domingo, 26 de abril de 2026

Origem da expressão

 

Do tempo do onça: A expressão refere-se a algo acontecido há muito tempo. Mais especificamente no século 18, quando Luis Vahia Monteiro conhecido como “Onça”, governou o Rio de Janeiro (1725-1732). O apelido veio de sua rigidez, já que ele exigia que todas as leis fossem rigorosamente cumpridas, por isso, ficaram boa lembranças “do tempo do onça”. 

■ Dourar a pílula: Sabendo da resistência dos enfermos em ingerir os amargos remédios, os donos das antigas farmácias costumavam embelezar seus produtos, embrulhando-os em papéis finos, na tentativa de torná-los mais atraentes. Vem daí a expressão, aplicada quando alguém tenta melhorar a aparência de algo. 

Arranca-rabo: Vem do antigo Egito. Nas batalhas, havia o costume de arrancar o rabo da montaria do inimigo. A prática disseminou-se pelos séculos. Os portugueses a trouxeram para o Brasil, onde o gado também passou a ser vítima. Arranca-rabo tornou-se sinônimo de briga, grande confusão. 

A cobra vai fumar: 1944. Depois de cinco anos de Segunda Guerra Mundial, o Brasil envia tropas à Itália. Dizia-se: mais fácil a cobra fumar que o Brasil entrar na guerra. A Força Expedicionária adotou então a cobra fumante como símbolo. A cobra vai fumar: a situação vai piorar, vai aguçar-se. Ou, atualmente, “o bicho vai pegar”. 

Deu zebra: Campeonato carioca de 1964. A Portuguesa pega o Vasco, favorito. Gentil Cardoso, técnico da lusa, prevê resultado tão impossível como o sorteio da zebra no jogo do bicho ‒ o animal não figura no rol. “Hoje vai dar zebra”, diz. A Portuguesa ganha e a expressão pega na hora. Deu zebra: aconteceu o inesperado. 

Mão em cumbuca: A sapucaia é árvore de qualidades medicinais. O fruto, em forma de cumbuca, contém pequenas castanhas que, maduras, ficam soltas e caem com o balançar dos galhos. Saborosas, são apreciadas por vários animais, como o macaco. Este, quando jovem e inexperiente, enfia a mão pela abertura da parte central e inferior do fruto, a fim de colher as castanhas. A mão cheia fica presa na cumbuca e ele só se livra se desistir do petisco. Por isso é que a sabedoria popular diz: “Macaco velho não põe a mão em cumbuca”. 

Tem sangue azul: Quanto mais branco o homem, mais nobre ele é. Nisso acreditavam os europeus renascentistas, que fugiam do sol para preservar a brancura da pele. Pela cor da tez, diferenciavam-se dos trabalhadores braçais. As veias, azuis, ficavam cada vez mais à mostra. Assim, diz-se que tem sangue azul os que têm nobreza, estirpe. 

■ Cuspido e escarrado: Para alguns, trata-se de uma modificação de “esculpido em carrara”, espécie de mármore utilizada por Michelangelo. Numa alusão à perfeição das peças do artista italiano, o termo passou a ser empregado para designar coisas ou pessoas semelhantes. Mas há quem defenda que a expressão teria vindo de “esculpido e encarnado”, em referência a santos autênticos. 

Espírito de porco: Nos tempos coloniais, os escravos africanos faziam todo tipo de trabalho, do mais leve ao mais pesado. Mas um, em especial, causava terror: negavam-se a abater porcos.  Achavam que os espíritos suínos lhes atormentariam à noite. A expressão passou a designar quem incomoda, atrapalha, é inconveniente. 

Debaixo deste angu tem carne: A expressão é usada quando se desconfia de que algo está sendo escondido. Sua origem vem do Brasil colonial, quando se costumavam alimentar os escravos com angu, massa barata feita de farinha de milho, mandioca ou arroz. Quando podiam, as cozinheiras escondiam pedaços de carne sob o angu, para prazer dos escravos e desprazer dos maus senhores. 

Uh! Tererê!: “Whoop! There it is!” (Ôpa! Aí está!), refrão do grupo de rap americano Tag Team, virou Uh! Tererê! nos bailes funk do Rio. O bordão, mais um daqueles em que o som vale mais que o sentido, foi para rádios de São Paulo e, em 1995, ganhou estádios de futebol, gritado nos momentos mais emocionantes dos jogos. 

Ao deus-dará: Pedir esmola não é atividade moderna. As maneiras que as pessoas usam para se livrar de pedintes é que se multiplicaram. Uma delas, comum antigamente, servia como espécie de consolo: “Deus dará”. A expressão passou a se referir às pessoas abandonadas à própria sorte, que vivem à toa, sem esperança ‒ ao deus-dará. 

Do livro: 

“Brasil – Almanaque de Cultura Popular – 

Todo dia é dia”

Elifas Andreato e João Rocha  Rodrigues 

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