domingo, 3 de julho de 2022

Como surpreender seu professor

 

Veja como surpreender o professor de matemática com o espantoso poder de seu cérebro. 

1. Pergunte ao seu professor de matemática quanto é 4 dividido por 47. Faça parecer que você acabou de inventar a pergunta. 

2. Não deixe que seu professor trapaceie, usando uma calculadora. 

3. Após uma grande pausa para pensar, seu professor deve responder um número entre 0,08 e 0,085. 

4. Sorria gentilmente e diga: 

− Isso é bastante impreciso. Acho que a resposta correta é: 

0,08510638297872340425531914893617021276594468 

5. Dê um tempo para saborear a expressão de choque do seu professor. 

6. Com sorte, seu professor não saberá que este incrível exercício de aritmética mental já foi realizado pelo professor A. C. Aitken, da Universidade de Edimburgo. 

7. É claro que, se você não for um gênio da matemática, terá de aprender a resposta de cor. 

Dicas 

É mais fácil decorar os números em grupos de três ou quatro, e depois dizê-los de uma só vez. 

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(Do livro “Ciência horrível”, de Nick Arnold) 

   

Alexander Craig Aitken foi um dos mais destacados calculadores mentais, tendo uma prodigiosa memória. Sabia os primeiros mil dígitos de pi, os 96 dígitos recursivos de 1/97, e memorizou a Eneida na escola. Infelizmente, sua inabilidade para esquecer os horrores vivenciados na Primeira Guerra Mundial levaram a recorrente depressão ao longo de sua vida.

Viver e poder reviver

 Uma vida de borboletas azuis*

Com irmãos, não menos extrovertidos que eu, minha infância é um texto de bagunças e artes que atiçavam os nervos de meu pai. Esse me vem à lembrança como a mais rica das memórias que ainda não se apagaram completamente nesses 82 anos, de caminhada árdua pela vida. 

De minha mãe não guardo muita coisa, pois ela se foi quando eu era um toquinho de gente, tinha apenas cinco anos. Como lembrança dela, recordo uma teimosia que guardo com vergonha, e é um bocado engraçada. Foi em um fim de tarde.

Como sempre, ela nos mandou meus irmãos e eu, irmos tomar banho no riacho que corria logo abaixo de casa. No forno da casa havia um bolo assando, e, como eu estava com uma gula imensa por devorá-lo, propus a minha mãe que se ela me desse um pedaço do bolo eu tomava o tal do banho. Ela ignorou meu pedido e me deu um pedaço de sabão para que eu me banhasse de uma vez. O pedaço era tão parecido com uma fatia de bolo, que eu, naquela idade, me confundi com tal. Hum! Jurei que era o doce de verdade. 

Lembro com lágrimas nos olhos das brincadeiras, do tempo de vestidinho de chita que eram recheados de imaginação. A ilusão de ver uma boneca em uma espiga de milho ou em um embrulho de meias, uma bola para jogar caçador, era a única maneira de termos um brinquedo por falta de dinheiro. Porém, as brincadeiras não deixavam de ser calorosas e divertidas em meio a tantos improvisos. 

O decorrer dos dias era sempre a mesma rotina, acordar, ir para o curral, ordenhar as vacas, depois ir para o campo cortar milho. Nos fins de semana fazíamos faxina em casa. O que me divertia era ir à igreja e cantar ladainhas em italiano. Minha rotina só mudou quando comecei a frequentar a escola aos nove anos. 

A minha infância na escola, ao contrário de muitas, não me causava repulsa. Em uma escola de freiras, as professoras não eram feras de unhas afiadas como em tantas histórias, nem os castigos severos. Tudo corria perfeitamente. Até hoje lembro de lições em que escrevíamos na “pedra” para depois apagar e guardar apenas entre as orelhas: temos um polegar, um indicador, anelar, mindinho, pai de todos; temos quatro caninos... 

Aos treze anos, comecei um namoro com meu vizinho, ele, na época, tinha quatorze anos e frequentávamos a mesma escola. As festas que eu então ia seguidamente com meu pai, era o ponto de encontro entre eu e Ezelino. Nós nos comunicávamos trocando apenas olhares. Eu roubava o seu sono; ele, o meu, nos amávamos deveras. O casamento veio seis anos depois. Tudo arranjado por meus parentes, que fizeram um bom trabalho, pois saiu uma linda festa com churrasco e deliciosos doces. Naquela nossa primeira noite, o sono roubado por tantos anos foi compensado, quando dormimos abraçadinhos até de manhãzinha, com borboletas azuis rondando nossos sonhos. 

