quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um ano de esperança

 

Ano novo é tudo novo
no sentimento da gente,
porém preserve do antigo
o que lhe empurrou pra frente
junte tudo que prestou
misture com muito amor
e faça um mundo diferente.
 

Preserve os beijos, os cheiros,
os chamegos de amor,
as gargalhadas mais altas,
as piadas que contou,
e se a tristeza apertar
basta você se lembrar
dos sorrisos que arrancou.
 

O meu ou o seu caminho
não são muito diferentes,
tem espinho, pedra, buraco
pra mode atrasar a gente.

Não desanime por nada,
pois até uma topada
empurra você pra frente!
 

Continue sendo forte,
tenha fé no criador,
fé também em você mesmo.
Não tenha medo da dor,
siga em frente a caminhada.
Saiba que a cruz mais pesada
o filho de Deus carregou.
 

Bráulio Bessa 


Mensagens de Ano Novo

 

De um meteorologista: 

“Espero que o Ano Novo seja caracterizado por tempo bom, temperatura estável, ventos soprando de quadrantes apropriados, fracos ou moderados, mas trazendo sempre bons augúrios.” 

De um economista: 

“Que haja uma inflação de bons sentimentos, demanda não reprimida de carinho por parte de amigos e familiares, liquidez de afetos e alta acentuada em sua cotação pessoal.” 

De um filósofo: 

“Considerando os dilemas da existência, a angústia que caracteriza a condição humana, a incerteza que pesa sobre nosso destino desde que o homem passou a exercer sua suprema faculdade de pensar – será que podemos, sem ultrapassar os limites da lógica cartesiana, desejar a outrem Boas Festas e um feliz Ano Novo? Se o podemos, é o que desejamos.” 

De um estatístico: 

“Desejo que os valores numéricos consignados na coluna denominada Felicidade superem os valores da coluna de Frustrações; mais que isto, que esta diferença seja estatisticamente significativa, e que a alegria do amigo represente uma amostra válida do que ocorre com sua família.” 

De um geógrafo: 

“Desejo ao amigo que, ao percorrer sua trajetória no Ano Novo, evite a Serra do Desânimo, avance pela Península do Arrojo, atravesse o Oceano da Prosperidade e chegue em paz ao Arquipélago do Sucesso.” 

De um geômetra: 

“Seja A o ponto em que o amigo se encontra, no presente estágio de sua existência, e B um ponto hipotético situado em alguma parte do ano vindouro. Desejo que a linha capaz de unir A e B seja, como se espera, a linha reta, e que o comprimento da referida linha não ultrapasse, em unidades métricas, a quantidade equivalente em energia disponível para qualquer ser humano que chega ao final do Ano velho.” 

De um biólogo:

“Que o Ano Novo que aí vem, comporte-se como uma célula que traz em seu código genético uma mensagem completa de felicidade e uma capacidade inesgotável de reprodução.” 

De um ficcionista: 

“Era uma vez um Ano Velho. Sentindo que seus dias estavam chegando ao fim, ele chamou o Ano Novo, e disse: Escuta, por que não vais procurar aquele meu amigo e dá a ele um abraço por mim? O Ano Novo aceitou muito contente a incumbência e lá se foi, cantando: pela estrada afora, eu vou bem sozinho, etc. Aí apareceu o lobo...“ 

(Texto de Moacyr Scliar)


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Telma, eu não sou gay

 Calúnias 

(Telma, eu não sou gay)

Diz que vai dar, meu bem,

Seu coração pra mim.

Eu deixei aquela vida de lado

E não sou mais um transviado. 

Telma, eu não sou gay!

O que falam de mim são calúnias,

Meu bem, eu parei. 

Não me maltrate assim,

Não posso mais sofrer,

Vamos ser um casal moderno,

Você de bobes, e eu de terno. 

Telma, eu não sou gay!

O que falam de mim são calúnias.

Meu bem, eu parei. 

Eu sou introvertido

Até no futebol.

Isso tudo não faz sentido.

E não é meu esse baby doll. 

Telma, eu não sou gay!

O que falam de mim são calúnias.

Meu bem, eu parei. 

Recitando 

Telma, ó Telminha,

Não faz assim comigo.

Não me puna por essas manchas no meu passado.

Já passou...

Esses rapazes são apenas meus amigos,

Agora eu sou somente seu,

Meu amor. 

Cantando 

Telma, eu não sou gay!

O que falam de mim são calúnias

Meu bem, eu parei!

 ********** 

A música “Telma, eu não sou gay” (nome original “Calúnias”) foi composta por Leo Jaime, Leandro Verdeal, Sérgio Abreu (Big Abreu), e B. Anderson, com a versão brasileira popularizada por Ney Matogrosso, mas também lançada pelo grupo João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, sendo uma paródia inteligente e ácida de uma canção americana sobre homossexualidade.  

