ficam claras. 

● Compare com as dívidas atuais. O crédito só é vantajoso se os juros forem menores do que os das suas contas já existentes. 

● Tenha em mente que o valor será descontado diretamente do seu salário. 

● Avalie o impacto no FGTS. Em caso de demissão, o saldo pode ser utilizado para quitar o empréstimo, o que pode comprometer sua reserva de segurança. 

● Evite a contratação por impulso. 

● Priorize a reorganização financeira. O crédito deve ser direcionado só para quitar dívidas mais caras e organizar a vida financeira. 

● Tente evitar mais um acúmulo de dívidas. 

Visão equivocada 

Giane Guerra 

Ganhar dinheiro rápido, retorno alto e mudar de classe social estão entre as maiores motivações de quem aposta em bets, mostrou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

As três são erradas. É jogo e a maioria perde, pois as empresas precisam lucrar (bastante). 

A falta de educação financeira aparece também na conclusão do estudo de que o brasileiro não diferencia o dinheiro que vai para bet e pirâmide financeira do que deve ser para investimentos. 

(Do jornal Zero Hora, 25.08.2026)

sábado, 22 de agosto de 2026

Outra vez, nunca mais.

 Abel Silva e Sueli Costa

Outra vez,

Eu me sento aqui neste bar,

E o piano inicia a sessão

Como um filme que vai começar. 

Outra vez,

A canção diz que eu vou te amar,

E a bebida recria a ilusão,

Nunca mais, coração,

Nunca mais. 

Quem levou

Seu perfume na brisa do mar,

Seu sorriso acendendo o verão,

Como tudo acabou... 

Nunca mais,

A alegria de vê-la entrar,

E feliz atrair cada olhar.

Nunca mais!

Nunca mais!

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P.S.: Escute essa música, na internet, na voz do ator Marcos Nanini.

Digital X Leitura

 A era digital fortalece X A leitura fortalece

►A era digital fortalece a reação.

►A leitura fortalece a reflexão. 

►A era digital fortalece o consumo.

►A leitura fortalece o critério. 

►A era digital fortalece o excesso de informação.

►A leitura fortalece a compreensão. 

►A era digital fortalece as opiniões prontas.

►A leitura fortalece o pensamento próprio. 

► A era digital fortalece o imediatismo.

► A leitura fortalece a paciência. 

► A era digital fortalece a distração.

►A leitura fortalece a concentração. 

► A era digita fortalece a repetição,

► A leitura fortalece o questionamento. 

► A era digital fortalece o algoritmo.

► A leitura fortalece o julgamento. 

► A era digital fortalece a necessidade de estar certo.

► A leitura fortalece as disposição para aprender.

A era digital é o período histórico atual, iniciado na segunda metade do século XX, marcado pela transição do modelo industrial para uma economia centrada na tecnologia da informação, computadores, na internet e na comunicação instantânea.

 Principais Características 

● Conectividade: Pessoas e empresas ligadas em rede pelo mundo todo. 

● Uso de Dados: Grande capacidade para guardar e processar informações. 

● Automação: Crescimento do uso de inteligência artificial e robôs. 

Impactos na Sociedade 

● Trabalho: Mudança nas profissões e criação de escritórios virtuais. 

● Comunicação: Redes sociais e troca rápida de mensagens. 

● Comércio: Lojas virtuais e compras feitas pela internet.

A era da leitura abrange a evolução histórica e social do ato de ler, desde os registros em argila na Mesopotâmia até a transformação digital e os suportes modernos nos smartphones. O hábito de ler moldou o cérebro humano, passou por revoluções na imprensa e hoje enfrenta novos desafios diante da cultura digital e dos algoritmos de telas rápidas. 

Marcos da Evolução da Leitura 

Antiguidade: O surgimento da escrita cuneiforme para controle do comércio; leitura restrita a elites e escribas. 

A Revolução de Gutenberg: A invenção da imprensa no século XV barateou e espalhou os livros, mudando a leitura de textos raros para o consumo em massa. 

A era digital amplia o acesso aos livros e acelera a troca de ideias, enquanto a prática de ler expande o foco, o pensamento crítico e a criatividade. Juntas, tecnologia e leitura transformam a forma como aprendemos e nos conectamos com o mundo. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A Morte Devagar

 

Martha Medeiros

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.  

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida. 

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos. 

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. 

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar. 

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e, na maioria das vezes, isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população. 

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar. 

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Nota: Esta crônica foi publicada por Martha Medeiros no jornal Zero Hora, em 1ͦ de novembro de 2000. Muitas vezes é, erroneamente, atribuída a Pablo Neruda.

