quarta-feira, 29 de julho de 2026

Aspiração

 Álvaro Moreyra

– Papai, se eu te pedisse uma nuvem, tu me dava?

– Dava...

– E o sol?

– Dava...

– Não vê!...

– Dava, sim...

– E aquela árvore, lá em cima do morro?

– Dava...

– E todos os vapores que andam no mar?

– Dava...

– Ah!

– Que é?

– Eu só queria um tostão pra comprá um pirulito...

terça-feira, 28 de julho de 2026

A quebra de protocolo diplomático

por Milei teve ajuda de Tarcísio e Flávio Bolsonaro 

Por Míriam Leitão 

O GLOBO ‒ 27/07/2026 

Todos os protocolos diplomáticos foram quebrados pela visita de Javier Milei ao Brasil. Já testemunhei muitas crises entre Brasil e Argentina, mas esta é, de fato, uma das mais graves. A tensão instalada entre os dois países após os ataques de Milei domina as manchetes do Clarín e do La Nación, os principais jornais argentinos, nesta segunda-feira. 

O primeiro protocolo quebrado é vir sem avisar ao governo. O fato é que qualquer viagem de um chefe de Estado a outro país, ainda que tenha caráter privado, segue um protocolo mínimo, que inclui a comunicação prévia ao governo anfitrião ‒ procedimento completamente ignorado por Milei. O presidente argentino foi diretamente a São Paulo, onde participou da convenção do PL. Antes disso foi recebido com um tapete azul, em referência à chamada “onda azul”, alusão as eleições de candidatos de direita, no Palácio Bandeirantes, pelo governador Tarcísio de Freitas que concedeu a ele a Medalha da Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo. Tarcísio o recebeu com honras de chefe de Estado. 

Ele veio como convidado de honra para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Milei adotou, em seu discurso, uma postura de completo desrespeito ao governo brasileiro e ao próprio processo eleitoral do país. O presidente argentino utilizou palavras ofensivas e desairosas ao se referir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. O Brasil respondeu pelos canais diplomáticos: chamou de volta o embaixador brasileiro na Argentina para consultas e convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos sobre a conduta de seu presidente ‒ uma tarefa que dificilmente será simples. 

Na volta à Argentina, Milei concedeu uma entrevista em que afirmou, sem provas, que o governo brasileiro financiou uma campanha midiática contra a Argentina após a Copa do Mundo. Chegou a dizer que 25% dos recursos da suposta campanha teriam saído do Brasil, em reportagem publicada no Clarín. A alegação, no entanto, não foi acompanhada de qualquer prova e carece de fundamento conhecido. Nada disso faz o menor sentido. 

Mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei parece ter buscado projetar sua imagem em um momento delicado de seu governo, marcado por dificuldades internas e elevados índices de desaprovação, que variam entre 60% e 65%, segundo pesquisas de opinião. Para isso, escolheu confrontar justamente o principal parceiro comercial da Argentina, destino da maior parte das exportações industriais argentinas. Caberá agora à diplomacia dos dois países desfazer esse impasse ‒ e não será uma tarefa fácil.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A natureza das coisas

Flávio José

 Canta Padre Fábio de Melo 

Ô, xalalalalalalá

Ô, xalalalalalalá

Ô, xalalalalalalá

Ô, coisa boa é namorar. 

Se avexe não,

Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada.

Se avexe não,

A lagarta rasteja até o dia em que cria asas.

Se avexe não,

Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa.

Se avexe não,

Amanhã ela para na porta da sua casa. 

Se avexe não,

Toda caminhada começa no primeiro passo.

A natureza não tem pressa, segue seu compasso.

Inexoravelmente chega lá.

Se avexe não,

Observe quem vai subindo a ladeira,

Seja princesa, ou seja lavadeira,

Pra ir mais alto, vai ter que suar.

Lobo mau e os porquinhos

Menino, de uns cinco anos, durante ao café da manhã, pergunta ao pai, muito curioso:

‒ Papai, por que o lobo mau queria comer os porquinhos? 

O pai, solicito, dá a seguinte resposta ao filho: 

‒ O lobo mau queria comer os porquinhos simplesmente porque estava com muita fome e os porquinhos eram vistos por ele como uma presa e uma refeição saborosa. 

O filho fica horrorizado e começa a chorar e a maldizer o lobo mau. 

O pai, já se aborrecendo com a manha do menino, grita pra ele: 

‒ Para de chorar e come logo teu pão com presunto!

