Filipe Silvello
Imagem da internet
Depois do tetra de 1994, entendendo um pouco melhor dos bastidores do futebol, minha paixão foi arrefecendo. Ainda permaneci com grande entusiasmo até a Libertadores do Grêmio, mas, depois de 1995, algo mudou. Era preciso me esforçar um pouco mais para tentar sentir aquilo que outrora fora natural, e eu só tinha 14 anos.
Sem adentrar em demasia no passado, vejo no presente a cena que explica o meu atual ranço. Um jogador mimado, chamado Menino Ney, sem pensar numa nação que ainda mantinha acesa a chama da fé pela seleção, foi lá rir, debochar, dar mais um demonstração de imaturidade e desrespeito, justo no momento em que o time estava SENDO ELIMINADO! Apesar do gol dele, só um milagre faria o Brasil empatar! Não havia tempo para mais nada!
Mas o menino, mimado, moleque, achou tempo para sambar, quando o momento era de tentar reagir, antes do luto! E ele não sambou na cara do goleiro, que riu desacreditado do que via e ouvia, mas sambou na nossa cara, mostrando que pra ele, e pra muitos outros, nós não importamos! Mostrando ignorar o fato de que a grande massa miserável desse país ainda tem no futebol o seu refúgio, mas isso, para os Neymares da vida, não tem a menor importância.
Pudemos observar a entrega dos jogadores de outros países, mas os brasileiros estavam a passeio, uma excursão de grife, com direito à família, jantares, tudo para tirar o foco de apenas alguns dias de copa! ALGUNS DIAS! Milionários como são, podem escolher o quê, quando, aonde ir, e com quem quiser, mas precisaram fazer isso no momento que exigia concentração e dedicação. Nós não importamos!
Eu me deixei levar pela onda, consegui vibrar com alguns gols, sentir uma pontinha de esperança, mas tudo foi ilusão, novamente. E não falo isso pela eliminação, mas pelo contexto, pela vergonha e pela exposição ao ridículo que o menino nos submeteu. Ver crianças se espelhando em Neymares e Virgínias é ver um futuro cada vez mais decadente. Ver adultos tendo eles como referência, então, é acreditar que o fundo do poço já chegou!
Pra
frente, Brasil, não salve a seleção, salve a gente!

É uma honra estar no seu blog, o Almanaque Cultural Brasileiro! Obrigado a
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