domingo, 27 de novembro de 2022

Exercício e mortalidade

 Dráuzio Varella

Vários estudos comprovam que a prática de exercícios físicos diários reduz o risco de uma série de doenças, como diabetes e doenças cardiovasculares. 

Atividade física é o mais próximo do que poderíamos chamar de panaceia, na medicina moderna. 

Nos últimos anos, diversos estudos comprovaram que o exercício incorporado à rotina diária reduz o risco de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2, câncer, obesidade, problemas reumatológicos e ortopédicos, depressão e o declínio cognitivo característico das demências. 

Essas publicações mostraram de forma consistente que a prática de exercícios está associada a cerca de 30% de redução dos índices de mortalidade. 

Talvez a lógica devesse até ser invertida: não é que o exercício faça bem para o organismo, a vida sedentária é que faz muito mal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto nocivo do sedentarismo na saúde é comparável ao do cigarro. 

Não é de estranhar: o corpo humano é uma máquina que a evolução de nossa espécie moldou para o movimento. Por esse longo processo que eliminou os menos aptos, chegaram até nós corpos com pernas e braços longos e articulações que fazem as vezes de dobradiças para ampliar a mobilidade e o alcance de objetos distantes. 

Com base na experiência científica acumulada, os serviços de saúde passaram a recomendar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade mais intensa. 

A crítica a esses trabalhos sempre foi a de que se baseavam na descrição dos níveis de atividade física colhidos em relatos individuais, que costumam ser imprecisos. 

Um grupo da Universidade Harvard acaba de publicar, na revista “Circulation”, os resultados de um inquérito que envolveu 17.700 mulheres saudáveis, com idade média de 72 anos, cujos níveis de atividade foram avaliados por meio de acelerômetros, aparelhos que medem com mais acurácia a intensidade dos exercícios, o número de horas dedicadas a eles e o tempo gasto em inatividade. 

As participantes usaram o acelerômetro os dias inteiros, durante uma semana típica de suas rotinas. 

Metade das mulheres gastou 28 minutos diários na prática de exercícios moderados ou mais intensos (como andar bem depressa). A média diária de tempo dedicado a atividades leves (como o trabalho doméstico ou andar devagar) foi de 351 minutos.

Num período de observação, que teve a duração média de dois anos, ocorreram 207 óbitos. 

De acordo com os níveis de atividade, as participantes foram divididas em quatro grupos. Na comparação com as menos ativas, as que se empenharam em exercícios mais intensos tiveram a mortalidade diminuída em 70%. 

A tendência atual é considerar tímida a recomendação de 150 minutos de exercícios leves ou 75 minutos de exercícios mais intensos, por semana, uma vez que o dia tem 1.440 minutos, e a semana 10.080. 

Os autores ressaltam que mesmo as que chegaram aos 80 anos se beneficiaram da prática de exercícios mais intensos e da redução do número de horas de inatividade. 

A fragilidade mais importante desse estudo foi a de haver selecionado mulheres ativas e saudáveis. Teria sido interessante compará-las com sedentárias da mesma faixa etária. 

O formato do estudo não permite estabelecer com segurança a relação de causa e efeito entre atividade física mais vigorosa e a longevidade, mas a probabilidade de se tratar de relação causal é alta. 

No passado, os médicos recomendavam que as pessoas mais velhas fizessem repouso, para não “sobrecarregar” o organismo. A imagem dos avós aposentados que passavam os dias cochilando na poltrona da sala, até caírem fulminados pelo infarto de miocárdio ou derrame cerebral faz parte das memórias daquela época. 

Pacientes operados ficavam proibidos de levantar da cama por três ou quatro dias para não “dificultar” a cicatrização. 

Hoje, o coitado mal saiu do centro cirúrgico, o cirurgião aparece no quarto para expulsá-lo do leito, a pontapés, se necessário. O combate à imobilidade ajudou a reduzir significativamente o número de trombose venosa e embolias pulmonares, responsáveis pelos altos índices de complicações e mortalidade pós-operatória daqueles dias. 

A tendência atual é considerar tímida a recomendação de 150 minutos de exercícios leves ou 75 minutos de exercícios mais intensos, por semana, uma vez que o dia tem 1.440 minutos, e a semana 10.080. 