A música é uma adaptação da canção “Tell me once again”.  

Inicialmente, a ideia era oferecer a música para Agnaldo Timóteo, mas a versão acabou sendo gravada e estourou com Ney Matogrosso e João Penca, com sua letra irônica sobre a sexualidade.  

É considerada uma das músicas mais conhecidas de Ney Matogrosso, apesar de ele relutar em gravá-la por não se alinhar com seu repertório.


Entenda as capivaras

 

Dizem que a capivara não tem medo de nada...

mas não porque ela seja corajosa.

É porque ela não luta com ninguém.

Não corre, não grita, não fica nervosa.

Apenas caminha... como se nada pudesse tocar-lhe.

Mete-se entre crocodilos como velhos amigos.

Passa ao lado dos predadores...

como quem vai comprar pão.

E ninguém a ataca.

Ninguém a incomoda.

Ninguém toca nela.

E não por ser a mais forte...

mas porque não ameaça ninguém.

Não impõe respeito com grunhidos,

nem com garras, nem com força.

Impõe isso com sua calma.

Tem aquela energia que desarma.

Aquela paz que contagia.

Aquela presença que faz com que

até o mais agressivo tenha calma.

E talvez seja por isso que todos a procuram:

aves, macacos, patos, até predadores.

Porque estar perto de uma capivara...

baixa o barulho da sua cabeça.

E não se trata de ser invencível...

mas de ser tão tranquila,

que ninguém quer machuca-la.

Capivara não odeia.

Ela não fica zangada.

Não se mete com ninguém.

Apenas vive.

Em paz.

Sem pressa.

Sem medo.

Portanto:

Ás vezes, o que mais nos faz falta não é sermos mais fortes...

mas parecer um pouco mais com uma capivara.

 Inteligência Artificial

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Pelo bem-estar de todos

 

Chegam as festas de fim de ano, os shows e apresentações diversas nas ruas do país, o Carnaval... A gente se diverte, dança e canta, mas frequentemente deixa um rastro formado de lixo nos espaços públicos. Nas horas em que as ruas se esvaziam, que nos despedimos da euforia, eles vêm para limpar. Os trabalhadores da limpeza urbana muitas vezes passam despercebidos, mas realizam um serviço essencial que melhora o funcionamento da vida coletiva. A eles que cabe a tarefa de enfrentar as montanhas de resíduos, garrafas pet, plásticos diversos, papéis. Eles não apenas recolhem o lixo, eles restauram a ordem e a beleza dos espaços que compartilhamos. 

Sua função vai além da simples varrição. É uma barreira de proteção contra vetores de doenças, contra os mosquitos que se proliferam em recipientes diversos e um ato de preservação ambiental que impede a poluição de rios e solos. 

Reconhecer sua importância é um exercício de cidadania. Cada saco de lixo recolhido, cada rua varrida, é um ato de cuidado com o bem-estar comum. Resta-nos expressar gratidão a esses trabalhadores anônimos e desenvolver o mínimo de consciência e destinar corretamente nosso próprio lixo em retribuição ao seu indispensável serviço. 

Texto do Correio do Povo, dezembro de 2025.


O que se diz em Português e o que se diz em Poesia.

 

Em português se diz: Tenho saudades:

Em poesia se diz: Há um lugar em mim que ainda te espera. 

Em português se diz: Acabou.

Em poesia se diz: Ficou o que doeu. 

Em português se diz: Foi só uma fase.

Em poesia se diz: Foi um pedaço de mim que precisei deixar ir para continuar inteiro. 

Em português se diz: Tá tudo bem!

Em poesia se diz: Ainda estou juntando os meus pedaços, mas continuo aqui.

Em português se diz: Eu tenho medo.

Em poesia se diz: Carrego o coração nas mãos, e ele treme sempre que a vida me pede coragem. 

Em português se diz: É só um texto:

Em poesia se diz: É o que me salva quando já não sei dizer o que eu sinto, porque, no fundo, a poesia é isso: um lugar onde a vida se explica quando as palavras comuns já não chegam. Sem ela, a vida seria só prosa e viver assim seria viver uma vida pela metade.

 

Texto* de André Nobre Duarte 

******* 

* Com leves adaptações. 

“Em Português se diz: Em poesia se diz:” é uma frase introdutória para expressar como a linguagem poética aprofunda ou transforma sentimentos comuns, contrastando a simplicidade do dia a dia (estou com saudades) com a riqueza de metáforas da poesia (há um lugar em mim que ainda te espera), transformando emoções mundanas em experiências líricas e profundas, como se pode ver em diversas publicações de redes sociais sobre o tema. 

