O coronel Nabuco raramente saía dos limites de sua fazenda e não tinha qualquer traquejo em assuntos sociais. Atrapalhava-se até quando visitava a vila, dentro de suas terras. As cerimônias mais solenes a que assistira na vida haviam sido cortejos fúnebres, assim mesmo modestos e despojados. Um dia recebeu convite para o casamento da filha de estancieiro de Bagé, grande amigo e companheiro de revoluções; não podia recusar.
Na hora da cerimônia, a igreja lotada, toda a sociedade presente, gente fina e aristocrática, políticos, autoridades, convidados do Uruguai, de Porto Alegre e até do Rio de Janeiro. O sacerdote, em traje de gala, pomposamente fez a clássica pergunta:
‒ ... E se houver alguém aqui presente que saiba de alguma coisa, que fale agora ou cale para sempre...
Nabuco, lá do fundo, depois de olhar para os lados, foi levantando o corpanzil, chapelão seguro nas mãos, enquanto com voz grave e poderosa começou a dizer:
‒ Eu aqui, por exemplo, na parte que me toca...
Aterrorizados e respiração presa, todos os presentes olharam para ele. Pachorrento, já com jeito de formalidade cumprida, o coronel completou enfaticamente a frase, antes de voltar a sentar-se:
‒ ... não sei de nada!
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Do livro “Anedotário da Rua da Praia 2”,
de Renato Maciel de Sá Junior.

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