Carpinejar
Tudo o que vai, volta.
Tudo
o que você aplica na vida é um investimento secreto a dar rendimentos
inesperados ou uma dívida envergonhada que cobrará juros abusivos.
Tudo que você faz para o
outro é uma encomenda para si mesmo.
Quem esnoba, um dia ainda
sentirá na pele o que é ser humilhado.
Quem fura a fila, um dia será
passado para trás.
Quem rouba, um dia se verá
sem nada.
Quem é avarento, um dia ainda
conhecerá a escassez.
Quem se omite do socorro, um
dia ainda penará pedindo ajuda.
Quem despreza os amigos, um
dia ainda descobrirá o que é a solidão.
Quem
nunca oferece um tempo para ouvir, um dia saberá como é o mais profundo
silêncio.
Quem
costuma deixar a sua família no vácuo, um dia ainda amargará aniversários sem
ninguém por perto.
Quem
ofende, um dia ainda será chamado daquilo que mais dói.
Quem
desmerece os seus colegas, um dia ainda provará do veneno.
Quem
desvaloriza o carinho, um dia ainda experimentará a grosseria no convívio.
Quem
reduz o desabafo de uma pessoa a mero drama, um dia ainda será diminuído.
Quem
é preconceituoso, um dia ainda acabará vítima da exclusão.
Quem
foge de compromisso, um dia ainda mendigará para ficar junto.
Quem
ignora mensagens, um dia ainda aguardará ansiosamente uma resposta.
Quem
age por inveja, um dia carecerá de empatia.
Quem
pisa nos seus pares para subir, um dia ainda terminará no mais completo
isolamento.
Quem
se esquiva dos momentos importantes, um dia não terá a quem contar suas
experiências.
Quem
só promete, um dia ainda será dependente de favor e fiado.
Quem
desdenha do trabalho de alguém, um dia ainda se casará em vão.
Quem
brinca com as expectativas alheias, um dia será descartado.
Quem
quebra a confiança de um laço, um dia ainda suspeitará de qualquer coisa.
Quem
espalha inverdades, um dia ainsa sofrerá com distorções do seu discurso.
Quem
se cala por covardia, um dia ainda gritará por justiça.
Quem
usa relações como moeda, um dia ainda receberá troco.
Quem
abandona afetos no meio do caminho, um dia ainda será ultrapassado.
Quem
atalha, um dia será o último.
Quem
é indiferente, um dia ainda conversará com as paredes.
Quem
adia encontros, um dia morrerá de saudade.
Quem
não se mostra presente, um dia ainda arcará com ausências definitivas.
Quem
não agradece, um dia ainda não será lembrado.
Quem
chantageia, um dia ainda implorará por uma segunda chance.
Quem
mente, um dia ainda perderá o seu lugar.
Quem
não cumpre a sua palavra, um dia ainda terá a sua esperança torturada.
Sempre chegará a sua vez. Ainda que não seja agora.
(Do jornal Zero Hora,
janeiro de 2026)

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