Em português, dizemos o que é direto e prático, como “Estou cansado”; em poesia, expressamos a profundidade desse cansaço com metáforas, como “há dias em que o corpo chega antes da alma”, pois o português comum foca no literal, enquanto a poesia explora a alma das palavras, usando figuras de linguagem para revelar sentimentos, sensações e a verdade por trás das experiências cotidianas de forma mais rica e evocativa. 

domingo, 28 de dezembro de 2025

Pastor Trambiqueiro

 Bezerra da Silva

Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente,

É o diabo vivo em figura de gente,

É o pastor trambiqueiro enganando inocentes. (bis) 

Prestem bem atenção, o enredo macabro que ele arruma,

Seu critério maior é falar mal da macumba,

Dizendo que a ela também pertenceu.

Sim, mas só não foi em frente porque o guia chefe do terreiro é à vera,

Não aceitou o jogo sujo da fera, que vive afim só de arrumação. 

Ele também não explica o porquê da mudança da água pro vinho,

Só porque na umbanda não vale dinheiro,

Resolveu ser crente pra roubar os irmãozinhos.

Não é fé que ele tem, é simplesmente a febre do ouro,

Custa caro a palavra de Deus, o pastor chega pobre e arruma tesouro. 


Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente

É o diabo vivo em figura de gente

É o pastor trambiqueiro enganando inocentes. 

É, mas prestem bem atenção, o enredo macabro que ele arruma,

Seu critério maior é falar mal da macumba

E dizendo que a ela também pertenceu. 

Sim, mas só não foi em frente porque o guia chefe do terreiro é à vera,

Ele não aceitou o jogo sujo da fera que vive afim só de arrumação.

E ele também não explica o porquê da mudança da água pro vinho,

Só porque na umbanda não vale dinheiro,

Resolveu ser crente pra roubar os irmãozinhos.

E não é fé que ele tem, é simplesmente a febre do ouro,

Custa caro a palavra de Deus, o pastor chega caído e arruma tesouro.

Veja só! 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Antiga prece portuguesa

Há uma antiga prece portuguesa que diz o seguinte: 

‒ O que você quer que o Ano Novo te traga? 

‒ Nada, não quero que me traga nada. 

A única coisa que quero é que não leve nada de mim. 

Que não leve o teto que me protege, o prato que me alimenta, a manta que me aquece, a luz que me ilumina, o sorriso dos meus amados, a saúde como um tesouro, o trabalho como um sustento, a amizade, a companhia, os abraços e os beijos das pessoas que eu amo. 

Que não me leve os sonhos, nem os pedaços dos corações, formados por pessoas, que carrego dentro de mim.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Pandorgas

 

Pandorga é o nome genérico que as crianças gaúchas dão a estes elementos, embora cada feitio tenha uma denominação diferente. 

Fui guapo quando menino,
pois lacei o céu com pandorga.
Mas, hoje, a vida me outorga
o direito que declino
de ser “grande”, pois se empino
qualquer sonho colorido,
outros, como “vidro moído”,
na “cola” de um “papagaio”,
cortam meu barbante e eu caio,
“vou à Bahia”, perdido.

Pandorga:

Nome genérico que, no Rio Grande do Sul, se dá a este brinquedo que consiste numa armação de varetas de taquara cobertas de papel. A pandorga, presa a um cordão, se eleva ao alto por força do vento e é equilibrada por um rabo, simples ou duplo, feito de tiras de pano e preso na parte inferior.

Existem vários feitios de pandorgas com denominações próprias que as identificam. Assim, o mais comum, de forma quadrangular, é, propriamente, a “pandorga”; “papagaio” é o losangular; a “estrela” tem o feitio do nome, e seguem o “caixão”, a “bandeja”, a “marimba”, o “barril”, o “navio”, a “pipa” e muitos outros.

A prática do divertimento é chamada de “soltar pandorga”. Os guris se empenham na “briga de pandorgas”: atam no rabo uma gilete ou colam frações de vidro moído. Em pleno ar, aproximam as pandorgas uma da outra; com descaídas e recolhidas, procuram friccionar o rabo “envenenado” da sua pandorga no cordão da outra, até que o cordão de uma das cordas se corta e a pandorga “Vai-à-Bahia”, expressão que significa perder-se a pandorga no horizonte distante.

Também usam o costume de “mandar telegramas”: enfiam pequenos círculos de papel no barbante e estes, impulsionados pelo vento, sobem até as “guias” da pandorga. 

E quase nunca dispensam o “roncador”, franjas de papel coladas em barbantes, por fora do corpo da pandorga e que, realmente, roncam ao passar do vento. 

Do site Página do Gaúcho, de Roberto Cohen.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Erros em letras de músicas famosas

 Três simples exemplos

01. Noite Feliz (hino de Natal, de Franz Xaver Gruber): 

“Noite feliz, noite feliz
O Senhor, Deus de amor,
Pobrezinho nasceu em Belém,
Eis na lapa, Jesus nosso bem…”
 

O O antes de Senhor é artigo definido masculino singular, não é o vocativo da frase, onde todos cantam “Ó senhor” está errada, deve ser apenas O senhor. 