Diferença entre

 Fábula – Mito e Lenda 

Fábula: Narrativa curta, geralmente com animais personificados. Transmite um ensinamento moral. 

Exemplo: O Leão e o Ratinho: Moral: animais de tamanhos diferentes podem ser grandes aliados.

Mito: Narrativa antiga simbólica, com deuses, heróis e seres sobrenaturais. Explica a origem do mundo e fenômenos naturais. 

Exemplo: A Batalha de Thor conta a Serpente do Mundo.

Lenda: História transmitida oralmente, misturando fatos históricos com elementos fantásticos. Ligada a uma localidade ou cultura. 

Exemplo: A Lenda da Fênix (renascimento). 

P.S.: A principal diferença entre Fábula, Mito e Lenda está no objetivo da história e nos personagens que participam dela. A fábula ensina uma lição de moral usando animais que agem como pessoas. O mito explica a origem do mundo e dos seres com deuses e heróis. A lenda mistura fatos reais e fantasia para contar casos misteriosos de uma região.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Bilhete pra um operário

 Lourenço Diaféria

Pegaram um dia um operário e disseram-lhe: 

‒ Senta-te no banco dos réus. 

És acusado de haveres nascido com sonhos na cabeça. És acusado de teres os cabelos encaracolados. És acusado de teres bigodes vastos, negros, provocativos. 

És acusado de teres alguns pedaços de dedos a menos que o comum dos mortais, podados pelas engrenagens das máquinas. 

És acusado de ficares pelas esquinas conversando em voz baixa com amigos enquanto a luz dos postes te ilumina o suor do rosto. És acusado de terem te visto no bar dando gargalhadas. 

És acusado de tua casa ter um pequeno jardim com grama e flores. 

És acusado de conheceres a sinfonia das sirenes das fábricas anunciando a aurora do primeiro turno. És acusado de seres reconhecido na portaria e todos te cumprimentarem, e te baterem levemente nas costas com alegria, e te dizerem: olá, meu chapa. 

És acusado de inventares um partido que não é o único, mas não se confunde com siglas e teorias de alfarrábios envelhecidos. 

És acusado de fazeres discursos de improviso com vigor e garra que nascem do fundo das vísceras do espírito. 

És acusado de não seres magro nem raquítico como teus irmãos deveriam ser.

És acusado de jogares baralho e dares dores de cabeça aos homens sérios deste país. És acusado de usares gravata em vez de macacão, vestindo-te com roupas só permissíveis no enterro do melhor amigo. És acusado de frequentar reuniões e discutires com sábios e iluminados sem pedir licença nem apresentar diploma. 

És acusado de te haverem visto com ministros, criaturas importantes, e não te ocorrer submeter-se a elas. 

És acusado de não teres te colocado no lugar cavado para o oprimido. És acusado de haveres gritado com toda a força de teus pulmões fuliginosos. 

És acusado de teres filhos bonitos e uma mulher doce, que devia ser feia e talhada a foice.

És acusado de não seres rapaz comportado, meigo, gentil, acetinado. 

És acusado de conheceres a prensa, e não te afugentar o ronco que ela faz na madrugada. 

És acusado de quereres a pátria livre, e livre, também, o coração e os sentimentos do homem. 

És acusado de rezares e de pôr a boca no trombone quando todos se calam e descreem de Deus e dos homens. 

És acusado de teres o desplante de ser líder num país desnaturado onde quem levanta a fronte é triturado. 

És acusado de haveres perdido a paciência de esperar pelo futuro que não chega nunca. 

És acusado de usares sapatos 42, de couro, quando o normal é sandália havaiana. 

És acusado de romperes as cadeias invisíveis que amarram teus braços peludos e tuas mãos penadas.

És acusado de atraíres os operários com tua voz, teu berro, teu silêncio, teu olhar, tua dor, tua ânsia, teu mistério, e saberes contar, sorrindo, tristes histórias recolhidas em barracos e cômodos-e-cozinhas. 

És acusado de estares em pé, quando devias estar de bruços, de borco, exangue e vencido. És acusado de não seres o que queriam que tu fosses.

Meu caro operário sentado no banco dos réus, por favor, recebe este recado:

Se existir mesmo essa senhora difusa e vaga a que chamam Justiça, confia nela.

Não creio que essa matrona seja cega. 

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(*) Publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo, no dia 15/09/1980.

domingo, 16 de agosto de 2026

Quais os sinais da pneumonia em adultos?

Yasmim Girardi 

Uma das doenças respiratórias mais comuns ‒ e também perigosas ‒ do inverno é a pneumonia, que atinge principalmente os pulmões. 