 

Repente ecológico

 

Benevides* está doente

Quer ajuda, meu irmão,

Ele precisa da gente,

A gente pensa que não,

Pra preservar do perigo

É preciso união. 

Garantir a produção,

Sem esgotar a natureza,

Eis a grande questão.

Reciclar é uma beleza,

A coleta seletiva

É melhor com certeza. 

Os igarapés estão

A mercê do cidadão,

Que joga lixo neles

Sem ter a preocupação

De acabar com o que existe

Transformando em valão. 

A fonte da vida é

A natureza, meu irmão.

Preservar é necessário

Para evitar a extinção.

Se criamos o problema,

Por que não a solução? 

A gente joga lixo no canto

E dele logo se esquece.

A cidade fica doente

E todo mundo padece.

Reciclar é necessário,

A nossa vida agradece! 

O homem Benevidense,

Que não pensa em preservar,

Não imagina que um dia

Ele pode se encontrar

Com a saúde destruída

E sem ar para respirar! 

Benevides, hoje,

Tem problemas graves de verdade.

Encontrar a solução

É nossa responsabilidade.

Então se esperte, companheiro,

Cuide da nossa cidade. 

Me decifra ou te devoro,

É o lema da esfinge.

Pra nós é refletir.

Problemas que nos atinge,

Pois se não os decifrar,

Eles vão nos devorar!

 **********

Produção coletiva da turma do Sesc Ler,

no município de *Benevides ‒ Pará.

domingo, 26 de julho de 2026

Mulher dormindo fora de casa

 

Mulher muito gostosa e com uma vida muito agitada, com vários ex-namorados, consegue se casar um senhor mais velho do interior. 

Durante algum tempo, ela estava sempre em casa, mas, depois de três meses de casada, ela disse ao marido: 

‒ Amor, eu vou dormir na casa de mamãe. 

Ele concordou sem dizer nada. 

Passou-se um dia, ela voltou a dizer novamente para ele: 

‒ Querido, hoje vou dormir de novo na casa de mamãe. 

Durante uma semana sempre ela pedia a ele para dormir na casa da mãe, e ele sempre, solícito, concordava. 

Nisso aparece de surpresa a mãe da moça para visitar o genro, ela reclama a ele: 

‒ O senhor não vai acreditar, faz uma semana que a minha filha não vai me visitar! 

O genro, encabulado, fala à sogra: 

‒ É até chato eu ter que falar isso pra senhora, mas eu acho que a sua filha tem outra mãe...

Meus desejos

 

Eu desejo que tu encontres aquele tipo de amor que venha para ficar. O amor de alguém que olhe para ti e te enxergue de verdade. O tipo de amor que realmente é amor, e não só um caso passageiro. O amor de uma pessoa que se faça digna de estar contigo. 

Eu desejo pra ti aquele tipo de amor que construa contigo uma história sem feridas. Que compense por todas as vezes que alguém não soube te amar. Que compense cada partida, cada lágrima, cada vez que tu pensaste que não era suficiente porque alguém não ficou, cada vez que tu acreditaste que não merecia um amor profundo apenas porque algumas pessoas rejeitaram o teu afeto. 

Eu te desejo alguém que te faça acreditar novamente no amor, que te mostre que o amor não dói, que são as pessoas erradas que machucam (mas que elas também ensinam). 

Porque todo mundo merece alguém que seja colo, segurança, um porto seguro no meio ao caos dos dias tumultuados. Todo mundo merece aquele tipo de afeto que cure, que acalente, que conforte o coração e a alma. Todo mundo merece uma pessoa que não se vá de repente, que queira mais do que uma aventura, que queira construir uma vida. 

Desilusões afetivas causam grandes e profundas feridas. Mas que elas jamais sejam maiores que a tua capacidade de amar de novo. Que elas jamais façam com que tu caias no engano, que todas as pessoas são iguais, que toda relação machuca, que os teus relacionamentos antigos determinam como serão os relacionamentos futuros. 

Ainda há muito amor aguardando por ti. Porque tu nasceste para vivenciar o amor em sua profundidade e que nenhuma experiência do passado faça tu acreditares que mereças menos do que isso!

