O catedrático de psiquiatria do sexto ano de Medicina era gordo, baixo e gostava de enormes charutos.
Durante certa aula, uma das então raras moças da turma abriu a bolsa, tirou os apetrechos e distraidamente começou a retocar a pintura. O professor imediatamente interrompeu a explanação e ficou olhando em silêncio, até conseguir tirá-la do alheamento. Perguntou-lhe então com um sorriso:
‒ A senhora sabe que esse seu gesto tem conotações sexuais, o batom como símbolo fálico, os lábios representando a vagina e o espelho revelando a voyeuse?
A jovem esperou diminuir o murmúrio de gozação e retrucou:
‒ Ah é, professor? E esse seu charuto, quer dizer o quê, então?
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Do livro “Anedotário da Rua da Praia 2”,
de Renato Maciel de Sá Junior.

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