Carpinejar
Às vezes, a reconciliação é
mais bonita do que o começo do namoro.
Às vezes, a volta por cima é
mais bonita do que a invencibilidade.
Às vezes, o choro da gratidão
é mais bonito do que o riso.
Às vezes, o alívio é mais
bonito do que a celebração.
Às vezes, sobreviver a um
único dia é mais bonito do que uma década.
Às
vezes, concluir a prova é mais bonito do que romper com o peito a faixa de
chegada.
Às
vezes, um gesto é mais bonito do que um discurso.
Às
vezes, olhar de novo é mais bonito do que enxergar tudo de primeira.
Às
vezes, o perdão é mais bonito do que a admiração.
Às
vezes, a rasura é mais bonita do que a falha em branco.
Às
vezes, a humildade é mais bonita do que a confiança.
Às
vezes, a mudança de rota é mais bonita do que aquilo que foi planejado.
Às
vezes, não ter acontecido algo pior é mais bonito do que uma lembrança feliz.
ÀS
vezes, permanecer é mais bonito do que triunfar.
Às
vezes, o fio de esperança é mais bonito do que o sol, iluminando sem queimar.
Às
vezes, o suspiro é mais bonito do que o grito.
Às
vezes, o colo é mais bonito do que o abraço.
Às
vezes, a cicatriz que fecha é mais bonita do que a pele intacta desprovida de
vida.
Às
vezes, a resiliência é mais bonita do que a facilidade.
Às
vezes. A confissão das fraquezas e mais bonita do que a demonstração de força.
Às
vezes, não saber dançar e mais bonito do que uma coreografia.
Às
vezes, seguir adiante na escada é mais bonito do que pisar nos degraus do
pódio.
Às
vezes, do medo lapidamos o caráter.
Às
vezes, do perigo vem a mais bonita caridade.
Às
vezes, do horror do precipício nascem as mais bonitas pontes.
Às
vezes, do fundo do poço brotam as mais bonitas plantas.
Às
vezes, sair do desespero é mais bonita saudade.
Às
vezes, a reparação é a mais bonita sinceridade.
Às vezes, é desmoronando que descobrimos os alicerces nas ruínas. O que deve ser. O que deve ficar. Como precisamos agir. O que não pode mais ser tolerado. O que é insalubre repetir. E assim os erros se transformam em aprendizado, o sangue fervendo retorna ao calmo suor.
(...)
Parte da crônica “7 de dezembro de todos os santos”, de Carpinejar, no jornal Zero Hora, de 8.12.2025, que se reporta à final do campeonato brasileiro de futebol de 2025, quando o Sport Club Internacional, clube do coração do cronista, escapou, milagrosamente e por sua própria competência, de ser rebaixado para segunda divisão.

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