(Alexandro Gruber) 

Se você deseja superar suas crises internas e se transformar emocionalmente para começar uma nova fase em sua vida conheça o curso “Liberte-se”. Esse curso vai lhe dar a oportunidade de superar seus traumas do passado, vencer seus bloqueios emocionais, superar seus medos e crenças limitantes. Você vai enxergar suas experiências de uma outra maneira e se fortalecer, abrindo os caminhos para uma vida mais feliz e equilibrada. 

O escritor e poeta conhecido como Alegre Grubber é, na verdade, Alexandro Gruber, famoso por seus textos reflexivos sobre cura emocional e amor-próprio. Um dos seus textos poéticos mais conhecidos é o poema sobre a cura interior.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Porque levantar o dedo do meio é considerado ofensa?

 

Por Marina Motomura, 18 de abril de 2011 

O dedo do meio levantado é um gesto ofensivo de origem milenar que funciona como um símbolo fálico. Segundo antropólogos, o dedo médio esticado representa o pênis, e os dedos dobrados ao lado simbolizam os testículos. Mostrar o dedo equivale a uma exibição agressiva para intimidar, insultar ou demonstrar desprezo.

Por causa de uma tradição cultural popularizada na Antiguidade – provavelmente herdada de um costume dos ancestrais do homem, ainda nos tempos da pré-história. Um grupo de antropólogos sustenta que o gesto é uma variação de uma estratégia agressiva de alguns primatas, que mostravam o pênis ereto a seus inimigos como uma forma de intimidá-los. Mais civilizado, o homem teria substituído o bilau pelo dedo erguido para ofender alguém. Um dos primeiros registros escritos desse costume mal-educado aparece no ano 423 a.C., quando o poeta grego Aristófanes escreveu a peça As Nuvens. Em um dos diálogos, o personagem Estrepsíades faz uma piada comparando o dedo do meio ao pênis. Da Grécia, a ofensa chegou a Roma, onde era conhecida como digitus infamis, o “dedo obsceno”. No livro Gestures, their Origin and Distribution (“Gestos, sua Origem e Distribuição”, sem tradução para o português), o zoólogo britânico Desmond Morris sustenta que o imperador Calígula (12-41) chocava os súditos obrigando-os a beijar seu dedo do meio em vez de sua mão. Uma tremenda humilhação. Com o passar dos séculos, a maioria dos países do mundo incorporou o gesto de origem latina – pode-se dizer que é um símbolo quase universal! Mas diversos povos encontraram outras formas criativas de mandar alguém fazer você sabe o quê.  O que explica que um sinal seja considerado ingênuo num país e ofensivo em outro? Para essa “transformação” acontecer, um grupo precisa estabelecer uma espécie de pacto em torno dessa forma de comunicação. Em outras palavras, um gesto só é considerado agressivo se todas as pessoas do grupo entenderem e concordarem com seu significado. “Para evitar gafes e lidar com as diferenças culturais, hoje em dia as multinacionais fazem livros de comportamento. Essas publicações explicam aos executivos que viajam muito quais gestos eles podem ou não fazer ao visitar outros países”, Rosali Telerman, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Da revista Super interessante

O terno

 

Um homem foi a um alfaiate para experimentar um terno. Parado diante do espelho, ele percebeu que o colete estava um pouco irregular na parte inferior. 

‒ Ora ‒ disse o alfaiate. – Não se preocupe com isso. Basta você puxar a ponta mais curta para baixo com a mão esquerda, que ninguém jamais vai perceber nada.

Enquanto o cliente fazia exatamente isso, ele notou que a lapela do paletó estava com uma ponta enrolada em vez de estar rente. 

E isso aqui? Perguntou ao alfaiate – Isso não é nada. É só você virar a cabeça um pouquinho e segurar a lapela no lugar com o queixo.

O freguês obedeceu e, quando o fez, observou que a costura das entrepernas estava meio curta e que o gancho lhe parecia um pouco apertado demais.

‒ Ora, nem pense nisso. Puxe o gancho para baixo com a mão direita, e tudo vai ficar perfeito.

O freguês concordou e comprou o caro terno.

No dia seguinte, o homem estreou o terno com todas as alterações de queixo e mãos. 

Enquanto ia mancando pelo parque com o queixo segurando a lapela no lugar, uma das mãos segurando o colete, e a outra mão agarrada ao gancho, dois velhos pararam de jogar damas para vê-lo passar com dificuldade.

‒ Meu Deus! – disse o primeiro velho. ‒ Veja aquele pobre aleijado.

