quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A curiosidade é muito perigosa...

 

Um velhinho, muito safo, está num botequim fuleiro tomando tranquilamente seu chope espumante diário. Um grupo de rapazes está em outra mesa conversando animadamente. 

O idoso, pensativo, suspira olhando para as paredes do bar um tanto desolado. Um dos rapazes, notando a tristeza do ancião, se dirige a ele, curioso: 

‒ Está tudo bem com o senhor? ‒ pergunta tentando saber o porquê daquela tristeza. 

O velhinho começa a contar aos rapazes a razão do seu descontentamento: 

‒ Estou tentado me lembrar das cinco coisas que não fiz na vida, puxo pela memória e só, a muito custo, consigo me lembrar de quatro. 

Os rapazes, solidários, se acercam do idoso, incentivando para que tentasse se lembrar das cinco coisas que ele não fez na vida. 

O velhinho, fazendo um esforço danado, começa a falar do que consegue ainda se lembrar: 

‒ A primeira coisa que me lembro que não fiz, seria jogar basquete, que não fiz pela minha baixa estatura. A segunda era ser piloto de avião, não consegui porque as aulas eram muito caras. A terceira... a terceira, se não me falha a memória, era conhecer Paris! A quarta, vou ver se consigo me lembrar, acho que era cursar Medicina, atendendo o desejo do meu saudoso pai. A quinta? Não consigo me lembrar. Eu tento, tento, mas é impossível trazer à memória... 

Os jovens estão empolgadíssimos com a narrativa do idoso, um deles, o mais afoito, chega a sentar-se à mesa do velho senhor, pedindo mais detalhes daquilo que está faltando para completar as cinco coisas não foram feitas pelo velhinho. 

O idoso começa a tamborilar os dedos na mesa, e a garotada dando força: 

‒ Vamos lá que o senhor consegue, respira fundo, pensa bem, vai buscar no fundo dos neurônios o quinto desejo! Força! Vai fundo! O senhor consegue! 

De repente, o velho senhor dá um pulo da cadeira: 

‒ Me lembrei! Agora vejo tudo claramente na minha memória! Consegui me lembrar! Aleluia! 

Os jovens, com uma alegria esfuziante, cercam o velhinho, com uma curiosidade monumental: 

‒ Conta pra nós, tio, conta em detalhes, não nos aguentamos para saber. Conta logo! 

O velhinho, com um sorriso maroto, conta a eles: 

‒ A quinta coisa não fiz na vida foi comer o c... de um curioso! 

A gargalhada, no bar, foi geral.

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