Por Marina Motomura, 18 de abril de 2011
O
dedo do meio levantado é um gesto ofensivo de origem milenar que funciona como
um símbolo fálico. Segundo antropólogos, o dedo médio esticado representa
o pênis, e os dedos dobrados ao lado simbolizam os testículos. Mostrar o dedo
equivale a uma exibição agressiva para intimidar, insultar ou demonstrar
desprezo.
Por
causa de uma tradição cultural popularizada na Antiguidade – provavelmente
herdada de um costume dos ancestrais do homem, ainda nos tempos da
pré-história. Um grupo de antropólogos sustenta que o gesto é uma variação de uma estratégia agressiva de
alguns primatas, que mostravam o pênis ereto a seus inimigos como uma forma de
intimidá-los. Mais civilizado, o homem teria substituído o bilau pelo dedo
erguido para ofender alguém. Um dos primeiros registros escritos desse costume
mal-educado aparece no ano 423 a.C., quando o poeta grego Aristófanes escreveu
a peça As Nuvens. Em um dos diálogos, o personagem Estrepsíades faz uma piada
comparando o dedo do meio ao pênis. Da Grécia, a ofensa chegou a Roma, onde era
conhecida como digitus infamis, o “dedo obsceno”. No livro Gestures, their
Origin and Distribution (“Gestos, sua Origem e Distribuição”, sem tradução para
o português), o zoólogo britânico Desmond Morris sustenta que o imperador
Calígula (12-41) chocava os súditos obrigando-os a beijar seu dedo do meio em
vez de sua mão. Uma tremenda humilhação. Com o passar dos séculos, a maioria
dos países do mundo incorporou o gesto de origem latina – pode-se dizer que é
um símbolo quase universal! Mas diversos povos encontraram outras formas
criativas de mandar alguém fazer você sabe o quê. O que explica que um sinal seja considerado
ingênuo num país e ofensivo em outro? Para essa “transformação” acontecer, um
grupo precisa estabelecer uma espécie de pacto em torno dessa forma de comunicação.
Em outras palavras, um gesto só é considerado agressivo se todas as pessoas do
grupo entenderem e concordarem com seu significado. “Para evitar gafes e lidar
com as diferenças culturais, hoje em dia as multinacionais fazem livros de
comportamento. Essas publicações explicam aos executivos que viajam muito quais
gestos eles podem ou não fazer ao visitar outros países”, Rosali Telerman,
professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Da revista Super interessante


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