O segundo homem refletiu por um instante antes de sussurrar:

‒ É, ele é bem aleijado mesmo, mas sabe o que eu queria saber...

‒ O quê?

‒ Onde será que ele comprou um terno tão elegante? 

******* 

Do livro: “Mulheres que correm com os lobos”

quinta-feira, 23 de julho de 2026

De repente!

 Nílson Souza

Então a gente furava o fundo de duas latas velhas e aproveitava os pregos enferrujados para amarrar o barbante que ligaria uma à outra. Era o nosso telefone móvel. Enquanto um gritava numa das extremidades do aparato improvisado, o outro apurava o ouvido para ouvir aquela ligação exclusiva que qualquer pessoa próxima ouviria igual: 

‒ Alô? Quem fala? Tá ouvindo? ‒ Dizia o emissor. 

E rapidamente o receptor movia sua lata da orelha para própria boca e respondia: 

‒ Tô! 

Para muito mais do que isso não havia repertório no vocabulário infantil daqueles meninos de periferia. Depois de algumas tentativas de diálogo, entremeadas por silêncios e risos, um dos interlocutores jogava a lata no chão e propunha: 

‒ Vamos jogar bolita? 

As bolitas também habitavam latas, às vezes um saco de pano guardado numa gaveta ou num cantinho escondido debaixo da cama. Eram preciosidades aquelas bolinhas de vidro, principalmente as que chamávamos de “águidas”, com desenho interno colorido, conhecidas em outras paragens como águias ou olho de gato. 

As regras do jogo eram de conhecimento geral: riscava-se um círculo ou triângulo no chão de terra e uma linha reta a determinada distância. Cada competidor colocava as suas bolinhas dentro da área demarcada, todos lançavam alternadamente suas “jôgas” até o risco para estabelecer a primazia das jogadas. Quem ficasse mais próximo era o primeiro e poderia, com um movimento formado pelo polegar e pelo indicador, lançar a sua bolinha nas demais, com o objetivo de tirá-las do círculo e delas se apropriar. 

‒ Não vale facão! ‒ gritavam os jogadores para aqueles que impulsionavam o lançamento com um movimento de braço, por ter “inhaque” fraco ou armar o arremesso com aquele constrangedor posicionamento de dedos que lembravam não sei o quê* da galinha. Claro que a expressão era outra. Brincávamos também de ovo podre, de mocinho e bandido, de pular corda, de corrida do saco, de soltar pandorga, de lançar pião... 

(...) 

“Eu quero os meus brinquedos novamente! Sou um pobre menino... acreditai... que envelheceu, um dia, de repente!”. (Mário quintana) 

(Do jornal zero hora, 21 de julho de 2026) 

* Cu de galinha.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Dicas de concordância

 

1. Melhor ou Melhores? 

A palavra Melhor só irá para o plural quando for adjetivo (= mais bom): “Eles foram os melhores em campo.” 

A palavra melhor torna-se invariável quando é advérbio (= mais bem): “Eles analisaram melhor os fatos”; “Eles se colocaram melhor”. 

Usamos a forma mais bem antes de particípios verbais: “Os fatos foram mais bem analisados”; “Estes são os esqueletos de macaco mais bem preservados (...) será possível estudar melhor seus hábitos...”; “O Corinthians tem vinte e oito pontos e completa o grupo dos oito mais bem colocados”; “Aquele projeto é o melhor, o mais bem planejado”; “O melhor jogador do mundo não é o mais bem pago”; “Ele provou que estava mais bem preparado”; “Quem será o brasileiro mais bem colocado?” 

A mesma regra se aplica a mais mal, menos bem e menos mal: “Ele é o jogador mais mal pago do futebol brasileiro”; “Nunca vi termo mais mal utilizado que esse.” 

2. Menos ou Menas? 

Menas não existe. Use sempre menos: “Vieram menos pessoas que o esperado”; “Isso é de menos importância”. 

3. Mesmo ou Mesma? 

Mesmo (= próprio) é pronome e deve concordar: “Andreia se refere à salada e o brigadeiro é ela mesma que faz”; “Nós mesmos resolvemos o caso”; “As meninas feriram a si mesmas”. 

Mesmo (= até, inclusive) é invariável: “mesmo a diretoria não resolveu o problema”; “Mesmo os professores erraram aquela questão”.

As armadilhas da língua

Você sabe o que é tautologia?

É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. 

O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir: 

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito.
 

Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Verifique se não está caindo nesta armadilha.

Emprego correto de letras-2

 

Emprega-se X: 

01. Após ditongo: 

Ex.: baixo, caixa, ameixa, desleixo, feixe, seixo, frouxo, trouxa. 

02.    Após en: 

Ex.: enxame, enxaguar, enxaqueca, enxergar, enxerto, enxofre, enxoval, enxada. 

Exceções:   palavras derivadas de primitivas que contenham ch no radical: 

encharcar, encharcadiço (charco); encher, enchente, enchimento, preenchimento (cheio); enchiqueirar (chiqueiro); enchapinado (chapim); enchova (= anchova); enchumaçar (chumaço); enchouriçar (chouriço); enchumbar (chumbo). 

03.    Após me: 

Ex.: mexer, mexerico, México, mexilhão, mexerica. 

Exceções:   mecha (de cabelo): (e derivados) mechar, mechagem, mecheiro. 

04.    Nas palavras de origem indígena e africana: 

Ex.: Xaxim, Erexim, Xavante, Xingu, xexéu (ave), Xangô, Xapanã, Oxum, Oxalá. 

Obs.: Palavras do inglês aportuguesadas trocam o sh original por x. 

Ex.: xampu (de shampoo), xerife (de sheriff). 

Observação: A palavra inglesa show (chou) está praticamente incorporada ao nosso idioma, bem como as palavras shopping (Chópin) center) e short (calça curta). Vide ► Novo Dicionário Aurélio. 

Emprego do CH: 

01. O dígrafo CH aparece em vocábulos de origem latina, francesa, espanhola, italiana, alemã, inglesa e árabe, não havendo, por isso, regra prática para o seu emprego. Convém assinalar sua presença, entre outros, nos seguintes vocábulos, todos de uso frequente: 

Ex.: achaque, achincalhar, agachar, archote, bacharel, beliche, bochecha, bolacha, borracha, brecha, broche, brochura, bucha, cabrocha, cachaça, cachimbo, cachola, capacho, caramanchão, chacina, chafariz, chambre, chaminé, chanceler, chantagem, charanga, charlatão, charque, chafurdar, chaleira, chávena, chiar, chibata, chimarrão, chimpanzé, chinfrin, chique, chiqueiro, chispa, chita, chocalho, chocar, chocho, chofer, chofre, chope, chouriço, chuchu, chulé, chulo, chumaço, churrasco, chula, chusma, chutar, cocheira, cochicho, cochilo, colcha, comichão, concha, conchavo, coqueluche, deboche, desabrochar, ducha, esguicho, espichar, fantoche, fechar, ficha, flecha, galocha, gancho, garrucha, guincho, lancha, lanche, linchar, machado, macho, marechal, mochila, nicho, pachola, pachorra, pecha, pechincha, piche, racha, rechaçar, sacho, tacho, troncho, ucha.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Emprego correto de letras-1

 
Emprega-se J: 

01. Nas seguintes palavras de origem latina: 

Ex.: jeito (ajeitar, desajeitado, rejeitar, enjeitar, sujeito); Majestade (majestoso, majestático). 

02. Nas palavras de origem indígena: (tupi-guarani ou africana) 

Ex.: jiboia, jirau, jerivá, pajé, jequitibá, canjerê, Moji, mojiano. 

Exceção no RS: Bagé (mas bajeense) 

03. Nas formas dos verbos terminados em jar: 

Ex.: arranjar: arranjei, arranjem; encorajar: encorajamos, encorajei; viajar: viajei, viajem, viajemos; enojar: enojei, enojamos. 

04. Nas palavras derivadas de primitivas com j no radical: 

Ex.: gorja: gorjeio, gorjeta; laranja: laranjinha, laranjal, laranjeira; loja: lojista; sarja: sarjeta; lisonja: lisonjeiro, lisonjear; manjar: manjedoura; cerveja: cervejeiro, cervejista, varejo: varejista. 

Emprega-se G: 

Obs. O G só pode ser empregado, com som de J, antes das vogais E e I. 

01. Nas terminações: agem, igem, ugem e ege: 

Ex.: viagem (substantivo), garagem, malandragem, fuligem, ferrugem e bege. 

Exceções: lajem: (laje, Lajeado, lajeadense, lajear, lajeiro, Lajes, lajense, lajista, lajota, lajedo, lajiano); pajem: (pajear); lambujem: (lambujeiro). 

