sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Pandorgas

 

Pandorga é o nome genérico que as crianças gaúchas dão a estes elementos, embora cada feitio tenha uma denominação diferente. 

Fui guapo quando menino,
pois lacei o céu com pandorga.
Mas, hoje, a vida me outorga
o direito que declino
de ser “grande”, pois se empino
qualquer sonho colorido,
outros, como “vidro moído”,
na “cola” de um “papagaio”,
cortam meu barbante e eu caio,
“vou à Bahia”, perdido.

Pandorga:

Nome genérico que, no Rio Grande do Sul, se dá a este brinquedo que consiste numa armação de varetas de taquara cobertas de papel. A pandorga, presa a um cordão, se eleva ao alto por força do vento e é equilibrada por um rabo, simples ou duplo, feito de tiras de pano e preso na parte inferior.

Existem vários feitios de pandorgas com denominações próprias que as identificam. Assim, o mais comum, de forma quadrangular, é, propriamente, a “pandorga”; “papagaio” é o losangular; a “estrela” tem o feitio do nome, e seguem o “caixão”, a “bandeja”, a “marimba”, o “barril”, o “navio”, a “pipa” e muitos outros.

A prática do divertimento é chamada de “soltar pandorga”. Os guris se empenham na “briga de pandorgas”: atam no rabo uma gilete ou colam frações de vidro moído. Em pleno ar, aproximam as pandorgas uma da outra; com descaídas e recolhidas, procuram friccionar o rabo “envenenado” da sua pandorga no cordão da outra, até que o cordão de uma das cordas se corta e a pandorga “Vai-à-Bahia”, expressão que significa perder-se a pandorga no horizonte distante.

Também usam o costume de “mandar telegramas”: enfiam pequenos círculos de papel no barbante e estes, impulsionados pelo vento, sobem até as “guias” da pandorga. 

E quase nunca dispensam o “roncador”, franjas de papel coladas em barbantes, por fora do corpo da pandorga e que, realmente, roncam ao passar do vento. 

Do site Página do Gaúcho, de Roberto Cohen.

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