sábado, 1 de agosto de 2026

Origem do nome Fusca

 Leandro Staudt

A Volkswagen iniciou as operações no Brasil em 1953, montando os seus carros em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Lançado nos anos 1930 na Alemanha, o Fusca se tornaria o carro mais popular entre os brasileiros. Originalmente, o nome era outro: Volkswagen Sedan. 

Em 1934, Ferdinand Porsche firmou contrato com o governo alemão, liderado por Adolf Hitler. O engenheiro recebeu a tarefa de desenvolver um automóvel popular. O Volkswagen, que significa “carro do povo”, passou a ser produzido em 1938, mas só ganhou escala depois da Segunda Guerra Mundial. 

Entre 1953 e 1957, foram montadas 2.268 unidades em São Paulo. No início, eram apenas 12 empregados, que juntavam as peças importadas da Alemanha. 

O sucesso nas vendas fez a empresa construir uma fábrica em São Bernardo do Campo. A unidade da Via Anchieta produziu o primeiro Fusca em 1959. Naquele ano, foram vendidos 8.406 veículos do modelo. 

Por 23 anos, o Fusca foi líder de mercado no país. Na primeira fase, até 1986, a Volkswagen produziu 3,1 milhões dele no país. O modelo voltaria a ser fabricado entre 1993 e 1996. 

É curioso como o brasileiro mudou o nome de Volkswagen Sedan para Fusca. O apelido já era citado nos jornais para se referir ao carro no início dos anos 1960. Em 1968, a Volkswagen publicou uma propaganda usando a expressão Fusca. 

O nome foi oficializado apenas nos anos 1980 para o modelo no Brasil. Em meados de 1982, o jornal O Globo noticiou que “o Volkswagen 1300, a partir do seu modelo para 1983, que já começa a chegar às concessionárias da marca, passa a ser oficialmente denominado Fusca”. 

No Guia dos Curiosos, o jornalista Marcelo Duarte conta como os brasileiros fizeram a corruptela. A letra “v” em alemão corresponde ao som do nosso “f”, e o “w” tem som de “v”. O nome, portanto, é pronunciado como “Fôlks Vagen”. O brasileiro falava “Fôlks Vágui”, “Fôsk Vágui, “Fúsk Vágui”, entre outras variantes, até chegar a Fusca. Muita gente tira mais uma letra e chama o carro simplesmente de Fuca. 

(Do Almanaque Gaúcho, jornal Zero Hora, 1ͦ .08.2026)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Uma historinha ficcional

Ruy Barbosa e o caipira 

Em noite de feroz inspiração, “Ruy Barbosa” saiu a passeio pelo campo, e, topando com um roceiro que contemplava o luar, disse-lhe: 

‒ És um amante do belo! Acaso, já viste também os róseos dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno? 

‒ Ultimamente, não ‒ respondeu o caipira pasmado. Faz um ano que num boto pinga na boca. 

******* 

Ruy Barbosa falava de forma muito difícil e erudita devido à sua formação clássica profunda, à sua devoção rigorosa à gramática portuguesa e à sua oposição a uma suposta corrupção do idioma. Conhecido como o “Águia de Haia”, ele via o domínio absoluto da norma culta como ferramenta de poder argumentativo e proteção da identidade nacional. 

● Culto à tradição: Ele dedicava horas diárias à leitura de clássicos e defendia o rigor estrito da sintaxe de origem portuguesa. 

● Rejeição ao “dialeto brasileiro”: Ele combatia abertamente as inovações populares e regionalistas na escrita formal, que julgava serem erros e desvios gramaticais. 

● Perfil de leitor e jurista: Como grande polímata, jurista e escritor do início da República, sua linguagem refletia o padrão acadêmico e o tom solene exigido pela alta política e tribunais da época. 


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Uma reflexão muito profunda

 por Pierre Teilhard de Chardin

(Nascido em Orcines, 1ͦ de maio de 1881 ‒ Falecido em Nova Iorque, 10 de abril de1955), que foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que tentou construir uma visão integradora entre ciência e teologia: 

* A religião não é apenas uma, são centenas.

* A espiritualidade é apenas uma.

* A religião é para os que dormem.

* A espiritualidade é para os que estão despertos.

* A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.

* A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.

* A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.

* A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

* A religião ameaça e amedronta.

* A espiritualidade lhe dá paz interior.

* A religião fala de pecado e de culpa.

* A espiritualidade lhe diz: “aprenda com o erro”.

* A religião reprime tudo, te faz falso.

* A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

* A religião não é Deus.

* A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

* A religião inventa.

* A espiritualidade descobre.

* A religião não indaga nem questiona.

* A espiritualidade questiona tudo.

* A religião é humana, é uma organização com regras.

* A espiritualidade é Divina, sem regras.

* A religião é causa de divisões.

* A espiritualidade é causa de União.

* A religião lhe busca para que acredite.

* A espiritualidade você tem que buscá-la.

* A religião segue os preceitos de um livro sagrado.

* A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

* A religião se alimenta do medo.

* A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.

* A religião faz viver no pensamento.

* A espiritualidade faz Viver na Consciência.