02. Parabéns a você (canção de aniversário de Bertha Celeste Homem de Melo): 

“Parabéns pra você

Nesta data querida,

Muita felicidade,

Muitos anos de vida...” 

O certo é “Muita felicidade” no singular, pois a felicidade é única e os anos serão muitos. 

03. “Ouça-me bem, amor,
Presta atenção, o mundo é um moinho,
Vai triturar teus sonhos,  tão mesquinho,
Vai reduzir as ilusões a pó...”
 

Deve ser Presta atenção, pois o verbo está na segunda pessoa do singular de imperativo afirmativo. Depois de sonhos deve haver uma vírgula, pois o mundo é que irá triturar sonhos mal planejados. Ainda, o mundo é que é mesquinho e é quem irá reduzir as ilusões a pó, nessa bela composição do grande Cartola.

Essas pessoas elegem os políticos!

 

Um sujeito comprou uma geladeira nova. Para livrar-se da geladeira velha, colocou-a no gramado em frente a casa e pendurou um aviso dizendo: 

“De graça para um bom lar.

Se a quiser, basta levá-la.” 

A geladeira ficou lá por três dias sem receber sequer um segundo olhar dos passantes. Finalmente, o sujeito chegou à conclusão de que as pessoas não acreditavam no que ele estava propondo. Parecia bom demais para ser verdade e ele então mudou o aviso, que passou a ser: 

“Geladeira à venda, por 150 reais.” 

No dia seguinte alguém a tinha roubado. 

Cuidado! Esse tipo de gente vota.  

Olhando uma casa, meu irmão perguntou à corretora de imóveis de que lado era o norte, porque, explicou ele, não queria que o sol o acordasse todas as manhãs. Ela perguntou: 

- O sol nasce no norte? 

Quando meu irmão explicou que o sol nasce no Leste (e aliás, há um bom tempo isso vem acontecendo), ela sacudiu a cabeça e disse: 

- Ah, sabe, eu não me mantenho atualizada a respeito desse tipo de coisa. 

Esse tipo de gente também vota! 

Antigamente, eu trabalhava em suporte técnico num centro de atendimento a clientes 24 horas por dia, 7 dias por semana. Um dia recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto. Eu disse a ele: 

- O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. 

Ele perguntou ainda: 

- Pelo horário do Leste ou do Oceano Pacífico? 

Querendo acabar com o assunto rapidamente, respondi: 

- Horário do Pacífico. 

Ele também vota! 

Meu colega e eu estávamos almoçando em nosso restaurante self-service quando ouvimos, por acaso, uma das assistentes administrativas falando a respeito das queimaduras de sol que ela havia tido ao ir de carro ao litoral no fim de semana. Ela guiara um conversível, mas não pensou que ficaria queimada, pois o carro estava em movimento. 

Ela também vota! 

Minha irmã tem uma ferramenta salva-vidas no carro dela. É uma ferramenta projetada para cortar o cinto de segurança se ela ficar enredada nele. Ela guarda a ferramenta no porta-malas. 

Minha irmã também vota! 

Meus amigos e eu fomos comprar engradados de cerveja e notamos que os engradados tinham desconto de 10 por cento. Como era uma festa grande, compramos dois engradados. O caixa multiplicou 10 por cento por 2 e nos deu um desconto de 20 por cento. 

Ele também vota! 

Saí com uma amiga e vimos uma mulher com um aro no nariz, atrelado a um brinco por meio de uma corrente. Minha amiga disse: 

- Será que a corrente não dá um puxão a cada vez que ela vira a cabeça? 

Expliquei que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem à mesma distância independentemente de para que lado a pessoa vira a cabeça. 

Minha amiga também vota! 

Eu não conseguia achar minha bagagem na área de bagagens do aeroporto. Fui, então, até o setor de bagagem extraviada e disse à mulher que minhas malas não tinham aparecido. 

Ela sorriu e me disse para não me preocupar, porque ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos. 

- Apenas me informe, perguntou-me, o seu avião já chegou? 

Ela também vota! 

Trabalhando numa pizzaria, observei um homem que estava fazendo pedido de uma pizza para viagem. Ele parecia ser sozinho e o pizzaiolo perguntou-lhe se ele preferiria que a pizza fosse cortada em 4 pedaços ou em 8. 

Ele pensou durante algum tempo antes de responder: 

- Corte só em 4 pedaços. Acho que não estou com fome suficiente para comer 8 pedaços. 

Isso mesmo, ele também vota. 

Agora você sabe quem elege os políticos!

Sinto vergonha de mim

 Ruy Barbosa

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.

