Fabrício Carpinejar
(...)
Não devemos menosprezar os dias ruins. Ou sequer jogá-los fora. É como uma fruta levemente passada ‒ corta-se com a faca a parte podre e se aprecia o restante da polpa.
Mesmo nos dias ruins, haverá um fato positivo, de arrebatamento, de novidade, de estreia, de pertencimento, de espetáculo ao nosso redor.
Mesmo nos dias ruins, de adoecimento, encontrará tréguas de saúde.
Mesmo nos dias ruins, de exames difíceis na escola, haverá um recreio para descansar um pouco e espantar o nervosismo.
Mesmo nos dias ruins, cercados de lágrimas, você conseguirá rir de uma piada, de um diálogo, de uma extravagância.
Mesmo nos dias ruins, você dará um jeito de se distrair e esquecer os pensamentos turvos por um instante, guardar a dor no bolso para usar depois.
Mesmo nos dias ruins, vai se distrair e esquecer os pensamentos turvos por um instante, guardar a dor no bolso para depois.
Mesmo nos dias ruins existirá um entardecer acachapante, uma lua cheia, um vento refrescante, um sol espelhado nas águas, uma música comovente, um livro inspirador ou uma cena a suscitar seu enlevo.
Mesmo nos dias ruins, seu cachorro talvez queira brincar, e terá que atirar a bola e o desânimo para longe.
Mesmo nos dias ruins, a vontade de amar é capaz de ser maior do que a tristeza de não ser amado.
Mesmo nos dias ruins, de tempestade forte e constante, os relâmpagos revelarão a saída na montanha.
Mesmo nos dias ruins, alguém poderá fazer um agrado inesperado, aparecer do seu passado com saudade, despertar a sua sensibilidade.
Mesmo nos dias ruins, uma refeição guarda o poder de devolver o seu prazer de estar à mesa.
Mesmo nos dias ruins, ainda temos os amigos, a família, a rede de afetos para cairmos protegidos.
Mesmo nos dias ruins, receberemos uma frase de incentivo, uma mão para apertar, um ombro para se apoiar, um colo para deitar as mágoas.
Mesmo nos dias ruins, na hora de esquecê-los para sempre, achará uma gentileza avulsa para lembrar.
Mesmo os dias ruins ainda são nossos dias: tempo correndo e se transformando, com inúmeras chances para desafiar a cadeia negativa de pressentimentos.
Os dias ruins nunca são completamente ruins, inteiramente ruins, dias perdidos.
Mesmo nos piores dias de nossa vida, ainda brilha a esperança de se ver algo de bonito.

É isso!
ResponderExcluirUm dia escrevi, e logo em seguida, musiquei:
A Busca
Dias bons, dias ruins, ou nem tão ruins assim/
Dias de sol, dias de chuva, ou de seca pura/
Tudo certo, tudo errado, tudo em paz/
Tudo bem, tudo bem mal, tudo tanto faz/
Mas eu queria saber por que o tempo voa quando estamos felizes/
E quando choramos, o dia parece não ter fim, parece não ter fim/
Buscar, a nossa vida foi sempre buscar um motivo para tudo/
Buscar, e mesmo sem encontrar a saída é acreditar/
No futuro, no amanhã, no depois/
Em você, em mim, em nós dois/
Por que talvez? Por que não? Por que sim?
Por que será que tudo que é bom chega ao fim?
Mas eu queria saber por que o tempo voa quando estamos felizes/
E quando choramos, o dia parece não ter fim, parece não ter fim/
Buscar, a nossa vida foi sempre buscar um motivo para tudo/
Buscar, e mesmo sem encontrar a saída é acreditar no futuro!
Além da música, vale as belas palavras que se transformam
ResponderExcluirem poema. Parabéns!