A linda história foi substituída por um pesadelo anos mais tarde. As mariposas azuis desapareceram, quando meu querido faleceu de câncer aos 45 anos. Ainda não entendo como vivi trinta e oito anos sem Ezelino ao meu lado. 

Hoje, quando sento na cadeira de balanço, tenho a impressão de que as borboletas voltam e rondam meu coração trazendo a lembrança de Ezelino, onde, nos seus olhos, vejo refletida toda a minha infância e sinto na boca o gosto do sabão, trocado pelo bolo. Se eu pudesse arrumar minha trouxinha e me mudar para a infância novamente, não pensaria duas vezes, levava a meus amigos para sentir o gostinho de tudo o que eu vivi e poder reviver mais algum tempo com meu amado. 

******* 

P.S. Na internet e em trabalhos acadêmicos não há nenhuma referência à autora dessa crônica.

sábado, 2 de julho de 2022

Palavras*

 Marilise Brockstedt Lech

Palavras dizem

Palavras

Palavras lindas

Saudade

Palavras cheias

Entusiasmo

Palavra mágica

Angústia

Palavras vazias

Ética

Palavras justas

Pensamentos traduzidos

Descaotizados

Linguagem inventada

Falada

Escrita

Palavras variáveis

Com significado

Ou como significantes

Expressam quem somos

Parábola

Metáfora

Palavras declaram

Humanizam

Machucam

Enriquecem

Rimam

Palavras falam.

Por vezes avulsas

Outras fraseadas.

Palavras brindam. 

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As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntando umas com as outras, parece que não sabem aonde querem ir, e de repente, por causa de duas ou três, ou quatro que de repente saem, simples em si mesmas, um pronome pessoal, um advérbio, um verbo, um adjetivo, e aí temos a comoção a subir irresistível à superfície da pele e dos olhos, a estalar a compostura dos sentimentos. 

José Saramago 

* Do livro “Frases inteligentes para lembrar e usar – citações * provérbios * aforismos”, de Marilise Brockstedt Lech e Osvandré Lech 

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Murphologia Acadêmica

 

Se você não entende um trecho especifico em um texto técnico, ignore-o. O texto vai fazer sentido mesmo sem ele. 

Se o texto não faz sentido sem a palavra, também não fará sentido com ela. 

A única coisa que existe na vida são os erros. 

O erro de um homem é a pesquisa de outro homem. 

A única coisa certa que existe na vida são os erros.

Quem não sabe (em uma escola) ensinar, administra. 

Nunca deixe seu professor saber que você existe. 

Ninguém presta atenção, a não ser na hora que você comete um erro. 

Se você não sabe a resposta, algum lhe professor fará a pergunta. 

O professor nunca está ausente no dia da prova. 

Se a disciplina que você quer fazer tem vagas para n alunos, você será o aluno n+1. 

Na prova mais importante, a(o) aluna(o) mais bonita(o) da turma sentará  do seu lado pela primeira vez. 

Você só lembra da resposta certa depois que a prova acaba

A disciplina que falta você fazer para poder se formar nunca estará disponível no próximo semestre. 

Quanto mais genérico o título de uma disciplina, menos você aprenderá. 

Quanto mais especifico for o título, menos oportunidade você terá de aplicar na prática o que aprender quando se formar. 

Se os dados não se encaixam na sua conclusão, remova alguns dados. 

Se o texto ficar com poucos dados, invente alguns. 

A biblioteca mais próxima nunca tem o material de que você necessita. 

Sempre o livro que você mais precisa para concluir a sua monografia é o que alguém pegou emprestado e nunca o devolveu. 

Quando estiver revendo suas anotações antes da prova, as mais importantes estarão ilegíveis. 

Quanto mais você estudou, menos certeza passa a ter se a resposta que vai dar é a que o professor quer. 

Na véspera da prova de uma disciplina, o professor de outra disciplina vai passar um livro de duzentas páginas sobre outro assunto que não tem nada a ver. 

