Fernando Dourado Filho
Acompanhado do assecla Gil Cebola, eis que ontem a imprensa estadunidense registrou uma presença ilustre num torneio de carteado no deserto de Nevada. Há menos de uma semana, o personagem em questão protagonizou a cena mais feia da Copa do Mundo ‒ onde o deixaram participar. Com o Brasil de cara no chão, lancetado de morte por dois gols no fim do jogo, eis que ele resolveu sair com quizílias para cima do goleiro norueguês. Como se uma conduta acintosa e provocadora de última hora fosse reverter o resultado, e não tão somente nos subtrair uns minutos valiosos para tentar o impossível. Foi nessa entidade do baixo espiritismo que eu pensava enquanto via Messi jogar 120 minutos contra os suíços, na última madrugada, que venderam caro a derrota. Não que eu queira comparar ambos. Nosso representante nesse embate está para o oponente como um siri sob a pata de um elefante. Mas não deixa de ser este um contraste tão marcante que nos convida a fazer as últimas reflexões comparativas da temporada sobre a atitude dos jogadores do Brasil e da Argentina. E isso começa pelo momento em que eles aparecem pela primeira vez para o público, ao desembarcar do ônibus.
Naquele trajeto de cem metros que eles percorrem para se dirigir ao vestiário sob o olho das câmeras, temos dois mundos. Os argentinos descem serenos e concentrados. Um está sempre dando uma palavra ao outro. Alguns desembarcam com uma espécie de nécessaire embaixo do braço. Outros trazem uma garrafa térmica pequena e uma cuia de chimarrão para o mate. Eles não se fotografam, não ficam fazendo careta para a televisão. Na maioria dos casos, os penteados são os mais básicos. O goleiro é o único que faz uma graça, com duas pequenas mechas albicelestes. Os nossos saem do ônibus com as orelhas abafadas por imensos headphones e sumidos por trás de óculos de sol. Teriam fotofobia? Imagino que os fones estejam desligados. Se ligados, lhes estourariam os tímpanos. Olham para os jornalistas com olhar esgazeado, fazem mungangas ou, quando falam, dizem só platitudes e lapalissadas. Os argentinos treinam compenetradamente; os brasileiros amorcegam um carrinho de golfe e, como crianças, ficam dando esguichadas de água uns nos outros, ao som estridente do sorriso debiloide do líder. É o riso das hienas.
Casemiro, o xerife que perdeu as insígnias e mostrou quem era, começou a temporada dando entradas desleais em Endrick. Para completar o desabafo de quem já não vale nada no futebol, disse que o atacante “não fazia parte do grupo”. Será que Ancelotti o chamou às favas por isso? Coisa nenhuma. Talvez Modric fizesse isso no lugar dele em outras casas. Isso foi já nas primeiras semanas. Imaginem. No centro de treinamento do Brasil, pululavam fotógrafos pessoais para alimentar as redes sociais de uma geração de “brain rots” ‒ totalmente tomada e povoada pelo digital. Já nem falo dos cabeleireiros. Nunca vi aquele Rafinha jogar uma partida boa. Mas como pode achar tempo para fazer aquele penteado de trancinhas sobre a nuca raspada? Além das vontade inexcedível de ser feio ‒ o que consegue com raro louvor ‒, eis que o ex-xerife foi flagrado exercitando coreografias para o caso de fazer um gol. Imagine-se Tostão com essa frescura, Clodoaldo, Rivaldo. Dia desses botaram uma garrafa de Coca Cola na frente de Cristiano Ronaldo. Ele descartou-a na coletiva e se serviu de água. As ações da empresa caíram na Bolsa. Neymar se deixa fotografar diante de uma lata de cafeína concentrada, que só dá asas a quem é um rematado idiota ‒ jamais um esportista, mesmo sucateado, reduzido a ferro velho.
Temos mais quatro jogos pela frente nesta Copa. Apesar de acreditar no Mal, como disse aqui ontem, ainda creio que Trump cairá antes do fim do mandato. Nessa onda, e por razões diversas, não vejo Ancelotti no Brasil em 2030. E os jogadores? Narcisistas, mimados, desfibrados, medrosos e burocráticos. É assim que enxergo essa seleção. É merecido termos quatro ex-campeões do mundo nos páreos finais. Não havia mesmo lugar para nós.

Esse Rafinha, cujo nome, se não me engano, se escreve com "Ph", em outro momento deu entrevista dizendo estar incomodado em ter que disputar o mundial de clubes porque ele, enquanto jogador da Europa, tem que interromper as férias para jogar o torneio. É de doer!
ResponderExcluirMas tempo para cuidar do seu cabelo ele tem de sobra....
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