domingo, 21 de dezembro de 2025

Mulher negra

 

Ser mulher já é um desafio, consequências culturais de uma sociedade que insiste em atrasos, mas ser mulher negra é muito mais foda, é foda em ambos sentidos... 

Primeiro, é foda no sentido de ser forte, guerreira, autêntica e na sua unicidade ser múltipla. 

Em paradoxo, é foda por precisar explicitamente e obrigatoriamente em âmbito social, se autoafirmar a todo instante, que não é um mero objeto ou fetiche de desejo. 

Ser mulher negra no Brasil, é provar a todo segundo e para o mundo, que é muito mais que um belo e largo quadril. 

É provar sol a sol que é gente, gente que sente, que tem anseios, perspectivas, ambição e que não é mero instrumento de tesão. 

É ratificar que tem beleza tanto estética quanto cognitiva sempre na ativa. 

É perceber descaradamente a todo instante que sente o olhar de reprovação ao ocupar lugar de destaque e de potencialidade em sua profissão, seja como diarista, jornalista ou artista, na política ou na televisão sem rebolar o bumbum no chão. 

Nada contra quem o faz, mas nossas habilidades são muito mais.

Nosso caráter e potencial não estão na melanina, mas na vida que nos ensina que mesmo sem a representatividade devida e merecida, temos nossa sina: amar, lutar e nunca conjugar o verbo estacionar!

Fácil? Nunca será, está cheio de “ismos” por aí, machismo, racismo, mas a minoria deixou de existir e conquistou voz com muito suor e não vai se calar custe o que custar! 

Não quero que nos aceite, mas exijo e grito com toda força de minh'alma que não é branca que nos respeite, agora e daqui para frente! 

Vida e vida à mulher negra! 

Julienne Marie Silva Santos


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