Ruy Barbosa 

Ruy Barbosa foi, sem dúvida, um dos mais importantes personagens da História do Brasil. Ruy era dotado não apenas de inteligência privilegiada, mas também de grande capacidade de trabalho. Essas duas características permi­tiram-lhe deixar marcas profundas em várias áreas de atividade profissional nos campos do direito - seja como advogado, seja como jurista - do jornalismo, da diplomacia e da política. 

Foi deputado, senador, ministro e candidato á Presidência da República em duas ocasiões, tendo realizado campanhas memoráveis. Seu comporta­mento sempre revelou sólidos princípios éticos e grande independência polí­tica. Participou de todas as grandes questões de sua época, entre as quais a Campanha Abolicionista, a defesa da Federação, a própria fundação da Re­pública e a Campanha Civilista. 

Mesmo admirando a cultura francesa, como todos os intelectuais de sua época, Ruy conhecia também a fundo o pensamento político constitucional anglo-americano, que, por seu intermédio, tanto influenciou a nossa primeira Constituição republicana. Era um liberal, e foi sempre um defensor incansável de todas as liberdades. 

Orador imbatível e estudioso da língua portuguesa, foi nomeado presiden­te da Academia Brasileira de Letras em substituição ao grande Machado de Assis. Sua produção intelectual é vastíssirna. Basta dizer que a Fundação já publicou mais de 140 tornos de suas obras completas e ainda tem material para novas edições.  

Ruy representou o Brasil com brilhantismo na Segunda Conferência Inter­nacional da Paz, em Haia e, já no final de sua vida, foi nomeado Juiz da Corte Internacional de Haia, um cargo de enorme prestígio.  

Em suma, Ruy foi um cidadão exemplar e, ainda hoje, sua memória é fonte de inspiração para um grande número de brasileiros.

jornalista, tradutor e orador brasileiro. 

Nascimento:  5 de novembro de 1849, Salvador, Bahia.

Falecimento: 1ͦ de março de 1923, Petrópolis, Rio de Janeiro.

Formação: Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FADUSP), Faculdade de Direito do Recife (FDR),  (1866–1868)


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Natal do internauta

 

Dê um clique duplo neste Natal!
Arraste Jesus para seu Diretório principal.
Salve-o em todos os seus Arquivos pessoais,
selecione-o como seu documento mestre.

Que ele seja o modelo para Formatar a sua vida:
justifique-o e alinhe-o
à direita e à esquerda,
sem quebras na sua caminhada.

Que Jesus não seja apenas um Ícone,
um Acessório,
uma Ferramenta ou um Rodapé,
mas sim o Cabeçalho, o Caps Lock,
a Barra de Rolagem de seu caminhar.

Que Ele seja a Fonte da graça...
para a sua Área de Trabalho,
o Paintbrush para colorir seu sorriso,
a Configuração da sua simpatia,
a Nova Janela...
para Visualizar o Tamanho do seu amor,

Que Jesus seja o seu Painel de Controle...
para Cancelar seus Recuos,
Compartilhar seus Recursos e
Acessar o coração de suas amizades.

Copie tudo o que é bom.
Delete todos os seus Erros.
Não deixe à Margem ninguém.
Abra as Bordas de seu coração.
Remova dele o Vírus do egoísmo.

Antes de Fechar,
coloque o
Amor nos seus Favoritos

e o seu Natal...
será o Atalho de sua felicidade!
Clique agora em OK
para Atualizar seus Conteúdos!

Humor natalino

 

Aprendi que o homem tem quatro idades: 

(1) quando acredita em Papai Noel; 

(2) quando não acredita em Papai Noel; 

(3) quando é o Papai Noel 

(4) e quando se parece com Papai Noel. 

O que é? 

O que é um “Chefe Papai Noel”? 

- É aquele que só sabe encher o saco. 

Pensamento: 

“Se Deus é quem nos dá comida, a cegonha é que traz os bebês, o Papai Noel é quem dá os presentes, então, para que servem os pais?”. 

Juiz intrigado 

Era época de Natal e o juiz sentia-se benevolente ao interrogar o réu: 

− De que você está sendo acusado? 

− De fazer as compras de Natal antes do tempo. 

− Mas isso não é crime nenhum! Com que antecedência você fazia as compras? 

− Antes da loja abrir... 

Por favor! 

“Querido Papai Noel, este ano quero um corpo magro e uma conta bancária gorda. Por favor, não troque as coisas como no ano passado.” 

Que data! 

Natal é uma data engraçada: Você gasta mais do que tem, compra mais do que pode e dá mais do que recebe. 

Um pequeno favor 

Querido Papai Noel, não precisa trazer presente é só colocar algumas pessoas no saco e levar embora já estará ótimo!

 Um pequeno presente

Colabore com a minha caixinha de Natal, eu quero apenas uma caixinha de cerveja...

