Pandorga é o nome genérico que as crianças gaúchas dão a estes elementos, embora cada feitio tenha uma denominação diferente.
Fui
guapo quando menino,
pois lacei o céu com pandorga.
Mas, hoje, a vida me outorga
o direito que declino
de ser “grande”, pois se empino
qualquer sonho colorido,
outros, como “vidro moído”,
na “cola” de um “papagaio”,
cortam meu barbante e eu caio,
“vou à Bahia”, perdido.
Pandorga:
Nome genérico que, no Rio Grande do Sul, se dá a este brinquedo que consiste numa armação de varetas de taquara cobertas de papel. A pandorga, presa a um cordão, se eleva ao alto por força do vento e é equilibrada por um rabo, simples ou duplo, feito de tiras de pano e preso na parte inferior.
Existem vários feitios de pandorgas com denominações próprias que as identificam. Assim, o mais comum, de forma quadrangular, é, propriamente, a “pandorga”; “papagaio” é o losangular; a “estrela” tem o feitio do nome, e seguem o “caixão”, a “bandeja”, a “marimba”, o “barril”, o “navio”, a “pipa” e muitos outros.
A prática do divertimento é chamada de “soltar pandorga”. Os guris se empenham na “briga de pandorgas”: atam no rabo uma gilete ou colam frações de vidro moído. Em pleno ar, aproximam as pandorgas uma da outra; com descaídas e recolhidas, procuram friccionar o rabo “envenenado” da sua pandorga no cordão da outra, até que o cordão de uma das cordas se corta e a pandorga “Vai-à-Bahia”, expressão que significa perder-se a pandorga no horizonte distante.
Também usam o costume de “mandar telegramas”: enfiam pequenos círculos de papel no barbante e estes, impulsionados pelo vento, sobem até as “guias” da pandorga.
Do site Página do Gaúcho, de Roberto Cohen.

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