Corriam os tempos heroicos das radionovelas, audiência absoluta antes do advento da televisão. Os capítulos iam para o ar ao vivo. Ainda não eram usadas gravações.
A massa de ouvintes da Rádio Farroupilha acompanhava o dramático final de uma comovente história de amor e violência. A trama fluía emocionante. O galã, interpretado por Walter Ferreira, finalmente encontrara o odiado vilão, refugiado no último andar de um edifício:
‒ Ah, canalha, chegou tua hora! Prepara-te para morrer. Neste revólver está a bala que reservei para ti todos estes anos. Toma, miserável, morre!
Naquele exato momento, nos estúdios da Farroupilha, na Duque de Caxias com o viaduto na Borges de Medeiros, o sonoplasta manuseou rapidamente o disco onde as diversas faixas que continham toda a variedade de sons e ruídos, como tropel de cavalos, trem andando, badalo de sino, etc. Ao invés do esperado tiro, porém, na transmissão ouviu-se o desconcertante mugido de uma vaca.
Walter consertou rápido:
‒ E não adiante te esconderes atrás da vaca, miserável!
*******
Do livro “Anedotário da Rua da Praia 1”,
de Renato Maciel de Sá Júnior.

Nenhum comentário:
Postar um comentário