A
mulher é uma coisa tão complexa que quando o homem chega a compreendê-la o
jeito é abandoná-la.
A grande conquista da mulher
é saber que pode ser conquistada a hora que quiser.
Antigamente,
quando um homem olhava para o tornozelo da namorada, era um audacioso. Hoje, um
idiota.
Vício é o que sempre estamos
fazendo pela última vez.
Pontualidade é a coincidência
de duas pessoas chegarem com o mesmo atraso.
Segredo
é isso que vai rolando de ouvido em ouvido e volta sempre com mais detalhes.
Há dois tipos de mulheres: a
nossa e a dos outros.
Quando um homem se casa passa
a alimentar duas bocas e a calçar quatro pés.
As
mulheres são sempre muito queridas. Umas quando chegam; outras quando partem.
A mulher ideal é a eventual.
Procuro
manter sempre o mesmo nível de humor, mas a culpa não é minha: têm dias que o
leitor está mais fraco.
Viver honestamente é fácil, difícil
é viver desonestamente.
O turfe não é jogo de azar. A
gente joga sabendo que vai perder.
O homem se casa para vencer a
solidão; a mulher, para ficar só.
O homem se casa para ficar em
casa. A mulher para sair.
O divórcio é uma chance que
se dá ao indivíduo para errar outra vez.
O casamento civil é o que
ninguém vê; o religioso é onde todo mundo se vê.
Herói é o sujeito que teve a
sorte de escapar vivo.
É
sim, irmão ‒ convém não esquecer que o dinheiro não é tudo na vida. Tudo na
vida é a falta de dinheiro.
Algumas mulheres são contra o
biquíni porque o biquíni é contra elas.
Biquíni: Um pedaço de pano
cercado de mulher por todos os lados.
Quando chega ao altar, a mulher diz o último 'sim' ao homem.
As
estatísticas não falham: para cada homem solteiro há sempre uma mulher casada.
Mulher que se preza não
mente: inventa verdades.
Mais vale dois carros na contramão
que uma mulher na mão.
O homem se casa por descuido.
A mulher, por precaução.
O pior cego não é aquele que
não quer ver: é aquele que não quer ser visto.
Um homem prevenido vale por
dois; dois homens prevenidos não sobra nenhum.
Saca-rolha
é esse instrumento que foi inventado pra empurrar a rolha para dentro da
garrafa.
A alegria do geômetra é ver o
círculo pegar fogo.
O que mais pesa em cima de um
travesseiro é a consciência.
Só
uma coisa o homem faz questão de acompanhar durante toda a sua vida com
verdadeiro carinho: a queda dos cabelos.
Liberdade de imprensa é
fácil. Difícil é ser jornalista livre.
Sogra é esse parente afastado
que se torna cada vez mais próximo.
Como
evoluiu a odontologia: cada dia se inventa um aparelho diferente pra provocar
uma dor diferente.
Pai moderno é uma ilha de
afeto cercada de contas por todos os lados.
Da discussão não nasce a luz,
nasce a conta da luz.
A
grande luta dos anunciantes de sabão em pó é querer tornar o seu branco mais
branco que o do outro.
Pediatra
é um sujeito de profissão difícil: tem de agradar as mães sem prejudicar a
saúde das crianças.
O
sim mais caro do mundo o homem deposita na igreja e a mulher fica sacando o
resto da vida.
Agora que existe o parto sem
dor, só falta inventarem a conta com anestesia.
Marido é um homem que passa a metade da vida procurando uma mulher
e a outra metade tentando livrar-se dela.
O
chato da bebida não é o mal que ela nos pode trazer, são os bêbados que ela nos
traz.
Não são os cavalheiros que
estão acabando, é o “h” que já não se usa mais.
Imagem de O Folha de
Minas
Leon
Eliachar (Cairo, 12 de outubro de 1922 ‒ Rio de Janeiro, 29 de maio
de 1987) foi um jornalista de humor e escritor brasileiro nascido
no Egito.
Vida:
Veio para o Brasil muito
pequeno e viveu quase toda a sua vida no Rio de Janeiro.
Jornalista
desde os 19 anos de idade, trabalhou em diversos jornais e revistas,
fixando-se, por último, no Última Hora, onde mantinha uma página com o título
de Penúltima Hora. Justificava o nome da página com a legenda “um jornal
feito na véspera”.
Foi
colaborador dos roteiros de dois filmes carnavalescos, e autor de
programas de rádio e secretário da revista Manchete. Também foi colunista
da revista O Cruzeiro.
Em
1956 foi laureado com o primeiro prêmio na IX Exposição Internacional de
Humorismo realizada na Europa, em Bordighera, na Itália.
Segundo
notícias da época, ele foi assassinado a mando de um rico fazendeiro paranaense com
cuja esposa o autor vinha mantendo um romance. Leon morreu com um tiro no
rosto, em seu apartamento e foi sepultado no Cemitério São João Batista, em
Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro.
Bibliografia:
O Homem ao
Quadrado (1960)
O Homem ao Cubo (1963)
A Mulher em
Flagrante (1965)
O Homem ao Zero (1967)
10
em Humor (1968), em conjunto com Millôr Fernandes, Stanislaw Ponte Preta,
Fortuna, Ziraldo, Jaguar, Claudius, Zélio, Henfil e Vagn)
O Homem ao Meio (1979)
Certa
vez, Leon Eliachar escreveu: “Nunca cobicei a mulher do próximo: só a do
afastado.” A última que ele cobiçou era de um fazendeiro bem afastado do Rio de
Janeiro, Palmas, no Paraná. Mas isso não impediu que, conforme foi noticiado na
época, o fazendeiro mandasse matá-lo, no Rio.