No frio, vírus e bactérias circulam mais, sendo favorecidos pela maior permanência em ambientes fechados. A pneumonia ocorre quando esses microrganismos conseguem chegar ao pulmão e provocar uma infecção. A doença pode atingir pessoas de diferentes idades, mas alguns grupos estão mais suscetíveis. Crianças pequenas e idosos têm maior risco de apresentar quadros mais graves, como afirma Daniela Cavalet Blanco, médica pneumologista cooperada da Unimed: 

‒ Pessoas acima dos 65 anos chegam a ter três vezes mais chances de ter pneumonia do que as mais novas. Fumantes, portadores de doenças crônicas, sejam elas pulmonares (asma, enfisema, sinusite) ou de outras partes do organismo, paciente imunossuprimidos, oncológicos, diabéticos, com doenças metabólicas ou obesidade também fazem parte da população de risco. 

Quando a pneumonia se instala, os alvéolos ‒ pequenas estruturas responsáveis pela troca de oxigênio e gás carbônico ‒ podem se encher de líquido, secreções e células inflamatórias, em vez de permanecerem preenchidos apenas por ar. Com isso, a passagem do oxigênio para o sangue fica prejudicada. Juntamente com a resposta do organismo à infecção, esse cenário pode causar os sintomas mais conhecidos, como tosse, falta de ar e febre. 

Como ocorre a transmissão? 

O contágio depende do agente causador. Entre as bactérias associadas à doença, estão legionella, moraxella e haemophilus, além do pneumococo. Já na lista de vírus, destacam-se agentes como Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR)* e SARS-CoV-2, causador da Covid-19*. 

‒ Na maioria das vezes, são bactérias que já estão ali, que moram no microbioma (conjunto de microrganismo que vivem naturalmente no corpo humano) e aí alguma coisa que predispõe, como o cigarro, o abuso de álcool, uma doença crônica ou metabólica, baixa imunidade, o uso de remédios, pode contribuir para que pequenas quantidades dessas bactérias sejam aspiradas e cheguem aos pulmões ‒ explica a especialista. 

Há, ainda, a pneumonia estafilocócica, que pode surgir a partir de bactérias presentes em focos de infecção, como dentes em más condições ou lesões na pele. 

No caso dos vírus, eles são transmitidos com mais facilidade, principalmente por gotículas e partículas eliminadas no ar por pessoas infectadas. Ao serem inalados, podem chegar às vias aéreas inferiores e infectar as células dos pulmões. 

Quais são os sintomas? 

Os sintomas mais comunas são tosse, febre, falta de ar e dor ao respirar (que pode ser nas costas ou nas laterais do corpo, por exemplo). A tosse pode vir acompanhada de secreção, sobretudo nos casos bacterianos, quando o muco pode apresentar coloração amarelada ou esverdeada. Já nas pneumonias virais, é mais comum que a tosse seja seca. A pneumologista Daniela alerta que essa diferença não é o suficiente para determinar a causa. 

Também podem aparecer sinais como respiração acelerada, cansaço, perda de apetite e sensação de falta de energia. 

A intensidade e a forma variam conforme as condições de saúde de cada pessoa: em idosos e pessoas com baixa imunidade, por exemplo, a pneumonia pode provocar sintomas mais leves e até não causar febre, o que pode dificultar a identificação da doença e atrasar o diagnóstico. 

Um sinal de alerta é quando uma gripe ou resfriado, que normalmente começa a melhorar após o terceiro ou quinto dia, persiste ou volta a piorar. O diagnóstico é feito a partir da avaliação dos sintomas e do quadro clínico, que pode ser confirmado com exames de imagem, como raios-X ou tomografias, e, às vezes, exames laboratoriais. 

Tratamento e prevenção 

O tratamento depende da causa. Nos casos bacterianos, é feito com antibióticos; já nas pneumonias virais, podem ser indicados antivirais, além de medidas para aliviar sintomas e dar suporte ao organismo enquanto o vírus completa seu ciclo. Em alguns casos, a fisioterapia respiratória também pode ser indicada para ajudar na eliminação de secreções e melhorar a respiração. 

Entre as principais formas de prevenção, estão manter a vacinação em dia e evitar o cigarro, além de levar um estilo de vida saudável. Condições como diabetes, doenças pulmonares e problemas cardiovasculares podem aumentar a vulnerabilidade a Infecções ‒ acompanhamento médico e tratamento adequado ajudam a preservar defesas do organismo. 

A vacinação ajuda a reduzir o risco de pneumonia e, principalmente, de formas graves da doença. No SUS, a proteção contra o pneumococo passou a contar, em 2026, com a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), incorporada gradualmente à rede pública.

