Paulo Mendes
É hora de abrir o guarda-sol na areia, ajeitar as cadeiras de praia, preparar a caixa térmica com as bebidas, colocar o traje adequado e mandar as preocupações para bem longe. Chegou o verão. Milho verde, queijo assado, picolé, frescobol, futebol, embaixadinhas, cheiro de carne assada e a gelada correndo solta. Gritos de ambulantes vendendo bugigangas, choro de crianças, alaridos e o olhar atento de guarda-vidas. Os verões são assim, têm cara de guri sapeca, travesso, que pula sobre as ondas e depois deixa o mar com o corpo reluzente e salgado. Tem jeito de garota bonita, se encharcando de óleo, penteando os cabelos molhados e fazendo selfie para o namorado. É o gosto do chimarrão topetudo sorvido aos goles na manhã ensolarada e feliz, enquanto o homem já de cabelos grisalhos olha para o oceano e lembra de sua infância verdejante na lonjura da Fronteira. A mãe corre atrás dos filhos fujões e a vovó já nem ouve direito as falas, nem o barulho ensurdecedor de funk que sai de uma uma caixinha JBL, nem o matraquear das ondas batendo na areia. Um navio passa ao largo e vai desaparecendo. Não é que a terra é mesmo redonda? Como redondo é o ciclo da vida, o verão chega e vai embora, mas volta faceiro no ano que vem.
(Do Correio do Povo +Domingo,
dezembro de 2025)

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