Na beira do mar, o mundo se transforma numa pequena bola de couro, de borracha ou de material sintético. Seja ela de futebol ou de vôlei. Nas areias da praia, sob o sol escaldante do verão, meninos, adolescentes, homens e mulheres se transformam em craques por semanas, por um dia, por uma hora ou até mesmo alguns minutos. As ondas vêm e vão, contínuas, rugindo, deixando a espuma a fazer desenhos na terra, enquanto a vida no Litoral vira um período de lazer, de descanso, de confraternização, e, para uns e outros, até de negócios. Ma a maioria se diverte em jogos o dia inteiro, para depois curtir o banho de mar tão esperado, o prazer de se atirar de corpo e alma naquele oceano azul de água salgada e refrescante. Ah, se a vida fosse sempre assim, todos os dias, com caminhadas, leituras, churrascos e rodas de chimarrão com os amigos, gargalhadas, causos, brincadeiras, uma bebida debaixo do guarda-sol, um picolé, um queijo assado no espetinho. Mas, como tudo na vida, esses dias duram pouco, porém são inesquecíveis. A bola gira, gira e às vezes estufa as redes. É mais um gol da vida, que pulsa no coração do verão.
Paulo Mendes,
no Correio do Povo, janeiro de 2025

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