sexta-feira, 31 de julho de 2026

Uma historinha ficcional

Ruy Barbosa e o caipira 

Em noite de feroz inspiração, “Ruy Barbosa” saiu a passeio pelo campo, e, topando com um roceiro que contemplava o luar, disse-lhe: 

‒ És um amante do belo! Acaso, já viste também os róseos dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno? 

‒ Ultimamente, não ‒ respondeu o caipira pasmado. Faz um ano que num boto pinga na boca. 

******* 

Ruy Barbosa falava de forma muito difícil e erudita devido à sua formação clássica profunda, à sua devoção rigorosa à gramática portuguesa e à sua oposição a uma suposta corrupção do idioma. Conhecido como o “Águia de Haia”, ele via o domínio absoluto da norma culta como ferramenta de poder argumentativo e proteção da identidade nacional. 

● Culto à tradição: Ele dedicava horas diárias à leitura de clássicos e defendia o rigor estrito da sintaxe de origem portuguesa. 

● Rejeição ao “dialeto brasileiro”: Ele combatia abertamente as inovações populares e regionalistas na escrita formal, que julgava serem erros e desvios gramaticais. 

● Perfil de leitor e jurista: Como grande polímata, jurista e escritor do início da República, sua linguagem refletia o padrão acadêmico e o tom solene exigido pela alta política e tribunais da época. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário