Chico Buarque
Pra se viver do amor.
Há que esquecer o amor.
Há que se amar,
Sem amar,
Sem prazer,
E com despertador,
‒ como um funcionário.
Há que penar no amor,
Pra se ganhar no amor.
Há que apanhar,
E sangrar,
E suar,
Como um trabalhador.
Ai, o amor,
Jamais foi um sonho.
O amor, eu bem sei,
Já provei,
E é um veneno medonho.
É por isso que se há de
entender,
Que amar não é um ócio,
E compreender,
Que o amor não é um vício,
O amor é sacrifício,
O amor é sacerdócio,
Amar
É iluminar a dor,
‒ como um missionário.
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P.S.: Esta música é da “Ópera do Malandro”, uma peça brasileira do gênero musical escrita por Chico Buarque de Holanda, em 1978, e dirigida por Luís Antônio Martinez Corrêa.
A música “Viver do Amor”, de Chico Buarque, composta para a Ópera do Malandro, aborda o amor não como um sentimento idealizado, mas como um ofício penoso, rotineiro e sacrificial. A letra compara o relacionamento ao trabalho braçal e burocrático, exigindo disciplina, sofrimento (“apanhar e sangrar”) e persistência diária, em vez de prazer espontâneo.
Em “Viver do Amor”, Chico Buarque rompe com a visão idealizada do amor ao retratá-lo como uma tarefa exigente, distante do romantismo tradicional. A música compara o amor a profissões que exigem disciplina e sacrifício, como fica claro no verso: “há que se amar sem amar, sem prazer e com despertador – como um funcionário”. Aqui, Chico sugere que manter uma relação amorosa depende de esforço diário, rotina e até mesmo de abrir mão de desejos pessoais, afastando-se da ideia de paixão espontânea e prazerosa.

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