02. Nas terminações: ágio, égio, ígio, ógio e úgio (e derivados): 

Ex.: estágio, pedágio, colégio, egrégio, vestígio, relógio, refúgio. 

03. Após r (geralmente): divergir, convergir, submergir, aspergir.

04. Nas palavras derivadas de primitivas que se escrevem com G: 

Ex.: vertigem: (vertiginoso); ferrugem: (ferruginoso); contágio: (contagioso); exigir: (exigente); virgem: (virginiano, virginal); passagem: (passageiro); bagagem: (bagageiro); ágio: (agiota, agiotagem); colégio: (colegial). 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Meu Internacional de 1955

 

Jogadores na foto: 

Em pé: Oreco, Florindo, La Paz, Lindoberto, Odorico e Mossoró. 

Agachados: Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho. 

Quando eu tinha dez anos, 1955, fui com meu pai ao meu primeiro Gre-Nal no Estádio dos Eucaliptos, na rua Silveiro, no Menino Deus. O Inter ganhou de 2 X 1 do Grêmio, não me interessei pela partida, mas sim pela vibração da torcida e sua contagiante alegria. 

Recito até hoje, quando falo desse fato, a escalação do time que me encantou fazendo com que eu me tornasse um assíduo frequentador do Beira-Rio. Tenho, em meus arquivos, dezenas de fotos do Internacional, mas, finalmente, consegui, na internet, o exato time do Gre-Nal que assisti há setenta anos atrás, pois todos os jogadores daquele clássico estão na foto acima. 

La Paz, único estrangeiro do time, era o goleiro; Florindo e Odorico, os zagueiros centrais; Oreco e Mossoró, os laterais; Lindoberto e Jerônimo, os meio-campistas; Luizinho e Chinesinho, os pontas (direita e esquerda); Bodinho e Larry, os atacantes. Time inesquecível. 

Nilo da Silva Moraes

domingo, 19 de julho de 2026

Uma história da Bossa Nova

 

João Gilberto com o suéter que nunca mais foi devolvido... 

Todo mundo ouvia falar muito de João Gilberto. Diziam que era um cara maluco, que já havia sido internado, vivia de cabelo enorme, barbado e que, como um vampiro, só saía à noite. 

Certo dia, chegou à casa do Ronaldo Bôscoli. Não era nada do que diziam as más línguas. 

Cabelo cortado, barba feita, sapato engraxado e, claro, um violão debaixo do braço. Tocou um violão fantástico que deixou todo mundo boquiaberto e explicou que tinha brigado com o Tito Madi, não tendo para onde ir. Já era madrugada quando  João, convidado pelo Bôscoli, mudou-se para o pequeno quarto-e-sala do Edifício Haiti onde já moravam, além do Bôscoli, Mièle e um empregado chamado Chico. Cinco “artistas” num quarto-e-sala. 

Era um sujeito de hábitos muito estranhos. Ficava horas ao telefone, horas no banheiro, para desespero dos outros moradores. Dormia vestido, com uma gravata tapando os olhos. Ficava, como um morto, em decúbito dorsal. Sempre muito limpo, muito asseado. 

Havia um sistema para compras de mantimentos para a casa em que todos cooperavam. Só que o João Gilberto só comprava o que gostava: Tangerina! 

Ia pra rua de madrugada, passava na feira e comprava quilos de tangerina. Chegava por volta das seis horas e acordava todo mundo, cantando as músicas do dono da casa, Ronaldo Bôscoli. Aprendeu “Lobo Bobo” (que o Bôscoli fez para a Nara Leão) e “Saudade fez um Samba”, com acordes magníficos, deslumbrando a todos. 

Certo dia disse ao Ronaldo (a quem ele chamava de “Ronga”): 

‒ Que suéter bonito, Ronga! Vocês cariocas têm bom gosto! Me empresta?. 

O coitado do Bôscoli emprestou o lindo suéter que ficou pra sempre com o “cara-de-pau”. 

Quem quiser vê-lo, compre o primeiro LP que gravou: “Chega de Saudade”. O suéter está lá, como da foto acima desta matéria.