Todo professor pensa que você não tem mais nada a fazer a não ser estudar a disciplina dele. 

Se lhe derem a oportunidade de levar um livro para consultar durante a prova, você esquecerá o livro em casa. 

Se lhe derem o direito de levar a prova para fazer em casa, você esquecerá a rua onde mora, 

No final do semestre você se lembrará de que se matriculou em um curso no início do semestre e não assistiu a nenhuma aula. 

A citação mais importante do seu artigo será sempre aquela da qual você não consegue se lembrar da autoria. 

A fonte não citada dessa citação sempre aparecerá na crítica mais hostil ao seu artigo. 

A biblioteca nunca tem o livro ou revista mais vital para a conclusão de sua monografia. 

Se o livro ou revista existe na biblioteca, a página mais importante terá sido arrancada. 

Quando um aluno pergunta mais de uma vez se você já leu o trabalho dele, é porque não foi ele quem fez o trabalho. 

É impossível uma pessoa aprender o que essa pessoa acha que já sabe. 

Nunca diga tudo o que sabe. 

Quando chega a sua vez, as regras são mudadas. 

Se a gente soubesse exatamente o rumo que as coisas iriam tomar, nunca chegaríamos a parte alguma. 

O principal requisito para um professor da faculdade de medicina é saber manter os alunos acordados.

(Do livro “A Lei de Murphy e os médicos, de Arthur Bloch) 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Culpa o tempo

 

Eu não tinha este rosto pálido,

Nem estes meus olhos sem vida.

Meu pensamento era mais válido

E a minha voz sempre era ouvida. 

Não tinha estas mãos tão frágeis,

Nem minhas pernas tão pesadas.

Meus braços eram fortes e ágeis

E a minha lucidez, minha aliada. 

Não tinha estes ouvidos mortos,

Nem minha memória atribulada.

Embarquei em vários portos,

Desbravei caminhos tortos,

Mas nunca desisti de nada. 

Enfrentei sem medo meus trilhos,

Desejo agora que a vida corra,

Não deixei morrer meus filhos,

Por que quereis que agora eu morra? 

Eu por vós sempre fui amada,

Agora, sou olhada de esguelha:

Mãe! Era assim que era chamada,

Hoje sou chamada de velha. 

Eu não dei por esta mudança,

Não desejei ser este empecilho.

Olhei por ti enquanto criança,

Olha agora por mim, meu filho. 

Porque eu continuo a ser tua mãe,

Porque eu amar-te-ei para lá do fim.

Se tu quiseres culpar alguém,

Culpa o tempo e não a mim! 

José Carlos SC

domingo, 26 de junho de 2022

Apelo em favor dos Animais

 

Vós que vedes luzes nestas letras que traçam a evolução espiritual, tende compaixão dos pobres animais.

Sede bons para com eles, como desejais que o Pai Celestial,
vos cerque de carinho e de amor.

Não encerreis os pássaros em gaiolas.

Renunciai as caçadas.

Acariciai os vossos animais.

Dai-lhes remédios na enfermidade e repouso na velhice.

Lembrai-vos de que os animais são seres vivos que sentem, que pensam, que se cansam, que tem força limitada, que adoecem, que envelhecem.

Os animais são vossos companheiros de existência terrestre.

Como vós, eles vieram progredir, estudar, aprender.

Sede seus são anjos tutelares.

Sede benevolentes para com eles, como é benevolente para com todos os filhos do Pai.

Saboreie o seu café

 

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, reuniu-se para visitar um antigo professor da universidade. Em pouco tempo a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo. Ao oferecer café aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras − de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas… Pediu a todos para se servirem.

Quando todos os estudantes estavam de xícara em punho, o professor disse: “Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e do estresse. 

Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade alguma ao café. Na maioria das vezes são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo. O que todos vocês realmente desejavam era o café, e não as xícaras; mas escolheram, conscientemente, as melhores e, então, ficaram de olho nas xícaras uns dos outros.

Agora pensem nisso: A vida é o café, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras. Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a vida, e o tipo de xícara que temos não define nem altera a qualidade de vida que vivemos. Às vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que Deus nos deu.” 

Deus coa o café, e não as xícaras... Saboreie o seu café!