Quando Che Guevara foi pego em seu esconderijo ‒ traído por um pastor ‒ um soldado surpreso perguntou:
Como você pode trair um homem que passou sua vida inteira lutando por você e seus direitos?
O pastor respondeu calmamente:
‒ Sua luta contra o inimigo assustou minhas ovelhas.
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Muitos anos antes, 1798, no Egito, o grande comandante Mohamed Karim liderou a resistência contra a campanha maciça de Napoleão.
Quando foi capturado, o tribunal sentenciou-o à morte.
Mas Napoleão o trouxe até ele e disse:
‒ Lamento ter de matar um homem que defendeu o seu país tão corajosamente. Não quero que a história me lembre como o assassino de um herói. Eu te perdoarei se você pagar 10.000 moedas de ouro como compensação pelas perdas do meu exército.
Karim sorriu e respondeu:
‒ Eu não possuo tanto dinheiro, mas os comerciantes me devem mais de 100.000 peças de ouro.
Napoleão concedeu-lhe uma trégua.
Acorrentado e acompanhado por soldados, Karim foi ao mercado ‒ esperando que aqueles pelos quais lutou o ajudassem.
Mas nem um único comerciante deu o primeiro passo.
Pelo contrário ‒ eles o acusaram de ser responsável pela destruição de Alexandria e sua situação econômica.
Quebrado, Karim voltou para Napoleão.
Ele lhe disse:
‒ Eu não vou te matar por lutar contra nós... Eu vou te matar porque você sacrificou sua vida por um povo que prefere negociar do que ser livre.
Como o pensador egípcio Mu ḥammad Rash īd Ri ḍā escreveu décadas depois:
“Aquele que luta por um povo ignorante é como aquele que se imola pelo fogo para iluminar o caminho dos cegos.”


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