‒ Como fazer com a falta de tempo? – você perguntará. 

‒ Cara leitora, isso é problema seu.


sábado, 26 de novembro de 2022

Através do caminho

 Susana Carizza

Impossível atravessar a vida...
Sem que um trabalho saia mal feito,
sem que uma amizade cause decepção,
sem padecer com alguma doença,
sem que um amor nos abandone,
sem que ninguém da família morra,
sem que a gente se engane em um negócio.

Esse é o custo de viver.

O importante não é o que acontece,

mas, como você reage. 

Você cresce...

Quando não perde a esperança,

nem diminui a vontade,

nem perde a fé.

Quando aceita a realidade

e tem orgulho de vivê-la.

Quando aceita seu destino,

mas tem garra para mudá-lo.

Quando aceita o que deixa para trás,

construindo o que tem pela frente

e planejando o que está por vir. 

Cresce quando supera,

se valoriza e sabe dar frutos.

Cresce quando abre caminho,

assimila experiências...

E semeia raízes… 

Cresce quando se impõe metas,

sem se importar com comentários,

nem julgamentos quando dá exemplos,

sem se importar com o desdém,

quando você cumpre com seu trabalho. 

Cresce quando é forte de caráter,

sustentado por sua formação,

sensível por temperamento...

E humano por nascimento! 

Cresce quando enfrenta o inverno

mesmo que perca as folhas,

colhe flores mesmo que tenham espinhos e

marca o caminho mesmo que se levante o pó. 

Cresce quando é capaz de lidar com resíduos de ilusões,

É capaz de perfumar-se com flores...

E se elevar por amor! 

Cresce ajudando a seus semelhantes,

conhecendo a si mesmo e

dando à vida, mais do que recebe.

E assim se cresce…

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

O Bê-á-Bá de uma boa redação

 Pontos considerados essenciais pelos especialistas


Ø    Nada de gírias e frases coloquiais. É preciso seguir a norma culta da língua. 

Ø    Adjetivos que deixam a opinião bem clara são muito bem-vindos. 

Ø    Valoriza-se o emprego de palavras que ajudam a costurar os parágrafos, como “entretanto” ou “com efeito”. 

Ø    Citações de filmes, livros, músicas dão o colorido esperado ‒ pode ser de Platão a um rap. 

Ø    O enlace no derradeiro parágrafo deve conter uma proposta de solução da questão apresentada. 

 (Revista Veja, novembro de 2022) 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Sinto vergonha de mim

 Cleide Canton

Sinto vergonha de mim

por ter sido educador de parte desse povo,

por ter batalhado sempre pela justiça,

por compactuar com a honestidade,

por primar pela verdade

e por ver este povo já chamado varonil

enveredar pelo caminho da desonra. 

Sinto vergonha de mim

por ter feito parte de uma era

que lutou pela democracia,

pela liberdade de ser

e ter que entregar aos meus filhos,

simples e abominavelmente,

a derrota das virtudes pelos vícios,

a ausência da sensatez

no julgamento da verdade,

a negligência com a família,

célula-mater da sociedade,

a demasiada preocupação

com o “eu” feliz a qualquer custo,

buscando a tal “felicidade”

em caminhos eivados de desrespeito

para com o seu próximo. 

Tenho vergonha de mim

pela passividade em ouvir,

sem despejar meu verbo,

a tantas desculpas ditadas

pelo orgulho e vaidade,

a tanta falta de humildade

para reconhecer um erro cometido,

a tantos “floreios” para justificar

atos criminosos,

a tanta relutância

em esquecer a antiga posição

de sempre “contestar”,

voltar atrás

e mudar o futuro. 

Tenho vergonha de mim,

pois faço parte de um povo que não reconheço,

enveredando por caminhos que não quero percorrer… 

Tenho vergonha da minha impotência,

da minha falta de garra,

das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir,

pois amo este meu chão,

vibro ao ouvir meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira

para enxugar o meu suor

ou enrolar meu corpo

na pecaminosa manifestação de nacionalidade. 

Ao lado da vergonha de mim,

tenho tanta pena de ti,

povo brasileiro! 

