segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

7 de dezembro de todos os santos

 

Carpinejar 

Às vezes, a reconciliação é mais bonita do que o começo do namoro.

Às vezes, a volta por cima é mais bonita do que a invencibilidade.

Às vezes, o choro da gratidão é mais bonito do que o riso.

Às vezes, o alívio é mais bonito do que a celebração.

Às vezes, sobreviver a um único dia é mais bonito do que uma década.

Às vezes, concluir a prova é mais bonito do que romper com o peito a faixa de chegada.

Às vezes, um gesto é mais bonito do que um discurso.

Às vezes, olhar de novo é mais bonito do que enxergar tudo de primeira.

Às vezes, o perdão é mais bonito do que a admiração.

Às vezes, a rasura é mais bonita do que a falha em branco.

Às vezes, a humildade é mais bonita do que a confiança.

Às vezes, a mudança de rota é mais bonita do que aquilo que foi planejado.

Às vezes, não ter acontecido algo pior é mais bonito do que uma lembrança feliz.

ÀS vezes, permanecer é mais bonito do que triunfar.

Às vezes, o fio de esperança é mais bonito do que o sol, iluminando sem queimar.

Às vezes, o suspiro é mais bonito do que o grito.

Às vezes, o colo é mais bonito do que o abraço.

Às vezes, a cicatriz que fecha é mais bonita do que a pele intacta desprovida de vida.

Às vezes, a resiliência é mais bonita do que a facilidade.

Às vezes. A confissão das fraquezas e mais bonita do que a demonstração de força.

Às vezes, não saber dançar e mais bonito do que uma coreografia.

Às vezes, seguir adiante na escada é mais bonito do que pisar nos degraus do pódio.

Às vezes, do medo lapidamos o caráter.

Às vezes, do perigo vem a mais bonita caridade.

Às vezes, do horror do precipício nascem as mais bonitas pontes.

Às vezes, do fundo do poço brotam as mais bonitas plantas.

Às vezes, sair do desespero é mais bonita saudade.

Às vezes, a reparação é a mais bonita sinceridade.

Às vezes, é desmoronando que descobrimos os alicerces nas ruínas. O que deve ser. O que deve ficar. Como precisamos agir. O que não pode mais ser tolerado. O que é insalubre repetir. E assim os erros se transformam em aprendizado, o sangue fervendo retorna ao calmo suor. 

(...) 

Parte da crônica “7 de dezembro de todos os santos”, de Carpinejar, no jornal Zero Hora, de 8.12.2025, que se reporta à final do campeonato brasileiro de futebol de 2025, quando o Sport Club Internacional, clube do coração do cronista, escapou, milagrosamente e por sua própria competência, de ser rebaixado para segunda divisão.

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