Normas ortográficas

 

Emprego do z e do s (izar - isar - ez - eza - ês - esa)

01 ► Terminam em izar (com z) os verbos derivados de palavras cujo radical não terminam em s: 

agonia    -   agonizar

concreto -   concretizar

atual       -   atualizar

civil        -   civilizar

drama     -   dramatizar

fiscal      -   fiscalizar

cristal     -   cristalizar

humano  -   humanizar

fértil       -   fertilizar

rival       -   rivalizar

cota        -   cotizar

imune     -   imunizar

ironia     -    ironizar

rubor     -    ruborizar

total       -   totalizar

ridículo -    ridicularizar 

02 ► Terminam em isar (com s) os verbos derivados de palavras cujo radical terminam em s: 

liso            -  alisar

paralisia    -  paralisar

divisa        -  divisar

improviso -  improvisar

friso          -  frisar

análise      -  analisar

aviso         -  avisar

bis             -  bisar

catálise     -  catalisar

gris           -  grisar

pesquisa   -  pesquisar

piso         -   pisar 

03 ►Terminam em eza ou ez (com z) os substantivos derivados de adjetivos: 

baixo       -   baixeza

mudo       -   mudez

alto          -   alteza

ácido       -   acidez

ligeiro     -   ligeireza

surdo       -   surdez

frio          -   frieza

árido       -    aridez

pobre       -    pobreza

limpo       -    limpeza

esperto     -    esperteza

pequeno    -   pequenez

grande      -   grandeza

altivo        -   altivez

delicado   -    delicadeza

frígido     -     frigidez 

04 ► Terminam em esa (com s) os substantivos não derivados de adjetivos: 

marquês   -   marquesa

duque      -   duquesa

príncipe   -    princesa

defender   -   defesa

barão        -   baronesa

cônsul      -   consulesa 

05 ► Terminam em ês ou esa (com s) os adjetivos que indicam nacionalidade, origem ou procedência: 

português   -     portuguesa

japonês       -     japonesa

inglês           -     inglesa

burguês         -     burguesa

montanhês   -     montanhesa

montês          -     montesa

sábado, 18 de julho de 2026

Quando a própria companhia basta

 Yasmim Giradi

 As “dates solo” 

Como os “dates solo”* podem ir além do lazer e se tornar um caminho para autonomia, autoconhecimento e bem-estar emocional.

*Um date solo (do inglês solo date, ou encontro consigo mesmo) é um momento de lazer dedicado exclusivamente a você. A prática consiste em sair sozinho ‒ para ir ao cinema, a um restaurante ou a um museu ‒ com a intenção de aproveitar a própria companhia, fortalecer a autoestima e exercitar o autoconhecimento. 

Dicas de segurança para dates sozinha 

Planeje o passeio com antecedência. Saber o trajeto, os horários e os locais que pretende visitar ajuda a reduzir imprevistos e traz mais tranquilidade. 

Compartilhe seu roteiro ou a localização em tempo real com uma pessoa de confiança, principalmente se for passar muitas horas fora ou viajar.  

Mantenha o celular carregado ‒ ou leve um carregador portátil ‒ para conseguir pedir ajuda, chamar transporte ou se comunicar em caso de necessidade. 

Se ingerir bebidas alcoólicas, consuma com moderação para preservar a atenção e a capacidade de tomar decisões. 

Em bares e restaurantes, mantenha sua bebida sempre sob supervisão e evite aceitar copos ou drinques de desconhecidos. 

Sempre que possível, prefira ruas movimentadas, bem iluminadas e com circulação de pessoas, especialmente durante a noite. 

Evite exibir celular, joias ou outros objetos de valor em locais públicos  para reduzir o risco de furtos e assaltos. 

Ao usar transporte por aplicativo, confirme se a placa, o modelo do veículo e a identidade do motorista correspondem às informações fornecidas pela plataforma antes de entra no carro.  

(Do caderno “donna”, do jornal Zero Hora, julho de 2026)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Recomendações da Defesa Civil

 

A Defesa Civil Estadual divulgou uma série de recomendações de segurança à população. As orientações para casos de temporal e queda de granizo foram definidas a partir do tipo de alerta de risco a ser implementado pelo órgão durante o evento climático, que pode variar de amarelo (risco moderado), laranja (alto), vermelho (muito alto) e roxo (extremo). 

Como agir em cada caso 

Temporal 

Amarelo 

Verifique condições de calhas, ralos, telhados e árvores. Cheque junto à Defesa Civil local se há riscos na região, como histórico de alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. Acione o órgão sobre bueiros entupidos ou com tampa danificada. 

