Um velhinho, muito safo, está num botequim fuleiro tomando tranquilamente seu chope espumante diário. Um grupo de rapazes está em outra mesa conversando animadamente.
O idoso, pensativo, suspira olhando para as paredes do bar um tanto desolado. Um dos rapazes, notando a tristeza do ancião, se dirige a ele, curioso:
‒ Está tudo bem com o senhor? ‒ pergunta tentando saber o porquê daquela tristeza.
O velhinho começa a contar aos rapazes a razão do seu descontentamento:
‒ Estou tentado me lembrar das cinco coisas que não fiz na vida, puxo pela memória e só, a muito custo, consigo me lembrar de quatro.
Os rapazes, solidários, se acercam do idoso, incentivando para que tentasse se lembrar das cinco coisas que ele não fez na vida.
O velhinho, fazendo um esforço danado, começa a falar do que consegue ainda se lembrar:
‒ A primeira coisa que me lembro que não fiz, seria jogar basquete, que não fiz pela minha baixa estatura. A segunda era ser piloto de avião, não consegui porque as aulas eram muito caras. A terceira... a terceira, se não me falha a memória, era conhecer Paris! A quarta, vou ver se consigo me lembrar, acho que era cursar Medicina, atendendo o desejo do meu saudoso pai. A quinta? Não consigo me lembrar. Eu tento, tento, mas é impossível trazer à memória...
Os jovens estão empolgadíssimos com a narrativa do idoso, um deles, o mais afoito, chega a sentar-se à mesa do velho senhor, pedindo mais detalhes daquilo que está faltando para completar as cinco coisas não foram feitas pelo velhinho.
O idoso começa a tamborilar os dedos na mesa, e a garotada dando força:
‒ Vamos lá que o senhor consegue, respira fundo, pensa bem, vai buscar no fundo dos neurônios o quinto desejo! Força! Vai fundo! O senhor consegue!
De repente, o velho senhor dá um pulo da cadeira:
‒ Me lembrei! Agora vejo tudo claramente na minha memória! Consegui me lembrar! Aleluia!
Os jovens, com uma alegria esfuziante, cercam o velhinho, com uma curiosidade monumental:
‒ Conta pra nós, tio, conta em detalhes, não nos aguentamos para saber. Conta logo!
O velhinho, com um sorriso maroto, conta a eles:
‒ A quinta coisa não fiz na vida foi comer o c... de um curioso!
A gargalhada, no bar, foi geral.