Uma do Carlos Nobre

“É mais fácil um rico entrar no reino do céu do que o Papai Noel entrar na casa de um pobre.”


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Oração de fim de ano

 Marco Matos

Senhor (ou em quem você acredite), afasta de mim gente chata. Que o novo ano venha leve, repleto de descobertas. Pessoas negativas ao nosso redor contaminam os nossos sonhos. A chatice é algo sem cura. Só quem já tentou fazer um chato criar noção sabe o que eu estou dizendo. 

Que os meses passem sem pressa. Os dias sejam saboreados de histórias boas para lembrarmos para sempre. Bem-vindos sejam os encontros com amigos, família, amor. Que a colheita de quem trabalha duro venha generosa. 

Que o céu não nos traga medo, nem das tormentas e nem do fim. Quero escutar mais músicas, assistir a artistas no palco, emocionar-me ao ver arte e cultura. Que meu corpo dance sem vergonha e um sorriso se abra no meu rosto sempre que der vontade. 

Quero um ano de frio na barriga, de vento na cara, de bolhas nos pés de tanto caminhar em busca da felicidade. Que os medos fiquem no ano velho e façam companhia para os erros do passado, para a angústia da preocupação e para a servidão dos indiferentes. 

Que cada amanhecer seja celebrado e cada entardecer vivido com o amargo de um chimarrão na boca. Que os filmes escolhidos depois de vários minutos olhando o catálogo valham a pena. E também que não faltem os vinhos e nem os motivos pra comemorar. 

Quero correr na rua, ver gente alegre. Quero tomar suco verde nos sábados pela manhã e encher a mesa do café com as frutas que eu mais gosto e um bom iogurte. Que eu sinta o perfume das flores e ouça o canto dos passarinhos quando estiver cansado. 

Espero que o ano não me atropele e a rotina não abafe minha criatividade. Quero viver as quatro estações. Ficar ardido de uma tarde de sol na beira da praia, ver os plátanos se despirem, entrar num café e tirar as luvas. Quero ler o que ainda não foi escrito e me surpreender com a bondade humana. 

Quero acreditar nos outros. Quero abandonar a perfeição. 

Senhor, olhe por nós e mostre o caminho da caridade. Quero dar as mãos a pessoas que tenham sonhos parecidos com os meus. Que eu chore muito de felicidade. Que meus pés pisem em lugares que eu sempre tenha imaginado estar. 

Me ajude a encarar o preconceito, a suportar as críticas e me fortaleça na fé. Que eu jamais divide do meu coração. Que nesse ano novo a vida seja de graça em com graça. 

(Do jornal Zero Hora, 20.12.2024)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

A casinha na Marambaia

e o Brasil

por Carlos Motta

O paulista Henrique Felipe da Costa, que ficou conhecido pelo apelido de Henricão, compôs dezenas de canções, mas é até hoje lembrado por duas delas, “Está Chegando a Hora”, versão da mexicana “Cielito Lindo”, e “Só Vendo que Beleza”, mais conhecida por “Marambaia”, em parceria com Rubens Campos. 

Essa última, lançada por Carmen Costa, ganhou inúmeras regravações dos mais importantes artistas populares brasileiros. Fala sobre um local idílico, onde um casal vive uma vida de sonhos, embora frugal: 

Só vendo que beleza 

(Marambaia) 

Eu tenho uma casinha lá na Marambaia,

Fica na beira da praia, só vendo que beleza.

Tem uma trepadeira, que na primavera,

Fica toda florescida de brincos-de-princesa. 

Quando chega o verão eu sento na varanda,

Pego o meu violão e começo a tocar.

E o meu moreno que está sempre bem disposto,

Senta ao meu lado e começa a cantar. 

Quando chega a tarde um bando de andorinhas

Voa em revoada fazendo verão.

E lá na mata um sabiá gorjeia

Linda melodia pra alegrar meu coração. 

Às seis horas, o sino da capela

Toca as badaladas da Ave Maria.

A lua nasce por de trás da serra,

Anunciando que acabou o dia. 

Eu tenho uma casinha lá na Marambaia...

O sucesso de “Só vendo que beleza” foi tanto que a Henricão e Rubens compuseram uma continuação, que foi praticamente ignorada. 

Pudera, “Casinha da Marambaia” expõe a tragédia da separação do feliz casal retratado na primeira canção. A linda morada desmoronou, a trepadeira brinco-de-princesa secou, o sabiá foi embora, só restaram destroços do amor que existia entre os dois: 

Nossa casinha lá da Marambaia,

A mais bonita da praia se desmoronou.

A trepadeira brinco-de-princesa

Ficou triste, amarela e depois secou.

E a varanda vive em abandono,

É um destroço sem dono numa solidão.

Até você, que parecia ser sincera,

Sem motivo abandonou meu pobre coração.

