Essa
última, lançada por Carmen Costa, ganhou inúmeras regravações dos mais
importantes artistas populares brasileiros. Fala sobre um local idílico, onde
um casal vive uma vida de sonhos, embora frugal:
Só vendo que beleza
(Marambaia)
Eu tenho uma casinha lá na
Marambaia,
Fica na beira da praia, só
vendo que beleza.
Tem uma trepadeira, que na
primavera,
Fica toda florescida de
brincos-de-princesa.
Quando chega o verão eu sento
na varanda,
Pego o meu violão e começo a
tocar.
E o meu moreno que está
sempre bem disposto,
Senta ao meu lado e começa a
cantar.
Quando chega a tarde um bando
de andorinhas
Voa em revoada fazendo verão.
E lá na mata um sabiá gorjeia
Linda melodia pra alegrar meu
coração.
Às seis horas, o sino da
capela
Toca as badaladas da Ave
Maria.
A lua nasce por de trás da
serra,
Anunciando que acabou o dia.
Eu tenho uma casinha lá na
Marambaia...
O
sucesso de “Só vendo que beleza” foi tanto que a Henricão e Rubens compuseram
uma continuação, que foi praticamente ignorada.
Pudera,
“Casinha da Marambaia” expõe a tragédia da separação do feliz casal retratado
na primeira canção. A linda morada desmoronou, a trepadeira brinco-de-princesa
secou, o sabiá foi embora, só restaram destroços do amor que existia entre os
dois:
Nossa casinha lá da Marambaia,
A mais bonita da praia se
desmoronou.
A trepadeira
brinco-de-princesa
Ficou triste, amarela e
depois secou.
E a varanda vive em abandono,
É um destroço sem dono numa
solidão.
Até você, que parecia ser
sincera,
Sem motivo abandonou meu
pobre coração.
O sabiá também mudou seu
ninho,
Eu já não ouço mais sua
canção.
As andorinhas foram em
revoadas,
Quebraram-se as cordas do meu
violão.
E há quem diga que isso é
desumano,
Que eu não mereço tanta
ingratidão.
Quero que volte como
antigamente
Para dar sossego ao meu
coração.
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As
duas músicas foram lançadas há mais de 70 anos, quase um século.
De
certa forma, retratam o que houve no Brasil, que durante uma década foi como a
casinha na Marambaia em seu esplendor, mas que depois acabou destroçada pela
ação de forças deletérias.
Henricão
morreu em 1984, ano em que o movimento pelas eleições diretas entusiasmava o
Brasil, que já havia se cansado da ditadura militar.