domingo, 16 de agosto de 2026

Quais os sinais da pneumonia em adultos?

Yasmim Girardi 

Uma das doenças respiratórias mais comuns ‒ e também perigosas ‒ do inverno é a pneumonia, que atinge principalmente os pulmões. 

No frio, vírus e bactérias circulam mais, sendo favorecidos pela maior permanência em ambientes fechados. A pneumonia ocorre quando esses microrganismos conseguem chegar ao pulmão e provocar uma infecção. A doença pode atingir pessoas de diferentes idades, mas alguns grupos estão mais suscetíveis. Crianças pequenas e idosos têm maior risco de apresentar quadros mais graves, como afirma Daniela Cavalet Blanco, médica pneumologista cooperada da Unimed: 

‒ Pessoas acima dos 65 anos chegam a ter três vezes mais chances de ter pneumonia do que as mais novas. Fumantes, portadores de doenças crônicas, sejam elas pulmonares (asma, enfisema, sinusite) ou de outras partes do organismo, paciente imunossuprimidos, oncológicos, diabéticos, com doenças metabólicas ou obesidade também fazem parte da população de risco. 

Quando a pneumonia se instala, os alvéolos ‒ pequenas estruturas responsáveis pela troca de oxigênio e gás carbônico ‒ podem se encher de líquido, secreções e células inflamatórias, em vez de permanecerem preenchidos apenas por ar. Com isso, a passagem do oxigênio para o sangue fica prejudicada. Juntamente com a resposta do organismo à infecção, esse cenário pode causar os sintomas mais conhecidos, como tosse, falta de ar e febre. 

Como ocorre a transmissão? 

O contágio depende do agente causador. Entre as bactérias associadas à doença, estão legionella, moraxella e haemophilus, além do pneumococo. Já na lista de vírus, destacam-se agentes como Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR)* e SARS-CoV-2, causador da Covid-19*. 

‒ Na maioria das vezes, são bactérias que já estão ali, que moram no microbioma (conjunto de microrganismo que vivem naturalmente no corpo humano) e aí alguma coisa que predispõe, como o cigarro, o abuso de álcool, uma doença crônica ou metabólica, baixa imunidade, o uso de remédios, pode contribuir para que pequenas quantidades dessas bactérias sejam aspiradas e cheguem aos pulmões ‒ explica a especialista. 

Há, ainda, a pneumonia estafilocócica, que pode surgir a partir de bactérias presentes em focos de infecção, como dentes em más condições ou lesões na pele. 

No caso dos vírus, eles são transmitidos com mais facilidade, principalmente por gotículas e partículas eliminadas no ar por pessoas infectadas. Ao serem inalados, podem chegar às vias aéreas inferiores e infectar as células dos pulmões. 

Quais são os sintomas? 

Os sintomas mais comunas são tosse, febre, falta de ar e dor ao respirar (que pode ser nas costas ou nas laterais do corpo, por exemplo). A tosse pode vir acompanhada de secreção, sobretudo nos casos bacterianos, quando o muco pode apresentar coloração amarelada ou esverdeada. Já nas pneumonias virais, é mais comum que a tosse seja seca. A pneumologista Daniela alerta que essa diferença não é o suficiente para determinar a causa. 

Também podem aparecer sinais como respiração acelerada, cansaço, perda de apetite e sensação de falta de energia. 

A intensidade e a forma variam conforme as condições de saúde de cada pessoa: em idosos e pessoas com baixa imunidade, por exemplo, a pneumonia pode provocar sintomas mais leves e até não causar febre, o que pode dificultar a identificação da doença e atrasar o diagnóstico. 

Um sinal de alerta é quando uma gripe ou resfriado, que normalmente começa a melhorar após o terceiro ou quinto dia, persiste ou volta a piorar. O diagnóstico é feito a partir da avaliação dos sintomas e do quadro clínico, que pode ser confirmado com exames de imagem, como raios-X ou tomografias, e, às vezes, exames laboratoriais. 

Tratamento e prevenção 

O tratamento depende da causa. Nos casos bacterianos, é feito com antibióticos; já nas pneumonias virais, podem ser indicados antivirais, além de medidas para aliviar sintomas e dar suporte ao organismo enquanto o vírus completa seu ciclo. Em alguns casos, a fisioterapia respiratória também pode ser indicada para ajudar na eliminação de secreções e melhorar a respiração. 

Entre as principais formas de prevenção, estão manter a vacinação em dia e evitar o cigarro, além de levar um estilo de vida saudável. Condições como diabetes, doenças pulmonares e problemas cardiovasculares podem aumentar a vulnerabilidade a Infecções ‒ acompanhamento médico e tratamento adequado ajudam a preservar defesas do organismo. 

A vacinação ajuda a reduzir o risco de pneumonia e, principalmente, de formas graves da doença. No SUS, a proteção contra o pneumococo passou a contar, em 2026, com a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), incorporada gradualmente à rede pública.

 (Do caderno Vida, do jornal Zero Hora, 16.08.2026)

* Para o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) já há vacinas aplicadas em algumas farmácias, e para a Covid-19, os Postos de Saúde da Prefeitura a aplicam gratuitamente.

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