 

Cleide Canton inspirou-se nestas palavras de Ruy Barbosa: 

“De tanto ver triunfar as nulidades, 

de tanto ver prosperar a desonra, 

de tanto ver crescer a injustiça, 

de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, 

o homem chega a desanimar da virtude, 

a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.  

O poema Sinto vergonha de mim atribuído ao grande Ruy Barbosa  circula pela Internet. Afinal foi escrito por uma poetisa – Cleide Canton. Não terá sido intencional e até permitiu divulgar um poema que de outro modo não chegaria ao conhecimento de tantas pessoas, mas queremos hoje chamar (mais uma vez)  a atenção para a quantidade de textos apócrifos que circulam na net. Uma das grandes vítimas , é Fernando Pessoa. Há gente na blogosfera, que ao contrário da poetisa Cleide Canton se envergonha de ser honesta, há gente dizíamos que não tem vergonha de ser desonesta e de brincar ou de fazer negócio com o nome de grandes vultos da literatura. 

Golpista a mil

 Giane Guerra*

Em tempo de popularidade do Pix, cadastre as chaves apenas nos canais oficiais dos bancos como aplicativo, internet banking ou agência. 

E não faça – ênfase aqui neste alerta – qualquer transferência em dinheiro para amigos ou familiares sem confirmar por ligação ou pessoalmente que é o conhecido mesmo quem está pedindo. Este tem sido um dos golpes mais comuns no WhatsApp, com clonagem ou falsificação do contacto da pessoa. 

Para driblar criminosos 

Líder de inovação da Federação Nacional das Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) e coordenador do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift Lab), Rodrigoh Henriques dá algumas dicas: 

• 1 ‒ O celular hoje é a carteira do consumidor. Se no passado, saímos de casa com algumas notas de reais, agora vamos à rua com todo o dinheiro que temos no banco. Uma dica é ter apenas uma conta da instituição financeira no celular e com um valor limitado. O resto deve ser acessado de um equipamento que fique em casa. 

• 2 ‒ Fique de olho no seu e-mail, pois podem ser enviado para lá alertas de troca de senha. É importante que o e-mail que você usa para recuperá-la não esteja logado no mesmo celular onde estão seus aplicativos. Crie uma conta específica. 

• 3 ‒ Use os recursos de bloqueio facial e digital. Pode atrasar um pouco a vida do usuário, mas dificulta mais ainda a do ladrão. 

• 4 ‒ Escolha instituições financeiras que tenham atendimento humanizado em casos urgentes. A inteligência artificial por robôs deve ficar apenas para dúvidas básicas. 

*(Da coluna Acerto de contas, em Zero Hora, novembro de 2022)

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Consertando o mundo.

 “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos”. 

 [Pitágoras]

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minimizá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas. 

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível demovê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção.  De repente, deparou-se com o mapa do mundo, o que procurava! Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo: 

‒ Você gosta de quebra-cabeças?  Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado.  Veja se consegue consertá-lo direitinho! Faça tudo sozinho. 

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:

‒ Pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!

A princípio, o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto.  Relutante, o cientista levantou os olhos de suas  anotações,  certo  de  que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?

‒ Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?

‒ Pai, eu não sabia como era o mundo, papai, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo. 

Autor Desconhecido

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Quem fala o que quer,

 ouve o que não quer.

Que tal essa fala de uma professora gaúcha?

Parabéns à professora pela sua presença de espírito.

Aconteceu na PUC-RS: Uma professora universitária estava acabando de dar as últimas orientações para os alunos acerca da prova final que ocorreria no dia seguinte. Finalizou, alertando que não haveria desculpas para a falta de nenhum aluno, com exceção de um grave ferimento, doença ou a morte de algum parente próximo.

Um engraçadinho, que sentava no fundo da classe, perguntou com aquele velho ar de cinismo:

- Professora, dentre esses motivos justificados, podemos incluir o de extremo cansaço por atividade sexual?

A classe explodiu em gargalhadas, com a professora aguardando pacientemente que o silêncio fosse restabelecido. Tão logo isso ocorreu, ela olhou para  o  palhaço e respondeu:

- Isto não é um motivo justificado. Como a prova será em forma de múltipla escolha, você pode vir para a classe e escrever com a outra mão...  ou, se não puder sentar-se, pode respondê-la em pé...

(Fato Verídico)