 (Do caderno Vida, do jornal Zero Hora, 16.08.2026)

* Para o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) já há vacinas aplicadas em algumas farmácias, e para a Covid-19, os Postos de Saúde da Prefeitura a aplicam gratuitamente.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A mulher perfeita

 Paulo Coelho

Nasrudin conversava com um amigo: 

– Então, Mullah, nunca pensaste em casamento? 

– Muito. – respondeu Nasrudin – Em minha juventude, resolvi conhecer a mulher perfeita. Atravessei o deserto, estive em Damasco e conheci uma mulher espiritualizada e linda; mas ela não sabia nada das coisas do mundo. Continuei a viagem e fui a Isfahan; lá encontrei uma mulher que conhecia o reino da matéria e do espírito, mas não era bonita. Então resolvi ir até o Cairo, onde, finalmente, jantei na casa de uma moça bonita, religiosa e conhecedora da realidade material. 

– E por que não casaste com ela? 

– Ah, meu companheiro! Infelizmente ela também procurava um homem perfeito... 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Acredite se puder...

 (Coisas incríveis acontecem no mundo, hoje e sempre.)

►Em 1925, o cientista sueco Zilben Zalben inventou um avião a motor que não precisava de gasolina. Hoje, 100 anos depois, o aparelho ainda não conseguiu decolar. 

► Brandislau da Brandislávia: reuniu seu pequeno exército de 234 homens, em 1345, e marchou contra as tropas reunidas do império austro-húngaro. Usando de extrema habilidade e raro gênio estratégico, Brandislau atraiu seus inimigos para um campo aberto ao lado do seu pequeno país e começou a batalha. Por incrível que pareça, sua tropa foi inteiramente dizimada. 

► O escocês Wilm MacDellall conseguiu beber três garrafas de uísque sem ficar embriagado. Levou vinte anos para bebê-las. 

► Mais de quarenta pessoas viram um dinossauro vestindo roupas de astronauta, planando sobre um objeto voador não-identificado. As ditas pessoas se encontravam no pátio do Hospício Municipal de Breslow, na Transilvânia. 

► Em 1765 o famoso Príncipe Bordislaw, da Pomarínia do Sul, enfrentou sozinho as forças reunidas da Inglaterra, França, Itália, Grécia e Bélgica. Por mais absurdo que pareça, Bordislaw perdeu a batalha. 

► Um estudioso birmanês: Swami Bawigda criou um sistema de acupuntura feito com espadas de dois metros com uma lâmina de seis polegadas. Até hoje nenhum de seus pacientes escapou ao tratamento. 

► O primeiro transplante bem-sucedido a ser feito no mundo foi efetuado pelo italiano Finnimo Garrino, que com imenso sucesso, transplantou uma roseira do jardim de seu vizinho para o quintal de sua própria casa. Não houve rejeição a não ser por parte do próprio vizinho, que deixou de cumprimentá-lo. 

► Frederick Filelds, inglês de Sussex, na Inglaterra, encontrou um coelho de duas cabeças na sua propriedade. O mais espantoso é que o bicho come duas vezes mais cenouras do que o coelho comum e na metade do tempo. 

► Quando o nadador inglês Galsworth Molbrogh disse que iria atravessar o canal da Mancha, nadando por debaixo d’água, todos disseram que ele estava louco. Todos tinham razão. Hoje Gallsworth encontra-se internado do hospício de Rochester Institute. 

► Gustavo Gustaff, alemão de Munique, bateu um curioso recorde. Conseguiu assistir a 3.000 filmes. Gustaff aposentou-se na semana passada de seu emprego como lanterninha de cinema. Declarou que agora em diante só irá ao teatro. 

► Uma árvore frutífera que dá frutos em forma de maçã foi descoberta no jardim de Joan Belleny, no Kansas. Peritos que examinaram o fenômeno garantem que se trata de uma macieira. 

► O nadador belga Jean des Cuites fez, em 1925, a estranha promessa de atravessar o oceano Atlântico a nado. Em 2025, cem anos depois, Jean ainda não tinha cumprido a promessa. 

► Em 1950 o pintor Frinó Batista pulou do vigésimo andar de um edifico no centro da cidade de Madrid. Bateu num toldo que estava aberto no décimo sétimo, depois aliviou sua queda num mastro que estava colocado no décimo quinto e seguiu furando catorze toldos, que foram aparando seu tombo até o chão, onde caiu, por coincidência, numa poltrona que estava sendo limpa, absolutamente sem um arranhão e completamente morto. 

(Do livro “O Astronauta sem regime”, de Jô Soares)