Um famoso político brasileiro, com fama de conservador, estava a bordo de um avião, indo de São Paulo para Brasília. Ao seu lado, notou um garoto de uns 12 anos, lourinho, com ar sério e compenetrado, feliz com um livro nas mãos. Assim que o avião decolou, o garoto começou a sua leitura, quando o político puxou conversa, dirigindo-se ao menino:
‒ Ouvi dizer que o voo fica mais curto se a gente conversa com o passageiro ao lado. Gostaria de conversar comigo?
O garoto fechou calmamente o livro e respondeu:
‒ Talvez seja interessante. Que tema o senhor gostaria de debater?
‒ Ah, que tal política? Você acha que devemos reeleger o presidente atual ou darmos uma chance a outro que, entre outras medidas, dê anistia ao ex-presidente?
O garoto suspirou e replicou:
‒ Pode ser um bom tema e pode ser uma boa solução, mas antes preciso lhe fazer uma pergunta, posso?
‒ Então manda! ‒ encorajou o político.
‒ Cavalos, vacas e cabritos comem a mesma coisa, capim, grama, ervas, concorda?
‒ Sim, disse o político.
‒ No entanto, cabritos excretam bolinhas, vacas largam placas de esterco e os cavalos grandes pelotas... Qual é a razão para isto?
O político pensou por alguns instantes, mas confessou que não sabia resposta.
O garoto concluiu:
‒ Então como o senhor se sente qualificado para discutir quem deve governar o Brasil e anistiar um golpista se não entende de bosta nenhuma?
E durante o resto da viagem não trocaram mais uma palavra sequer...

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