quarta-feira, 8 de julho de 2026

Desencanto

 Filipe Silvello

Imagem da internet

Depois do tetra de 1994, entendendo um pouco melhor dos bastidores do futebol, minha paixão foi arrefecendo. Ainda permaneci com grande entusiasmo até a Libertadores do Grêmio, mas, depois de 1995, algo mudou. Era preciso me esforçar um pouco mais para tentar sentir aquilo que outrora fora natural, e eu só tinha 14 anos. 

Sem adentrar em demasia no passado, vejo no presente a cena que explica o meu atual ranço. Um jogador mimado, chamado Menino Ney, sem pensar numa nação que ainda mantinha acesa a chama da fé pela seleção, foi lá rir, debochar, dar mais um demonstração de imaturidade e desrespeito, justo no momento em que o time estava SENDO ELIMINADO! Apesar do gol dele, só um milagre faria o Brasil empatar! Não havia tempo para mais nada! 

Mas o menino, mimado, moleque, achou tempo para sambar, quando o momento era de tentar reagir, antes do luto! E ele não sambou na cara do goleiro, que riu desacreditado do que via e ouvia, mas sambou na nossa cara, mostrando que pra ele, e pra muitos outros, nós não importamos! Mostrando ignorar o fato de que a grande massa miserável desse país ainda tem no futebol o seu refúgio, mas isso, para os Neymares da vida, não tem a menor importância. 

Pudemos observar a entrega dos jogadores de outros países, mas os brasileiros estavam a passeio, uma excursão de grife, com direito à família, jantares, tudo para tirar o foco de apenas alguns dias de copa! ALGUNS DIAS! Milionários como são, podem escolher o quê, quando, aonde ir, e com quem quiser, mas precisaram fazer isso no momento que exigia concentração e dedicação. Nós não importamos! 

Eu me deixei levar pela onda, consegui vibrar com alguns gols, sentir uma pontinha de esperança, mas tudo foi ilusão, novamente. E não falo isso pela eliminação, mas pelo contexto, pela vergonha e pela exposição ao ridículo que o menino nos submeteu. Ver crianças se espelhando em Neymares e Virgínias é ver um futuro cada vez mais decadente. Ver adultos tendo eles como referência, então, é acreditar que o fundo do poço já chegou! 

Pra frente, Brasil, não salve a seleção, salve a gente!

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