Laranja 

Evite sair de casa e fique abrigado durante o temporal. Se precisar sair, informe-se sobre condições do trajeto. Em locais com histórico de alagamentos, busque informações sobre necessidade de deixar a área. Também é recomendado ter um kit de emergência, com documentos, muda de roupas, garrafa d’água e medicamentos, entre outros, para sair imediatamente, se necessário. 

Vermelho 

Busque abrigo ou permaneça em local seguro até cessarem os riscos. Fique pronto para deixar locais com riscos de alagamentos, inundações e enxurradas, e informado sobre a evolução do evento, inclusive à noite. 

Roxo 

Saia logo de áreas de risco. Não retorne a locais já evacuados até que órgãos oficiais informe ser seguro; não transite em áreas alagadas ou inundadas (a pé ou de carro); garanta segurança de animais domésticos, caso seja preciso deixar a casa rapidamente; se possível, compartilhe informações com vizinhos e apoie a saída de pessoas com baixa mobilidade e vulneráveis. 

Granizo 

Amarelo 

Cheque condições de árvores, telhados e madeiramentos das casas. Acompanhe dados de Defesa Civil local. 

Laranja 

Evite sair de casa. Se precisar, informe-se sobre condições de trajetos e avalie o local onde deixará seu veículo. Se morar em locais com histórico de alagamentos, informe-se se é necessário deixar a área. É fundamental ter kit de emergência para saída imediata, se necessário. 

Vermelho 

Busque abrigo, permaneça em locais seguros até cessarem as fontes de risco e mantenha-se informado sobre a evolução do evento, inclusive à noite. Esteja pronto para sair de locais de risco. 

Roxo 

Saia de áreas de risco imediatamente. Se estiver em local seguro, permaneça até cessarem os fenômenos. Orienta-se ainda apoiar a saída de pessoas com baixa mobilidade e vulneráveis. 

(Do jornal Zero Hora, 15 de julho de 2026)

P.S.: Se precisares sair de casa por causa do evento climático que se aproxima do Rio Grande do Sul, não te esqueças de soltar o pobre cão que tu deixaste amarrado no fundo do pátio, sem água, comendo os restos da tua comida, depois disso, queres ajuda de todos para tua desgraça, mas não te lembraste que ele, o teu cão, precisava também de tua ajuda.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Sabedoria canina

 

Se o homem apenas pensasse que somos energia espírito igual à areia da praia, a uma árvore, a um móvel de sua sala, ao planeta mais longínquo, certamente pensaria duas vezes antes de maltratar um animal. Pensariam certamente, com carinho, que somos responsáveis pela evolução dos animais. E quanto mais empregarmos amor para com nossos irmãos menores, mais estaremos contribuindo para sua evolução, e a nossa também, consequentemente de todo o planeta. 

(Adeilde Marques - Pres. da Federação Nacional dos Terapeutas) 

01.    Nunca deixe passar a oportunidade de sair para um passeio. 

02.    Experimente a sensação do ar fresco e do vento na sua face por puro prazer. 

03.    Quando alguém que você ama se aproxima, corra para saudá-lo. 

04.    Quando houver necessidade, pratique a obediência. 

05.    Deixe os outros saberem quando invadiram o seu território. 

06.    Sempre que puder, tire uma soneca e se espreguice antes de se levantar. 

07.    Corra, pule e brinque diariamente. 

08.    Coma com gosto e entusiasmo, mas pare quando estiver satisfeito. 

09.    Seja sempre leal. 

10.    Nunca pretenda ser algo que você não é. 

11.    Se o que você deseja está enterrado, cave até encontrar. 

12. Quando alguém estiver passando por um mau dia, fique em silêncio, sente-se próximo e, gentilmente, tente agradá-lo. 

13.    Quando chamar a atenção, deixe alguém tocá-lo. 

14.    Evite morder quando apenas um rosnado resolve. 

15.    Nos dias mornos, deite-se de costas sobre a grama. 

16.    Nos dias quentes, beba muita água e descanse embaixo de uma árvore frondosa. 

17.    Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo. 

18.           Não importa quantas vezes for censurado, não assuma a culpa que não tiver e não fique amuado... corra imediatamente de volta para seus amigos. 

19.    Alegre-se com o simples prazer de uma caminhada. 

20.           Mesmo que o seu melhor amigo não seja uma pessoa legal, ame-o assim mesmo, sem pedir muita coisa em troca. Afinal, ele é apenas um pobre ser humano.