O sabiá também mudou seu ninho,

Eu já não ouço mais sua canção.

As andorinhas foram em revoadas,

Quebraram-se as cordas do meu violão.

E há quem diga que isso é desumano,

Que eu não mereço tanta ingratidão.

Quero que volte como antigamente

Para dar sossego ao meu coração.

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As duas músicas foram lançadas há mais de 70 anos, quase um século. 

De certa forma, retratam o que houve no Brasil, que durante uma década foi como a casinha na Marambaia em seu esplendor, mas que depois acabou destroçada pela ação de forças deletérias. 

Henricão morreu em 1984, ano em que o movimento pelas eleições diretas entusiasmava o Brasil, que já havia se cansado da ditadura militar.

É Natal mais uma vez

 Celito Manuel Brugnara*


Está chegando o Natal, como um sonho, mas não é sonho, é verdade:

Jesus desce outra vez à Terra,

rolando pela encosta do monte para se fazer Criança, Menino;

para colher flores, rir das gentes e ouvir os passarinhos,

como se estivesse fugindo do céu. 

Vem de novo ensinar tudo, tudo de novo,

mostrar como as pedras são engraçadas,

e, à tarde, brincar as cinco-marias no patamar da porta de casa.

E aprender, como se nada soubesse,

ouvir histórias de reis e aventuras dos homens

e aborrecer-se, entristecer-se com tanto comércio,

navios enormes, trens imensos e relatos de guerra, misérias,

gentes cansadas, gentes famintas, doentes, fatos e contos de morte. 

Com tudo isso, permanece quieto,

como se estivesse dormindo, cansado de tanta tristeza.

Mas o Menino que retorna é a Eterna Criança, o Deus que nos faltava,

Ele é o divino que sorri e brinca,

Ele é o Menino Jesus verdadeiro. 

(Com muito de Fernando Pessoa) 

Ao comemorarmos mais um Natal, recordamos a vinda do Menino Deus, Ele que se tornou o Redentor dos Homens. A redenção esperada veio mansa, pequena, humilde como Ele, com singeleza da paz, com a sinceridade do amor. E cabe a nós entender, não o mistério da Redenção, incompreensível na forma e nos efeitos, mas entender que é pelo amor e compreensão entre as pessoas, entre os povos e nações, pelos frutos da justiça, que a tão desejada paz ocorre no mundo. 

*Engenheiro e Ministro da Eucaristia.

O verão sempre volta faceiro

 Paulo Mendes

É hora de abrir o guarda-sol na areia, ajeitar as cadeiras de praia, preparar a caixa térmica com as bebidas, colocar o traje adequado e mandar as preocupações para bem longe. Chegou o verão. Milho verde, queijo assado, picolé, frescobol, futebol, embaixadinhas, cheiro de carne assada e a gelada correndo solta. Gritos de ambulantes vendendo bugigangas, choro de crianças, alaridos e o olhar atento de guarda-vidas. Os verões são assim, têm cara de guri sapeca, travesso, que pula sobre as ondas e depois deixa o mar com o corpo reluzente e salgado. Tem jeito de garota bonita, se encharcando de óleo, penteando os cabelos molhados e fazendo selfie para o namorado. É o gosto do chimarrão topetudo sorvido aos goles na manhã ensolarada e feliz, enquanto o homem já de cabelos grisalhos olha para o oceano e lembra de sua infância verdejante na lonjura da Fronteira. A mãe corre atrás dos filhos fujões e a vovó já nem ouve direito as falas, nem o barulho ensurdecedor de funk que sai de uma uma caixinha JBL, nem o matraquear das ondas batendo na areia. Um navio passa ao largo e vai desaparecendo. Não é que a terra é mesmo redonda? Como redondo é o ciclo da vida, o verão chega e vai embora, mas volta faceiro no ano que vem. 

(Do Correio do Povo +Domingo,

dezembro de 2025)


domingo, 21 de dezembro de 2025

Lição de vida

 Paulo Roberto Gaefke

Observando algumas formigas no jardim aqui de casa, percebi que todas seguiam uma mesma rota carregando folhas maiores que elas mesmas. Mas seguiam firme em direção ao formigueiro que descobri poucos passos adiante, o que para elas deveria representar uma grande viagem. De repente, percebo que uma delas está com uma folha exageradamente grande nas costas. Deveria ser pelo menos vinte vezes maior que ela, e seu esforço era notado a distância. Fiquei ali imaginando o orgulho dessa formiga presunçosa, carregando aquela folha gigantesca... e como ela deveria estar ansiosa em mostrar a formiga rainha como ela era forte, como ela era capaz, quem sabe até ganharia uma promoção. 