* A religião se ocupa com fazer.

* A espiritualidade se ocupa com Ser.

* A religião alimenta o ego.

* A espiritualidade nos faz transcender.

* A religião nos faz renunciar ao mundo.

* A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

* A religião é adoração.

* A espiritualidade é meditação.

* A religião sonha com a glória e com o paraíso.

* A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

* A religião vive no passado e no futuro.

* A espiritualidade vive no presente.

* A religião enclausura nossa memória.

* A espiritualidade liberta nossa consciência.

* A religião crê na vida eterna.

* A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

* A religião promete para depois da morte.

* A espiritualidade é encontrar Deus em nosso interior durante a vida.

* Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual...

* Somos seres espirituais passando por uma experiência humana...

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Aspiração

 Álvaro Moreyra

– Papai, se eu te pedisse uma nuvem, tu me dava?

– Dava...

– E o sol?

– Dava...

– Não vê!...

– Dava, sim...

– E aquela árvore, lá em cima do morro?

– Dava...

– E todos os vapores que andam no mar?

– Dava...

– Ah!

– Que é?

– Eu só queria um tostão pra comprá um pirulito...

terça-feira, 28 de julho de 2026

A quebra de protocolo diplomático

por Milei teve ajuda de Tarcísio e Flávio Bolsonaro 

Por Míriam Leitão 

O GLOBO ‒ 27/07/2026 

Todos os protocolos diplomáticos foram quebrados pela visita de Javier Milei ao Brasil. Já testemunhei muitas crises entre Brasil e Argentina, mas esta é, de fato, uma das mais graves. A tensão instalada entre os dois países após os ataques de Milei domina as manchetes do Clarín e do La Nación, os principais jornais argentinos, nesta segunda-feira. 

O primeiro protocolo quebrado é vir sem avisar ao governo. O fato é que qualquer viagem de um chefe de Estado a outro país, ainda que tenha caráter privado, segue um protocolo mínimo, que inclui a comunicação prévia ao governo anfitrião ‒ procedimento completamente ignorado por Milei. O presidente argentino foi diretamente a São Paulo, onde participou da convenção do PL. Antes disso foi recebido com um tapete azul, em referência à chamada “onda azul”, alusão as eleições de candidatos de direita, no Palácio Bandeirantes, pelo governador Tarcísio de Freitas que concedeu a ele a Medalha da Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo. Tarcísio o recebeu com honras de chefe de Estado. 

Ele veio como convidado de honra para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Milei adotou, em seu discurso, uma postura de completo desrespeito ao governo brasileiro e ao próprio processo eleitoral do país. O presidente argentino utilizou palavras ofensivas e desairosas ao se referir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. O Brasil respondeu pelos canais diplomáticos: chamou de volta o embaixador brasileiro na Argentina para consultas e convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a conduta de seu presidente ‒ uma tarefa que dificilmente será simples. 

Na volta à Argentina, Milei concedeu uma entrevista em que afirmou, sem provas, que o governo brasileiro financiou uma campanha midiática contra a Argentina após a Copa do Mundo. Chegou a dizer que 25% dos recursos da suposta campanha teriam saído do Brasil, em reportagem publicada no Clarín. A alegação, no entanto, não foi acompanhada de qualquer prova e carece de fundamento conhecido. Nada disso faz o menor sentido. 

Mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei parece ter buscado projetar sua imagem em um momento delicado de seu governo, marcado por dificuldades internas e elevados índices de desaprovação, que variam entre 60% e 65%, segundo pesquisas de opinião. Para isso, escolheu confrontar justamente o principal parceiro comercial da Argentina, destino da maior parte das exportações industriais argentinas. Caberá agora à diplomacia dos dois países desfazer esse impasse ‒ e não será uma tarefa fácil.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A natureza das coisas

Flávio José

 Canta Padre Fábio de Melo 

Ô, xalalalalalalá

Ô, xalalalalalalá

Ô, xalalalalalalá

Ô, coisa boa é namorar. 

Se avexe não,

Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada.

Se avexe não,

A lagarta rasteja até o dia em que cria asas.

Se avexe não,

Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa.

Se avexe não,

Amanhã ela para na porta da sua casa. 

Se avexe não,

Toda caminhada começa no primeiro passo.

A natureza não tem pressa, segue seu compasso.

Inexoravelmente chega lá.

Se avexe não,

Observe quem vai subindo a ladeira,

Seja princesa, ou seja lavadeira,

Pra ir mais alto, vai ter que suar.

Lobo mau e os porquinhos

Menino, de uns cinco anos, durante ao café da manhã, pergunta ao pai, muito curioso:

‒ Papai, por que o lobo mau queria comer os porquinhos? 

O pai, solicito, dá a seguinte resposta ao filho: 

‒ O lobo mau queria comer os porquinhos simplesmente porque estava com muita fome e os porquinhos eram vistos por ele como uma presa e uma refeição saborosa. 

O filho fica horrorizado e começa a chorar e a maldizer o lobo mau. 

O pai, já se aborrecendo com a manha do menino, grita pra ele: 

‒ Para de chorar e come logo teu pão com presunto!