Celito Manuel Brugnara*
Está chegando o Natal, como
um sonho, mas não é sonho, é verdade:
Jesus desce outra vez à
Terra,
rolando pela encosta do monte
para se fazer Criança, Menino;
para colher flores, rir das
gentes e ouvir os passarinhos,
como se estivesse fugindo do céu.
Vem de novo ensinar tudo,
tudo de novo,
mostrar como as pedras são
engraçadas,
e, à tarde, brincar as
cinco-marias no patamar da porta de casa.
E aprender, como se nada
soubesse,
ouvir histórias de reis e
aventuras dos homens
e aborrecer-se,
entristecer-se com tanto comércio,
navios enormes, trens imensos
e relatos de guerra, misérias,
gentes cansadas, gentes famintas, doentes, fatos e contos de morte.
Com tudo isso, permanece
quieto,
como se estivesse dormindo,
cansado de tanta tristeza.
Mas o Menino que retorna é a
Eterna Criança, o Deus que nos faltava,
Ele é o divino que sorri e
brinca,
Ele é o Menino Jesus verdadeiro.
(Com muito de Fernando Pessoa)
Ao comemorarmos mais um Natal, recordamos a vinda do Menino Deus, Ele que se tornou o Redentor dos Homens. A redenção esperada veio mansa, pequena, humilde como Ele, com singeleza da paz, com a sinceridade do amor. E cabe a nós entender, não o mistério da Redenção, incompreensível na forma e nos efeitos, mas entender que é pelo amor e compreensão entre as pessoas, entre os povos e nações, pelos frutos da justiça, que a tão desejada paz ocorre no mundo.
*Engenheiro
e Ministro da Eucaristia.

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