Enquanto a fila de formigas seguia em direção ao formigueiro, essa formiga girava em volta de si mesma, sem conseguir sair do lugar, seu esforço era tão grande que mal avançava um passo, voltava dois para trás. Estava tão cega, tão entretida na sua luta de carregar aquele mundão nas costas que nem percebeu que todas as formigas largaram as folhas para escapar do pé de um menino que vinha correndo atrás de uma bola. As formigas escaparam por pouco, mas nossa amiguinha não teve a mesma sorte... morreu esmagada, agarrada à sua folha gigante. 

Assim como a formiga, nós, seres humanos inteligentes e sensíveis, de vez em quando, queremos carregar mais coisas em nossas costas do que podemos suportar. Os problemas dos outros, as dores do mundo e a ganância de querer sempre mais, de ser mais e melhor e quando acordamos para a realidade estamos esmagados pelo peso de nossa insensatez. 

Cuide mais de você, o dia passa, as pessoas passam, o tempo passa, mas você fica, você será a sua eterna companhia. Todos podem até fugir de você, mas você não pode fugir desse encontro com você mesmo, com a sua paz interior, com a sua felicidade. Por amor a você, carregue apenas a sua mala, e de preferência, o mais vazia possível! 

Mulher negra

 

Ser mulher já é um desafio, consequências culturais de uma sociedade que insiste em atrasos, mas ser mulher negra é muito mais foda, é foda em ambos sentidos... 

Primeiro, é foda no sentido de ser forte, guerreira, autêntica e na sua unicidade ser múltipla. 

Em paradoxo, é foda por precisar explicitamente e obrigatoriamente em âmbito social, se autoafirmar a todo instante, que não é um mero objeto ou fetiche de desejo. 

Ser mulher negra no Brasil, é provar a todo segundo e para o mundo, que é muito mais que um belo e largo quadril. 

É provar sol a sol que é gente, gente que sente, que tem anseios, perspectivas, ambição e que não é mero instrumento de tesão. 

É ratificar que tem beleza tanto estética quanto cognitiva sempre na ativa. 

É perceber descaradamente a todo instante que sente o olhar de reprovação ao ocupar lugar de destaque e de potencialidade em sua profissão, seja como diarista, jornalista ou artista, na política ou na televisão sem rebolar o bumbum no chão. 

Nada contra quem o faz, mas nossas habilidades são muito mais.

Nosso caráter e potencial não estão na melanina, mas na vida que nos ensina que mesmo sem a representatividade devida e merecida, temos nossa sina: amar, lutar e nunca conjugar o verbo estacionar!

Fácil? Nunca será, está cheio de “ismos” por aí, machismo, racismo, mas a minoria deixou de existir e conquistou voz com muito suor e não vai se calar custe o que custar! 

Não quero que nos aceite, mas exijo e grito com toda força de minh'alma que não é branca que nos respeite, agora e daqui para frente! 

Vida e vida à mulher negra! 

Julienne Marie Silva Santos


As indagações do Tédio!

 

Não aguento mais este marasmo, esta rotina diária que consome.” – reclama o Tédio. 

“Tenha consciência de que tudo é aprendizado, que tudo é crescimento.” – diz a Mudança. 

“Que nada, dane-se tudo e todos, afinal, que sentido a vida tem?” – indaga a Indiferença. 

“Se você fosse mais grato a tudo e todos em sua vida, não sofreria com tanto Tédio,” – responde a Gratidão. 

“Mas como saber o melhor momento de agir?” – pergunta a Insegurança. 

“Acredite em você, acredite na sua Força, acredite na vida.” – responde a Confiança. 

“Fala sério, não tenha tanta tolerância! Ou é oito ou é oitenta, não existe meio termo.” – insiste o Radicalismo. 

“Que exagero! Basta apenas fazer de conta que você faz, que você vive, e assim passa ileso de dores.” – responde a Demagogia. 

“Que discussão imatura, será que vocês ainda não perceberam que em tudo existem os dois lados da moeda? E que toda sensação, pensamento e sentimento faz crescer?” – infere o Discernimento. 

“Tudo isso é maravilhoso, mas nada cai do céu, é preciso se mexer para algo acontecer!” – enfatiza a Ação. 

“É! Mas é preciso pensar muito antes de fazer algo!” – responde o Intelecto. 

“Mas somente com o Ser interior é possível permanecer na sua verdade e prosseguir, realizar e conquistar.” – diz a Essência. 

“Tudo isso é de imenso valor, é tudo sutil e ao mesmo tempo amplo, porém, nada disso serve, se não tiver a mim.” – diz a . 

“E eu, junto com o Silêncio, mostro a todos vocês o Valor da Vida! E você Tédio, deixe de lado tanta pretensão, saiba que num único Sopro, tudo pode mudar, inclusive a sua vida! Pare de reclamar, e aprenda a ser forte...” – diz o Tempo soberano. 

Gênice Suavi